Regresso a um outro eu
Às vezes, há livros que nos chamam de outro tempo; e uma tarde destas, porque me pediram que recordasse um título que gostaria de voltar a ver circulando pelas nossas livrarias, comecei a olhar as estantes lá de casa e dei com um desses títulos que nos transportam imediatamente ao passado como máquinas do tempo: um romance de que gostara tanto quando o descobrira que nunca me atrevera a relê-lo, com medo, afinal, de que a magia se perdesse. Mas, enfim, agora ele parecia chamar-me da prateleira e era conveniente dar-lhe ouvidos. Li o texto das badanas e, tratando-se de um Prémio Planeta (coisa de que já não tinha ideia, confesso), se calhar a decepção nem seria assim tão grande – se chegasse a haver decepção, claro. Por outro lado, voltar a ele era um exercício engraçado de auto-conhecimento, de busca de um eu antigo e quiçá esbatido ou enterrado que me apetecia (re)conhecer. Bem, o romance é Resta a Noite, de Solelad Puértolas, e tinha-me mesmo enchido as medidas há uns vinte anos, até porque havia em mim qualquer coisa da protagonista, além uma viagem a um país exótico e muita solidão antes e depois dela. Não estava muito enganada quanto a isso, mas, excepto a solidão, essas memórias eram uma pequeníssima parte de uma intriga que, afinal, metia espiões ingleses e alemães, uma família aristocrata num palacete, um rapaz frágil e bastardo fugido para Honolulu, uma irmã farta do seu casamento e muitos outros factos adormecidos. E a tradução, ui, melhor nem falar, cheia de distracções em que, na altura, não devo ter reparado, até porque sabia muito menos castelhano do que hoje. O romance é ainda interessante, não me interpretem mal, mas o que me desiludiu a sério foi pensar que achei uma obra-prima um livro que agora consideraria apenas mediano, mesmo que galardoado com o Prémio Planeta. Reler tem estes perigos...
Exactamente Maria do Rosário, reler tem estes perigos e como eu já tenho ficado desiludido com livros que na altura em que os li me pareceram uma obra prima e que afinal não são nenhuma magia e se tornam por vezes até enfadonhos , o que faz com que eu tenha medo, muito medo (é a palavra exacta) de reler, livros que muito desejo reler, livros que adorei, como por exemplo, "A LESTE DO PARAÍSO", "AS VINHAS DA IRA" do John Steinbeck , HAN DE ISLÂNDIA", "OS TRABALHADORES DO MAR", "O HOMEM QUE RI" do Victor Hugo, "O REI VERDE" de Paul Loup Sulitzer , "PARTÍCULAS ELEMENTARES" de Michel Houellebecq , "CEM ANOS DE SOLIDÃO" de Gabriel Garcia Marquez, "INSTRUÇÕES PARA SALVAR O MUNDO" de Rosa Montero , "ESCRITOS SECRETOS" de Sebastian Berry , "DOMÍNIOS DA NOITE" de William Gay, "SOMOS O ESQUECIMENTO QUE SEREMOS" de Hector Abad Faciolince e tantos, tantos outros...
ResponderEliminarBelas sugestões, Severino ! Dos que li da sua lista, são todos inesquecíveis e, claro, anotei aqueles que ainda não li. Obrigado !
EliminarÓ Severino,
EliminarTens medo????? de reler esses livros????? Bolas, as obras que referes deveria ser obrigatório ler, reler e voltar a reler.
São livros imortais, já os li a todos e alguns deles já reli e foi um prazer.
Neste momento estou a reler do Leão Tolstoi "Ressureição" que já tinha lido há uns bons 20/30 anos. E que prazer.
Abraço.
