Correr mundo
Agora podemos dar a volta ao mundo num livro só e, ao mesmo tempo, tomar contacto com a mão e a verve de muitos escritores contemporâneos, portugueses e não só. A recentemente criada Parsifal teve a bela ideia de juntar num volume contos dedicados às cidades capitais e chamou-lhe, muito apropriadamente, Contos Capitais. «A beleza e a alma de uma cidade ultrapassam as fotografias dos locais que aparecem nos postais ilustrados, onde se aglomeram turistas ocasionais. Uma cidade constrói a sua singularidade sobretudo nas vielas e nos becos, nos sentimentos dos seus habitantes ou nos rituais da sua vida quotidiana», diz-nos o editor, que pediu a trinta autores muito variados (pronto, pronto, a mim também) que construíssem uma pequena ficção à roda de uma das suas capitais favoritas. Do veterano Baptista-Bastos ao recém-chegado João Ricardo Pedro (com um memorável conto em Montevideu), há aqui histórias para todos os gostos – e, ainda por cima, ilustradas com fotografias muito bonitas de cada cidade. A não perder.
Mas há muito, muito tempo que eu viajo através dos livros que leio.
ResponderEliminarAinda neste fim de semana iniciei mais uma viagem pela Grã-Bretanha, na companhia de "UM HOMEM DE PARTES", de seu nome de baptismo- H.G.Wells . Entretanto, também já visitámos Paris.
Há cerca de quinze dias o Miguel Real deu-me a conhecer a Índia com os seus cheiros, as suas gentes, as suas diferenças, as suas grandeza e misérias.
O mundo que eu já conheci através das viagens que já efectuei através dos livros que li...estava aqui a descrevê-las o dia inteiro...e as gentes que conheci...
Ainda este fim de semana, ao ler Mário de Carvalho ("Havemos de trocar umas ideias sobre o assunto") me diverti pela maneira deliciosa como ele controverte a questão de a cor de Lisboa ser o branco. E, de facto, não é. Nem poderia ser.
ResponderEliminarA propósito: apaixonadíssima. Um léxico invulgarmente variado, muito perceptível e de uma ironia bem humorada que leva a sorrir. Ah...e muito politizado também. Gosto de gente que se assume. :-)
Uma boa semana!
O comentário que aqui vou colocar é de risco (mas não é a vida um risco contínuo?) já que compromete a minha imagem de sanidade (mais emocional que mental, espero!) embora tenha uma componente... Capital de Conto.
ResponderEliminarAntes do mais quero dizer que não é fácil a vida de quem não se compra, nem se vende, nem usa estratagemas viciosos (não?) para entregar a carta a Garcia. Ser reconhecido, nem que seja num fogacho momentâneo como quem ganha um euromilhões, saindo dos tostões do aleijadinho (talvez por isso goste tanto do tão maltratado Dinis Machado), é o objetivo confessável ou inconfessável de qualquer de nós: todos queremos colinho, todos queremos revisitar a nossa infância e é nesse medida que este comentário é «Capital» no seu sentido denotativo.
Ontem redescobri (reconheci?) inusitadamente um sorriso aberto num elemento de um casal, lindo no amor, de uma emoção ao estilo de Pedro e Inês (sou muito dado a isso, a emocionar-me com a amizade e o amor genuíno, arrebatado, intenso, com a lealdade do ser... para mais quando condimentada com as histórias de dureza da vida, com a beleza e bondade das relações).
Descobri por detrás do amor de Miguel Esteves Cardoso (do Miguel de sorriso aberto com quem me cruzava na Universidade e com quem me deliciava com a sua irreverência escrita e dita) e de Maria João, um outro sorriso da minha juventude: Maria João, a própria, ou pelo menos a suspeita da sua pertença; a Maria João da cidade dos Templários, dos amigos Lousadas, do Areeiro, da «Capital» dos estudantes deslocados e nos emprestados por uns tempos.
É só uma suspeita, é certo, num rosto marcado indelevelmente pela dor e sofrimento (mas também pela vitória da vida, que adia a nossa passagem) mas mesmo assim com um sorriso alegre passado estampado suspeito, reconhecido com grande probabilidade pelas minhas atentas «gavetas».
