O que ando a ler

Hoje é dia de partilhar leituras. Quando iniciei a deste livro que hoje trago – A Amante Holandesa, de J. Rentes de Carvalho – lembrei-me, sem querer, das conversas às escuras e em voz baixa que trocavam o guarda mais velho e o guarda mais novo em Lituma nos Andes, de Mario Vargas Llosa. Também nesse romance o mais novo relata com detalhe excessivo a sua paixão e o outro bebe as palavras e desfruta, como se fosse com ele. Mas aqui as confidências são entre dois homens já entrados nos anos numa aldeia que ambos abandonaram jovens e à qual regressaram velhos: o Gato, um pastor que esteve emigrado na Holanda e por lá teve uma amante e uma filha que nunca mais viu e de quem morre de saudades; e o narrador, um professor cuja vida foi um imenso vazio, que se casou por inércia, tem dois filhos imprestáveis que moram longe e um tédio difícil de aguentar. Depois de um episódio com uma carta que, de certo modo, poderia aparentar-se à história de Cyrano de Bergerac – carta que o segundo escreve à amante holandesa do primeiro por este ser analfabeto –, uma grande desgraça acontece, colhendo-nos a todos de surpresa como uma espécie de final antecipado. Mas, a partir daí, o foco desloca-se para o narrador, de quem iremos, afinal, saber muita coisa que teríamos preferido ignorar. A aldeia, esse corpo grande com os seus brutos e bêbados, é a melhor personagem de todas – e tão impiedosa como a do Rebate, do mesmo autor, de que já falei neste blogue. (Talvez, no fundo, seja a mesma.) A ler, como sempre, tratando-se de Rentes de Carvalho.

Comentários

  1. "Por minha mãe eu seria andré, que assenta melhor em destino de macho..."
    Estou a ser levado na espiral de 'Um Pinguim na Garagem', do Caminha.

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    1. Olá, Nuno.

      D'"O Pinguim" o que ainda hoje recordo, e que mais me marcou, foi a descrição que o autor faz da sua relação com os cães: senti como se estivesse ali com eles. Mas cada página está repleta de frases memoráveis, filosofia, poesia. Gosto muito da escrita deste autor. Percebo que algumas pessoas gostem menos mas uma coisa é inegável: a sua escrita é muito original.
      Se quiser, espreite online um microconto dele, "O Beijo", bastante diferente do estilo que se encontra nos seus dois romances (que já de si são muito diferentes um do outro):

      http://acabra.net/artigos/o-beijo

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    2. "No caos do meio-dia, o alcatrão de agosto vai-se acomodando e fumega até ao rio. Cresce em mim uma irritação subterrânea, traída pela avidez dos cigarros. Desgastam-me a taquicardia das buzinas, as colisões e as pisadelas, os suspiros e as cotoveladas. É para isto que saímos das gaiolas onde nos encerram e cujo conforto pagamos, ao ano, ao banco, à câmara, ao estado. É para isto que pagamos a vida a meio mundo."

      Bruna, roubei uma hora ao meu descanso e acabei agora de ler o Pinguim. Abri de novo ao calhas e saíu-me este parágrafo. Mas o livro é invariavelmente assim, a atacar o conforto do leitor, muitas vezes a tirar-lhe o ar. Vou respirar agora, mas, como dizia Picasso, os momentos importantes da vida são aqueles em que o ar nos falta.

      Percebo o que diz acerca dos cães. Também os senti na minha cama e agora dou por mim a procurar o Sebas e a Dosti para lhes fazer festas. Adoro também esses viralatas marotos.

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  2. Grata... pela noite de ontem!

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  3. Leio e saboreio a poesia reunida da Maria do Rosário Pedreira.

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    1. Sofia Santos
      Para quem não esteve ontem nas quintas de leitura, podemos ter aqui um pequeno relato? Obrigada!
      Uma invejosa que não esteve presente

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  4. Por aqui lê-se "Um bom homem é difícil de encontrar" da Flanney O'Connor mas ansiosa por pegar no "Ernestina" do José Rentes de Carvalho que já lá tenho em casa.

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    1. FLANNERY O'CONNOR - uma escritora absolutamente fantástica que não podem deixar de ler ("SANGUE SÁBIO, "TUDO O QUE SOBE DEVE CONVERGIR" este último de contos). Não deixem de ler SANGUE SÁBIO uma autêntica pérola da literatura. FLANNERY O'CONNOR - que pena ter morrido tão jovem.

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    2. E, já agora, o curto conto "A good man is hard to find" disponível na net.

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    3. Vejo agora que não tinha lido o comentário anterior em que já se falava neste formidável conto. Os meus pedidos de desculpa à Tânia F.