Almeidinha
Artur então já agora atrevo-me a mais algumas sugestões, para mim absolutamente inesquecíveis:
EliminarSIDARTHA " Herman Hesse , "O PROCESSO" F Kafka , "ESTE PAÍS NÃO É PARA VELHOS" Cormac McCarthy , "O TIGRE BRANCO" Aravind Adiga , "O ELEITO" Thomas Mann , todos os do PHILIP ROTH , nomeadamente esse monumento à torpeza e vileza do ser humano "O TEATRO DE SABBATH " e esse inesquecível "INDIGNAÇÃO", mas Philip Roth é um monumento à escrita (difícil, duro, pesado mas quando se entranha...), "O VELHO QUE LIA ROMANCES DE AMOR" do Luís Sepúlveda (até parece que o conheço, tão familiarmente ele escreve), todos os "CONTA CORRENTE" do Vergílio Ferreira (uma espécie de P. Roth português), o desconcertante MATTEO PERDEU O EMPREGO" do igualmente desconcertante Gonçalo M. Tavares, "O RASTRO DO JAGUAR" um grande livro de Murillo Mendes, todos os publicados em Portugal da enorme FLANNERY O'CONNOR , especialmente o espectacular romance "SANGUE SÁBIO", "JARDIM COLONIAL e "DESASTRE NA RIA FORMOSA" de José António Saraiva, e claro que não poderei deixar de citar o maior escritor português de todos os tempos depois de Camões - JOSÉ SARAMAGO.
Sabes porque é que eu digo que tenho medo (se calhar dos que citei não será de ter medo, porque são IMORTAIS), mas, por exemplo, lembro-me de um livro que nos meus verdinhos anos tinha gostado imenso e vinte anos mais tarde não consegui chegar ao fim (ou se consegui foi apenas por descargo de consciência) - LISBOA EM CAMISA de Gervásio Lobato.
EliminarCaro amigo Severino, muito obrigado, de novo, por complementar a sua lista inicial ! E, já agora, estou completamente de acordo consigo em relação ao "o maior escritor português de todos os tempos depois de Camões" do qual li praticamente tudo e tive a honra de ouvir e apertar a mão em saudosas sessões de autógrafos precedidas de palestra pública e diálogo com os leitores.
EliminarTenho já por este sedutor espaço quase uma fidelidade canina pela companhia e pela cumplicidade do olhar, como se fosse um chiwawa » maravilhado perante uma pequena grande janela para o mundo, que nos propicia livros para combinarmos passados e para nos ir fazendo lembrar ad contrário, como tão bem ilustrou o Severino num comentário passado que, «o tempo não se para tyuiadfghjklzxcvnnnnwcom !!!) com as mãos.» As bibliotecas herdadas com livros descapados ”, decapados pelas leituras, a excitação dos tempos curtos de feira daqueles pequenos tesouros rectangulares, puzzles quixotescos, lâmpadas de Aladino, cavernas de ali - bábá os tempos longos de sofreguidão de leituras assinadas atrasadas, os breves tempos de internato escolar, a nostalgia e magia do livro, passageiro do tempo, condutor de lugares improváveis, que nos fazem rir, chorar, viajar, nos ocupam o tempo, acompanham, educam, abrem horizontes, tomando conta de nós, nos fazendo regressar do passado ao futuro num ápice, os super-homens, os aranhiços, «os cinco» aos seis, «os sete» aos oito, «os falcões» aos nove, servidos e sorvidos sofregamente nos regressos - retorno de meninos arrastados para o continente dos bichos – aos irracionais, obviamente, mesmo que olhar incompleto e ingénuo ainda não acomodasse a diferença – «os tintins» aos onze, «os vampiros» aos doze, os legionários aos treze, os centuriões, o far - west , os nossos velhos descapados ”, hoje encaixotados como múmias, impossível de nos separarmos, tesouros a que outros chamarão entulho, tudo isso se encaixa num grande eu construído ao longo daquilo a que chamamos tempo.
ResponderEliminarA colação «extraordinária» do eu, remete e remate para uma interrogação: o nosso eu é um eu perceptível - pelos outros - ou as leituras, ou o que quer que seja de maturidade, vão-nos fazendo estranhos aos olhos dos estranhos? Que estranho mundo é este que nos afasta dos mais frágeis, dos mais dentro da norma, dos mais medianos? Que mundo é este que queremos viver que é só nosso?
Aos 10 ou 11 anos li o "Amor de Perdição" e "As Viagens na Minha Terra" como parte de um "duro" programa de aprendizagem de Português (que não era a minha língua nativa). Adorei o primeiro de paixão e abominei o segundo, que só li até ao fim porque a minha Mãe me fazia perguntas ao progresso da leitura. Em adulta voltei a lê-los. Ia com entusiasmo para o primeiro e achei aborrecidíssimo, ingénuo demais. E peguei no segundo a temer outro desgosto mas, para minha máxima surpresa, adorei de tal sorte que me apeteceu ir à Azambuja e ao Cartaxo (só para levar uns valentes baldes de água fria pela espinha abaixo).
