O que ando a ler

Já disse certamente neste blogue que a estreia na ficção que me encheu realmente as medidas foi o romance de Paolo Giordano intitulado A Solidão dos Números Primos, de que fizeram em Itália um filme – que vi por acaso numa noite de Verão – absurdamente mau, sobretudo tendo em conta a excelência da obra em que se baseava. Paolo Giordano é físico – e, talvez por isso, a matemática cruzava esse livro belíssimo a partir do olhar de um dos protagonistas. Agora é a vez das Ciências da Vida visitarem o seu segundo romance. Intitulado O Corpo Humano, parece pensado para dar origem a uma longa-metragem do tipo de Platoon ou A Linha Vermelha. Nas suas páginas caminham militares de várias patentes, de personalidades marcantes, em direcção ao inferno do Afeganistão, onde tudo poderá realmente acontecer nos próximos seis meses. Entre eles, há um tenente deprimido que é o médico de serviço, um cabo jovem que ainda é virgem e um sargento-chefe que se prostitui com mulheres mais velhas e é, provavelmente, católico. Visitando os dramas pessoais destas e doutras personagens antes, durante e depois da permanência na base militar italiana (onde tudo realmente acontece), e aquilo que mudará para sempre no corpo e na mente de cada uma delas, esta obra é um pontapé no estômago que (masoquismo à parte) vale mesmo a pena levar.

Comentários

  1. Ando a ler "a vida inútil de José Homem" de Marlene Ferraz. Estou a gostar imenso e recomendo.

    Permitam-me um àparte para o Severino:
    Meu caro, acabei há algumas semanas "o comprador de aniversários" que recomendou aqui e gostei muito. Obrigado pela dica. Deixo-lhe ainda isto:
    Já tinha lido os livros do Primo Levi e reli as páginas de "a trégua" onde ele menciona Hurbinek.
    O meu filho mais velho tem 3 anos, a idade que teria Hurbinek.
    O meu pai chama-se Severino.
    Nesta temática, não sei se leu "Treblinka" de Jean François Steiner, um relato cru do que lá terá acontecido e, muito mais terno, "a ilha na rua dos passaros" de Uri Orlev. Gostei de ambos.

    Um abraço literário para si.

    Rui Miguel Almeida

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    1. Adorei «A Vida Inútil de José Homem»!

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    2. Caro Amigo Rui às vezes chamam-me Severino, mas o normal é chamarem-me Zeferino, Silvino, Sufrino , Sobrinho, etc...também já terá certamente acontecido com o teu Pai - uma abraço para ele.
      TREBLINKA de Jean François-Steiner é, porventura, dos livros que li, o que melhor retrata o pulsar (do dia a dia) dos campos de concentração nazis; grande livro (contra o que é meu costume foi dos poucos livros que li duas vezes).

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  2. Por acaso estou a ler o livro 2 do nosso físico Camarneiro , visitando os dramas pessoais dos diferentes habitantes do prédio situado numa localidade costeira. O que entretanto também li, e vou ler outra vez mal reentre numa livraria, é o excelente conto Montevideu, já aqui referido, de JRPedro que me deixou meio abananado e a pesquisar um tal Alejandro Murillo Juarez . Só encontrei Alejandros Murillos facebookeados a partir da cidade de Juarez .

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    1. Gostei muito do novo livro do Camarneiro !

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    2. Também estou a gostar. Lá por alturas de 29 de Dezembro, ou será 30?, há um belo pequeno capítulo do narrador Bernardino, salvo erro, a pensar nas ambições da (sua) vida como uma montanha onde ele acabou por morrer na praia do cume. Foi onde fiquei ontem e que mais logo vou reler depois de me certificar que o benfas perdeu, talvez para verificar que não era afinal a personagem Bernardino a falar e que quem quer que fosse não queria afinal dizer tal coisa.

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    3. Também estou a ler esse livro e entusiasmada. Sobretudo com o Marco Moço.

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  3. Adorei a «A Solidão dos Números Primos»! E quanto ao filme, tentei mas não consegui vê-lo.