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    4. Artur, não tem nada que pedir desculpa. Por acaso estava a referir-me ao livro de dez contos que tem o título desse conto, que é logo o primeiro.
      ASeverino, vou seguir o seu conselho e ler O Sangue Sábio.
      No que respeita à Flannery O'Connor partilho da opinião dos dois comentadores Extraordinários. A autor constrói personagens e situações com grande mestria.

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    5. "UM BOM HOMEM É DIFÍCIL DE ENCONTRAR" foi o primeiro livro que li desta ESPANTOSA escritora (Flannery O'Connor); de resto já li todos os (tao poucos) livros que em Portugal dela se publicaram. Vale mesmo a pena ler.

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  5. Aquando do último "O Ando a Ler", tinha em mãos o segundo do Quarteto de Alexandria, Baltasar; depois fui até ao Brasil com Bufo & Spallanzani, de Rubem Fonseca; e presentemente estou de volta ao Mediterrâneo com o terceiro do referido quarteto, Mountolive.

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  6. Ah, do Rentes li o La Coca. Sem dúvida, um autor a ler.

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  7. Depois de terminar, desiludido, "A piada infinita", preparo a entrada em "O arco-íris da gravidade" com "O homem sentimental", de Javier Marías.

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    1. Adorei o "O homem sentimental"!

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    2. Obrigado pelo seu comentário. Estava na dúvida, se tentaria ler "A piada infinita", sendo um livro tão longo e caro. Agora, ouvida a sua opinião, deixou de ser opção para mim, por muito que os críticos o louvem.

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    3. De nada, caro Artur. Não querendo arcar com a responsabilidade de fazer alguém perder uma obra tão louvada, não poderia ter deixado de carpir as minhas mágoas em relação às tormentas que passei. :)

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    4. Ainda vou no início e estou a gostar. Como acontece com todos os livros à partida, no final espero poder partilhar a sua opinião. :)

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  8. Estou a ler Os Malaquias da Andrea del Fuego . Estava um pouco reticente em pegar-lhe porque não sou grande apreciadora do realismo mágico mas, confesso, estou a gostar bastante. Se calhar, porque não ia com grandes expetativas . Apesar do prémio. Decidi lê-lo porque apeteceu-me descobrir novos autores brasileiros. Influenciada pelo Ano do Brasil em Portugal? Talvez. Na calha tenho mais três novíssimos brasileiros e o grande Javier Marias com o Enamoramentos a começar a degustar, já amanhã. Estou entusiasmadíssima para ler este livro!

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  9. Do Rentes de Carvalho, de quem já tinha apreciado inúmeras crónicas, li este verão "Com os Holandeses". Fiquei deslumbrado: nunca tinha passado pelas minhas mãos um ensaio tão truculento e impressivo sobre o que carateriza um povo que, descobri no livro, é bem mais diferente de nós do que eu antes imaginava. É um ensaio recheado de múltiplas estórias da vida do autor desde que chegou ao país e que, à medida que as páginas vão avançando, nos vais oferecendo uma apreciação crítica cada vez mais global e profunda sobre as várias vertentes do modo de ser e da cultura social dos holandeses, sublinhando sem meias tintas o que lhe agrada e o que o ofende, como português e transmontano de larga e variada experiência por este mundo fora, nomeadamente em França e no Brasil. Estou certo que voltarei em breve ao Rentes de Carvalho, e agora aos romances como o que é apresentado pela nossa anfitriã.
    Pensei que a Maria do Rosário ia partilhar connosco um pouco da sua "Quinta de Leitura" para a qual não consegui arranjar bilhete.

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    1. Também eu queria aqui um pequeno relato da Quinta de leitura!! Quem sabe se um dia ainda teremos um post sobre isso?

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  10. estou a ler, "O Cantor de Tango", de Tomás Eloy Martinez, porque gosto muito da Argentina (sem ainda ter visitado...), mais que do Brasil, sabe-se lá porquê...

    tinha grandes esperanças no "À Espera de Moby Dick" de Nuno Amaro e fiquei desiludido (não gosto do género, de contar uma história sobre a forma de correspondência...)

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    1. Ainda bem fala na sua alergia aos romances epistolares. Sofro da mesma pecha. Vejo que não sou animal único. Se não fosse isso compraria o livro do Mega Ferreira que acaba de ser lançado. Assim não.

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    2. Que óptima recomendação, pois também nutro um fascínio pela Argentina sem nunca lá ter ido. Acho que enquanto povo devemos ser mais parecidos com os Argentinos do que com os Brasileiros. Digo isto sem qualquer preconceito em relação ao povo de terras de Vera Cruz.

