É p’ró menino e p’rá menina

Hum... adoro feiras – mais ainda se forem do livro, que são praticamente os únicos lugares onde arranjamos livros que não se encontram em mais parte nenhuma e quantas vezes com descontos apreciáveis (o que se torna ainda mais importante na época de escassez financeira que estamos a atravessar). É já hoje que se inaugura a Feira do Livro de Lisboa, no Parque Eduardo VII, que voltou a realizar-se nas datas habituais (em Maio, e não em Abril, como nos últimos dois anos), permitindo a quem quer ver e comprar livros aliar esse seu interesse à possibilidade de uma passeata soalheira ao ar livre entre as árvores (imagino que estejam já floridos os jacarandás do parque). Para além dos pavilhões recheados de «iguarias», também lá estarão, como sempre, os grandes «cozinheiros», pondo a assinatura nas obras que o público lhes estende e dando dois dedos de conversa com os leitores se as filas não crescerem muito (o que, dada a situação de crise, não é muito natural que aconteça). Assim, já sabe: se quiser um autógrafo personalizado ou conhecer os rostos por detrás das capas, o fim-de-semana é o momento mais aconselhável. Se só quer mesmo ver e comprar, escolha um dia de semana e ficará mais bem servido. No próximo sábado, o último galardoado com o Prémio LeYa assinará também a programação da Praça LeYa, na qual haverá música e teatro da sua eleição. Se mora em Lisboa, não falte! Até porque, como em todas as feiras, há farturas.

Comentários

  1. Locais onde haja livros são para mim de imediata sedução, locais onde se vendam livros são para mim grude.
    Ainda ontem numa pequena feira de rua (de venda de livros) comprei "CONTRA BERNARDO SOARES E OUTRAS OBSERVAÇÕES" de Vasco da Graça Moura por 1 € e "CORRESPONDÊNCIA FAMILIAR-CARTAS A SEUS PAIS" de José Régio por 5€.
    Quanto aos novos gúrus - cozinheiros- são apenas cozinheiros não são escritores e eu gosto é de livros e livros de cozinha são para quem gosta de comer e eu apenas como para viver!

    A Feira do Livro são 3 semanas de festa, só é pena eu não morar mais perto para me "desgraçar" todos os dias...

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  2. Só um pequeno amen: há um grande, enorme livro sobre comer que vale a pena LER, um livro de José Quitério (o seu primeiro sobre o tema não tenho agora presente o título) que é um livro absolutamente genial, mas, atençãio, José Quitério não é um cozinheiro JOSÉ QUITÉRIO é um ESCRITOR e JORNALISTA!

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    1. "LIVRO DE BEM COMER" - José Quitério (Assírio & Alvim), passe a publicidade.

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  3. Em todos os tempos há cantos de cisnes negros que nos atraem, bailados que nos animam e entristecem, ilusões últimas de um mundo colorido em que queremos acreditar.

    As feiras onde debutamos e caminhamos têm todas essas características.

    Mas há sempre um pequeno cisco, uma pequena areia na engrenagem que nos faz arrecuar em pontas e abrindo o peito e as asas como os cisnes recomeçar um novo passo de dança, uma nova caminhada para um lago mais transparente e enxuto, na ilusão de algum dia chegarmos a lugar quente onde nos espere confortável ninho.

    Bem razão tinha aquele pássaro que do fundo de umas grossas lentes de garrafa, adivinhava que não somos mais do que cadáveres adiados que procrastinam como cisnes

    ...a libertação da sua própria solidão interior.

    O bailado do meu cisne emplumado é mais de um bando de cisnes brancos que alumiam com o seu grasnar cotejando as cores dos cisnes.

    E os cisnes, e os cisnes em fartura ali no alto do parque, Maria do Rosário?