    Ando a ler «Se Numa Noite de Inverno Um Viajante», de Italo Calvino. Estou a adorar e só tenho a agradecer a quem me desafiou a lê-lo que, além de me ter apresentado este autor, me levou até às «Memórias Póstumas de Brás Cubas», de Machado de Assis.

    Gosto muito de passar pelo «Horas Extraordinárias» e adoro, sobretudo, o «O Que Ando a Ler». Obrigada!

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  4. Paolo Giordano (não confundir com Bruno Giordano, que escreveu "Revolutionibus" e foi executado pela Inquisição) , se fosse português teria sido editado pela Maria do Rosário: primeiro, porque está no escalão etário dos jovens criadores ou "meninos da Rosário" como já li num blogue; segundo, porque o estilo enquadra-se no "novo romance" da dissecação psicológica das personagens, cada uma de per si; terceiro, porque a Rosário sabe prever, como uma sibila, o êxito de uma obra ou de um autor.
    Para que se não diga que entro sem dizer o que ando a ler, posso adiantar que comprei na Fnac do Vovaci de Coimbra, com desconto de 10% o premiado livro do Nuno Camarneiro - "Debaixo de Algum Céu". É esse que vou ler, depois de ter terminado a leitura anunciada no início do mês anterior e ter prosseguido com "Para Sempre" de Susanna Tamaro. Pelo meio, li um livro três vezes, mas esse foi sob uma promessa de revisão do texto do livro de uma autora que vai ser publicado em breve.

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  5. Este mês homenageio as nossas escritoras estreantes no romance.
    Ontem li "A vida inútil de José Homem", da Marlene Ferraz, amanhã começarei a ler "Os olhos de Tirésias", da Cristina Drios, e terminarei o triângulo feminino com "Que importa a fúria do mar", da Ana Margarida de Carvalho.

    António Breda Carvalho

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  6. Li o primeiro livro mas nunca consegui ver o filme.
    Quanto a este vai ter que esperar, de momento não há verba...
    Ando a ler, melhor a saborear, A Descoberta do Mundo, as crónicas da Clarice Lispector.
    Pelo meio li Um Sopro de Vida, da mesma autora, e o Livro de Horas da Nélida Piñon.
    Boas leituras!
    Antonieta

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  7. À MRP
    (ou a quem se prestar a dar-me a informação):

    Tenho um primito com 11 anos, leitor compulsivo (até que o computador e a playstation dêem cabo dele), que acabou de ganhar um prémio da Caminho/Leya e cujo trabalho escolar irá ser publicado num dos livros da colecção «Uma Aventura».
    Irá receber o prémio na Feira do Livro, das mãos da Isabel Alçada e da Ana Maria Magalhães.
    Conto estar presente e queria oferecer-lhe um bom livro com uma aventura empolgante.
    Pode(m) indicar-me um?
    Mas que fuja aos clássicos da colecção «Os 5» ou «Uma Aventura».
    Penso que ele já «derreteu» isso tudo.

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    1. Há um livro de Luis Sepúlveda que geralmente encanta os jovens leitores: História de uma gaivota e do gato que a ensinou a voar. Um abraço e parabéns ao primo.

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    2. Bela sugestão ! Para mim o melhor livro do Sepúlveda, contando com quase todos os livros escritos por ele para adultos, mesmo os de muita fama...

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    3. MRP:
      Muito obrigado.

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  8. A Solidão dos Números Primos, que grande livro. Eu, que infelizmente não tenho o dom da criatividade e da imaginação, se escrevesse um romance gostava que fosse como esse. Belíssimo.
    Depois d' A Ilha dos Pinguins, de Anatole France , li As Três Vidas, do João Tordo. Confesso que estava de pé atrás relativamente a este autor porque, há uns tempos, vi uma entrevista num canal televisivo e não gostei da postura do João Tordo. Porém, na sequência do recente Festival Literário da Madeira, apesar de não ter assistido à participação do referido autor, adquiri o romance As Três Vidas. Valeu a pena e recomendo.
    Depois li O Filho De Ninguém, o livro de estreia (diria que um thriller no formato de novela), da autora madeirense Olivia Darko.
    Ontem comecei a leitura de Dias Tranquilos, de Kenzaburo Oé As cinquenta páginas inicias são de uma secura que me deixaram sem um pingo (no bom sentido, claro). Promete.

