A Figueira dá figos
O mais recente vencedor do Prémio LeYa – Nuno Camarneiro –, de quem publiquei em 2011 um primeiro romance intitulado No Meu Peito não Cabem Pássaros, é um escritor nascido, como João de Barros, na Figueira da Foz. Quando pus pela primeira vez os olhos na sua biografia, pensei que seria o único escritor contemporâneo figueirense que conhecia, mas logo me desenganei. A verdade é que Afonso Cruz, um outro romancista (e não só) talentosíssimo, de cujos livros já aqui falei (e que venceu recentemente o Prémio da União Europeia para a Literatura com o livro A Boneca de Kokoschka), é igualmente oriundo daquela bela cidade. Há umas semanas, descobri que a escritora e tradutora Maria Manuel Viana (cujo último livro é O Verão de Todos os Silêncios) era, do mesmo modo, uma filha da Figueira da Foz. E bem assim Gonçalo Cadilhe, o escritor de viagens que começou por descrever nos jornais as suas andanças e hoje tem um público fidelíssimo para os seus vários títulos publicados. Esta Figueira dá figos, está visto. E não só na literatura: tanto João Mário Grilo como João César Monteiro são de lá…
João César Monteiro o realizador da Comédia de Deus?
ResponderEliminarAquele da personagem que convence Joaninha a tomar um banho de leite de vaca e que lhe pergunta se «quer que lhe guarde a caquinha?» e que coa o leite do banho da menina e guarda uns certos pelos (não pêlos, seus detratores do acordo ortográfico!).
Bem me parecia que na Figueira nem todos os figos são doces, há alguns com basto teor alcoólico.
João César Monteiro num ciclo de conferências sobre o seu filme BRANCA DE NEVE, reagindo a uma crítica terrível sobre o mesmo, levanta-se e abandona a sala: vão-se todos foder , vocês é querem é telenovelas...
EliminarPedro: por norma sou fã dos seus comentários. Mas neste...aprimorou-se! AHAHHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHHAAH
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EliminarE que bem dito.
A figueira dá figos, mas não flor: julgo que é a única árvore que produz fruto sem flor. Todavia, muitos figueirenses dão flor e muito bom fruto, assim como os de Figueira de Castelo Rodrigo e até de Vale de Figueira (São João da Pesqueira). O problema da produtividade e da criatividade, neste Portugal lindo, não está na cigarra, nem na formiga, mas, sim, numa corja que desmanda, há séculos, e nos tolhe e cerceia, só nos quer como armas para canhão...
ResponderEliminarCLAP, CLAP, CLAP
EliminarPequena correção: a figueira tem muitas flores, muito pequenas e dentro do figo. É por isso que não as vemos tão facilmente como as flores de outras árvores.
Eliminaré uma terra quase romanesca, com muitas personagens à solta, quase caídas do céu, atrás do Verão. :)
ResponderEliminarDor fina-flor e fruto.
ResponderEliminarA figueira é verdade?!
Por referir a Figueira da Foz; hoje que estava a contar ir à minha terra para a rever e ouvir nas "5as de Leitura", recebi agora a comunicação de que o encontro foi adiado para 12 de Julho! Já tinha feito um desenho de cavalo para lhe oferecer... e Julho está tão longe!
ResponderEliminarCumprimentos
Carlos Reys
Pois é, o encontro foi marcado sem pensarmos que seria Quinta-feira Santa, quando muitos partes de fim-de-semana... Antecipámos para quarta (hoje), mas logo a seguir foi cancelado por ser Dia Mundial do Teatro e haver outras actividades previstas. Julho é já ali. Fico à espera do desenho, claro!
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ResponderEliminarFaz-me recordar, com um arrepiozinho, os meus tempos da Figueira da Foz, anos 60, os bailes que se organizavam nas casas dos pais, a nossa militância contra a ditadura, cruzada com as paixões – os nossos Sinais de Fogo (*).