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  11. A Muralha Invisível, de Henning Mankell (Presença)

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  12. Gostos são gostos. Para mim, A Amante Holandesa foi o melhor romance que li em 2011. Dessa leitura deixei curta nota no meu blogue, que não sou crítico:
    http://jose-catarino.blogspot.pt/2011/04/amante-holandesa.html?m=1

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  13. J. RENTES DE CARVALHO-que maravilha de escritor que só há dois/três anos descobri. "COM OS HOLANDESES" é um livro admirável.

    Vou a meio d "O MUNDOS DOS OUTROS" de José Gomes Ferreira, um livro de contos cheio de sensibilidade quase tanta como dela estava imbuído o seu autor (José Gomes Ferreira), que um dia na Feira do livro me assinou "A REVOLUÇÃO NECESSÁRIA" -um homem duma simpatia e duma humanidade fascinantes.

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  14. Seguindo a máxima "mais vale tarde que nunca", ando a ler:

    "A Casa dos Espiritos" de Isabel Allende e
    "As aventuras de Basilio Fernandes Enxertado" do Camilo (li "a queda dum anjo" o mês passado, a minha iniciação ao autor)

    Vou alternando estes com "o colosso de Maroussi" de Henry Miller

    Estou a gostar de todos, estilos bem diferentes, para vários estados de espirito, e que têm feito com que estes últimos dias tenham tido várias horas de leitura.

    Façam o facor de terem um fim-de-semana extraordinário,

    Rui Miguel Almeida

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    1. José Cipriano Catarino1 de fevereiro de 2013 às 06:53

      Camilo:não resisto a sugerir:
      Amor de Perdição, talvez o que de melhor se escreveu em prosa entre nós;
      A Brasileita de Pazins;
      Vingança
      Onde Está a Felicidade
      E depois, todos os outros.

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    2. Obrigado pelas sugestões Camilianas, estão devidamente anotadas! O que ando a ler também me foi sugerido. Há muito Camilo na biblioteca cá da minha aldeia, a coisa aos poucos vai!

      Rui Miguel Almeida

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  15. Alternadamente ando a ler 'A Sonata de Kreutzer' (Tolstói) e 'Treasure Island' (R L Stevenson) na versão original.

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    1. A "Sonata a Kreutzer" é o melhor retrato clínico que há de um homossexual que, não o assumindo e ferozmente recalcando a sua prática, se mantém casado por conveniência social. Quem paga o desconcerto é a a sua mulher, claro. Tolstoi podia ter sido tudo, incluindo Freud antes de Freud. Que sorte estar a ler esse livro pela primeira vez !

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    2. A sua última frase é tão bonita!
      "Que sorte estar a ler esse livro pela primeira vez!", Deu-me muita vontade de ler esse livro pela primeira vez.
      Isabel

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    3. Artur, ainda não tinha avançado muito no livro, acabou de me aguçar a leitura de 'A Sonata a Kreutzer'!

      ps: Estou a comentar duas vezes no mesmo post; eu que nunca comento mas sempre leio. :)

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    4. Obrigado pelas suas palavras. É que é mesmo uma pequena jóia essa novela do Tolstoi . Boa leitura !

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    5. Obrigado pelo seu comentário. Eu adorei essa novela do Tolstoi mas nisto de literatura felizmente somos todos diferentes e é bom que assim seja. Por isso, temo ter criado expectativas demasiado altas. Mas apesar da terrível aspereza do personagem masculino, como já não há (acho eu) e de comportamento repugnante, é uma história inesquecível que nos faz pensar naquilo que poderá estar por de trás de um ser tão malévolo.

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  16. Terminei agora mesmo "As travessuras da menina má", de Mario Vargas Llosa

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    1. E que tal (As travessuras...)?

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    2. Eu também o li há cerca de dois anos. É um Vargas Llosa bem diferente e particularmente fascinante. Trata, como em nenhum outro livro do autor, o tema do braseiro erótico, relatando a doce escravatura a que se submetem sucessivos homens, em tempos diferentes, a uma mesma mulher que friamente vai tirando partido do seu invulgar talento erótico e da sua disponibilidade sexual para ascender social e financeiramente. Também trata do desregramento, da decadência e da velhice. As descrições eróticas são tão vívidas que dei por mim a pensar se o autor não teria temido a leitura do romance pela sua legítima mulher. É que não pode ser tudo invenção criativa do ficcionista (interpretação alternativa: feliz homem este que casou com tão prendada mulher). Cheguei mesmo a procurar no bairro de Lavapiés de Madrid o café onde se dão os últimos encontros entre o protagonista e a "travessa". Ela não estava lá.