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    1. Também já li "As 3 vidas" de João Tordo, mas do que gostei mais foi "Bom Inverno".
      "Dias Tranquilos" promete e cumpre, gostei imenso dessa secura, que nos traz tudo menos tranquilidade.

      Suzana

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    2. Obrigado pela garantia, Suzana, relativamente aos Dias Tranquilos. Registei O Bom Inverno, também.

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  9. estou quase no final de "Os Detectives Selvagens" de Roberto Bolano.

    é um excelente livro, com a magia única da "sul-américa".

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  10. Estou a ler o "A descoberta do mundo" da Clarice Lispector , magnífica colectânea das suas crónicas publicadas na imprensa. O livro funciona um pouco como uma autobiografia: a autora discorre sobre variados assuntos o que permite ao leitor conhecer, não só pormenores da sua vida, como o seu mundo interior. Fascinante!
    Gostaria ainda de referir o último livro que li e que apaixonou verdadeiramente. Trata-se de "Os Enamoramentos" do Javier Márias. O livro é muito mais que um romance. É um tratado sobre as relações afectivas e uma reflexão profunda sobre temas como o amor, a amizade, os ciúmes, a morte. É belíssimo! Foi seguramente o livro que mais gostei dos últimos tempos. É maravilhoso! Já tinha lido dois livros deste autor e embora tivesse gostado muito, não me apaixonaram como este. O livro é soberbo! Não tenho palavras para o descrever.

    Também gostei muito do "A solidão dos números primos". Ainda não tenho este último mas vou comprá-lo seguramente.

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  11. Caro Rui Miguel,
    O «Treblinka» foi um livro marcante para mim numa altura em que lia tudo o que se relacionasse com o holocausto.
    Também me impressionou muito «A Escolha de Sofia» do William Styron, que deu origem a um filme belíssimo, com o mesmo título, e com o qual a Meryl Streep ganhou um Oscar.
    Penso que não existe edição portuguesa deste livro.
    Nesta temática, e mais recentemente, destaco «O Rapaz do Pijama às Riscas».
    Li o livro, vi o filme, e gostei de ambos.
    Antonieta

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    1. Olá Antonieta,

      Apontei "o rapaz do pijama às riscas", hei-de pesquisar por ele. Obrigado!

      Rui Miguel Almeida

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    2. O RAPAZ DO PIJAMA ÀS RISCAS - P. Boyne (escrevo de cór) - grande, grande livro!

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    3. E que nos deixa um enorme nó na garganta...

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  12. E. L. Doctorow, Homer & Langley (Porto Editora)

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    1. Ó Miguel este livro é capaz de ser muita bom...não é? tenho cá uma fé!

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    2. É excelente. Nunca tinha lido nada do autor, e estou encantado.

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    3. Caros Miguel e Severino,

      Também já li e achei o livro genial. Por curiosidade, a breve opinião de Luís Caminha, que parece também ter gostado muito e que dedica um elogio especial à tradutora Tânia Ganho:

      http://ocasosluiscaminha.blogspot.pt/2013/04/1-homer-langley-e-l-doctorow.html

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  13. Ando a ler "Bomarzo", do argentino Manuel Mujica Lainez. Trata-se de um romance passado no século XVI, em Itália, mas que pela sua universalidade e intemporalidade suplanta as fronteiras do tempo e do espaço. É um romance histórico, sim, mas que diferença entre ele e muitos dos "romances históricos" que enxameiam as livrarias... Curiosamente, data do início dos anos 60, 1962 salvo erro, mas só há meia dúzia de anos foi publicado entre nós. Uma obra-prima que recomendo vivamente.

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  14. Ando a ler “Uma Cultura da Informação para o Universo Digital” de José Afonso Furtado, e “The Lives of the Twelve Caesars” de Suetonius.

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  15. Ando a ler "O Retorno" de Dulce Maria Cardoso.

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  16. António Luiz Pacheco2 de maio de 2013 às 05:12

    E lá vou eu destoar da cultura presente... deverei? Ora, porque não...

