Poesia e redes sociais

Tendemos a tornar nossos amigos nas redes sociais aqueles que conhecemos directa ou indirectamente, mas que cremos estarem interessados no que publicamos ou darem-nos material de leitura agradável. E, depois, há também um sem-número de entidades colectivas às quais nos associamos em virtude das afinidades que sentimos (é, pelo menos, o meu caso). Há já muito tempo fiz-me «amiga» de um grupo no Facebook que dá pelo nome de Quem lê Sophia de Mello Breyner Andresen, grupo esse com numerosos membros que, já se sabe, gostam da poesia de Sophia e da de outros poetas portugueses, que divulgam de forma militante. Não pensava que iria um dia conhecer os responsáveis por essa página, mas eles apareceram há uns meses no lançamento da minha Poesia Reunida e apresentaram-se. De algum tempo a esta parte, organizam uma sessão mensal com um poeta na Livraria Férin, em Lisboa, e convidaram-me para estar presente hoje às 18h30 (sucedo a Maria Teresa Horta, pas mal). Como recusar uma conversa com quem gosta de poesia?


 


Comentários

  1. Nas redes sociais de hoje, o que não falta são poetas e poetizas que no seu amadorismo, ou não, nos deliciam com material de leitura agradável e, a página em questão é isso mesmo que faz, partilha com os seus leitores, o amadorismo e o profissionalismo da poesia... E eu que não sei fazer poesia, nem lhe conheço o íntimo conceito por ser isso mesmo: amadora, delicio-me imensas vezes com ela.

    Estou certa de que a conversa sairá a ganhar, não fosse a poetisa, em questão, a autora deste blog.
    Parabéns cara Maria do Rosário Pedreira.

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  2. boa.

    gosto da disponibilidade da Rosário para as poesias e prosas, com e sem Sophia. :)

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  3. Que bom! Mesmo aqui ao lado. Vou aparecer, com toda a certeza. :-)

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  4. Infelizmente, por motivos logísticos familiares, não vou poder estar presente, mas tenho muita pena: gosto imenso da sua poesia! Desejo-lhe uma excelente sessão!

    PS: Também gosto muito da página " Quem lê Sophia ...".

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  5. Nem mais a propósito este post da Rosário no momento em que caía de uma velha estante, a meus pés, um velho caderno carcomido de capa preta.
    Livro de memórias de adolescência, acordado do seu sossego, por memórias involuntariamente despejadas, no remoinho do cumprimento e má consciência de uma velha casa do passado (tijolos com memória), a quem a despreza e quer como moeda de troca, sem a contemplação que merece;

    nem mais a propósito pelo que estas memórias de adolescência contêm, em grande número, de aprendizagem da poesia, da quase infância à primeira fase adulta, da rima à não rima... e um poema de adolescência (Será que hoje é dia mundial da adolescência?)
    Fica previamente a esse poema de criança, uma pergunta sobre poesia e o seu percurso: a rima da nossa adolescência à juventude será uma ponte real que teremos todos de atravessar na procura do arco - íris da nossa melodia (...) até ao dia em que lhes possamos tocar ao de leve, sustentados em pontes virtuais?


    Menina de curto cabelo
    Tão rabina no desvelo.
    Leva numa mão o pão,
    Leva o vinho no cadinho.

    Leva a trouxa
    Que um trouxa
    Jogará pelo caminho.

    Corre o mundo
    Tão com graça
    Que uma velha,
    Que de graça,
    O regaço,
    E mais não tem,
    Lhe dirige a palavra:

    «Estás perdida, ó menina,
    Ó levas o amor de alguém?»

    A menina,
    Tão traquina,
    Verte um rosto
    Em confissão.

    «Palmo o mundo,
    Na procura do Senhor!»

    De sobrolho levantado,
    A mãe de muitas mães,
    Um grito dá e cai varada
    (Pela mais atroz das confissões.)

    «Não blasfemes do Senhor
    Que do pomo veio Adão!»

    E de confissão pegada
    Espanta uma prece ao Senhor.

    E a menina esfarrapada
    Que de corpo mais não tem
    Segue sem tino e linho
    A vereda do caminho.
    ©PAS

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  6. ...como autor, colaborador da página Quem lê ...., será com muito gosto que estarei na FERIN, para ouvir Maria do Rosário Pedreira
    Permita-me " a cópia"...estar presente e ouvi-la..."pas mal".

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  7. Nascida em Lisboa, onde vivi até aos 30 anos, é nestas alturas que lamento estar agora numa aldeola da Beira Interior, longe de tudo...
    Como gostaria de ouvir a Maria do Rosário falar de e dizer Sophia!
    Tal como a Sophia também eu amo o mar, metade da minha alma também é feita de maresia (talvez por ser Peixes) e costumo dizer a quem me quer ouvir que:

    Quando eu morrer voltarei para buscar
    Os instantes que não vivi junto do mar

    Que tenham uma bela sessão!

    Antonieta

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  8. É só para dizer que vi a cara da Rosário :) Muito prazer.

    Espero que o encontro tenha sido um bem. Sophya é um extraordinário entre as mulheres.

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  9. Infelizmente, não consegui ir...O trabalho prolongou-se até muito tarde. Mas não hão-de faltar oportunidades.

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