O que ando a ler
Os tempos têm sido de muito trabalho – e tenho sido forçada pelas circunstâncias a levar trabalho para casa. De modo que, entre as minhas leituras do momento, estão sobretudo as provas de livros que publicarei daqui por dois meses (e dos quais falarei mais à frente) e também de originais que me enviaram, alguns dos quais há mais de um ano, e que não me tinha sido ainda possível «abater» à pilha. Mas, nos bocadinhos livres, mesmo antes de me deitar, estou a conseguir ler um conto ou outro de um autor absolutamente brilhante, Dalton Trevisan, o brasileiro que é o mais recente vencedor do ilustre Prémio Camões. O livro chama-se O Anão e a Ninfeta, foi oferecido ao Manel pela Isabel Coutinho, uma jornalista apaixonada pelo Brasil e admiradora de Trevisan, e, apesar deste título um nadinha jocoso, a verdade é que é literatura a sério e bastante variada (há contos apenas em diálogo, contos em estrofes, contos mais longos). E tudo cheio de um humor negro e de uma maldadezinha que eu por acaso até aprecio. Nos livros, claro.
é um autor que quero conhecer, mas que ainda não tive oportunidade de ler...
ResponderEliminarcomecei a ler, "Mazagran" de J. Rentes de Carvalho, mas acho aquilo tão banal que já ficou para trás.
agora peguei no "O Ofício de Viver" de Cesaer Pavese.
Terminei agora "Uma Caneca de Tinta Irlandesa" de Flann O'Brien que é um verdadeiro delírio! Trata-se de um livro-dentro-de-um-livro-dentro-de-um-livro. Muito criativo e divertido também.
EliminarIniciei entretanto "Os Fragmentos" de Ferreira de Castro.
A terminar "O barulho das coisas ao cair", de Juan Gabriel Vásquez, prémio Alfaguara 2011, e a começar "Cartas de Casanova", de António Mega Ferreira, enquanto espero pelo último Prémio Leya.
ResponderEliminarAntónio Breda Carvalho
Ando há já algum tempo com esse "O barulho das coisas ao cair" debaixo de olho. Que tal?
EliminarRecebi há umas semanas "O barulho das coisas ao cair" que veio de oferta com "Numa Mesma Noite" (Prémio Alfaguara Romance 2012) de Leopoldo Brizuela. Já li este último que gostei bastante, mas um dia destes tenho de pegar no "Barulho" que recebeu o mesmo prémio, mas em 2011 e creio que está este ano nos finalistas do Booker Prize.
EliminarAcabei neste fim de semana "APARIÇÃO" do grande escritor Vergílio Ferreira, uma escrita/leitura nada fácil mas que nos obriga a pensar e é desta que eu gosto. Vergílio Ferreira faz-me lembrar (mal "acomparado ") o Corman McCarthy. E comecei ontem mesmo com Fanny Owen " da Agustina Bessa-Luís , e, apesar de ainda ir nas primeiras páginas, estou a gostar.
ResponderEliminarAmo tolamente Vergílio Ferreira :) Ainda o não li todo. Gosto de lê-lo devagarinho, a entrar-lhe no pensamento de manso, que é dos autores que nos exigem diálogo, ou pouco nos valerá pegar-lhe. Não sei se concorda. Estou lendo o ensaio, e o gerúndio é um bom indicativo do modo, "Do mundo Original".
EliminarTodos somos únicos. Mas VF parece-me dos superlativos
Concordo em absoluto, Beatriz.
EliminarDureza e desilusão, até agora: Arco-íris da gravidade, Thomas Pynchon.
ResponderEliminarPara desgosto meu, também não consegui ainda entrar no Pynchon.
Eliminar...não me surpreende não gostares, Bruno. Pynchon é uma das grandes influência de Foster Wallace .
Eliminar;)
Abraço
Sabia disso à partida, mas não imaginava que a leitura de um e outro tivessem tanto sofrimento em comum. :) Não aguentei e fiquei-me pelas 200 páginas. Depois de pegar o "touro" A piada infinita e ainda estar a recuperar a respiração, foi-me impossível aguentar mais este Arco-íris pesado. Da gravidade.