    Ando a ler:

    "Cooperativas e desenvolvimento rural", de Homero Ferrinho. Muito bom para as finalidades em vista!

    Acabei há pouco "Honra de dever", de Alpoim Calvão. Como já disse sou um leitor de biografias e estes assuntos interessam-me muito.

    Ando a ler, e andarei... "Shantaram" de Gregory David Roberts. Tem tudo o que gosto... é grande, tem aventura, humanidade e muita reflexão sobre os povos e os países. Creio que fala da Índia com o saber e a profundidade que nenhum outro terá, salvo Kippling...

    Boas leituras!!!!

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  17. Relatório e contas / Abril

    1 – Calhei de ir à Figueira da Foz no primeiro sábado do mês. Dia bonito. O Ângelo e a Patrícia, simpaticamente, levaram-me à feira das velharias e livros em segunda mão. A primeira banca que visitámos tem duas secções, uma de livros e outra de objectos diversos.
    O meu dedo parou numa lombada que nunca tinha visto: “A Mulata”, Carlos Malheiro Dias. No prefácio, Alexandre Pinheiro Torres explica por que este livro, escrito e editado no Brasil em 1896, ali causou tanta perturbação, e por que tardou quase oitenta anos esta 1ª edição em Portugal, Arcádia,1975.
    O Ângelo e a Patrícia andavam entretidos a examinar uma cadeira que ali estava à venda por 5 €, ele já a imaginar como a modificar, que é o que ele gosta de fazer, personalizar objectos de série.
    Enquanto recordava o quanto gostei de, há coisa de um ano, descobrir Malheiro Dias através de “Os Teles de Albergaria”, passei os olhos pela “Mulata”. No canto da última folha está apontado a lápis o preço do livro no tempo em que foi editado: 120$00. No canto da primeira folha, o preço de aqui e agora: 20 €. As voltas que a vida dá. É fazer as contas: de 60 cêntimos passou para quatro contos.
    «Ó menina, não faz a coisa por menos?»; «Ai, não pode ser. Repare que é uma primeira edição…»; «Pois, mas este exemplar já não está em muito bom estado»; «Sabe como é, tem quase quarenta anos, é da minha idade, eu também já tenho a lombada a ficar gasta…»; «Ora, não diga isso, que ainda apresenta aí uma capa que dá gosto ver»; «Acha? Então pronto, por ser para si faço-lho por dez euros»; «Dez euros?! Vou dar uma volta e depois falamos».

    2 – Íamos rondando por outras bancas, e eles sempre a imaginar a volta a dar à cadeira.
    De súbito, que objecto magnífico! – Formato quadrado, grandinho, capa rija revestida a pano, os cantos protegidos por triângulos de pele verde. Mas não tinha qualquer palavra gravada. A pista era dada por um post-it colado num dos cantos, que informava:”Pedro Homem de Mello”.
    Abri: “Poesias Escolhidas”. Papel especial, claramente uma edição artesanal, personalizada, de certo feita pelo anterior proprietário como objecto de estimação. As voltas que a vida dá…
    Preço: um dinheirão.
    Brindei o homem da banca com a minha recordação de Pedro Homem de Mello na televisão declamando, a seu jeito pausado, versos populares, analisando e explicando a construção poética, a métrica, a musicalidade. “Ferrim fim fim / ó castelo de Leiria / ó ferrim fim fim, fim fim / ó sejas tu arrasado. / Por causa de ti, castelo / ó ferrim fim fim, fim fim / meu amor foi p’ra soldado.”
    Para não sair dali de mãos a abanar, comprei um exemplar em bom estado de “O Mestre de Esgrima”, Arturo Pérez-Reverte. (Dele li, em férias, os competentes “A Tábua de Flandres” e “O Pintor de Batalhas”)
    Fiz questão de não retirar o post-it com o preço que paguei: 2,5 €…

    3 – … que era para o mostrar à rapariga da primeira banca.
    Abreviando o relato: «Dou-lhe os dez euros pelo livro mais a cadeira»; «Quinze», retorquiu ela; «Doze», eu; «Tá bem, pronto. Negócio fechado. Por ser para si…».
    Felizmente que a cadeira coube na mala do carro, e seguiu para obras.

