O céu é o limite

 

Hoje realizar-se-á a entrega do Prémio LeYa a Nuno Camarneiro pelo seu romance Debaixo de Algum Céu, publicado em início de Abril. Estas coisas levam o seu tempo, pois requerem a presença de entidades oficiais e as agendas destes senhores são sempre complicadas. Chegou, porém, a hora de o autor receber o galardão e de nos presentear publicamente com algumas palavras ditas (as escritas estão no livro, disponíveis para todos os que o queiram ler). Manuel Alegre, como presidente do júri, falará do romance e certamente das razões que levaram os jurados a escolher este entre sete. Tenho a certeza de que, ao concorrerem, todos os autores que enviam os livros têm a convicção de que podem ganhar (senão, para que o fariam?) e que o céu é o limite. No entanto, Nuno Camarneiro contou em entrevistas que, quando ouviu a voz de Manuel Alegre ao telefone, grave como sempre, foi como se ouvisse Deus. Estava, enfim, debaixo de um bom céu... Parabéns ao premiado e também aos restantes finalistas. Aquilo de que precisamos é que haja sempre bons livros.


 


Comentários

  1. Já aqui o disse e repito, li o livro de um fôlego e gostei imenso.
    Sabia que era o prémio Leya e estava um pouco céptica, mas bastou-me ler o preâmbulo para decidir comprá-lo.
    E não me arreoendi!
    Também gostei da capa, acho que tem tudo a ver com o livro, além de que adoro gaivotas.
    Quanto ao Nuno pessoa, acho-o um charme, gostei muito de ver a sua entrevista no Bairro Alto.
    Obrigada Nuno por escrever tão bem!

    Antonieta

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  2. Claro que é:
    E não me arrependi!
    Isto de escrever num teclado minúsculo tem os seus quês...
    Sorry!
    (mais uma com a mania que sabe inglês)

    Antonieta

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  3. Acabadinho de ler ontem!
    Em nada me decepcionei, também. Li algumas das análises feitas ao livro, por parte de Manuel Alegre e de facto confirma-se: Muita segurança na escrita.
    Um retrato cru de vidas que passariam despercebidas, talvez, no meio de outras tantas não fosse alguém dar-lhe nome daquela forma única.

    Um abraço

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  4. Já li o livro e gostei muito. Excelente descoberta, sem dúvida. Também quero muito ler o "No meu peito não cabem pássaros": tenho tido ótimas referências deste livro. Irei fazê-lo brevemente.
    Os meus parabéns ao autor.

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  5. Ainda não li o livro, porque estou com outro em fase de conclusão. No entanto, passando as folhas em casa - à guisa das leituras nos centros comeciais - reparo que é uma escrita consistente e saborosa (com sinónimo de agradável), o que me leva a crer que venceu o melhor.
    Sobre o prémio, que é de facto aliciante pelo seu valor monetário e pelo prestígio aderente ipso facto, continuo a presumir que a escolha das duas ou três centenas de originais pertence a um júri mais abrangente e tanto ou mais decisivo que o júri nomeado e conhecido. A escolha de 7 num pequeno universo de 10 (no ano anterior foi 5 em 10), leva-me a crer que as obras que não foram "à final" não mereciam estar lá, uma vez que "podiam" entrar mais 3.
    Sobre este prémio tenho uma pequna história que divulgo sem nomear a personagem principal, pois não me autorizou para isso. Um conhecido apareceu-me em casa, em princípios de Maio do ano passado, para lhe corrigir um original que vinha impresso em duas centanas e meia de folhas A4. Nessa altura não me disse para quê, fazendo-o após receber o original com as minhas anotações. Disse-me que ia concorrer ao Prémio LeYa e pediu-me a opinião. Eu não o desmoralizei, porque podia estar a retirar um original do concurso e a desmotivar um concorrente. A obra tinha um enredo espectacular, quase genial, mas o "molde" da obra retirou-lhe esse valor. A obra estava escrita segundo a realidade quotidiana, era bastante dura no tratamento das personagens e o envolvimento psicológico destas na acção mostrava um escritor em potência.
    Não obtive qualquer resposta sobre o êxito, mas se o concorrente utilizou o mesmo pseudónimo que me indicara, não fez parte dos finalistas.
    Tenho curiosidade em ler todos os finalistas que forem publicados - já aqui disse isso - para cotejar com a arte da escrita desse não finalista, porquanto essa obra, se fosse trabalhada de outro modo (principalmente no início) não desmerecia passar pela apreciação do júri final.
    Desde o prémio Círculo de Leitores, onde concorri uma única vez e fui rejeitado em favor de uma obra que não leio sequer sob ameaça de armas, que não concorro; mas não incentivei nem apoio a minha mulher a concorrer ao prémio LeYa com o romance que está a concluir (o seu primeiro), embora o julgue uma obra excepcional pela forma e conteúdo.
    Sinceramente, para mim só há um júri, seja ele composto por três ou trinta jurados. E esse júri deve ler tudo, absolutamente tudo. Se algum dos jurados não tem tempo, dê escusa ao convite ou promova-se um maior perído de tempo para a decisão. É esta a crítica que faço e continuarei a fazer ao prémio LeYa.