Nesse tempo, Ray Charles ao piano cantava a solo “You don’t know me”, e eu, a dançar com a namorada de então, murmurava-lhe ao ouvido uma parte dos versos, e ela murmurava-me a outra parte – e tivemos logo ali a intuição de que esta música era para ser cantada em dueto.
“You don’t know me” – de alguma forma, era isto que Jorge tentava dizer a Mercedes, e ela a ele...
E agora, passados tantos anos, sinto que Ray Charles captou os sinais do fogo e, em nossa homenagem – e em homenagem a Jorge e Mercedes – antes de morrer gravou para nós, para a nossa geração, este dueto com Diana Krall…
(*) Jorge de Sena tinha também andado por lá, e grande parte dos “Sinais de Fogo” é ali que decorre.
Cara Maria do Rosário,
ResponderEliminarEm julho, estarei na Biblioteca da Figueira da Foz para a ver, ouvir e cumprimentar.
Gostaria de lembrar que João Gaspar Simões, escritor e crítico literário que marcou a sua época, é figueirense e patrono do prémio literário instituído pela Câmara da Figueira da Foz.
Não esquecer outro figueirense importante e muito esquecido, Luís Cajão (1920-2008), autor do romance A Fortuna do Padre Torres, entre outras obras.
ResponderEliminar...e ainda António Augusto Esteves (Carlos Sombrio) 1894-1949, «uma voz do Romantismo», sobre quem, no passado sábado dia 23 de Março, o jornalista e poeta Aníbal José de Matos recordou em palestra.
ResponderEliminarAlém da Literatura e Cinema também nas artes plásticas se destacaram figueirenses; Candido Costa Pinto, surrealista, autor de mais de 100 capas da Colecção Vampiro (começou na nº1) e António Viana, pintor ainda vivo.
Carlos Reys
E ainda: Raymundo Esteves Pereira.
ResponderEliminarUma Figueira carregada de figos.
António Breda Carvalho
e... lembro-me agora, o poeta Acácio Antunes, com nome numa rua da Figueira.
ResponderEliminarRaymundo Esteves também tem nome de rua (perpendicular à outra).e escrevia para "A Voz da Justiça" segundo me contaram pessoas que o conheceram.
Assim de repente, parece-me que faltam aí alguns figueirenses relevantes.
EliminarNa poesia, António Augusto Menano – pessoa tão cordial, que tanto nos apoiou, aos jovens contestatários dos anos 60, e que, com a Democracia, teve cargos relevantes na cidade.
Na pintura e artes gráficas, o Álvaro Cação Biscaia, ainda activo, e que julgo injusto ignorar aqui porque, sempre que vou à Figueira da Foz, damos um passeio pela cidade, vamos ao mercado, almoçamos juntos no tasquinho do meu homónimo, etc, e bem vejo como tanta gente o saúda, se interessa por ele, interrompe a nossa caminhada para conversar com ele sobre as questões palpitantes da cidade, recordar coisas do passado, etc. Tem livros publicados a documentar a história local. Faz parte da memória viva da Figueira da Foz.
Já agora, a filha do Álvaro, a jovem Paula, que, ao que vou sabendo, vai tendo relevo já internacional nas artes gráficas, ilustração, por aí.
Ainda na pintura – mas não só; se formos a ver, também na cidadania à escala internacional, ONG’s e assim – o João de Azevedo, que, tendo vivido em todos os continentes, incluindo o Algarve, assentou actualmente na Holanda, mas ainda agora há poucos meses apresentou em Lisboa as suas pinturas sobre os simbólicos crocodilos de Timor, e em S. Brás de Alportel as pinturas sobre os refugiados africanos (os harragas, muitos dos quais morrem na travessia do Mediterrâneo para a Europa).
Se calhar há mais pessoas merecedoras de referência – peço desculpa por, assim de repente, referir apenas estas, mas quem sou eu para, assim de longe, e tantos anos afastado do quotidiano da cidade, fazer a devida justiça.