    Contas

    Por menos de 15 €, dois livros e uma cadeira apta a levar uma volta.
    As voltas que a gente consegue dar à vida.

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    1. Joaquim Jordão Tem a certeza que é de leitura que gosta? É que por ser para si arranjava-se uma «banca» de CPO Chief Purchasing Officer )

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    2. CPO Chief Purchasing Officer ).

      Na passada terça-feira estive num evento e tive a grata satisfação de ver um Espanhol a defender a nossa língua. não autoriza na sua reunião nem feed-backs , nem back grounds , nem nada destas merdas todas, só postas de pescada (em inglês) que fazem mais mal à nossa língua que mil acordos ortográficos .

      Quando temos uma língua tão rica para que é que é preciso estas caganças inglesadas - bolas, falem Português, para que toda a gente vos perceba!

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    3. Os seus comentários ao post que é habitual por estas alturas do mês valem bem a pena.

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    4. Pedro, troque-me lá isso por miúdos, por favor.
      E diga-me, já agora, qual o ordenado, a ver se vale a pena.
      Abraço.

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    5. Caro Joaquim
      Como sempre o que nos apresenta é um excelente relatório das suas e nossas contas. Face a esse relatório que me alegrou o dia, puxei então do meu dicionário de acrónimos corporativos e tentei classifica-lo virtualmente: o que, diga-se em boa verdade, não se apresentou como tarefa nada fácil. Tentei fazer o match ” (perdão Severino, para esta minha tendência libertária, anarquista e universalista do mundo), o encontro, entre a qualidade da sua escrita e um CAO , um Chief Accounting Officer ”, ou Diretor de Contabilidade para o Severino, o que não me pareceu nada bem: já que a escrita do Joaquim é quantitativa, sem descurar uma enorme qualidade analítica e descritiva. CAO , Chief Analytics Officer ” ou Diretor de Análise, estaria com certeza muito mais próximo das partidas dobradas, do deve e haver de um aritmético militante (um tipo assim ao estilo daquilo que hoje chamamos de “O Gaspacho”).
      Estava neste pé, neste lugar de liberdade, de satisfação, de puro gozo (no sentido de usucapião literário) e distensão, muito longe de querer criar desperdício e dissensão, cada vez mais indeciso, quando logo abaixo dei de caras com a vaga em aberto de CBO , ou Chief Brand Officer ”, Diretor de Qualidade, cargo que caia, também, que nem uma luva no amigo - chefe Joaquim. «Perfeito, pensei!» Mas como não há bela sem senão e muito menos escrita sem um «se», mais um «não!», a linha abaixo estragou-me o dia: CCO , Chief Communication Officer ”: Diretor de comunicação», pensei, «inclusivo, mais do que perfeito!»
      Face à continuação dos acrónimos e porque não poderia estragar o resto do dia aos nossos extraordinários, CKO , Chief Knowledge Officer ”, ou Diretor do Conhecimento, e todos os acrónimos imediatos não viram a luz do dia. « Delete ” com eles», pensei e executei. Sobrou-me apenas o CPO , o Diretor de compras, pela qualidade de negociação demonstrada pelo extraordinário amigo Joaquim Jordão. Ou seria apenas este, não me tivesse eu apercebido que um acrónimo restante, o correspondente ao cargo CVO de Chief Visionary Officer ”, ou Diretor Visionário (de visão literária) se adequaria a JJ (Joaquim Jordão em extenso, para que não se zanguem comigo os detratores dos acrónimos). O problema, é que consta nesse sítio que esse cargo deixou de ser oferecido após a morte de Steve Jobs , assim uma espécie de camisola vitalícia para um daqueles artistas (esses sim, providos de grande cagança ), da bola.
      Caro Severino, não podia estar mais de acordo consigo com o uso intensivo daquilo que é nosso, apesar da globalização, da mundialização, dos globalismos, dos glocalismos e até do Euro, esse épsilon malvado que nos obriga a termos de ser até CPO ’s do nosso destino. Mas que caminhamos para um (a) Chief World Officer ”, CWO … aí caminhamos, caminhamos: e até pode ser uma Chefinha de saias. Um abraço e uma «saparia» feliz para o Joaquim.

