Generation gap
Quando olho para os meus sobrinhos mais novos (de 2 e 4 anos) de roda de um telemóvel ou de um tablet, fico estarrecida com a rapidez com que compreendem a lógica do aparelho e o põem a funcionar, como se já tivessem nascido com um chip que os predispusesse para as novas tecnologias. Confesso que não tenho grande talento para as máquinas (fotocopiadoras, então, nem se fala) e o que retiro delas é apenas o que se me afigura mesmo indispensável, não perdendo (ou ganhando) tempo a explorar as suas potencialidades e, regra geral, agindo com uma desconfiança antipática, que me leva a guardar demasiadas cópias de ficheiros no disco de vários computadores e ainda em pens e CD. Nasci quando as máquinas de escrever eram mecânicas e, nos meus sonhos de futuro, o máximo dos máximos era alguém tocar à campainha do prédio e, dentro da nossa casa, termos hipótese de ver quem era (um sonho perfeitamente exequível, como se viu, mas que, à época, parecia uma coisa do Além). Enfim, acho que ainda pertenço à geração dos que não trazem o tal chip, embora não chegue obviamente aos calcanhares do senhor do vídeo cujo link vos deixo, para quem um iPad é… Só vendo.
"Nasci quando as máquinas de escrever eram mecânicas e, nos meus sonhos de futuro, o máximo dos máximos era alguém tocar à campainha do prédio e, dentro da nossa casa, termos hipótese de ver quem era".
ResponderEliminarJá que estamos em maré de recordações, permita-me este excerto:
«O sábado era um dia especial, de preparação para o fim-de-semana, e não se faziam contas nem ditados. As meninas começavam por se dedicar à malha, ao croché e aos bordados. Quando a professora julgava oportuno, pousavam os lavores e cantavam o "atirei o pau ao gato", ou "o coelhinho que comeu uma grande cenoura", ou "o balão do João".
Gostavam daquilo. Num tempo em que a televisão a preto e branco era o cúmulo da tecnologia e as crianças apanhavam um tabefe por cada grito mais estridente, ou uma reguada por cada erro ortográfico (sem contar as vezes em que não sabiam porque é que apanhavam), poder cantar, na sala de aula, era uma autêntica extravagância».
O vídeo é espetacular ! Obrigado !
ResponderEliminarTive que me rir com o vídeo...
ResponderEliminarAinda assim, permitam-me partilhar que os meus pais, ambos reformados, hoje em dia levam o computador para todo o lado, são grandes facebookianos , os jornais são lidos de fio a pavio com anúncios e tudo, ela faz receitas tiradas da net , ele consulta a programação dos canais de televisão, entre várias outras coisas.
Tudo isto foi atingido depois de um processo lento - no qual eles consultavam o e-mail em minha casa, por exemplo, e a seguir perguntavam-nos como é que nós nos conseguíamos ligar ao computador deles... - mas agora é tu cá tu lá com as teclas, as fotografias, as partilhas e mil outras coisas.
É curioso como achamos mais engraçado uma conquista de um sénior, neste campo, do que a de uma criança, mas penso que é um sentimento comum a muita gente precisamente pelo facto de as crianças parecerem nascer ensinadas a mexer em botões, passo a expressão.
« (…) Quando cheguei a Amarante por volta de 1978, era uso afixar nas montras os nomes dos produtos e os preços nuns cartõezinhos escritos em caprichada caligrafia. Conta-se que numa confeitaria a excelente qualidade dos doces não era correspondida pelo rigor ortográfico, e nos cartõezinhos da montra, estando embora os algarismos do preço bem correctos (ai não!), as letras das palavras não se apresentavam conforme a gramática. Os clientes de mais confiança, discretamente, lá iam fazendo sentir que, enfim, os tempos eram outros, havia um prestígio a defender, aquilo assim não parecia bem, era preciso actualizar-se.
ResponderEliminarDe tão pressionado, o homem acabou por se convencer a dar o passo: – para acabar com os erros resolveu comprar... uma máquina de escrever.
De modo que, a estrear a inovação, colocou com todo o desvelo, pousado numa travessa de apetitosos pastéis, um cartão dactilografado que anunciava: DELISIOZO DOSE DE CÓCÓ.
(…) »
Bom fim-de-semana!
Eu, que sou do tempo em que na escola ainda se ensinava datilografia, até nem me dou mal com as novas tecnologias, embora apenas na ótica do utilizador, claro.
ResponderEliminarDeve haver muitas pessoas que se arrepiam a ver este vídeo... E outras que têm vontade de fazer isto com os tablets de algumas pessoas «tabletdependentes». Eu ri-me, e muito!
Já conhecia o vídeo, eheheh.
ResponderEliminarOs meus pais também se dão bem com o computador, pelo menos, no que diz respeito a receber e enviar emails. O meu pai vai mais longe, com 75 anos, organiza jornais de família, com fotos e tudo ;)
Onde nasci não havia TV. A primeira vez que vi um programa televisivo (não na minha terra) já tinha uns 16, 17. Não me surpreendi nem por ela me apaixonei. Aliás, penso que foi assim uma aversão à primeira vista. Conservo-a até hoje (a aversão) e passam-se meses sem sequer a ligar (a TV). Gosto e muito de rádio e a ele me mantenho fiel. Gosto de Internet e de PC´s. Não gosto de tablets (aqueles visores engordurados, eheheh) e nunca tive telemóvel nem pretendo tê-lo. Ah, esqueci de dizer, eu sou deste planeta ...
ResponderEliminarO vídeo está hilariante.
Um extradordinário fim de semana a todos.
Muito obrigada por estes bons momentos. Precisamos. Permiti-me guardar o link da Rosário e o comentário de Joaquim Jordão a que achei imensa graça.
EliminarNão tenho especial aversão à net, antes me dá um jeitão, ainda que com a consciência de que não a exploro e sei hoje o mesmo de há uns dez anos. Devia envergonhar-me, mas acontece que não. Reconheço-me péssimas mãos e inteligência para botões que não abotoam e desabotoam, novas tecnologias em geral, máquinas domésticas e outras; e mais todos aqueles instrumentos que nos simplificam a vida que consigo dificultar bastante, umas vezes porque com eles, outras porque sem.
Bom Fim de Semana