EliminarAbraço
É, caro Artur, não parece ser tarefa simples. Mas já lamentei mais. :)
Eliminar...deixa lá. Há mais pessoas a falar desses livros do que lê-los. :) "A Piada Infinita" deu cabo de mim.
EliminarNão tenho esse do Pynchon. Teve nota máxima em alguns suplementos. Não conto comprá-lo nem lê-lo nos tempos mais próximos.
Tenho ali o "V.", de Pynchon.
Regressei a J. Rentes de Carvalho, desta vez com «La Coca», depois de ter terminado «Os Enamoramentos», de Javier Marías.
ResponderEliminarE que tal o último do Marias?
EliminarFoi através deste livro que, pela primeira vez, contactei com o escritor. No início, não me foi fácil, confesso. Houve alguns momentos em que me senti tentada a pará-lo. É um livro que faz uma reflexão profunda sobre o impacto que alguém pode ter/tem na vida de outra pessoa, sobre o quão dolorosa pode ser a morte e sobre os actos que o estado de enamoramento pode levar a cometer.
EliminarEncontrei-lhe gralhas, o que me decepcionou um pouco. Mas, se me perguntar, se gostei. Sim, gostei. Até porque houve momentos em que me foi difícil «deixá-lo».
Cara Carina, muito obrigado pela sua apreciação do livro do Marias ! Quando o começar a ler, já o farei avisado de que não é um livro fácil mas que vale a pena resistir aos primeiros impulsos de o largar.
EliminarEu achei um livro fácil. Seja isso o que for.
EliminarPLFF
Ainda melhor ! Obrigado pela opinião.
EliminarA Maria do Rosário que me perdoe a discordância relativamente ao Trevisan. Quando ele ganhou o Camões, li "A Polaquinha" e "Guerra Conjugal" e não me convenceu: achei a sua escrita e temática ambas básicas, como se um truculento contador de anedotas resolvesse pôr no papel aquilo que fica melhor apenas contado à mesa de café. Os contos pareceram-me todos tão caricaturais, com personagens exageradíssimas e irreais, tudo servido por estilo tão obviamente verrinoso que só tem piada nas primeiras cinco páginas. Depois cansa.
ResponderEliminarApesar de não conhecer Trevisan, esta opinião do Artur leva-me a comentar certas passagens do texto da Maria do Rosário (e desculpem-me, mais uma vez, a franqueza). Eu sei que um post de blogue, que, de preferência, se quer curto, não dá para aprofundar os temas, mas escrever apenas que "é literatura a sério", no fundo, não diz nada (a Maria do Rosário nem sequer diz se lhe agrada). Parece-me mais uma maneira elegante de caracterizar a escrita de um autor que ganhou um prémio importante. Além disso, e apesar de calcular não ser fácil escrever contos apenas em diálogo, ou em estrofes, o facto de a literatura ser variada também nada diz quanto à sua qualidade.
EliminarMas, já que estamos em dia de revelar o que lemos, acabei "Corja Maldita", de Pedro Almeida Vieira e comecei ontem com um best-seller: "O Mapa do Tempo", do castelhano Félix J. Palma (nota: estou a ler a tradução alemã "Die Landkarte der Zeit").
P.S. A propósito de traduções alemãs. Salvo erro, no Verão passado, li que "O Teu Rosto Será o Último" seria traduzido para esta língua. Já existe essa versão? O meu marido, na altura, interessou-se, já que lhe custa muito ler um livro em português.
Cara Cristina, obrigada pelo seu reparo. O «a sério» era apenas por oposição ao tom brincalhão do título, que pode levar os leitores a pensar tratar-se de uma obra cómica (embora, de vez em quando, também o seja). Mas a minha dificuldade não é apenas o facto de num post curto não conseguir dizer grande coisa, mas também porque é mais difícil falar de um livro de contos (cada um é diferente - e aqui, por acaso, a diversidade contribui para a originalidade, embora, tem razão, nem sempre seja assim).
EliminarRelativamente ao que pergunta, a edição alemã do livro de João Ricardo Pedro está prevista apenas para 2014. Mas sairá na Suhrkamp . Um abraço.
