Generosidade

Estivemos privados ao longo de séculos de traduções de muitos clássicos gregos (e latinos) e só há relativamente pouco tempo pudemos dispor de um trabalho sério, rigoroso e, ainda por cima, belo das obras de Homero, que são donde vem toda a literatura ocidental. Considero de uma enorme generosidade que um autor de prosa e poesia que podia dedicar a vida às próprias obras – o dotado e reputado Frederico Lourenço – se tenha atirado de cabeça e coração à enormíssima tarefa de traduzir, entre outras coisas, A Ilíada e A Odisseia e de nos oferecer essas suas traduções competentes e luminosas. Provavelmente, se não fosse a sua mão milagrosa, eu nunca teria lido estes dois livros fundadores em língua portuguesa; e, embora um número respeitável de tradutores se tenha dedicado a Ovídio, Catulo, Séneca e  muitos outros autores clássicos, a verdade é que poucos entre eles eram também escritores. Tenho um grande respeito por esta mão capaz de maravilhas e o post de hoje serve para lhe agradecer o acto generoso de partilha com os leitores portugueses, certamente mais ignorantes sem o seu trabalho.

Comentários

  1. generosidade, paciência e sobretudo paixão, pelos clássicos...

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  2. Também generosíssimo é o seu post que muito me tocou por ser de Clássicas. O Frederico é uma dádiva dos deuses. Os clássicos gregos e latinos têm tido grandes e virtuosos tradutores portugueses, tantos são que não haveria aqui espaço para os nomear. Certo é, como diz, que é de grande altruísmo e amor às letras clássicas o roubar tempo à sua própria obra para o dar aos outros sob forma de traduções.

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  3. Absolutamente merecido o elogio ao Frederico Lourenço como o é, a meu ver, ao Vasco Graça Moura, pelas prodigiosamente belas traduções de vários dos grandes livros da poesia ocidental, de Dante para diante. Bem sei que traduzir a partir do grego clássico será bem mais complicado, mas o Graça Moura tem o dom absolutamente invulgar de encontrar a eufonia literária ideal para recriar em português uma música que é próxima da da palavra poética original e traduz a partir do italiano, do francês, do inglês. Diz quem o conhece, que não é o meu caso, que inventa poesia como quem respira; por isso não admira a sua singular proficiência como tradutor de poesia. Imensa gratidão minha, mesmo com quem discordo vivamente em relação a outros aspetos da sua atividade pública. É que não gosto particularmente dos romances do Frederico Lourenço e tenho-me sentido ofendido por alguns dos textos de opinião do Graça Moura. Confesso que achei no mínimo deselegante o modo como ele aceitou ser agente de uma meteórica substituição política do Mega Ferreira à frente do CCB. Não havia necessidade...

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    1. Conceda-se-lhe também o mérito, a V. G. Moura, de ter reposto no CCB o uso do português de boa lei, em vez do repugnante acordês que grassa por aí como metástases.

      Se nada mais ficar como herança do seu tempo à frente do Centro Cultural de Belém, este por si só já não será legado menor.

      Costa

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    2. Nesse ponto estamos em total discordância. A meu ver, escrever consoantes que se não pronunciam é uma desnecessária complicação ortográfica. Felizmente, a meu ver, os miúdos estão a aprender há mais de um ano a escrever segundo o AO, o que significa que serão os mais velhos que, gostem ou não, irão alterar a sua ortografia porque ninguém que aprenda a escrever de um modo simplificado, sobretudo se for jovem, estará disponível a reaprender a escrever acrescentando a algumas palavras consoantes que não têm qualquer ação fonética. Mas não vale a pena ressuscitar novo debate sobre o AO (já estão todos feitos e concluídos).

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    3. Nisso o homem é casmurro, realmente, e inspirou bem os ares do local, mas na poesia e na tradução é o maior.

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    4. O chamado Acordo Ortográfico é uma aberração criminosa e uma ilegalidade.

      Uma ilegalidade porque não vigora na ordem jurídica portuguesa, ao contra do que se pretende fazer crer. Não vigora porque resoluções do governo e da assembleia da república são formas inferiores à de decreto-lei e, como tal, não o revogam. Donde a ortografia consagrada em 1945, por decreto-lei, permanece plenamente em vigor. Uma ilegalidade porque nem todos os Estados signatários do tratado que o aprovou o ratificaram e, enquanto a ratificação integral não ocorrer, um tratado não produz efeitos na ordem jurídica interna.

