Opostos ou nem tanto

Estará a partir de hoje disponível no mercado um maravilhoso romance que foi finalista da última edição do Prémio LeYa. Escrito por Ana Margarida de Carvalho, jornalista da revista Visão que já recebeu variados prémios, entre eles o cobiçado Gazeta, Que Importa a Fúria do Mar traz-nos duas personagens, duas gerações, dois tempos, dois Portugais distintos. Temos Joaquim, um dos últimos sobreviventes da primeira leva de ocupantes do campo do Tarrafal e, do outro lado (ou talvez do mesmo), Eugénia, uma jornalista ainda jovem que é chamada a entrevistá-lo e se interessa pelas suas histórias (a política e a pessoal) muito para além da curiosidade profissional. Estas duas figuras aparentemente antagónicas partilharão, porém, muita coisa juntas – memórias de infância, histórias de amores impossíveis, a fúria do mar e até um gato que, às tantas, deixa de ser de um deles para ser do outro. Cruel e lírico a um tempo, Que Importa a Fúria do Mar é uma estreia belíssima e invulgar na ficção portuguesa que nos faz desejar que a sua autora não fique por aqui e continue a temperar o jornalismo com a escrita literária.


 


Comentários

  1. Boa escolha de foto para a capa.

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  2. É um livro que vou comprar, tal como já comprei "Os Olhos de Tirésias" e o livro vencedor, que ainda não acabei de ler.
    Gostei de "Os Olhos de Tirésias" , estou a detestar "Debaixo de Algum Céu" e espero também gostar de "Que Importa a Fúria do Mar".
    Esta apreciação é meramente pessoal, porque não sou crítico.
    Sobre "Debaixo de Algum Céu", que acho bem escrito e demasiado poético (provavelmente foi graças a estes dois condimentos que venceu o prémio), encontro-o enfadonho -pelo menos até onde coloquei o marcador de leitura - sem ritmo, meramente ilustrador de vidinhas de condomínio e com uma grande falta de argumento aliciante. Sem querer menosprezar o valor da obra (repito, ainda não acabei de ler, o que é mau sinal, porque quando aprecio é até ao fim), tenho de cotejar este tipo de abordagem com o gosto "voyeur" de grande parte do público, cujo se repercute nos "reality shows" do género execrável de "Big Brother" e "Casa dos Segredos".
    Já "Os Olhos de Tirésias" é uma obra bem estruturada e documentada, aliciante, que prende; e, naturalmente, bem escrita.
    Perante esta leitura e meia, se eu fosse jurado, o livro da Drios estaria em primeiro. Possivelmente após a leitura do livro em apreço neste post poderei mudar a posição, o que presumo não acontecerá com "Debaixo de Algum Céu", onde a capa - sobretudo a capa - é, dos três, a mais bem conseguida.
    Suponho que grande parte dos leitores terá opinião concordante com a que acabo de expor, o que me leva a questionar o senhor Isaías - para quando a escolha de outro júri, menos monolítico e mais abrangente em termos de sensibilidade literária?

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    1. Uma «discussão» replicada em fóruns ou blogues literários refere-se aos gostos individuais relevados pelas capas nas obras literárias.
      Um aspeto que se estuda na educação é o apuro de estilos de aprendizagem, com vista à perceção da diferenciação pedagógica. Cada um tem uma forma pessoal de «apropriação» do saber.
      Uma abordagem entre várias é a do PNL ou programação neuro linguística. O mapa da realidade que construímos como conjunto de representações subjetivo e único, é feito de acordo com uma seleção de três sistemas sensoriais: o visual, o auditivo, o cinestésico. Assim, a captação de sinais mais visuais (os Visuais), mais voltados para o sons (os Auditivos) ou para o tato , o cheiro e o gosto (os Cinestésicos).
      A abordagem pelo PNL permite-nos assim entender como alguns são impelidos por capas e como outros passam bem sem elas desde que lhes deem «o cheiro e o gosto» do conteúdo.
      Ainda sob esta coisa dos opostos ou nem tanto, há um artigo sob «os escritores que elas preferem», muito interessante e que elenca fazendo um print-screen » do charme dos diferentes autores.
      O que explica como o visual parece ser já um elemento fundamental para a escolha do autor. Autores como Miguel Torga e outros meões de altura e tristes de facha, com nariz alto no meio e não pequeno, seriam autores a que repugnaria a autoria: uma imagem parece valer cada vez mais do que mil palavras! Até a literatura parece cada vez mais metro... sensualizada !»