Caríssima Maria do Rosário, muito obrigada pela informação.
EliminarRelatório e contas
ResponderEliminarRelatório:
I - Por razões que não vêm ao caso, tive de ir à Foz do Douro e, aproveitando o estado aceitável do tempo que me ficou livre, deambulei por aquelas ruas e praças a recordar episódios, pessoas, amigos, andanças dos tempos de jovem militante em que por ali conspirei.
Pretexto para, chegado a casa, recuperar da biblioteca e, à noite, revisitar “A Praça de Liège”, António Rebordão Navarro (Prémio Literário Círculo de Leitores 1988), a ver se desta vez despertava em mim algo que, na primeira leitura, há mais de vinte anos, não conseguiu.
Compreendo agora que o livro não me toca especialmente, pela simples razão que não sou da Foz, não vivi lá, apenas por lá andei, agitado, e lá volto, quando posso, para sossegadamente olhar o mar.
Mas entendo por que razão teve sucesso entre os autóctones, os que estão em melhores condições para decifrar e saborear as particularidades do variado e complexo léxico abundantemente usado para recordar personagens, descrever episódios, evocar mitos, em suma, lidar com a memória e a identidade específica da Foz Velha.
II - Concluí “Rio Homem”, André Gago (Prémio Pen Clube, primeiro Romance 2010), que tinha deixado a meio.
Na segunda metade pareceu-me melhor trabalhada, e mais apropriada ao contexto da história, a dissertação de pensamentos e considerações, a utilização de figuras de estilo, de que me queixei no relatório anterior.
“Livro trabalhoso, para ambas as partes”, disse eu então.
Esforço compensado, para ambas as partes, digo agora.
III - “O Verão de 2012” de Paulo Varela Gomes. Já escrevi aqui, e repito: Este livro é um intrincado de narrativas veiculadas por várias vozes, diversos registos, mas onde está sempre subjacente um fio condutor – a inquietação.
Ora, a inquietação é, também, o fio condutor, o resultado das inúmeras narrativas que nos atormentam a actualidade que vivemos.
A inquietação dá-nos energia.
Por isso me parece que a estrutura deste livro é poderosamente actual. Tão poderosa que é capaz – talvez – de sobreviver à malfadada actualidade.
IV - A título de preparação para a “Nova Teoria da Felicidade”, também escrevi aqui sobre a vista de olhos que dei à “Nova Teoria do Mal”, Miguel Real. Aqui também há muita inquietação, desejo de mudança.
V - Ando a ler agora, finalmente, “O Olho de Hertzog”, João Paulo Borges Coelho (Prémio Leya 2009). Para já, cativa-me sem me desassossegar. Vamos a ver.
VI - Nos intervalos vou desfolhando “E Agora, José?”, as inquietações de Cardoso Pires nos anos 60/70, antes e depois…
Ando à procura de uma frase que me ficou na primeira leitura, sei que está lá, apenas não a encontro: «O que importa está ausente mas real»
Contas:
- 6 autores portugueses:
- 3 prémios literários, livros sossegados;
- 3 inquietações, desassossegos.
Resultados equilibrados, no parecer do conselho fiscal.
À consideração da Assembleia Geral Extraordinária.
Acabei de ler, duma assentada diga-se, mas sem especial deslumbramento, O Ano Sabático e eis que me virei para A Decadência dos Olfatos: para já, mergulho nele e venho ao de cima respirar. Ao lado, manuseável, está o belo Problema da Habitação...
ResponderEliminarAinda não li "O Ano Sabático" de João Tordo, mas li no ano passado "A Decadência dos Olfatos" de Luís Caminha". Fui levado pela temática apresentada, mas a leitura ficou muito além do expectável. A ideia geral parece-me interessante, mas não me parece que a concretização tenha sido bem conseguida, não esquecendo que o tipo de linguagem pareceu-me demasiado pretensiosa.