      Uma aberração criminosa porque pretendendo uniformizar vem na verdade complicar. Vem introduzir mais formas facultativas do que as existentes antes do AO90 . Vem introduzir inúmeras situações de ambiguidade que só um cego dogmático não vê (para/pára; espetador/espectador; corretor/corrector e tantas, tantas outras).

      Funda-se num pressuposto impossível, pois nenhuma pretensa unidade ortográfica ultrapassa as grandes diferenças de sintaxe e vocabulário existentes entre o português europeu e o brasileiro (se a este ainda se pode chamar português) e que impede de forma praticamente total a aceitação de textos em "português de Portugal" no Brasil.

      Renega as fundações etimológicas da língua, como se as nossas raízes nos envergonhassem e, invocando a máxima de que se escreve como se fala (ou arrogantemente, uma tal "pronúncia culta"), permite perguntar qual a fala a tomar por padrão: a de Lisboa, a de Bragança, a de Beja, a do Funchal, a do Corvo, de uma remota aldeia nos confins da Amazónia? Quem são os cultos a tomar como referência e todos os outros serão estúpidos?

      Submete-se de forma abjecta à ditadura da aritmética, sacrificando à lógica dos milhões a importância da língua como factor de identidade de um povo.

      É inútil, desde logo por não existir coisa idêntica, por exemplo, quanto às línguas inglesa, francesa ou espanhola, onde os seus ramos geográficos vão tendo a sua evolução natural, sem imposições centralistas de jacobinismo absurdo e sem que tal ausência pareça afectar minimamente a importância económica e cultural dos países que as falam e escrevem, ou a compreensão disso que escrevem ou falam.

      É um acto de sujeição às intenções do Brasil, de afirmação como potência mundial, absolutamente legítimas em si mesma, mas não à custa de uma óbvia mudança para pior, virtualmente desaparecendo, do português falado e escrito na Europa. Onde, sejamos muitos ou muito poucoso português começou e de onde se espalhou.

      Costa

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    5. Ó Costa, se ficamos na costa a ver navios é que não vamos longe, e ao português que aqui se fala e escreve acontece-lhe o que aconteceu ao galego. É que ele espalhou-se realmente a partir daqui e agora temos de ir com ele, senão foge-nos. Aceito que se ataquem as inconsistências técnicas do Acordo, que estão à vista, mas quando caem neste palavreado recheado de rancores e de chauvinismos mal escondidos apetece-me logo desfazer-me das consoantes mudas a que ainda me agarro por hábito. Arre!

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    6. Homem, peço-lhe, acalme-se.

      Mas suscitou um aspecto interessante: você, ao menos, aceita "inconsistências técnicas" (belíssimo eufemismo, permita-me que o felicite pela forma), no AO90 . Fica-lhe bem e coloca-o bem acima de tanta gente pretensamente culta e responsável, e que o aceita e quer impor - ao AO90 - tal e qual está.

      Eu por mim, dispenso-o integralmente. Diga-me, desapareceram, o inglês o francês ou o espanhol europeus , apenas porque não adoptaram, cada idioma, uma forma única e padronizada com as suas antigas colónias?

      Se o português desaparecer (o bom português pré-acordo de 1990; e já dou de barato as patifarias que terão sido cometidas na reforma de 1911), não há-de ser pela rejeição de uma tentativa de uniformização condenada ao fracasso, mais não seja porque o gigante brasileiro borrifa-se completamente, permita-me a linguagem, não só para o AO90 como para uma sintaxe e vocabulário que jamais serão unificados ou unificáveis e estão cada vez mais afastados. O português europeu desaparecerá, e receio que isso de facto aconteça, porque o povo português é lastimavelmente inculto. Mesmo quando razoavelmnte instruido.

      Porque o povo português, na sua vasta maioria, não tem hábitos de leitura; a não ser os jornais de futebol e as revistas de telenovelas; não tem hábitos de escrita, a não ser assinar com ingénua caligrafia de instrução primária os inúmeros impressos em que implora os favores do Estado; e, reduzido à sobrevivência, perde o orgulho na sua identidade e história, que nunca teve, na verdade, para lá do patriotismo futeboleiro; porque, fascinado por tudo o que tenha sotaque brasileiro, procura ser mais brasileiro do que os brasileiros, como, por exemplo, os nossos patéticos e gelados cortejos de carnaval paulatinamente demonstram.

      E tudo o que escrevo, meu caro, nada tem de rancores ou chauvinismos. Reconhecerá que são factos. Desagradáveis e politicamente incorrectos que sejam.