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    2. Caro Pedro
      Confesso que gosto de lê-lo em"Pela Escrita é que Vamos", que é, como aponta em pórtico, uma oficina da escrita, e que é igualmente, segundo diz, o prolongamento da secretária do autor.
      Verifiquei, por essa leitura que faço, que o comentário que exibe nesta oportunidade, presumivelmente em resposta ao meu, já o tinha exposto nesse seu blog em duas peças, antecedendo em uma hora a diferença entre a entrada que aí deu no seu espaço e esta do comentário que legitimamente usou.
      Repito: gosto de ler os seus apontamentos e referências, mas confesso que este, saído de lá, parece-me ter apanhado, em sentido figurado, outra carruagem, como já me aconteceu em sentido literal.
      Compreendo que queira chamar-me (a nós) para a minha reflexão sobre as capas e o conteúdo. Não me leve demasiado a sério, porque para mim, num livro, até conta o facto dele estar de lombada colada ou cosida à linha. Num livro, tudo conta, menos a chancela do editor, pois adquiro obras das oficinas sem olhar a amizades ou ressentimentos pretéritos.
      Dou ênfase à capa. Pudera! A capa é a garrafa onde repousa o licor, é o Armani do executivo, a jardineira do operário, a farda do militar, o isco do pescador, o engodo da presa. Depois, vem o interior, que aprecio em duas ou três passagens ao folhear aleatóriamente três pontos sensíveis - a primeira página, algures outra no meio e finalizo com uma outra perto do final (trabalho que alguns editores acham árduo). É a chamada leitura gratuita, que não dispenso, antes da aquisição da obra. Apenas dispenso o ritual retro quando vou determinado a comprar algum título de algum autor. Aí, nem tempo perco; recolho da prateleira e passo pela registadora.
      Não sei se já comentei aqui sobre o facto de eu ler um livro na totalidade, mesmo que não goste das primeiras páginas. Não abro excepções, a não ser naqueles cujo conteúdo não caia no cadinho da arte literária, como é o caso de um livro de estatística ou de um repositório de discursos políticos ou quejandos. Há aqui um escambo entre oferta e aquisição: pago, leio tudo.
      Daí ter ressalvado, em comentário anterior, que a minha apreciação puramente pessoal e subjectiva, tinha recaído em cerca de metade da obra lida e referida. Poderei, no prosseguimento e conclusão, mudar de ideias, mas se não cativa até meio, não terá pedalada para me conquistar no fim.
      Há um ditado que diz - "muitos comentadores desconsertam a noiva"; há outro aforisma que afirma - "ninguém se considera tão ignorante como o sábio, nem tão sabedor como o ignorante".
      Assim, não sendo eu sábio nem ignorante, considero-me um simples leitor. Como tal, digo o que tenho a dizer para quem o queira ouvir ou queira ler.

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    3. Caro Jocamartinho E diz muito bem e é sempre um gosto lê-lo; gostos não os discuto ou dirimo, já que fazem parte do nosso espaço de liberdade; a convergência daquilo que escreveu no seu comentário é muito maior do que aparenta e peca da minha parte por maior clareza. A reflexão feita vai no sentido da perceção do lastro que os livros cada vez mais parece carrearem; suspeito, para prover à sua sobrevivência e existência. Ab.

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  3. gosto do título, da capa e do tema...

    em suma, vou gostar do livro da Ana.

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  4. Aproveito esta oportunidade para muito justamente dar os meus sinceros parabéns à extraordinária Maria do Rosário Pedreira pelo lançamento de muitos dos nossos jovens excelentes escritores.

    Dos que já li e achei muito bons, e recomendo, David Machado "DEIXEM FALAR AS PEDRAS", o prémio LeYa do ano passado João Ricardo Pedro "O TEU ROSTO SERÁ O ÚLTIMO", Afonso Cruz, "OS LIVROS QUE DEVORARAM O MEU PAI" e "DEIXEM PASSAR O HOMEM INVISÍVEL" do Rui Cardoso Martins, e se calhar até me estou a esquecer de alguns, mas estes que li gostei muito e por isso a MRP está de parabéns!
    Este que "IMPORTA A FÚRIA DO MAR" se for tão bom como os que citei será mais um a não perder!

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    1. Caso para dizer obrigada pela parte que me toca, mas há outra que não me toca: não sou editora nem do Afonso Cruz nem do Rui Cardoso Martins... Parabéns aos respectivos editores, pois também gosto muito de ler esses autores.

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  5. Quando o jornalista me confidenciou o estado a que chegou o jornalismo, não me surpreendi (até porque li todos os volumes das Farpas do Ortigão!) … mas novamente inquietei-me. Quando mencionou uma estação que diz, «fazemos e criamos notícias!?», não me surpreendi mas novamente inquietei-me.
    Criar é uma arte, embora também possa ser uma espécie de ilusão e muitas vezes apenas um processo; afinal toda a criação é colagem e gradação.
    Criar ilusões (a nós próprios ou aos outros, ou pelo menos tentar no processo) não é muito diferente de criar escritores, no meio de milhares, milhões! de ilusões pessoais; não sendo já uma arte, mas uma ciência, não exclusiva da literatura.
    Diáfanos e inocentes, parece, nem já os anjos!
    Mas no meio da enorme fila de putativos candidatos a um enorme céu, mesmo que percecionado como fugaz e ilusório, onde se acolitam anjos, mas também pobres Faustos, poucos lugares se sabem reservados a ilusórios eleitos; e a esses será permitido ficar (temporariamente, é certo, num teto que gira à velocidade das nuvens) debaixo de qualquer céu que é, reconheçamos, melhor do que ficar num céu pouco definido, num indefinido purgatório ou ir direto para um desesperançado inferno.

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  6. Que coincidência, não fosse o meu bisavô João e não Joaquim...

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  7. Grande capa, também acho, mas, e desculpem o meu mau-feitio, o título não é uma pergunta? Que mal fazia pôr um ponto de interrogação no final? Para mim é modernice a mais (dando de barato que a falta é propositada...)

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    1. O título foi retirado de uma letra de Zeca Afonso (Maio, maduro Maio) e, como nessa letra não há ponto de interrogação, aqui também não há. Zeca Afonso não é modernice, acho eu.

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    2. Ok, se o Zeca não punha pontos de interrogação é porque está bem. Ele sabia.

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  8. Com ponto(s), teria um ponto de admiração logo a seguir ao de interrogação!

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