ResponderEliminarPergunto-me como encararia agora Júlio Dinis, de que eu tanto gostei na adolescência, mas nem quero abrir a página.
O trauma maior, porém, foi a leitura do Eça aos nove. O primeiro livro dele que a Mãe me pôs nas mãos foi "A Cidade e as Serras". Apetecia-me chorar de raiva por ter de aprender Português. Durante anos e anos não pude ouvir sequer falar em Eça de Queirós. Vomitei "Os Maias". Nada em Eça me era agradável. Décadas depois fiz um doutoramento em Eça...
Minha Cara BWP
EliminarNão tema… vai gostar na mesma de Júlio Dinis! Achá-lo ingénuo será ainda um encanto, e sinal que evoluiu! Descanse portanto, pois não gostar… duvido, e vai mesmo descobrir novas coisas, é o desafio e ainda o prazer de reler, pelo menos para mim. Vai descobrir que já na época havia interesses instalados e já as lutas que hoje se travam… o caso da estrada que o deputado (pai da Morgadinha) quer construir e vai destruir as árvores do Tio Juvêncio (?) … o eremita botânico, tem parecenças com tanta coisa actual!
Não aprendeu nada com o que refere sobre Eça?
Vou-lhe contar o seguinte:
Ontem, fui de madrugada aqui do Huambo ao Lubango e voltei… foram 12 horas e 1100 km, com um desvio por Catengue, pois o troço da Caála à Catata está intransitável na Cuíma. Para quebrar a solidão dei uma boleia a uma bela jovem que encontrei na estrada entre Caimbambo e o Cubal. Era professora e queixava-se que é muito difícil fazer os alunos ler. E é… mas não compete ao professor explicar aos alunos que ler é abrir em cada vez uma porta, uma janela ou um postigo… e quanto mais lerem mais portas abrem! Talvez essa a razão da dificuldade, a imposição em ler, apenas, sem conversar sobre a leitura e ajudar a abrir essas portas, de se encarregam de o fazer, depois, o tempo e a vida. Portas que uma vez abertas, jamais se fecham! Sucede, como no seu caso, não haver num dado momento força de braço para abrir uma porta mais pesada e que anos depois, com a ginástica do tempo e da vida, ela se abra afinal!
Talvez por isso, normalmente não sou definitivo nas leituras. Já me aconteceu não gostar de “Jerusalém” (aconselhado pela nossa anfitriã)… porque não era de facto leitura para quem esteja isolado numa fazendo no meio do mato. Li-o depois em casa e tive a nítida percepção de que eu era uma outra pessoa e fiz uma leitura diferente…
Saudações do Planalto Central
Minha Cara BWP
EliminarNão tema… vai gostar na mesma de Júlio Dinis! Achá-lo ingénuo será ainda um encanto, e sinal que evoluiu! Descanse portanto, pois não gostar… duvido, e vai mesmo descobrir novas coisas, é o desafio e ainda o prazer de reler, pelo menos para mim. Vai descobrir que já na época havia interesses instalados e já as lutas que hoje se travam… o caso da estrada que o deputado (pai da Morgadinha) quer construir e vai destruir as árvores do Tio Juvêncio (?) … o eremita botânico, tem parecenças com tanta coisa actual!
Não aprendeu nada com o que refere sobre Eça?
Vou-lhe contar o seguinte:
Ontem, fui de madrugada aqui do Huambo ao Lubango e voltei… foram 12 horas e 1100 km, com um desvio por Catengue, pois o troço da Caála à Catata está intransitável na Cuíma. Para quebrar a solidão dei uma boleia a uma bela jovem que encontrei na estrada entre Caimbambo e o Cubal. Era professora e queixava-se que é muito difícil fazer os alunos ler. E é… mas não compete ao professor explicar aos alunos que ler é abrir em cada vez uma porta, uma janela ou um postigo… e quanto mais lerem mais portas abrem! Talvez essa a razão da dificuldade, a imposição em ler, apenas, sem conversar sobre a leitura e ajudar a abrir essas portas, de se encarregam de o fazer, depois, o tempo e a vida. Portas que uma vez abertas, jamais se fecham! Sucede, como no seu caso, não haver num dado momento força de braço para abrir uma porta mais pesada e que anos depois, com a ginástica do tempo e da vida, ela se abra afinal!