EliminarEu já li os dois títulos. D'"O ano sabático" não gostei. Já li três livros do autor e acho-os demasiado comuns, muito americanos, como já aqui li. Mas isso talvez seja uma injustiça para os americanos: há autores muito, muito bons dessa zona do mundo e acabo de descobrir um que me faz pensar em como é injusto o mundo editorial. Refiro-me a E.L. Doctorow, recentemente traduzido em português apesar de o senhor já ter para cima dos 80 anos e uma extensa obra publicada no seu país. Achei-o simplesmente genial e li-o com muito mais prazer do que, por exemplo, um Philip Roth.
EliminarJá relativamente a "A decadência dos olfactos", foi simplesmente um dos livros que ultimamente mais mexeu comigo. E não achei nada pretensiosa a linguagem, apenas muito burilada. De qualquer modo, não mais pretensiosa do que a de um Mia Couto ou um Lobo Antunes, por exemplo, que me parece que ainda 'brincam' mais com o texto, e com o leitor, do que Luís Caminha. Creio que a dificuldade maior do texto está em o narrador ser uma das personagens principais e o livro ser todo dirigido à outra personagem principal, estando por isso escrito na segunda pessoa. Isso talvez passe inicialmente uma ideia de 'brincadeira', mas quem ler o livro até ao fim percebe que a ideia está muito bem conseguida.
'A Escola do Paraíso', de José Rodrigues Miguéis
ResponderEliminarTerminei O Quarteto de Alexandria. Valente. Fiquei de rastos. Denso, camadas em cima de camadas. Muito bom, embora dificilmente regresse.
ResponderEliminarDepois, Platero e Eu, de Juan Ramón Jimenez . Que seca. Gostei de um ou outro texto, mas não me arrebatatou . Demasiado bucólico para meu gosto. Talvez numa outra fase da vida consiga apreciar. Por agora dispenso.
Presentemente iniciei A Ilha dos Pinguins, de Anatole France . Vou a trinta páginas e estou a gostar do tom satírico. Salvo as devidas distâncias nos géneros, remete-me para Gil Vicente.
E sobre o "Quarteto", concorda que "Justine" é a obra máxima de entre os quatro livros?
EliminarCaro Artur,
Eliminareu cá de literatura pouco percebo. Ando pelos regionais e muito dificilmente chegarei à liga dos campeões. No entanto, cá vai o que penso.
Quando li, e mais tarde quando mergulhei no Quarteto de uma ponta a outra, e reli Justine fiquei com aquela sensação de me terem puxado o tapete. Das quatro peças, Justine é o mais fragmentário. Quando o terminei muitas perguntas surgiram, relativamente ao enredo, e as respostas que o romance nos dá são pouco consistentes. E faz todo o sentido. Justine é a introdução a um enredo denso e cujos factos são apresentados por outras vozes, dando ao leitor diferentes perspectivas dos mesmos. Se no primeiro volume a história é contada por um narrador participante (facto interessante é o desse mesmo narrador, Darley , se socorrer de um outro romance, os Mouers , para encontrar respostas), no segundo, esse mesmo torna-se menos participativo e reparte a narrativa com Baltasar. O quadro, aos poucos, torna-se mais abrangente, ampliando ou reduzindo os acontecimentos. No terceiro, em Mountolive , não se sabe, ou pelo menos eu não sei, quem narra, embora o tom seja de alguém omnipresente. Verifiquei neste mesmo volume que personagens como Justine , por exemplo, tornam-se menos caras ao leitor e mais víboras. Interessante também o contraste entre as paisagens mediterrânicas dos primeiros volumes com o inverno de Inglaterra. Em Mountolive poucas pinceladas faltam para o quadro ficar completo. Fecha-se com Clea e o regresso ao tom inicial, novamente com Darley (no fundo esteve sempre presente).
Respondendo à sua pergunta, caro Artur, depois de ler O Quarteto de Alexandria, na minha opinião, não faz sentido que Justine seja o melhor; a obra deve ser lida e apreciada por inteiro.
A magnífica obra de Lawrence Durrell fala sobre o tempo, a memória, a relação do Homem com a envolvente, e, tal como li no depoimento de Henry Miller na badana de um dos volumes, fala sobre Alexandria. Recomendo.
