Chapas

Quando falamos em impressão de livros, ainda nos referimos vulgarmente às «chapas» que, na verdade, eram fotografias tiradas a páginas e depois «reveladas» em papel nas impressoras. A ligação do livro à fotografia pode, porém, ser bem mais criativa, e a Fundação José Saramago lança anualmente um concurso que tem por título «Retratar um livro», propondo, à vez, uma das obras de Saramago como motor de arranque. Este ano, o livro era O Ano da Morte de Ricardo Reis e o júri, composto por António Mega Ferreira, Jorge Vaz de Carvalho e João Francisco Vilhena (este último responsável por dezenas de belíssimos retratos de escritores), deliberou premiar a «chapa» de Maria de Lourdes Poças (poderá vê-la no site da Fundação Saramago). O segundo lugar, curiosamente, coube a Pedro Teixeira Neves, que venceu o concurso no ano passado e foi o autor das imagens projectadas durante o espectáculo que as Quintas de Leitura me dedicaram recentemente no Teatro do Campo Alegre (um fotógrafo e jornalista que sempre se dedicou às duas artes). Parabéns a ambos e à Fundação por esta ideia de promover o livro através da fotografia.

Comentários

  1. FOTOS DE LIVROS - Ainda ontem tive uma agradável surpresa ao ver uma fotografia da Marylin Monroe a ler O CRIME E CASTIGO do Fiodor Dostoievsky e a fotografia era tão boa que o que de imediato retive foi a capa do livro e não a bela mulher da foto...já alguém disse que as mulheres que leem são perigosas...
    A Marylin morreu ou foi morta?

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    Respostas
    1. Dizem os rumores ter sido morta devido a segredos de alcova...

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  2. Em Out/2000 peguei num livro com um quadro da Paula Rego na capa.
    Era o Nenhum Olhar, do José Luís Peixoto, da Temas e Debates.
    Li a contracapa e resolvi comprá-lo.
    Não me arrependi!
    É um escritor que me acompanha desde aí.
    E foi a capa que me fez pegar no livro!

    Em Out/2009 peguei num livro com romãs na capa (adoro romãs).
    Era o Uma Espera em Vão (Wasted Vigil), do Nadeem Aslam, escritor paquistanês radicado em Inglaterra.
    Descobri que era a tradução de um livro que eu queria encomendar à Fnac, pois tinha lido boas recensões na Lire e na Magazine Littéraire.
    Comprei-o logo e não me arrependi!
    É um livro belo e brutal, passado no Afeganistão e que me fez olhar para este longínquo país com outros olhos.
    Não é fácil de ler, a história é contada a várias vozes.
    Ficou-me a imagen de alguém que pendurava os livros no tecto, para quando os talibãs chegassem e partissem tudo os livros escapassem.
    Se alguém leu este livro, gostaria de saber que opinião tem.

    Resumindo, um bom livro pode ter uma capa comercial e uma capa sóbria não é garantia de um bom livro, penso eu.

    Antonieta

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  3. Bom, eu hoje estou uma melga, mas ainda aqui volto para dizer que as capas da colecção de viagens da Tinta da China estão entre as minhas favoritas.

    E que achava as capas do Saramago (que leio desde o Memorial do Convento e não pós-Nobel) uma tristeza, embora tenha comprado e lido todos os livros.

    Bom fds a todos!

    Antonieta

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