Talvez por isso, normalmente não sou definitivo nas leituras. Já me aconteceu não gostar de “Jerusalém” (aconselhado pela nossa anfitriã)… porque não era de facto leitura para quem esteja isolado numa fazendo no meio do mato. Li-o depois em casa e tive a nítida percepção de que eu era uma outra pessoa e fiz uma leitura diferente…
Saudações do Planalto Central
É difícil interessar os jovens pela leitura. Por várias razões, a menor das quais não é seguramente o facto de não haver a cultura de ler nas famílias. De, numa casa, inexistirem os livros físicos; de, livros, só os escolares.
EliminarConcordo com a sua opinião. As portas não se abrem a discursos moralizantes de que já observei a inutilidade. Levar a ler é coisa mansa, de tacto. Que não dá fruto sem entusiasmo. Se o amor que se tem aos livros ou aos autores é genuíno, alguém há-de querer copiar, interessar-se. Mas o entusiasmo também pode estar inquinado, encher-se de atropelos de gestos e palavras. Ora, o entusiasmo na leitura é uma atitude de perseverança e gosto. Que põe o tal brilhozinho nos olhos e até na boca quando deles se fale. Mesmo que em recato, não passa em vão.
Se encontre a tal professora, pode dizer-lho. Pressinto que algumas o esquecem. E diga-lhe ainda que os modelos fazem falta.
E se, muito obrigada.
eu diria, Pedro, que as leituras nos tornam estranhos até aos olhos de quem não o é para nós. Que o quotidiano nos transforma; e, se dele as leituras forem integrantes e vividas, a pensá-las na impressão que ficou, isso nos vai afastando de quem fomos e tb de quem não lê e prefere outros caminhos. E depois há a arte de viver a religar-nos. Ou não.
ResponderEliminarQue é muita arte a vida.
Vivam!
ResponderEliminarTodos os dias tenho a minha aula!
Grato Prof. Pedro Sande, pois é sempre um prazer lê-lo - não estou a bajular!!!!
Amigo Severino... discordo em absoluto, não do que diz mas nos exemplos que dá e portanto acho infundados os seus receios!
Repare, se me disser que ao reler "Os cinco e o comboio fantasma", já não vibrou e se sentiu decepcionado com isso... aceito, é óbvio!
(Eu continuo a gostar e até me delicio mais com pormenores que na altura me escapavam).
Agora, "As vinhas da ira" ? Estamos a comparar coisas incomparáveis... Steinbeck e a sua obra são clássicos, e não sou eu que o digo.
Claro que pode variar a intensidade daquilo que nos faça sentir, e sim, até diminuir, pois com o tempo, a idade e a vida vamos também alterando a nossa personalidade, mas não creio que obras como as que cita e o marcaram na juventude agora o desiludam!
Diria eu, que não podemos meter no mesmo saco TODA a literatura, pois há de facto aquela que tem um tempo e a outra, que é intemporal!
Vejo na minha frente uma parede... a parede do desconhecimento que faz sombra e me escurece.
Os livros são como os tijolos, e cada vez que leio um, é como se tirasse um tijolo e abrisse um espaço nessa parede, de onde sai luz... esta pode ser apenas uma réstea ou um clarão, posso até recolocar o livro a tapar novamente o buraco (se não gostei). Mas uma vez destapado o buraco, fica essa luz a iluminar para sempre!
Um abraço cá do Planalto Central
Caro Amigo Pacheco
EliminarAcredito que aqueles que citei (e que quando li adorei) se calhar voltarão a agradar-me em pleno se os reler, mas seria um profunda desilusão se isso não acontecesse e é disso que eu tenho "medo".
Caro António
EliminarMesmo que bajulasse lembrava-lhe que os tempos estão por aqui materialmente «pindéricos», para não falar da ética soberana republicana;
(estava aqui a ler que, o búlgaro demitiu-se com o argumento seminal e plural de: «O primeiro-ministro da Bulgária, Boiko Borissov, anunciou esta quarta-feira no Parlamento a demissão do seu Governo, na sequência de dez dias de manifestações no país contra os preços da eletricidade considerados elevados. «Temos dignidade e honra (e electricidade cara, ao contrário de nós!, e já agora povo, com consciência soberana, acrescentaria eu!) Foi o povo que nos confiou o poder e hoje devolvemo-lo», declarou Borissov»
e que, brevemente, quase tão brevemente quanto este e-mail o for encontrar a dar boleia a «uma bela tanacetum vulgare», precisaremos do retorno – de preferência, carregados! - dos contentores (não lhe peço que encaixote a «bela professora» porque a mãe N’Gola, humilde e com vontade de criar os seus filhos «a peito», precisa tanto dela, como nós já quase de pão: já não para a boca, mas para ressarcir, daquilo que poucos viram, o avaro e sovina credor).