Caro VH, muito obrigado pela oferta de uma tão circunstanciada crítica aos quatro volumes do "Quarteto de Alexandria", que nunca li (nem excertos) mas de que já li várias críticas. Nenhuma dessas críticas profissionais me tinham dado uma ideia tão precisa do estilo e ambiente humano que poderei encontrar nesta obra do Durrell ! O que significa, para mim, que você devia exercer crítica literária. Ao contrário do que de modo tão convincente afirma no seu post, eu tinha lido, em mais do que uma crítica, que quem não tivesse tempo para ler os quatro livros ficaria com uma ideia bastante clara da obra lendo apenas o Justine. Fica então infundada essa sugestão da crítica profissional. É portanto leitura que exige vários meses de dedicação ou para guardar para as férias de verão.
EliminarArtur,
Eliminarregisto com apreço o seu humor. Dizer que eu deveria exercer crítica literária... só mesmo no dia 1 Abril.
Um abraço.
Caro VH, foi com toda a sinceridade que escrevi que a sua apreciação do "Quarteto de Alexandria" me deu uma indicação mais clara sobre a obra de Durrell do que as críticas que anteriormente lera sobre essa mesma obra. Para mim, o bom crítico é aquele que oferece informação precisa sobre um livro, a qual irá permitir ao leitor decidir pela sua própria cabeça se irá ler ou não o livro em causa, e não aquele que apenas transmite a sua subjetiva avaliação de um texto. Nesse sentindo, o seu post foi muito eficaz. De novo, obrigado.
EliminarSendo assim, Artur, resta-me agradecer as suas palavras. Obrigado.
EliminarE leia, leia O Quarteto de Alexandria. Vale a pena.
Sendo muito, mas muito vagamente católico, o que é para os católicos quase o mesmo de não ser pensando ser e, abraçando o humanismo cristão, essa a minha verdadeira bíblia, a minha leitura dos últimos tempos num tempo cada vez mais parecido com outros tempos de «cão», centrei-me por estes dias no seguimento de Francisco. Não o Papa Francisco mas o franciscano e o homem na sua tradução diária que faz, dos comportamentos, gestos e escolhas.
ResponderEliminarNessa perspetiva vi passar à frente do meu nariz, um conto, um anão, uma ninfeta, Nabokov , Lolita , as órbitas dos peixes e o padre António Vieira e foi neste último que me revisitei: «Ah, Padre António Vieira como fazem cá falta os teus sermões.»
Caro Pedro,
EliminarNem por acaso. Dia 4 é o lançamento do primeiro volume das obras completas de Vieira pelo Círculo de Leitores. Vai ter os sermões integrais!
Um abraço,
E sábado, dia 6, é no Teatro Baltazar Dias, pelas 15h30!
EliminarLa estarei.
Autobiografia do Nelson Mandela, que muito recomendo.
ResponderEliminarSou uma grande admiradora de Nelson Mandela e anotarei esta sua recomendação. Obrigada.
EliminarTenho vindo a «esta sala» com alguma regularidade,a início; esporadicamente nos últimos dois meses.
ResponderEliminarReparo que esta rubrica tem sido colocada, em princípio de mês, com a regularidade de uma agenda colectiva, com a qual não tenho nada contra. No entanto, nunca disse "o que ando a ler", embora ande a ler ou já tenha lido duas ou três obras alheias no pretérito mês. Não é, pois, por falta de "matéria" que não dito nada para a acta, mas simplesmente por resguardo pessoal: não tenho de dizer - nem gosto - o que ando a ler (assim como também não tenho de me justificar por não dizer o que ando a ler), como não tenho de dizer com quem dormi, o que comi, viagens que fiz, ainda as vezes que roguei pragas a este Governo.
Do que disse, não ressalta o meu desinteresse pelos livros, nem obsta a que comente os títulos sugeridos ou envie opiniões pessoais sobre a obra A e o autor B, até porque tenho mais vida para além da leitura.
Julgo que leio bastante sem fastio, depois de seleccionados autores e obras (independentemente das editoras) e não tenho a fastidiosa incumbência - como a Maria do Rosário, por razões profissionais - de ler de fio a pavio os originais enviados, quantos deles com mais poder de sono do que qualquer benzodiazepina.