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  4. Não sei quem mudou a data da feira, mas foi triste ideia. Tínhamos o ritual dos jacarandás em flor e eles envergonhados de chuva, a cor em involução friorenta…e não perdoamos, pronto. Roubar assim a beleza a quem uma vez visita a Feira não é perdoável. A não ser se…volta ao de sempre:)
    E o nosso coração agradece o perfume dos jacarandás em flor, o sol dos livros e o outro que acalmamos a água, gelados e sombras verdes; ou apenas um sossego do corpo na relva do Parque.
    Depois de anos à chuva - felizmente não o ano passado – de novo o calor a amolecer-nos a passada. E os autores sentados em cadeiras de plástico a mexer um café e a assinar nomes que nunca mais lembram, agradecidos de haver gente que os queira e espere. Que eles sim estão em venda. E estão tanto em venda que me deu pena aquela garota sem uma assinatura, a sorrir inesgotável, a boca já sem saber outro caminho, como faço para ficares séria e pesarosa? Mas já não se lembrava e o sorriso parado, a interromper o trânsito do rosto inteiro; e quando desci, lá estava ainda, sozinhita na sua cadeira, a mesa vazia. Então pensei que talvez se eu fizesse alguma coisa a boca distraísse e voltasse ao seu normal. Daí a um bocadito, quando me abeirei com um livro, o sobressalto das mãos da garota tropeçou na caneta que amuava sobre o tampo e toda se assustou ao toque, girando sobre si feita bailarina em rodopio. E nós duas de cabeça para baixo a procurá-la sob a mesa. Então, a boca dela desdobrou e sorriu normal, um riso de ser engraçado estar a fazer alguma coisa. E vindas do chão nos encontrámos de novo, ela a murmurar encantos para os desenhos sujos de gelado que os meus sobrinhos tinham feito na primeira página, a voltá-la com cuidado para não partir os rabiscos e a fazer-me um dedicatória tão doce que me entrou uma vontade de comprar outro livro, recrutar alguém para lhe dar uso ao rosto, à mão e à alma. E ficar ali a ver.
    Às vezes, a Feira do Livro tem coisas destas.
    Uma boa Feira para Todos Nós :))

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  5. Já não vivo em Lisboa há muitos anos, mas tenho saudades das tardes e noites que passei na feira do livro do parque Eduardo VII. Que belo sítio para passear, marcar encontros, deitar-se na relva com livros... Acho que ainda não li todos os que comprei na feira lá nos anos 80/90. Que importa. Há-de chegar a vez deles. Aproveitem, caros amigos, mas aproveitem tudo o que a feira vos poderá oferecer, a começar pelos livros, claro.

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  6. António Luiz Pacheco23 de maio de 2013 às 04:21

    Ora aqui está mais um tema Extraordinário!!!

    Que pena tenho de não poder ir à Feira do Livro, eu pobre traça literária, ofuscada e esvoaçante em volta de toda aquela luz e papel e letras!
    Que pena ainda maior tenho de não poder assistir à conversa entre Cristina Carvalho e António José Viegas (dois autores e pessoas que muito me interessam) sobre um tema tão promissor: “Os livros que nos unem!”, em expectativa de me ver também na minha pequenez de traça unido a eles por algum livro… claro que aproveitaria para fazer alguma pergunta, inteirar-me sobre o professor Pinho e o Amadeu, do Norton Project (tenho de comprar o disco) e para autografar o livro sobre António Gedeão… e muitas outras coisas que faria nalguns Sábados ou Domingos de ida à Feira, mas desta vez não poderei!
    Pena… mas fico a aguardar as Vossas Extraordinárias conversas sobre ela… será ainda a forma de também lá ir!!!

    Saudações do Planalto Central

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  7. Vivo no Porto, e aqui, este ano, tristemente, não haverá Feira do Livro...

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  8. Se mora no Porto, inveje...

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  9. António Luiz Pacheco23 de maio de 2013 às 08:03

    Ahahah! Tenho impressão que ao nosso Extraordinário Artur apeteceu dizer... ganharam o campeonato e fiquem-se com ele! Nós temos a Feira do Livro!
    Ahahah!

    Desculpem-me a parvoíce mas não resisti...

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  10. António Luiz Pacheco23 de maio de 2013 às 08:11

    Hum... para me redimir - se possível for - e já que se fala em Feiras do Livro, foi-me há pouco enviado um simpático convite para a Feira do Livro de Coimbra! De 24 de Maio a 2 de Junho.

    Ou seja, as Feiras e os Livros estão vivos!
    O que se passará com o Porto?

    Estranho a sobreposição das datas, mas será com certeza uma proposta interessante para os leitores do Norte!

    Saudações do Planalto Central

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  11. Vivo no Grande Porto. Estou, por isso, no que à Feira do Livro diz respeito, de luto carregado...
    A ler: A Viagem Vertical, de E. Vila-Matas.
    Marta

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  12. "se mora em Lisboa..." e se mora em Faro também. Todos os anos tiro férias para ir até à Feira do Livro de Lisboa. Este ano voltei a fazê-lo, como temos que marcar férias antes de os senhores se decidirem em qual dos meses fazem a feira, tive que marcar férias no início de Maio e no início de Junho. Acertei com as ultimas, daqui a dez dias também rumo à melhor Feira que se faz em Portugal.

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