Ler sem obrigação
Chamaram-me recentemente aqui no blogue a atenção para um grupo que se chama Voluntários de Leitura – e fui ver o que era (já ouvira falar, mas ainda não tinha tido oportunidade de me debruçar mais detalhadamente sobre o assunto e acho que vale mesmo a pena). Criado em 2012 pela Universidade Nova de Lisboa, este grupo destina-se a potenciar uma rede de voluntários na promoção da leitura, uma vez que, por vezes sem orientação, os jovens se sentem incapazes de ultrapassar as suas dificuldades e facilmente desistem de ler. Sabendo-se que o desenvolvimento da competência da leitura melhora os níveis e os resultados da aprendizagem de qualquer matéria, estes voluntários servem de mediadores e trabalham com crianças e jovens em bibliotecas escolares, ajudando-as a corrigir as suas deficiências de leitura e a ler melhor em todos os sentidos. Têm de ser aceites pelo professor bibliotecário, que os formará e os preparará, apoiando-os depois de forma continuada ao longo do ano. O projecto conta ainda com a participação de outras entidades, como a Fundação Calouste Gulbenkian, o Plano Nacional de Leitura e a Rede de Bibliotecas Públicas, entre outras. Se quiser tornar-se voluntário, contacte o professor-bibliotecário da escola da sua área de residência. Mais informações no link abaixo.
Perdoe-me extraordinária Maria do Rosário mas, mal comparado, é como se eu, um autêntico perna de pau sem jeitinho nenhum, fosse para as escolinhas de futebol do Figo aprender a jogar futebol...
ResponderEliminarConversa para meninos...
Quando eu era criança foi difícil orientar-me e começar a ler. Em adolescente, ainda foi pior, passei horas na biblioteca sem saber separar o trigo do joio. Tinha-me dado jeito essa ajuda...
EliminarHum... atrevo-me a dizer que o maior erro na iniciação à leitura está em aconselhar ou levar a ler outros, aquilo que gostamos ou achamos que é importante ler!
ResponderEliminarQuem faça esse trabalho, além de conhecer bem um vasto leque de autores/livros/temas, tem de olhar ao que tem na frente... perceber o que o vai interessar para o sensibilizar.
No meu caso, as selectas literárias escolares foram o grande motor e creio que são um bom exemplo!
Lia os trechos selecionados e depois ia à procura do livro e por uns chegando aos outros...
Não tenho tido grande sucesso como iniciador às leituras lá em casa... é um facto, pois a minha malta só quer saber de praia, festivais, copos e por aí fora, trabalhando e estudando fica pouco tempo e paciência para ler.
Tenho de ser muito selectivo e cuidadoso naquilo que consigo de vez em quando fazê-los ler... e estar atento às oportunidades, muitas vezes a sugestão parte de algo que vemos na TV, um filme caso ou novela, uma notícia ou qualquer programa de divulgação... uma conversa ou discussão à mesa, uma opinião que surja...
Tem sido o melhor motivo para levar a ler algumas obras, desde a "Cidade e as serras" à "Morgadinha dos canaviais" a biografias ou romance histórico, um ensaio ou outros temas.
No geral, os "D. Camilo" têm sido um êxito seguro pelo seu burlesco, figuras populares e sobretudo pela humanidade que contêm Depois consigo avançar com Tom Sharpe, que faz rir e a malta lê no comboio, logo "Uma conspiração de estúpidos" porque o personagem é igualzinho ao cromo do João Acabado e por aí fora...
No Verão passado "Clube de patifes" marchou bem... os "Jaime Bunda" são outro valor seguro e depois dele consegui introduzir "A Sul o Sombreiro" que muito em...
Não isto não é fácil pôr alguém a ler... é preciso muita psicologia e não basta gostar de ler nem ter uma grande cultura livresca, é preciso ver e saber explorar a oportunidade, apresentando o produto...
Saudações do Planalto Central
Ora aqui está uma ocupação útil para o dia em que ficar sem ela, o que pode acontecer daqui a poucos anos, ou, da maneira como os tempos correm, a qualquer momento.
