O que ando a ler
Sabia que era um dos livros favoritos de um dos meus autores, mas ainda não tivera possibilidade de lhe pegar sequer por falta de tempo. E, numa noite destas, para descansar de uns escritos que me estavam a fazer fumar demais, subi ao escadote e fui retirá-lo da estante do Manel (que, de resto, o publicou). Falo de Os Soldados de Salamina, de Javier Cercas, um notável romance sobre um jornalista que, depois de várias tentativas frustradas, desiste da literatura, mas acaba por encontrar um dia um excelente tema para regressar à escrita: a história de Sánchez Mazas, um dos fundadores da Falange – intelectual com vários romances publicados – que escapou a um fuzilamento durante a guerra de Espanha (mostrava os buracos da metralha nas calças) e viveu vários dias escondido num bosque onde um soldado inimigo lhe poupou a vida e várias pessoas do campo o ajudaram a sobreviver. Chegou a ministro de Franco, mas depressa se desinteressou da política (o fascismo que idealizara era bastante diferente do praticado pelo Generalíssimo) e a sua vida merece, de facto, ser conhecida, pois, entre outras coisas, é uma belíssima aventura literária. Cercas, entre o relato e a ficção, é um mestre a narrá-la. Ainda não sei aonde acaba a história, mas já tenho a certeza de que o meu autor tem muito bom gosto.
Li-o há cerca de três/quatro anos recomendado vivamente pelo meu amigo Almeidinha , mas terei de o reler já que na altura não o apreciei como certamente o deveria; é que o entusiasmo dele pelo livro só pode ser porque é certamente um grande livro!
ResponderEliminarVou mesmo ter de o reler.
A Grande Arte, de Rubem Fonseca.
ResponderEliminarÉ um livro notável. Achei estranho que no momento da publicação não tenha tido mais impacto entre nós.
ResponderEliminarA breve e assombrosa vida de Oscar Wao, de Junot Díaz.
ResponderEliminarGostei muito. Boa leitura.
EliminarAs Vinhas da Ira, quase a acabar e que nunca tinha lido, e de Gastão Cruz, em Outro Nome, as Canções Primeira a Décima, lendo-as e relendo-as.
ResponderEliminarOutro nome canção hoje daremos
Eliminarao dia luminoso que nos cobre
com a pedra e a cinza endurecida
desertos dias morte
e outro nome
"AS VINHAS DA IRA" - que grande livro! John Steinbeck - que grande escritor!
EliminarLes Misérables, graças ao filme. Cinco longuíssimos volumes, mas leves, que leio no formato ebook. Gratuitos, graças ao Projecto Gutenberg. Com a vantagem de poder anotar e pesquisar tanto notas como texto. Por exemplo, o filme deixou-me fascinado por Gavroche; em segundos, encontro todas as referências à personagem...
ResponderEliminarCategoria de pesos pesados. Excelente. Não me é possível escalonar os volumes em termos de preferência, mas fiquei fascinado com o Bispo de Digny . No entanto, agora que escrevo, penso em Fantine , também, e no vórtice da sua Miséria. O texto que fala e fundamenta sobre a existência de Deus é uma coisa. Enfim, pegando numa ideia de Victor Hugo sobre Balzac , diria que é uma obra vasta como o Oceano.
EliminarOS MISERÁVEIS - um marco da literatura; talvez o primeiro grande (em tudo) livro que li. VICTOR HUGO - absolutamente fascinante! - "O HOMEM QUE RI", "OS TRABALHADORES DO MAR", "HAN DE ISLÂNDIA", "NOSSA SENHORA DE PARIS", todos, mas todos absolutamente memoráveis!
EliminarLi também o 93 e O Último Dia De Um Condenado. Esses de que fala ainda não li.
EliminarMas vale bem a pena ler.
EliminarA Paixão, de Almeida Faria.
ResponderEliminarÉ o primeiro livro que leio deste autor e estou francamente agradada. A ação passa-se no seio de uma família, com os seus empregados, durante uma Sexta-Feira Santa. É um romance, mas muito próximo da poesia. Excelente descoberta!
É um daqueles difíceis de acreditar que alguém tão novo se estreou com texto desses.