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    6. Caro Pedro e todos os amigos das Horas Extraordinárias - Peço desculpa pela minha ignorância!

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  18. "UM HOMEM DE PARTES" de David Lodge - um romance biográfico sobre o escritor britânico H.G. Wells (1866-1946); são 592 páginas, vou na 305 - recomendo? nem sim nem não, é que há tanta coisa para ler... por exemplo, antes deste "O FEITIÇO DA ÍNDIA" do Miguel Real encheu-me "as medidas".

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  19. Desculpem voltar ao tema, mas esta merda revolta-me as entranhas . Ainda no passado sábado no suplemento literário do Diário de Notícias, um cagão qualquer a quem lhe solicitaram na semanal coluna de escolhas de discos, exposições, livros, teve a distinta lata de nem um título, dos recomendado, ser em Português, então digam-me lá se estes gajos não são cagões ...
    Muitas histórias teria eu para contar se fosse agora desdobrar o guardanapo...

    Quando se fala (em sentido pejorativo) dos intelectuais é disto que se fala meus amigos é disto e não propriamente do intelecto!

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    1. O comentário seguinte é em resposta ao seu e não directamente ao post, como o fiz.

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  20. Caro Severino
    Entendo a sua revolta. O domínio do estrangeiro sobre alguma gente não é só financeiro, é intelectual e cultural. Depois, há a considerar que há o factor traduções - e os tradutores precisam muito justamente de trabalhar (vou ter o Agarez à perna, mas ele é um ótimo tradutor de Roth e não só) - as influências das editoras que publicam autores da estranja e algum pedantismo nacional, que sempre houve.
    Os autores nacionais não precisam que traduzam os seus textos; alguns necessitam que os corrijam, o que tem sido feito sem qualidade.
    Tenho na minha estante um livro comprado na China, evidentemente com os caracteres peculiares. Não entendo uma única palavra (símbolo), mas tenho-o porque o livro em si, para mim, é universal. Com um pouco de pedantismo, exibo-o de tal forma a dar nas vistas, só para dar a entender que "pesco" em mandarim.

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  21. As minhas leituras mais recentes foram "O elogio da madrasta" de Mario Vargas Llosa
    "Nunca me deixes" de Kazuo Ishiguro e "O Haiku das palavras"de Andrés Pascual. E pelo meio um conto eo Haruki Murakami a quem volto de tempos a tempos, nem que seja em forma mais compacta.

    Suzana

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  22. Aqui vai uma discordância em relação ao aplauso geral dos "Números Primos": o romance tem um começo fulgurante em qualidade de escrita e de criação de um ambiente de mistério à volta de um para-suicídio de adolescente, cuja descodificação nos deixa colados à trama novelesca. No final do primeiro capítulo, dizia entusiasmado cá para mim: que grande livro, que grande escritor ! Mas depois o livro foi-se esvaziando e termina de um modo que achei psicologicamente inverosímil, excessivo, forçado, mesmo que o autor nos tenha subliminarmente advertido desde o princípio que o suicídio era o tema da sua obra. Quando fechei o romance senti-me um pouco enganado. O autor é claramente um bom artesão em estilo (que é 70% do valor de um livro, segundo Saramago) mas o livro é prejudicado por não ser convincente na consistência dos personagens. É sempre tudo demasiado etéreo e indefinido, como os flocos de neve a cair, e com um final que me pareceu incompreensível e errático, com pouco a ver com aqueles dois seres. Seguramente, falta de capacidade poética minha.

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  23. Quando refere o filme "A linha vermelha" está a pensar no "The Thin Red Line"? É que em Portugal esse filme ficou com o título "A Barreira invisível".

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  24. Olá Suzana,
    Também gosto muito do Murakami, tenho quase todos os livros dele.
    Quanto ao Kazuo Ishiguro o meu preferido é o «Despojos do Dia», com o qual ele ganhou o Booker e que originou um filme fabuloso com o Anthony Hopkins e a Emma Thompson.

    Antonieta

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    Respostas
    1. Já está também na lista para quando voltar à biblioteca.
      O próximo que queria ler do Murakami era "Underground - o Atentado de Tóquio e a Mentalidade Japonesa" já leu? Que tal?