      Por isso, sim, o AO90 , o aberração nele filiada, levará a melhor. É o mais certo.

      Felicite-se você por isso.

      Costa

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    7. Obrigado pelo seu ponto vista. Todos temos o direito de não estarmos de estar salutarmente em desacordo.

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    8. Eu estava e estou calmo, e vou manter-me assim. Há uma diferença enorme entre o português e os exemplos que deu de línguas europeias que não terão sofrido com o facto de não terem uma forma única e padronizada, o que nem sei se é verdadeiro em todos os casos, pois conheço os esforços fortemente controladores da Real Academia da Língua Espanhola. É que essas línguas estão suportadas em países europeus com um peso muito maior do que o nosso, e que podem impor naturalmente (talvez devesse pôr entre plicas) as suas posições aos outros. Nós temos uma grande língua, mas somos demasiado pequenos e ela é usufruída por outros bem mais poderosos do que nós. A desproporção é grande e isso dificulta a nossa atuação . Além disso, o amigo elogia as diferenças que existem nas outras línguas, mas no nosso caso acaba por usá-las para combater um Acordo que afinal é acusado de as permitir em demasia: ótimo , óptimo, António, Antônio,... Depois, ainda mistura mais uma data de coisas que nada têm a ver e que soam a preconceito antibrasileiro , mas a sua argumentação assinala algo que sempre entendi: o assunto é muito mais político do que técnico.

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    9. Embora tardiamente, não posso deixar de acordo no que toca ao acordo ortográfico (ou será horto-gráfico?), com o que o Costa disse e argumenta.
      Há, no entanto, alguns portugueses, que à pala do "Pr'a-frentismo" (com hífen, porque é uma aglutinação agora engendrada), andam de cócoras a dizer - está tudo bem, está tudo bem, a língua evoluiu e nós somos poucos em relação aos brasileiros; quem assim não pensa não é progressista; há aqui um chauvinismo e uma xenofobia latente, etc. - mas têm direito a ter a sua opinião, a dizerem lérias do jaez retro e a escrever de acordo com o acordo.
      Por isso, Costa, continuo a escrever sem acordo e a concordar consigo.

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    10. Político. Ê verdade. Eis uma língua, um factor crucial na formação da identidade de um povo (este, o português, pequeno que seja, um povo bem antigo) refém da política. Política que manifestamente não chama a si defendê-la.

      Uma lástima.

      Faça-me um favor, peço-lhe: não meta preconceito onde ele não existe. O que escrevi são factos, questões objectivas, ainda que manifestamente os valoremos de forma diversa, você e eu.

      De resto, isso que escreve é certo: eis um acordo pretensamente uniformizador e que se algo introduz (para lá de repugnantes entorses na ortografia da minha língua) são ainda mais formas facultativas e ambíguas. Ora bem, para mim essa intenção jacobina de uniformizar é não só desnecessária como prejudicial. E por isso, para mim, o acordo é, pior que inútil, iníquo.

      Mas admita-se que é imperativo que nos submetamos a uma uniformização, como você defenderá. O AO90 , pelo acima exposto, 4é uma magistral demonstração de incompetência, submetida à política.

      Você apesar disso quer usá-lo. É consigo.

      Costa

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    11. Sim, vou usar esta ortografia ou a que vier. É apenas um código, amigo, que tem vindo a ser alterado ao longo de séculos. Não é o fim dos tempos.

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    12. Cá está, a língua, a ortografia, isso que encerra séculos de uma evolução natural, espontânea, própria de um povo, de uma cultura, transformada num mero código puramente funcional, utilitário. Como uma tabuada, como uma fórmula química.

      Em suma, desde que o entendam, coisa que o AO90 manifestamente não garante (ou sequer favorece), ao contrário do que arrogantemente pretende (o AO90 ), está tudo bem para si.

      Muito bem. Olhe, se tiver paciência para isso, aceite uma sugestão e leia um artigo de página inteira, sobre este assunto, publicado hoje, nas páginas do Público.

      Costa

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    13. Já li e confesso que fiquei baralhado, não pelo que lá é dito por Agualusa com o qual concordo, mas pelo facto de mo ter mandado ler.