EliminarÉ verdade! Se bem que o primeiro romance é o "Rumor Branco" que tenho há mais tempo mas que ainda não li. Aliás fiquei muito indecisa entre os dois;escolhi o "A Paixão" exatamente por não ser o primeiro e, supostamente, corresponder a uma fase de maior maturidade literária. Se bem que apenas distam dois ou três anos entre cada obra. De facto o livro revela uma maturidade invulgar para alguém tão jovem: o autor teria 21 ou 22 anos quando o escreveu. Incrível, realmente.
EliminarConheci Almeida Faria no sábado passado quando foi receber o prémio de Consagração da Fundação Inês de Castro, em Coimbra. Fez um discurso tão bem escrito, emotivo e irónico que sem dúvida me deu imensa vontade de o ler.
EliminarIsabel
Acredito que sim. Também o conheci, há dias, nas Correntes e fiquei encantada. Aliás, comprei o livro lá mesmo e tenho-o autografado. Embora já tivesse comprado o Rumor Branco há algum tempo e essa vontade de o descobrir já seja antiga. Mas fui sempre adiando e, confesso, o facto de o ter conhecido, foi decisivo. É uma pessoa brilhante, sem dúvida.
EliminarBrilhante e ...charmoso, um auteutico cavalheiro!!!
EliminarIsabel
Mais uma vez, estou inteiramente de acordo consigo! :)
EliminarPor alguma razão somos almas gémeas... Quer ver que ainda vamos fundar um clube de fãs?eheheheheh
Um clube de fãs ...hum...os clubes estão isentos de impostos?
EliminarBeijinhos ana
Lawrence Durrell, THE ALEXANDRIA QUARTET (no Kindle)
ResponderEliminarO meu próximo é o último volume do Quarteto, Clea. Alternei Durrel com Rubem Fonseca.
EliminarViver em tempos de mudança
ResponderEliminarDeliciei-me com Cafuné... escrito por Mário Zambujal... gosto da sua escrita e do seu humor.
ResponderEliminarComecei a ler Shantaram... (não sei o nome do autor....) e temi fosse barrete, mas estou a gostar imenso e sobretudo a percebê-lo perfeitamente!
É um romance autobiográfico... e uma reflexão interessante sobre a vidam com que me identifico.
Saudações de Luanda!!!
Anónimo? Eu?????
EliminarAntónio, isso sim...
Não se deixem enganar pelas Saudações de Luanda, desci à costa...
Essagora!!!
Acabei de ler Caim de José Saramago, o seu último romance "A história acabou, não haverá nada mais que contar." mas muito mais haverá a descobrir deste nosso escritor.
ResponderEliminarPassei a Travessuras da Menina Má de Mário Vargas Llossa.
Tanto um como outro escritores que já tinha lido e de que estou a gostar.
Suzana
Adorei o Travessuras :) Quando se pensa que já não é possível tanta maldade ainda nos surpreendemos com mais uma artimanha. De todos os livros do Lhosa foi o que mais gostei.
EliminarNas novas andanças por salas de espera de consultórios e hospitais, andou comigo o habitual Gonçalo M. Tavares, e viajámos mais umas páginas em direcção à Índia.
ResponderEliminarNos portos onde fiz escala, mudei de barco e meti para o “Rio Homem” de André Gago. Naveguei, por enquanto, até meio. Com algum custo, porque é preciso vencer a torrente de figuras de estilo, um certo gongorismo caudaloso. Livro trabalhoso, para ambas as partes. Mas tenciono ir até ao fim (à nascente…) porque a história é interessante – e pelas razões que vos expliquei no relatório anterior.
A propósito do relatório anterior: vai ficar para depois “O Olho de Hertzog”, porque agora ando de olho n’ “O Verão de 2012” de Paulo Varela Gomes. Li na net as primeiras vinte páginas e já percebi que aquilo, em grande parte e por várias razões, me diz respeito.
A ver se compro amanhã, caso as livrarias do Porto não fechem por causa da manif.
Não é que os livreiros fechem as portas com medo da manif.
Terão, pelo contrário, muitas razões para irem manifestar. Digo eu…
Assentando ideias: – Para que a manif corra como deve ser, é preciso que:
1º - o mecânico consiga ter o meu carro pronto até ao fim da manhã;
2º - que a minha mulher, ainda convalescente, esteja em condições de ficar umas horas sozinha – e me autorize a ir ao Porto;
3º - que não haja uma livraria aberta, que eu, para a semana, cá me hei-de arranjar para comprar o livro.