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  25. Devo dizer que nesta rubrica quase sempre passo. Ando a ler livros infantis de Sophya de Mello Breyner, poesia dos sem nome, mas de que gosto... e outras pequenas coisas que não digo aqui porque vocês riam. E me tolhe, na altura de apresentar. Agora posso dizer, o tempo faz destas, o passado continua nosso, mas aligeirado. Passou. Pois, é verdade, gosto dos contos infantis de Sophya. Leio-os com a mesma satisfação de um romance. Um conto de Natal, A Menina do Mar, o Rapaz de Bronze, a Fada Oriana, O Cavaleiro da Dinamarca...
    Bom, tomei-me de amores por Clarice Lispector para aí há um ano. Primeiro pelo nome. Em seguida pela pureza e rigor da escrita onde nada sobra. E agora, sobretudo, pela mente da senhora. A forma como entende a realidade é tão fora do comum que inaugura o quotidiano. Vou andar um mês a ler-lhe as crónicas e a aprendê-la, não terminei A maçã no escuro e gostei de Laços de Família.
    Que mais?...Li o livro de Cristina Drios. E sim. Sei que gostei porque o li invulgarmente depressa para o meu ritmo e tenciono comprar o próximo. Não me pareceu um livro de estreante na arte de escrever, tem forte imaginário e pulsação qb.
    Comprei A curva da Estrada de Ferreira de Castro por só ter lido um livro deste autor e estar em bom preço; não li. Nos intervalos, reli Rua de Nenhures de Pedro Tamen, a poesia feita riacho por dentro da prosa, a alagá-la.
    Hummm...não julguem que leio muito. Isto deve ter sido quase um mês. É. Vai contra a intenção da Rosário, sorry. E Sorry para quem esteve aqui a dizer que inglês e tal...mas nem sempre é pedantismo. E menos mania de intelectualidade. É mesmo esquizofrenia pessoal:) Palermice. Mas todos temos direito às nossas pequenas idiossincrasias

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    1. Cara Beatriz
      É isso, amiga. A vida no real é demasiado cinzenta para a levarmos totalmente a sério; precisa de ser colorida muitas vezes com umas palermices que nos façam lembrar que não devemos levar esta vida demasiado a sério - e muito menos nós próprios. O que não implica que não esgotemos a nossa imaginação mais delirante, que trás por arrasto alguns sedimentos que podem estar escondidos: com conta, peso e medida, q.b., é verdade, senão o caminho pode estar num divã, embora quem gosta de poesia tenha esse caminho de sofá. E olhe que o registo dos acrónimos ingleses é infelizmente uma praga, felizmente não na minha geração; agora é mais «panache», o que causa a revolta do Severino. Na minha (geração) quem falava na perfeição inglês, um estrangeirado na província, estava antecipadamente promovido; era rapidamente promovido à qualidade de imprescindível e impressionante. E já agora, porque é dia de exposição de leituras, deixe-me dizer-lhe que revisito o Decameron de Bocacio e o vampiro de Curitiba do Dalton Trevisan. E escrevo, «o ano um de uma nova vida», que é uma forma de espelho de leitura.

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    2. Pedro
      Obrigada pela atenção :)) desejo que leituras e escrita corram de feição.
      BFS

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  26. Para mim surpreendente está a ser "o Verão de 2012" de Paulo Varela Gomes. Ofereci a "Solidão dos números primos" a uma amiga à espera que depois de o ler me emprestasse. Perdeu-o nesse mesmo dia, nem eu, nem ela o lemos. Agora já deve ser difícil de encontrar.
    ~CC~

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    1. em livrarias físicas não sei, mas na wook e fnac online está disponível a versão de bolso e a normal.

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  27. Mesmo, mesmo, mesmo a terminar "Cama de gato", de Vonnegut. Não é arrebatador, não é obra para servir de referência, mas está bem estruturada e dá uma visão ao mesmo tempo pessimista e humorada da loucura humana.

    Agora, conto os segundos (melhor dizendo, as poucas páginas que faltam) para entrar em "Paradiso", que consegui desencantar numa biblioteca.

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