Os inquilinos do mundo
Está desde segunda-feira passada oficialmente à venda Debaixo de Algum Céu, de Nuno Camarneiro, o romance que venceu a última edição do Prémio LeYa e usa um prédio numa cidade de província e os seus inquilinos para, afinal, falar da sociedade contemporânea e de muitas questões controversas dos nossos tempos, como a morte assistida, o casamento dos padres, a substituição de funcionários de carne e osso por empregados virtuais, a solidão dos velhos, a concorrência e o carreirismo nas empresas. Por vários andares, dividem-se pessoas fundamentalmente sós nos seus desejos que um factor inesperado pode juntar; o apagão provocado por uma tempestade porá, efectivamente, em contacto alguns destes vizinhos desavindos com a vida e, a partir desse momento, já nada será igual. O mais não se pode contar, sob o risco de desmanchar o prazer da leitura e levantar demasiado o véu (ou o céu) sobre as existências destes homens e mulheres que podíamos ser nós ou os que vivem ao nosso lado. Belíssimo.
Reli, ontem, o primeiro capítulo. A impressão da primeira leitura repetiu-se: texto construído com aparente simplicidade, harmonioso. A leitura desliza suavemente sobre flocos de algodão. Guardei a expetativa dos capítulos seguintes para mais tarde por motivos pessoais.
ResponderEliminarAgora uma observação estatística: é curioso verificar que, desde a publicação de "Claraboia", do Saramago, "Debaixo de algum céu" é o segundo romance português cuja ação se localiza num prédio coletivo. a que se cola a imagem de um cortiço. Miguel Miranda publicou rencentemente "Todas as cores do vento".
António Breda Carvalho
"A CAVERNA" não se passa num prédio, pois não?...creio que se passa num Centro Comercial, creio...
ResponderEliminarRealmente o tema dos livros esquece-se depressa (ou serei eu que os esqueço rapidamente - ao fim de um ano já não me lembro do tema...)
quero ler.
ResponderEliminarJá o tenho! Do que espreitei na livraria, pareceu-me excelente.
ResponderEliminarObrigada cara Maria do Rosário, pelas dicas, pelo suspense acompanhado de curiosidade que deixa no ar a cada vez que refere um livro. Um mero livro, um bom livro, ou outros que nos ficam engasgados na garganta de tanta vontade de os ler, não fossem as pistas que nos deixa.
ResponderEliminarUm obrigada como leitora.
O comentário que ficou no post seguinte era para o livro do Nuno Camarneiro. Desculpas pelo engano.
ResponderEliminarAssisti por casualidade ao alindamento alusivo a Camarneiro numa dessas livrarias de centro comercial com cinema, onde o pessoal colocava cartazes publicitários do livro a forrar aquelas coisas que apitam quando sai alguém sem pagar. Não pude não deixar de recordar então que comprei o Camarneiro 1 de aflitos, quando já rareava nas estantes, antes de desaparecer para, por graças do prémio entretanto ganho, reaparecer depois em força. Agora, Camarneiro 2 tem direito a esforçado marquetingue e a capa com letras em relevo, e está por todo lado. Ainda bem. Isto não é crítica velada, é apenas constatação. Comprei-o e vou lê-lo, pois gostei do primeiro e este segundo também me palpita.
ResponderEliminarDe um romance em cujo segundo parágrafo se lê "Um prédio chegado à praia e um Inverno pesado e frio, de cobertores húmidos e doenças nos pulmões que silvam ao respirar" só se pode esperar o melhor, pelo menos a nível de luminosidade da escrita.
ResponderEliminarAcabei-o hoje. Tem páginas de pura prosa poética, na escrita e não no tema, que é bem realista.
ResponderEliminarSabe bem comprar um livro e lê-lo assim de um fôlego!
Vou tentar encontrar o primeiro livro dele.
Antonieta
Gostei muito dos romances do Luís Caminha precisamente pela poesia da sua escrita, uma escrita impecável aliada a temas que, diria eu, daqui a não muito tempo estarão na ordem do dia: a clonagem humana (no Um Pinguim na Garagem) e os problemas levantados pelo envelhecimento da população (no A Decadência dos Olfactos). Ou seja, imagino eu, o que a Antonieta refere: prosa poética aplicado a temas realistas... Obrigado por esta sua opinião: também vou comprar os livros do Nuno Camarneiro.
EliminarCoincidência: comprei-o hoje!
ResponderEliminarJá li o preâmbulo e o dia 25 de Dezembro. A coisa promete. Parece-me que tenho horas extraordinárias por estes dias, se os meus putos cooperarem e me deixarem uma réstia de energia nos neurónios ao fim do dia.
Rui Miguel Almeida
Quase, quase a passar da pilha de livros por ler para a mesa de cabeceira.
ResponderEliminarJá o tenho (desde ontem) e vai quase a meio. Uma linguagem simples, mas articulada de forma a surpreender. Merece bem ser lido e divulgado. :)
ResponderEliminarTerminei a leitura esta manhã e gostei tanto como o anterior. Há momentos muito bem conseguidos com frases que são verdadeiros doces de valer a pena reler.
ResponderEliminarA histórias daquele prédio poderia ser o nosso prédio com ruídos e silêncios semelhantes, por vezes dolorosos até. Alegrias partilhadas e angústias profundamente solitárias. Poderíamos ser um dos personagens daquele prédio. Somos um dos personagens do nosso prédio.
Gostei! Parabéns!