Por outras (de Sérgio Godinho) palavras:
« Quando eu nascer para a semana ó mana
quando eu nascer para a semana
hei-de ouvir o teu parecer
hás-de me dizer
se é cada coisa para seu lado
ou se isto anda tudo ligado »
Até lá!
Hoje começo o último do Quarteto de Alexandria, Clea . Terminei A Grande Arte à hora do almoço.
ResponderEliminar"Vida e obras de Dom Gibão" de João Palma-Ferreira. Foi uma recomendação e estou a adorar.
ResponderEliminarEncontrei-o na biblioteca da minha aldeia.
Engraçado que aqui há uns anitos apontei o nome do livro que está a ler, porque Vargas Llosa se referiu a ele de forma MUITO elogiosa. Nunca o encontrei. Hoje, graças ao seu post, falei com uma amiga, que o encontrou para mim, na biblioteca de Santa Maria da Feira. Eu e ela vamos sacudir-lhe o pó um dia destes... antes disso, estão todos terminantemente proibidos de o ir lá requisitar, mas já sabem onde mora um exemplar. :)
Rui Miguel Almeida
Li "Os soldados de Salamina " no ano em que foi editado em Portugal e tenciono reler. Um livro magnifico que me encantou ao ponto de o aconselhar aos meus amigos (os que lêem) como foi o caso do Severino que na altura não gostou muito mas tenho a certeza que se o voltar a ler irá mudar de opinião.
ResponderEliminarFico sempre emocionado, palavra de honra, sempre que vejo uma alusão a essa obra que não é um livro, é uma Bíblia ; falo dos Miseráveis e do seu autor Victor Marie Hugo. Uma obra sublime com personagens que nos enternecem e nos comovem, brevemente irei reler toda a obra de Victor Hugo.
Um abraço a todos.
Almeidinha
Ontem teria dito que ia começar a ler o Ano Sabático; hoje digo que já o li e que gostei imenso.
ResponderEliminarO João Tordo escreve muito bem e o tema deste livro é fascinante, tanto mais que tem muito a ver com a sua própria história.
Parabéns ao João e à sua \'querida editora\', cuja Poesia Reunida me tem acompanhado e emocionado nesta última semana.
Amanhã vou começar o Ar de Dylan do Vila-Matas.
Saudações,
Antonieta
Pois já agora, reporto o que se passou.
ResponderEliminar1º - O meu carro ficou pronto, mas nem precisei dele. A mobilização, a ânsia de manifestar a indignação, eram tão generalizadas que até a minha filha mais velha, pouco dada a estas coisas, achou por bem ir à manif. Passou por aqui e deu-me boleia. E o meu neto, com 6 anos, também ele com vários motivos de insatisfação, fez a sua estreia em manifestações colectivas de indignação.
2º - A necessidade de protestar é tão grande que até a minha mulher, apesar de convalescente, me incentivou a ir à manif – porém, na condição de, para o jantar, trazer de um conceituado restaurante uma dose de tripas à moda do Porto.
Para que se entenda o alcance desta condição, importa aqui recordar a origem histórica das tripas, o Cerco do Porto, e tal, e a correspondência desse episódio histórico com a situação de cerco que actualmente vivemos em todo este país que do Porto houve nome, e tal.
Enfim, seria a maneira de a minha mulher fazer, à mesa, a manif…
3º - O problema foi que o tal conceituado restaurante estava fechado.
Averiguei ali pela vizinhança e soube que os donos e os empregados tinham ido à manif.
Ora bem! Todos não somos demais para tentar romper o cerco.
Mas – cada coisa para seu lado – uma livraria ali nas redondezas, porém, estava aberta. Ok. Não há tripas, mas ao menos há livros. Nada contra.
Antes de me atender, a livreira falou longamente ao telefone. Atrás de mim fizeram fila vários outros clientes, todos com aspecto de recém-manifestantes. A conversa telefónica era sobre a manif. Quer dizer: a livreira rompeu, contornando-o, o cerco da manifestação.
Ora bem!
Comprei “O Verão de 2012”.
Ficou-me aí pelo dobro do que teria pago por uma dose de tripas à moda do Porto.