ResponderEliminarespero que de facto contribuam para o aumento da leitura, mas não sei...
ResponderEliminardepende muito da forma como falam dos livros. espero que "agucem" a curiosidade pelos livros em vez de resumirem as suas histórias.
Não li ainda os comentários, mas "não me metia numa dessas". Quem não gosta de ler não vai às bibliotecas. Quem não sabe se gosta, também não lhe apetece ir. Quem gosta, quer escolher sozinho, ama os enganos tanto como os acertos, sabe-lhe a um sabor seu o aprender por si, e é-lhe prazer experimentar. E quer estar sozinho com o livro.
ResponderEliminarE podem na verdade existir crianças e jovens que agradeçam uma orientação. Mas duvido que seja por aí o caminho da literacia.
O escutismo literário...tenho dúvidas.
Mas as políticas de Estado, os professores do primeiro ciclo do ensino básico, os pais e o próprio ambiente em que se cresce - e as fundações têm um papel - são determinantes nos hábitos de leitura que podem criar ou, talvez melhor, ajudar a ser. Tem de ser à escala do que não há que se constrói o que se deseja.
Parece-me que, neste momento, os pais deveriam ser educados para a leitura. Porque diferem dos nossos avós, analfabetos que respeitavam como bíblias os livros que não liam. Estes pais sabem ler, mas desinteressa-lhes. Não lhes ensinaram ou não lhes ficou o respeito pelo livro e por quem o escreveu. Não sabem do tempo que se gasta a depurar palavras, a procurar as mais próximas da imagem que se pretende, o quanto do autor está nelas não em biografia, mas em suor no sentido de esforço. Que toda a aproximação ao real é esforço.
E sem modelos não pode haver cópias.
Embora haja uns originais que nos animam qb. Que até o cardo floresce. E também das rochas brotam impossíveis flores. Afinal, possíveis.
Duvido que estes pais saibam ler ou sequer escrever...é mais fácil ver o programa do Mister Ed (o cavalo que fala), apesar de já lá não estar o melhorzinho deles todos, é verdade o melhorzinho deles todos, vejam bem aonde isto chegou...pois se estamos no país do Zé Cabra (disco de platina), mas atenção que noutros países seria disco de ouro (por exemplo nos EUA) - tou a falar a sério!
ResponderEliminar"...os jovens se sentem incapazes de ultrapassar as suas dificuldades e facilmente desistem de ler" já não me ria tanto desde 1989. Mas afinal o acto não nasce da vontade? As pessoas que eu conheço lêem porque tinham curiosidade (não venham já com a conversa de os país serem leitores ou terem livros em casa que isso não pega, conheço muita gente filha de burros de todo o tamanho que lê). Coloquem os livros à disposição, publicitem-no e a partir daí deixem funcionar a selecção natural! On other news, estou a ler um livro todo da moda! O reluctant fundamentalist, uma seca desgraçada, sobre um nativo do Paquistão (da cidade de Lahore) que enquanto tenta desacreditar o mundo da consultoria e alta finança não consegue esconder o orgulho que ainda sente por lhe ter pertencido. O livro inteiro é de um pedantismo quase cómico e de um aborrecimento torrencial! Gostava também de partilhar convosco que estou em processo de apresentar o meu livro a editoras e como há poucas Portuguesas resolvi falar com uma série de Brasileiras. Sabiam que, pelo menos as maiores, já não analisam livros até 2016 por excesso de candidaturas? Brutal! Beijinhos, pessoal!
ResponderEliminar1º Beijinhos o rai'que t'a parta! Viraste?
Eliminar2º Atão e as nogueiras? E o cachopo?
3º É bom saber que estás vivo e vivaço!
4º Livro mais-ou-menos-da-moda e creio que um excelente livro sobre a Península Indostânica, é o
Shantaram!
Um abração Courinha! Fazes aí falta à tua tia e à ente todos...
Saudações do Planalto Central!
é uma excelente ouvinte, a Mª do Rosário... :)
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