Como «hoje» é dia de economia política deixo-vos este artigo delicioso – só rir? se não fosse trágico - da nossa amiga historiadora e escritora, Cristina Torrão, sobre as «novas minas de escravos» na Alemanha Merkeliana e de como o termo catinga se pode confundir na sua significância.
Habitualmente nada dado a invejas, mas isto é como o António diz, as invejas têm momentos como as obras, está aqui a dar-me um ratinho de inveja desse povo com que coabita actualmente: pela grandeza do cenário, pela alegria na simplicidade, pelo cheiro a África que ainda retenho (me desculpem o atrevimento, os nossos irmãos e a minha paixão africana, mas aqui não estou a falar do catinga-de-mulata, a planta tanacetum vulgare, nem da sua forma galega, nem mesmo daquele significado que mete glândulas, mas de uma mistura de cheiro a terra e savana queimada.
Um abraço das colinas Alfacinhas, António!
«Não é que está ali numa de uma das sete colinas - nas outras também lá estarão, com certeza - uma bela professora, também ela me falando da dificuldade de ensinar, mas por desempregada, também era professora, a pedir-me boleia e a lamentar-se da catinga desta administracao (assim, mesmo!) na sua forma e significado galega (avareza!)
já senti as duas coisas.
ResponderEliminarja me senti desiludido e também iludido.
depende muito da altura em que lemos os livros.
livros lidos na adolescência, é normal que percam a magia quando são relidos anos depois, com centenas de leituras na bagagem...
Meu Caro Luis M
EliminarSim e não!
Não são os livros que desiludem... eles continuam os mesmos. A vida é que o ilude ou desilude e a sua percepção do livro pode alterar-se com ela.
Acaso um livro é "bom" ou nem por isso, porque o lemos num dado momento ou idade?
De modo algum!
Reparem que ao contrário de vocês eu não sou nem literato, nem académico, nem profissional da literatura... sou uma pessoa comum, "das outras".
Medsmo assim, duvido que você tenha mais lido tantos mais livros do que eu que faça a diferença em ser deslidudido por isso... e lhe digo que até hoje, nenhum me desiludiu! Repito que mantêm a sua luz, e como disse à nossa Extraordinária BWP, encontro-lhes sempre outros e novos encantos, nem que seja o de perceber a minha ingenuidade.
António Luiz,
Eliminarclaro que os livros são os mesmos.
mas nós estamos sempre a crescer e a evoluir. é natural que o exercício da leitura e a bagagem cultural que vamos adquirindo ao longo dos anos, nos tornem mais exigentes.
digo eu, claro. :)
Compreendo o que quer dizer... mas faço ainda a seguinte reflexão: Tornamo-nos mais exigentes com a "bagagem" que adquirimos, sim! Porém acho que isso se aplica às leituras que faremos ou temos para fazer agora, não às que fizémos...
EliminarDaí eu dizer que nunca me senti desiludido com as leituras feitas se relidas, é uma espécie de reviver o passado.
Um abraço!
É verdade que o primeiro olhar difere de todos os outros, apresenta. Por ser o primeiro, é ingénuo e sincero. O livro é-nos ainda desconhecido. Mas talvez nos livros como nas pessoas. Há as que ao primeiro olhar nos interessam. E as que só ao segundo, ou terceiro. E o que deles e delas nos fica é impressivo no ultrapassar da impressão.
ResponderEliminarHá livros que releio vezes incontáveis, de que sei parágrafos inteiros, quase páginas. Outros em que não encontro motivo para mudar a primeira impressão. Assim com as pessoas, as que conhecemos e são simpáticas e passamos um bocado agradável. E aquelas a quem voltamos uma e outra vez, inesgotáveis, a quem amamos a presença em todas as faces, sem cansaço. A encontrar-lhes uma beleza intraduzível, que não lhes vem da forma. Ou apenas. E talvez com os livros essa profunda afinidade tenha a ver connosco mesmos. E o reler permaneça um campo magnético de interesses.
E, no oriente os média, café expresso.
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