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    1. Penso que é utópico conceber que um leitor de qualidade, quase sempre um escritor de obra feita, que faça parte de um júri de um prémio tão cobiçado como o Leya tenha tempo e pachorra para ler de fio a pavio centenas de originais. Eu já fico satisfeito se a única obra premiada for de inegável qualidade, como aconteceu com "O teu rosto será o último" do João Ricardo Pedro, mesmo que o processo de seleção tenha eventualmente excluído obras de valor igual ou superior. O júri seguramente fará à Leya algumas recomendações de publicação que poderão atenuar a injustiça da sempre subjetiva única escolha. Quanto ao seu amigo que escreveu um livro não selecionado e com excelente enredo, parece-me que, tendo em conta a escassez da nossa literatura atual em grandes histórias, com alguma ajuda, ele acabará por ver publicada a sua obra e assim poder testar o seu sucesso junto dos leitores.

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    2. Caro Jocamartinho, não há nenhum prémio em que os jurados leiam todos os livros a concurso. Mesmo que não fizessem mais nada durante o ano, não conseguiriam ler 250 livros (número médio de concorrentes ao Prémio Leya, por exemplo). No Prémio de Romance da APE, por exemplo, os jurados teriam de ter a totalidade dos romances portugueses saídos no ano anterior. Tem ideia de quantos são? No Prémio Saramago, o anúncio inclui até a lista de pessoas que fazem a pré-selecção, e estamos a falar apenas de livros de escritores até aos 35 anos. Este é o procedimento habitual na maioria dos prémios. Noutros, em que não há pré-selecção, a tendência é premiar o primeiro de jeito que se encontra ao fim de cem estopadas... Claro que tem riscos de se deixar de lado alguma coisa com jeito, mas seria impossível ler absolutamente tudo.

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    3. Caríssima Maria do Rosário e Caro Artur Águas

      Compreendo o vosso ponto de vista relativamente à leitura massificada de tantos originais. Daí a organização do prémio ter optado por alargar a leitura aos seus editores. Todavia, não deixei claro e, por isso, não me fiz entender, que não contesto o alargamento do número de jurados, mas a forma como os mesmos se identificam não desempenham a missão até final. O que quis dizer é que o júri, sendo de 3 ou de 30 jurados, devia ter a relevância de escolha até ao final; ao contrário, os (suponhamos) 10 jurados da LeYa não têm poder de decisão na parte final - e deviam, no meu entender, possuí-lo - porque leram todas as obras que lhes foram entregues (suponho que, sendo na hipótese retro, 10 jurados, receberam, num universo de 300 obras, 30 originais cada um), classificaram-nas segundo o seu livre e justo critério e entregaram-nas de bandeja a um júri que apenas viu 7 ou, no máximo, 10 escolhidos.
      Poderá a Rosário argumentar - e bem: isso ia dar ao mesmo, porque os jurados "desconhecidos" do público e dos concorrentes iriam votar as obras que já tinham seleccionadas para o júri final. Direi: não é a mesma coisa, porque cada jurado da LeYa teria uma posição global na votação final, onde natural e eventualmente podia alterar a escolha nessas 10 obras finais, onde actualmente não vota. Isso sigificaria que os actuais jurados contariam com os votos dos restantes 10 (mantenho o número presumido), uma vez que estariam a votar em obras que não leram anteriormente ou, se leram, não lhes foi permitido contribuir para a sua escolha vencedora.
      Acredito que alguém da LeYa ao ver uma obra formidável por si escolhida e com chancela de prémio, não tenha obtido a maioria da votação do júri final. Poderá ser repescada fora do concurso, é certo; mas não mereceu prémio.
      É evidente que esta é a minha opinião, pelo que tem o valor correlativo, meramente pessoal e não isento igualmente de crítica.
      De resto, de todos os regulamentos a que já tive acesso, acho-o bem estruturado e que não compromete o anonimato dos concorrentes.
      Nota final. Não ponho em causa o vencedor, porque foi ele escolhido por um júri soberano, segundo um regulamento que é conhecido e tacitamente aceite pelos restantes concorrentes e a obra parece-me merecer a distinção.
      Agradeço à Rosário o esclarecimento que me (nos) deu.

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    4. Caro Artur

      Parte do comentário que lhe pretendi dirigir encontra-se no comentário sequente ao da nossa anfitriã.
      Relativamente ao meu conhecido - nem sequer posso dizer que é amigo, porque este tratamento é mais amplo e abrangente - leve o meu comentário e apreciação para o campo da subjectividade que me pode assacar. É óbvio que apenas li a obra dele duas ou três vezes, com a pausa devida aos pormenores de reparo, sem a intenção de a comparar com outros originais, como é o caso do júri LeYa; demais, a minha opinião podia não coincidir com a sua, por exemplo, se lesse o mesmo original.
      Como ele não me contactou, não posso aquilatar o estado de alma nem a probabilidade de ele pensar que não venceu graças ou desgraças à correcção deste ora comentador. É claro que esse seu silêncio (o dele) é uma descortesia, que eu não retribuo com outra descortesia ao divulgar nome, pseudónimo e título a concurso.
      Poderei, com algum tempo de permeio, durante uma visita à cidade onde ele vive ou num casual encontro, inquirir sobre o destino da obra. Pena tenho - digo-o com sinceridade - que ele não a publique, ainda que lhe faça alguns aperfeiçoamentos que, na minha opinião, transformariam o trabalho num livro apetecível e de fácil êxito.