Hoje percebo que essa Maria João com quem hipoteticamente convivi na Capital despreocupada dos estudantes, do sorriso e gargalhadas alegres, fácil de nos fazer apaixonar, só poderia estar destinada a um outro sorriso traquinas como o do Miguel. E tudo isto passado na «Capital». Como é bom sentirmo-nos humanos [quem disse que recordar (não) é viver?] uma e outra vez e, usando apenas (apenas?) o estratagema da memória, podermos reler cartas emocionadas e emocionantes nunca entregues a Garcia. Como diz o editor pela voz de Rosário: «A beleza e a alma de uma cidade ultrapassam as fotografias dos locais que aparecem nos postais ilustrados, onde se aglomeram turistas ocasionais. Uma cidade constrói a sua singularidade sobretudo nas vielas e nos becos, nos sentimentos dos seus habitantes ou nos rituais da sua vida quotidiana»
Pedro: este seu comentário capital (mais uma vez poético e lindíssimo, como tantos outros dos seus) daria, isso sim, um excelente início de romance. Fez-me recordar as minhas leituras de ontem e o intimismo estabelecido entre Mário de Carvalho e os seus leitores (para mim admirável porque o utilizo pouco. Sou mais de outro género de proximidades...)
EliminarO Baptista Bastos (o mal amado BB de Vergílio Ferreira) é uma PESSOA de quem gosto muito, apesar de nunca com ele ter falado pessoalmente, (apenas o vi, aqui há meia dúzia de anos, a descer o Bairro Alto) mas, pelos livros que dele já li, tenho a "impressão" de que é uma excelente pessoa que gostaria de conhecer pessoalmente. É dos escritores que melhor descreve Lisboa e as gentes de Lisboa e por isso, mais tarde ou mais cedo, quero ler CONTOS CAPITAIS.
ResponderEliminarTal como o Severino também gosto de viajar no sofá. No entanto, gosto ainda mais de ler livros sobre sítios que já visitei.
ResponderEliminarUm dos últimos que li foi O Colosso de Maroussi, do Henry Miller, da Tinta da China.
O livro é de 1941e passa-se na Grécia, durante uma visita que ele fez ao seu grande amigo Lawrence Durrell, que aí vivia.
Eu estive na Grécia em Junho/80 mas, curiosamente, encontrei muito pontos comuns entre o que ele escreveu e o que eu senti nesses mesmos locais, por exemplo em Hidra, Corinto, Poros e Epidauro.
Neste anfiteatro ao ar livre, com a melhor acústica do mundo (que ninguém consegue explicar e igualar) ele diz:
«As viagens realizam-se interiormente e as mais arriscadas, escusado será dizê-lo, fazem-se sem sair do mesmo lugar»
Pag. 100.
Mais adiante (Pag. 102) diz:
«O inimigo do homem não são os micróbios, mas o próprio homem, o orgulho, os preconceitos, a estupidez, a arrogância. Não há classe que lhe seja imune, nem sistema que ofereça uma panaceia.»
Enfim é uma Grécia que não terá já nada a ver com a actual, ainda assim é um livro que recomendo vivamente.
E vou comprar os Contos Capitais assim que puder.
Já não tenho dinheiro para viajar, mas ainda vou tendo algum para comprar livros...
Antonieta
Acabei por não dizer que este é um livro não só de viagens mas também de reflexões sobre a vida em geral, daí as transcriçoes que escolhi fazer.
ResponderEliminarAntonieta
E, diga-nos, qual é a «sua» capital, Maria do Rosário?
ResponderEliminarDas capitais que visitei, talvez Bangkok (ou Banguecoque?) seja a mais apetecível.
Gosto tanto de contos! Ficarei à espera.
Beatriz, afinal consegui ver a Adriana Calcanhoto na Guarda! E gostei, claro está. Começou nervosa e humana e acabou deusa e despenteada.
Hummm....Ainda bem que conseguiu ver a Adriana:) é bom ver quem se gosta. Mesmo que seja uma cantora. Ou mais sendo quem cante.
EliminarPois...gosto de viajar e não encontro nas minhas viagens quase nada daquilo de que os livros falam. Também porque tenho o hábito de visitar em bravio, a saber nada. Por isso, vale ler. E também viajar. Não são a mesma coisa.
Os lugares, se existem, são para apreciar. Mas ninguém aprecia da mesma forma.