Boas ideias

Bruno Vieira Amaral, que tem trabalhado como assessor de comunicação da editora Quetzal e também como crítico literário (nomeadamente, na revista Ler), publica agora um interessante trabalho que dá pano para mangas. Chama-se Guia para 50 Personagens da Ficção Portuguesa e, inspirado numa obra de que aqui já tive o prazer de falar – o Dicionário dos Lugares Imaginários, de Alberto Manguel e Gianni Guadalupi (que se debruça sobre lugares inventados como, por exemplo, a Macondo de Cem Anos de Solidão) –, resolveu pegar em cinquenta personagens da literatura portuguesa e dedicar a cada uma delas uma apresentação que não se pretende exaustiva e, acima de tudo, suscita a curiosidade de a descobrir. É certo que constam da sua lista os emblemáticos João da Ega de Os Maias ou mesmo a Joaninha dos olhos verdes de Viagens na Minha Terra, mas o conjunto está longe de ser óbvio ou esperável. Bruno Vieira Amaral oferece-nos boas surpresas como Mizé (do romance homónimo de Ricardo Adolfo) ou o mais recente Mário (de O Retorno, de Dulce Maria Cardoso), preocupando-se mais com o facto de todos os seus «retratados» serem grandes personagens do que com a época, a reputação dos autores que as criaram e até os livros de que foram retiradas (às vezes, não tão grandes como elas). Uma obra muito curiosa que põe em curso uma bela ideia que, ainda por cima, pode ser multiplicada e continuada pela vida fora, enquanto houver livros e Bruno Amaral tiver tempo para ler.

Comentários

  1. Já uma vez estive tentada a fazer um apanhado das personagens que mais gostei e me marcaram. Sem pretensões , claro. Apenas pelo prazer de o fazer. Ainda cheguei a começar mas, mais por preguiça do que por falta de tempo, abandonei o projeto . Há dias, quando soube desse interessante livro do Bruno Viera Amaral, pensei retomar essa tarefa. Acho que seria interessante deixá-lo à minha filha.

    ResponderEliminar
  2. Parece-me um livro bem interessante.
    Vou tentar encontrá-lo.
    Obrigada pela sugestão!

    Quanto a si, ana b., vá para a frente com o projecto.
    E se, por acaso, resolver publicá-lo, avise, ok?
    É que pelos seus gostos literários (que eu largamente partilho) devia dar um livro bem interessante.

    Antonieta

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Caríssima Antonieta, nunca pensei sequer na hipótese de publicar tal coisa. Foi é e eventualmente será sempre um projecto caseiro. Para consumo interno, portanto. :) Estou bem ciente das minhas limitações. Sei bem que não o conseguiria fazer de modo a interessar um leitor anónimo. Apenas o afeto o apreciaria. E mesmo esse... :)

      Eliminar
  3. Este livro já me tinha chamado a atenção e parece-me bem interessante.
    A propósito de personagens, JOÃO VALJEAN dos MISERÁVEIS do grande VICTOR HUGO foi talvez a primeira personagem que me marcou e daquelas que me fizeram um leitor viciado.
    Curiosamente "OS MISERÁVEIS" é certamente o primeiro grande livro que li, há muitos, muitos anos, e é dos poucos que retenho, apesar da distância temporal, muitas das suas personagens, (cito de memória) a pequena Cosette , o Abade Myriel , os sarnosos Thernadier e por aí fora...
    E porque foi também dos primeiros que li, igualmente de VICTOR HUGO, a impagável personagem URSUS do fantástico "O HOMEM QUE RI".

    ResponderEliminar
  4. Uma sugestão interessante para quem gosta de escrever, seria ir ainda mais além do que este Guia de Personagens e colocar «Em Confronto» cinquenta destes mesmos personagens.

    ResponderEliminar
  5. Esta é uma obra de não ficção. Direi que é uma mini-enciclopédia de personagens que não se encontram, não colidem e estão todas no seu cantinho, tal e qual as entradas que promovem de forma alfabética ou não, os verbetes enciclopédicos.
    No entanto, o Pedro Sande, com a sua já nabitual intervenão avisada, lançou o repto para que as personagens se encontrassem, vivesem entre si qualquer drama ou aventura mirabolante, o que mereceria a atenção dos leitores de ficção, que teriam o pretexto - julgo eu - de verem encadeados no mesmo tablado personagens de séculos diferentes e de nacionalidades diversas.
    De qualquer forma, sem ser uma ideia inédita (há obras que abordam as personagens de um autor, está é de vários), é rara e muito interessante.
    Este livro é uma espécie de catálogo publicitário. estou em crer que chamará a atenção do leitos para as obras onde correm e saltitam as figuras aqui marcadas.
    Esta Maria do Rosário está atenta a tudo! Que mulher! O seu dia de 24 horas deve ser diferente do meu... Talvez tenha o dobro ou eu seja de tal forma avaro que não as usufrua todas, antes as engarrafo em comezinhos aproveitamentos.
    Espero que não leve a mal, Rosário, mas permita-me mandar-lhe um beijo platónico de apreço. Gostei desta sua abordagem a esta obra.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. "Quem tem pressa, dá-se aos vagares", diz o ditado popular, que se aplica ao meu texto acima. Referi as 24 horas do dia(incluindo as do sono), desdenhei o minuto que devia utilizar para rever o texto. Saiu com 6 gralhas, as quais, em caixas deste género, não permitem retorno ou emenda.
      Facilmente detectáveis, não deixarei de as expor: nabitual por habitual; intervenão por intervenção; vivesem por vivessem; está por esta; estou por Estou; leitos por leitor.
      A caixa do texto é pequena, o gris da letra serve de camuflado à "ave", o enter é dado sem facilidade de emendar a mão, tal como ténis.
      As minhas desculpas.

      Eliminar
  6. Paulo César Gonçalves15 de maio de 2013 às 07:36

    Não conheço a obra, mas recordando personagens (e são tantas) de outras leituras, há uma em particular que recordo com satisfação: Dom Bibas, o protagonista de "O Bobo", de Alexandre Herculano.

    ResponderEliminar
  7. Olá ana b.
    Tinha a sensação que este seu nome seria o pseudónimo de uma escritora...
    Já vejo que me enganei.
    De qualquer modo, escreva para a sua filha, acho que ela vai gostar.
    :)
    Antonieta

    ResponderEliminar
  8. Olá ana b.
    Tinha a sensação que este seu nome seria o pseudónimo de uma escritora...
    Já vejo que me enganei.
    De qualquer modo, escreva para a sua filha, acho que ela vai gostar.
    :)
    Antonieta

    ResponderEliminar
  9. Como acabei de ler há pouco tempo «Debaixo de algum céu», pensei logo no David, que teve a sua lista de personagens repescadas em romances e que lhe valeu o despedimento e, no fundo, a salvação.
    Depois de ler um dos comentários, pensei também no filme «Meia-noite em Paris» e em como seria interessante Woody Allen rodar um filme em Lisboa com personagens literárias.

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Em Berlim

O que ando a ler

O principal e o acessório