Também compro muito, pois não recebo obras grátis (nem jantares), e as que recebo vêm a título de amizade ou prendas de efeméride. Podia comprar mais, uma vez que tenho algumas regalias em descontos, designadamente em livrarias do grupo LeYa, como autor. Contudo, luto com dificuldades de arrumação dos cerca de seis mil títulos, de que não me quero desfazer.
Enfim, para que se não diga que sou um opositor à ideia desta agenda periódica, li no mês anterior (por motivos óbvios, como depreenderão), "O Último Papa" de Luis Miguel Rocha e "O Confessor" de Daniel Silva e comecei "Uma Casa de Família" de Natasha Solomons.
Tenho vindo a «esta sala» com alguma regularidade,a início; esporadicamente nos últimos dois meses.
ResponderEliminarReparo que esta rubrica tem sido colocada, em princípio de mês, com a regularidade de uma agenda colectiva, com a qual não tenho nada contra. No entanto, nunca disse "o que ando a ler", embora ande a ler ou já tenha lido duas ou três obras alheias no pretérito mês. Não é, pois, por falta de "matéria" que não dito nada para a acta, mas simplesmente por resguardo pessoal: não tenho de dizer - nem gosto - o que ando a ler (assim como também não tenho de me justificar por não dizer o que ando a ler), como não tenho de dizer com quem dormi, o que comi, viagens que fiz, ainda as vezes que roguei pragas a este Governo.
Do que disse, não ressalta o meu desinteresse pelos livros, nem obsta a que comente os títulos sugeridos ou envie opiniões pessoais sobre a obra A e o autor B, até porque tenho mais vida para além da leitura.
Julgo que leio bastante sem fastio, depois de seleccionados autores e obras (independentemente das editoras) e não tenho a fastidiosa incumbência - como a Maria do Rosário, por razões profissionais - de ler de fio a pavio os originais enviados, quantos deles com mais poder de sono do que qualquer benzodiazepina.
Também compro muito, pois não recebo obras grátis (nem jantares), e as que recebo vêm a título de amizade ou prendas de efeméride. Podia comprar mais, uma vez que tenho algumas regalias em descontos, designadamente em livrarias do grupo LeYa, como autor. Contudo, luto com dificuldades de arrumação dos cerca de seis mil títulos, de que não me quero desfazer.
Enfim, para que se não diga que sou um opositor à ideia desta agenda periódica, li no mês anterior (por motivos óbvios, como depreenderão), "O Último Papa" de Luis Miguel Rocha e "O Confessor" de Daniel Silva e comecei "Uma Casa de Família" de Natasha Solomons.
Ó Jocamartinho nem calcula o prazer que me dá falar com alguém que lê, sobre os livros que ANDAMOS a ler; é que das 100 pessoas com quem falo diariamente muita sorte teria eu se apanhasse todos os dias pela menos uma que lesse, daí...talvez assim perceba o porquê de se gostar de dizer o que se anda a ler.Neste caso não é "armar" é partilhar!
EliminarPeço desculpa por ter introduzido o comentário repetido - coisas da informática e do servidor.
ResponderEliminarA Maria do Rosário decerto vai perdoar...
"Os lindos braços da Júlia da Farmácia" de J.Rentes de Carvalho e "Os meus sentimentos" de Dulce Maria Cardoso são os livros que me acompanharam durante o mês de março (e ainda me acompanharão por alguns dias).
ResponderEliminarIsabel
Também li um livro de contos, da Clara Ferreira Alves: Mala de senhora e outras histórias. Gostei sobretudo da Mala de senhora.
ResponderEliminarE tenho andado a ler um livro de viagens da Tinta da China: Caderno Afegão, de Alexandra Lucas Coelho.
Aconteceu ler 3 livros sobre o amor incondicional
ResponderEliminarTravessuras da Menina Má - Mário Vargas Llosa, e tal como a ana b. referiu “Quando se pensa que já não é possível tanta maldade ainda nos surpreendemos com mais uma artimanha”.