Mas, vá lá – o livro vai durar mais do que, neste cerco, duraria a dose de tripas.
Fiz bom negócio. Essa é que é essa. E que se lixe a troika
E pronto – jantámos uma coisa mais levezinha, como deve ser, que também já não estamos em idade de, empanzinando, ficarmos com o alento que é preciso para continuar o combate aos cercos, às crises, etc.
Isto anda tudo ligado.
Amigo Jordão
EliminarConseguiu que começasse a semana com um grande sorriso nos lábios! Adoro a descrição desses pequenos episódios domesticos e conjugais!
Abraço amigo
Isabel
Cara Isabel
EliminarDesejo-lhe uma boa semana. Mantenha o sorriso. Faça os possíveis por conservá-lo, pelo menos até ao fim do mês, que o sorriso é um bem cada vez mais escasso.
E ao que parece o sorriso está isento de impostos!Boa semana!
EliminarIsabel
É certo que cada um faz a sua leitura da história da sua vida. Noutros tempos faria outra, actualmente outras pessoas fariam outra, mas a que hoje faço é de abandono e de desilusão. Pai, mulher, amante, todos de uma forma ou de outra me deixaram. E isto leva-me ao livro que tento ler. Descobri-o na livraria, não conhecia a autora, mas lá peguei e abri e li uma parte de um poema e não consegui mais. Fiquei devastado. A minha dor estava toda ali, sublimada, cristalizada. Como se fosse o meu testamento sentimental. Voltei passado um dia, li mais um pouco, fiquei ainda mais perturbado mas percebi que tinha ganho uma autora. Meio poema deixou-me de lágrimas nos olhos e isto nunca me tinha acontecido. Comprei o livro, e claro, não resisti, deixei-o esquecido para sempre na casa de quem me desiludiu. Comprei-o novamente, e só o consigo ler em pequenos sorvos. Para sentir menos, que tanto não me faz bem. É a sua poesia reunida o livro que tento ler. Obrigado.
ResponderEliminarInteressantíssimo este testemunho porque revela que a poesia, mesmo a escrita por mulheres, conotado muitas vezes com um romantismo fora de moda, não tem género. O único que lhe encontro é o humano e é em tempos de desilusão e abandono que ela mais nos encontra.
Eliminar"Para sentir menos, que tanto não me faz bem". É assim mesmo...Bonitas e sentidas palavras. Obrigada pelo seu testemunho.
EliminarMuito obrigada, extraordinário G. Mas espero que encontre logo logo livros que também o façam rir. Desculpe o atraso na resposta, mas tive de ir a um encontro fora do País e só regressei hoje. Grande abraço.
EliminarDepois de ter lido meio livro do "ESTADO CIVIL" do Pedro Mexia (li meio livro porque metade está escrito em inglês erudito manias, caganças ...não percebo esta gente...), estou agora a ler "A HERANÇA E EZTER " do Sandor Marai, e estou a gostar.
ResponderEliminarDo Almeida Faria apenas li O Murmúrio do Mundo, um livro da colecção de viagens da Tinta da China.
ResponderEliminarÉ um livro belíssimo, com desenhos de Bárbara Assis Pacheco e prefácio de Eduardo Lourenço.
Recomendo vivamente!
Antonieta
Agora, «Os Enamoramentos», de Javier Marías. . depois de «O Livro dos Homens sem Luz», de João Tordo, antecedido por «A Amante Holandesa» e os «Lindos Braços da Júlia da Farmácia», de J. Rentes de Carvalho, em Fevereiro.
ResponderEliminar"A casa do silêncio", de Orhan Pamuk
ResponderEliminarEstá a ser difícil de ler, mas lá vou conseguindo. Muito interessante!
Mais uma vez, fora de tempo, cá venho deixar o meu comentário.
ResponderEliminarAcabei há dias de ler «Homem na escuridão», de Paul Auster, de quem nunca tinha lido nada.
É um livro um pouco deprimente, mas de tal forma absorvente que não me «deixava» ao longo do dia. Foi pena uma história dentro da história ter ficado pouco explorada, a meu ver.
Fiquei com vontade de ler mais livros do autor. E não faltam...
Olá, sei que este não é o sítio certo para deixar esta questão, mas gostava de saber se a sua poesia está traduzida em italiano. Obrigado
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