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    5. Obrigado pelo seu esclarecimento. Que pena o livro não ser publicado ! Tem que incentivar o seu amigo a isso ! Você, como autor publicado, sabe por certo como orientar esta questão.

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    6. "tendo em conta a escassez da nossa literatura atual em grandes histórias, com alguma ajuda, ele acabará por ver publicada a sua obra" - caro Artur, não o conheço, não faço ideia que experiências reuniu ao longo da sua vida, mas arrisco dizer (sem querer ser malcriada) que não faz ideia do que é o mercado editorial português.

      Se estiver errada, corrija-me!

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  6. Confesso que fiquei surpreendido, e algo assustado, com a crítica do António Guerreiro ao livro no Público de sexta-feira passada. Deu-lhe uma única estrela e disse tratar-se de um livro de imitação estilística e temática do Perec, mas de terceira categoria, o que me deixou de pé atrás até porque não consegui entrar no "A Vida: modo de usar". Como só tinha lido palavras elogiosas sobre a obra (de novo aqui confirmadas), quedo-me na dúvida. Confesso que até já comprei um exemplar que ofereci como prenda de aniversário a um jovem amigo que é engenheiro e da mesma geração do Camarneiro. Mas para mim, vou ter que ir a uma livraria, abrir o livro mais ou menos a meio e ler duas páginas. Os tempos não estão para compras que não se usufruem...

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    1. Também li a crítica, que vou recortar e guardar dentro do livro propriamente dito que estou quase a acabar de ler, com gosto. Depois, talvez o componha na prateleira lado a lado com o de Perec. De todo o modo, a crítica de Guerreiro é certamente fundamentada, mas dirige-se a uma elite quase estratosférica, se calhar inexistente. Eu gosto de o ler mesmo que quase nunca o entenda.

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    2. Ora aí mais um bom argumento para eu desfolhar o livro do Camarneiro. Obrigado !

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    3. Caro Artur
      Tal como Bocage, hoje é daqueles dias em que "me sinto mais pachorrento" e venho, mais uma vez, comentar consigo - o que não deixa de ser um "diálogo" escrito. Considero o Artur um bom comentador - sem desprimor da maioria, que também o sabe fazer -, ponderado, com raciocínio livre e entusiasta.
      Não se limite a folhear o livro do Nuno Camarneiro; compre-o e tenha-o na estante. É um jovem autor português, demonstra talento e domínio da escrita e é um autor consagrado por um prémio consagrado.
      Se quiser, faça como eu: não passo "cartão" aos críticos literários e às suas comparações com outras obras; nunca critico sem ler primeiro; e nunca leio sem comprar primeiro, para fazer a leitura e deliciar-me com esta quando, onde e como me apetecer.

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    4. Cada vez compreendo mais a visão do Artur Águas, neste mundo de palavras à solta, cada vez mais parecidas e inseguras. E temo, cada vez mais, por uma literatura original, pessoal, verdadeira, num mundo onde as histórias de/da vida ultrapassam qualquer ficção. Não faço juízos da obra do Nuno, relativamente à imitação estilística e temática, embora na literatura portuguesa atual pareça haver uma «regularidade» que pode assustar: não a conheço; espero conhecê-la hoje. O seu blogue pessoal seduz-me pela sua poesia, e dá-me entretanto garantia de uma escrita própria, não permeável a um exercício de coleção, ou melhor de recoleção. E só há um caminho para quem escreve por devoção e entretenimento: continuar escrevendo, até encontrar a sua própria originalidade e caminho, porque como titula a Rosário, «o céu é o limite»...o mais certo, acrescentaria eu.

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  7. pedro guilherme-moreira8 de maio de 2013 às 05:42

    Obrigado. Que corra bem.

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  8. pedro guilherme-moreira8 de maio de 2013 às 05:44

    obrigado. Que corra bem.

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  9. Nao creio que haja crítica literária seria em Portugal, com excepção do Miguel Real (entre mais um ou dois menos conhecidos).

    António Guerreiro, José Mário Silva, entre outros, limitam-se a expressar o seu gosto subjectivo através de "estrelas". (e por vezes nem analisam a obra).

    Normalmente estes "críticos" são escritores frustrados, e daí quando há alguem a sobressair (e fora dos seus circulos) eles têm de atacar.

    Não há que ler essa "critica" portuguesa, porque não existe.

    Parabens ao Nuno Camarneiro pela excelente qualidade do romance. Fiquei rendido e espero que venham mais livros.

    Quanto ao António Guerreiro: alguém que lhe ofereça um comprimido para a azia.

    Talvez ajude.

    PS: e já agora outro para o José Mario Silva.

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