A herança de Eszter - Sándor Márai
O Planalto e a Estepe - Pepetela
Não consigo dizer de qual gostei mais
Suzana
Obg pelo comentário relativo à obra de Luís Caminha, especificamente "A Decadência dos Olfatos". Talvez pelo facto de o livro que li antes deste me ter "agarrado" por completo, também sobre um regime totalitário, este não me tenha sabido a tanto. Estou a falar de "Um Piano para Cavalos Altos" de Sandro William Junqueira que para mim é uma das pérola publicada em 2012. Provavelmente não passou um único dia que por uma razão ou outra, este livro não me venha à mente.
ResponderEliminarNo entanto, há alguns aspetos no livro de Luís Caminha que são interessantess, nomeadamente a própria questão central que é o facto de não haver doença, nem envelhecimento em virtude de todos terem consciência do dia em que as suas vidas chegam ao fim.
Partilho aqui dosi dos excertos que mais gostei:
"- Em Albanta sei com o que conto, foi assim que me habituei. É difícil pensar que vou morrer em breve, que àquela hora do meu quadragésimo quinto aniversário, me espera o fim. Mas, Vilna, é tão fácil viver aqui... Não vês? Podemos beber e comer à vontade, dormir pouco ou nada; temos tudo, menos a velhice, em troca de algumas horas de trabalho, manhã sim, manhã não, durante doze ou treze anos. Nem a saúde nos preocupa: os exageros contra o corpo raramente somam às exigências da vida - porque nunca deixamos de ser jovens. Não consigo imaginar-me noutro sítio. E acho estranho tu quereres uma coisa diferente. Pelo que leio e oiço dizer, isto é um sonho..." (pp. 45-46)
"Ainda ninguém apresentou uma solução melhor para evitar a degradação das sociedades." (p. 91)
Olá Jorge Navarro!
EliminarComigo foi precisamente o contrário. Li primeiro o "A decadência dos olfactos" e depois "Um piano para cavalos altos". Lembro-me de que fiquei com a ideia de que Sandro William escreve muito bem, apesar de alguns erros de português que uma revisão mais cuidada não teria deixado passar (por exemplo, "caiem" em vez de "caem", a falta da preposição "de" que alguns verbos exigem, etc.).
Mas no cômputo geral, a escrita de Luís Caminha pareceu-me mais original (Sandro William parece-me piscar o olho ao Gonçalo M. Tavares, já Luís Caminha não consigo descortinar sequer quais sejam as suas influências). Não há praticamente página do "Pinguim" e da "Decadência" que não tivesse sublinhado com surpresa... No "Decadência", de que estamos a falar, não é só a história em si, que me pareceu muito bem montada, é também a própria escrita. Os últimos parágrafos do 1º capítulo, por exemplo:
"Deixa-te, pois, desses queixumes de invernos sem inverno e sonos sem flanela, Vilna - e, no vosso próximo encontro, fá-la saber como foi morrendo aquele obstinado zelo que te perseguia o futuro. Podes começar com o dia em que lhe disseste adeus. Ou com a manhã seguinte. Ou com o primeiro desalento nesta cidade cujo nome sempre evitas pronunciar e que nunca te fez esquecer Albanta.
"Paulatinamente, se preferires, mas conta-lhe, por que não lhe contas?, do princípio ao fim, como cresceram as desistências.
"E como foram surgindo todas as traições."
Luís Caminha foi, para mim, uma grande descoberta. E tenho a agradecer a existência deste blogue por mo ter dado a conhecer.
Anónimo sem intenção: Joana Bento.
EliminarOlá Joana Bento,
EliminarNão deixa de ser interessante a forma como certos livros nos provocam e tocam de maneiras diferentes e ainda bem que assim é. Creio que só o facto de trocarmos diferentes opiniões sobre a mesma obra ainda que nalguns aspetos até seja convergente, é assim que os livros ganham importância e consequente valor.
Sei que devo voltar à "Decadência" um destes dias, pois foi a sensação com que fiquei quando o terminei.
Talvez porque o livro do Sandro tenha provocado uma grande impacto em mim, este outro não teve provavelmente espaço para dilatar não esquecendo que, em ambos os casos, o enredo tem lugar num regime ditatorial se bem com características completamente diferentes.
Título - Paz em Paris em 1919
ResponderEliminarde Margaret MacMillan