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    14. Dei-me ao trabalho de contar o número de palavras deste seu último desabafo (não sou arrogante, ein !...), e são noventa e uma. Agualusa tem razão, esta conversa não faz muito sentido, pois o seu (de Costa) texto de noventa e uma palavras contra o Acordo está afinal escrito de acordo com o Acordo. E do que eu acabei de escrever pode dizer-se o mesmo, ou o contrário, isto é que foi escrito conforme a ortografia anterior ao AO90 . Esta é a verdadeira dimensão do problema, embainhemos portanto as armas.

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    15. Público de 14 de Março de 2013, página 52, "De acordo em acordo até ao desacordo final?", de Teolinda Gersão.

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    16. Para si a língua é mera ferramenta (um "código", escreveu), mas para mim é muito mais do que isso. É algo a estimar, a cultivar, a preservar (o que não quer dizer cristalizar ou paralisar ). Temos aí uma grande diferença, diria.

      O problema está muito para lá de um punhado de palavras que mude - que é muito mais do que um punhado, sendo a mudança para pior (mais não seja porque essa mudança induz confusão; o que é suposto uma ortografia correcta combater) e incapaz de sequer ajudar a alcançar o inantigível objectivo de que se reclama - é uma questão de orgulho, de atitude (e antes que o invoque, nem todo o nacionalismo é serôdio ou perverso), de respeito.

      E, já agora, de legalidade (e ainda que fosse formalmente legal não deixaria por isso de ser legítimo criticar e combater o AO90, de tal forma essa mistela é aberrante). Coisa que o prezado amigo manifestamente parece tomar por irrelevante.

      Costa

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  4. José Cipriano Catarino12 de março de 2013 às 05:33

    Também eu só pude ler a Ilíada e a Odisseia graças à tradução de Frederico Lourenço. De ordinário, não leio prefácios, mas recomendo vivamente a leitura dos de ambas as traduções, que ajudam a compreender quer o contexto da produção literária, quer as opções do tradutor.
    Posteriormente, e embalado pelo entusiasmo das traduções de FL comprei a Eneida... E detestei. Não basta verter para Portouguês, é preciso ter a sensibilidade poética para que o texto final tenha ritmo e vida. Também de FL, a antologia Poesia Grega de Álcman a Teócrito me encantou.
    Não sei Grego e o meu Latim é rudimentar, pelo que jamais poderia ler os originais, ao contrário da minha amiga Ivone. Mas suponho que ela concordará comigo: poeticamente, as traduções de FL são muito melhores que as de Rocha Pereira, além do mais fragmentárias.

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  5. Sou profundamente grata a Frederico Lourenço. Como a Rosário, não teria lido as obras na sua versão integral. E a Antologia da Poesia Grega só comprei porque o seu nome ma recomendou.
    Maria Helena da Rocha Pereira fez um bom trabalho, sabe do ofício e ajudou imenso na compreensão dos pensadores clássicos; recordo o extraordinário poema de Parménides. À época, era a única autoridade competente – diziam os meus professores – mas não tem o feeling poético de FL. Daí que a tradução me pareça um trabalho tão interessante; é o máximo poder passear por dentro do pensamento de alguém, a tentar sabê-lo em todos os escaninhos, se é que seja isso possível, e o esforço, sempre o esforço, das palavras a adequarem-se a ele, até quando alguns termos são ideia sem correspondência a uma palavra que exista na outra língua. Frederico Lourenço trouxe os gregos, eles mesmos, a cartilha maternal grega, à nossa beira. E não roubou esplendor. Olho tais livros e entra-me uma ternura muito grande por essa pessoa que é para mim um nome e a obra, sem rosto, idade, ou quaisquer outras efemérides. E tanto existe.

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  6. Definição lapidar do que é e para que serve um tradutor. De clássicos e não só.

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  7. O nome do tradutor devia ser impresso na capa, mesmo que em corpo menor, porque é a ele que se deve a leitura na língua que todos - mais ou menos- dominamos.
    É evidente que o tradutor reproduz segundo a linguagem corrente, convertendo frases idiomáticas, provérbios e calões que, se não correspondessem ao localizado vocabulário português, se tornatiam incompreensíveis. A grande arte da tradução está na forma e na sageza de conseguir reproduzir sem adulterar o original.
    Não é apenas bom tradutor aquele que domina as duas línguas em determinado trabalho, mas aquele que consegue um equilíbrio eficaz, sem se tornar "translator" ou, como bem dizem os italianos, "traduttore,traditore".

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  8. Tenho essas traduções de Homero. A introdução de "Odisseia" é extraordinária.

    Catulo foi traduzido, também, pelo meu professor de Latim.
    Depois de me ter como aluno, ele está pronto para qualquer empreitada.

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