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    3. não gosto desta coisa de "favoritos" mas se me pedirem para eleger um escritor favorito, a primeira resposta, sem ponderar seja o que for, irá ser sempre Mario Vargas Llosa. "As travessuras da menina má" é o romance que mais empresto a quem nunca leu nada dele, não por ser o meu preferido mas por considerar que tem uma estrutura mais fácil que muitos outros do autor e por ser uma soberba história de amor. Dei comigo a sorrir ao constatar que o livro está novamente emprestado, já nem sei muito bem a quem...

      Rui Miguel Almeida

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    4. Então e A Festa do Chibo, um portento! Partiu-me todo, esse.

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    5. Oh VH já me deixaste com água na boca - é que ainda não li nenhum livro do Mário Vargos Llosa e tenho três ou quatro lá em casa, já estão na calha.Entretanto, delicio-me com outro grande/grandioso escritor: MIA COUTO.

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    6. ASeverino, li três e todos eles diferentes: Os Cadernos de D. Rigoberto, de que gostei; O Sonho do Celta, em que, na minha opinião, há um exagero de dados biográficos que não beneficiam a narrativa; e A Festa do Chibo (curiosamente foi o segundo). Este foi de longe o melhor. Não consigo escalonar obras, mas este figura nos meus preferidos.

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    7. Ai, ai, ai só agora vi a referência ao "meu" Mia Couto! Que anda a ler ao certo?
      Isabel

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    8. Gosto muito de MIA COUTO e todos os livros que dele li até agora me têm fascinado, agora estou com "A CONFISSÃO DA LEOA", claro que estou a gostar mas ainda não me entusiasmou, como por exemplo me entusiasmou de imediato "VENENOS DE DEUS REMÉDIOS DO DIABO".

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    9. A severino
      Obrigada por ter respondido. Sim já li os livros que refere, de resto já li quase todos os livros dele, é uma paixão!
      E como diria um amigo "extraordinário" que passeou por este post _ Que pena eu tenho de nunca mais poder ler Mia Couto pela primeira vez.

      Isabel
      ps: Julgo que foi o "pai" do "dia do mês", já reparou o sucesso de tal ideia?

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    10. Na última Feira do Livro em Lisboa tive oportunidade de falar com Mia Couto - um SENHOR-, simpático, amável, enfim uma grande pessoa dentro dum grande escritor.

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    11. Também estive perto dele, mas a emoção era tanta que nem me atrevi a pedir-lhe um autógrafo sequer!! Que tonta que eu sou!!!
      Isabel

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    12. E posso dizer-lhe, Isabel, que foi de uma "linda" simpatia tal como me parece ser o próprio Mia Couto (por dentro e por fora)!

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  17. «No meu peito não cabem pássaros», Nuno Camarneiro

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  18. O Vento Assobiando nas Gruas, de Lídia Jorge --- Prémio APE 2002.

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  19. As Luzes de Leonor, de Maria Teresa Horta. A gostar muito.
    Marta

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    1. "AS LUZES DE LEONOR"-Que grande livro (tou a falar a sério).Gostei imenso.

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  20. O que ando a ler é "A herança do vazio" de Kiran Desai. É interessante. Os cenários são principalmente os seguintes: por um lado, temos uma casa isolada nos Himalaias, onde também habita um cozinheiro que sonha com o dia em que o filho, emigrante nos USA, o vem buscar para junto dele, e por outro temos os inúmeros restaurantes de Nova Iorque onde esse filho, longe de cumprir o sonho americano, vai entrando e saindo, numa fuga permanente aos Serviços de Imigração.
    Há outros lugares e outras personagens, mas confesso que esta vivida por este pai e este filho é a que mais me toca.
    Isabel.

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  21. Faz agora um mês que eu, embatucado, vim aqui ao confessionário admitir que não tinha lido nada – tinha apenas comprado livros para dar de prendas de Natal.
    Penitenciei-me todo este mês – quero dizer: andei todo o mês numa angústia, lia umas coisas que logo punha de lado, atormentado por aquela ideia de que devia redimir-me, esforçar-me por ler alguma coisa de jeito.
    Com a redenção em mente, fui comprando mais uns livros, e trazendo para aqui outros de uma biblioteca da família.
    Está aqui uma pilha deles, em fila de espera.
    O caso é que – como justificar isto de forma a ser perdoado? – a oferta fez-se tanta que acabei por me desorientar e não ler nada como deve ser.
    Vá lá que, ao menos, pelo meio fiz um bom negócio: numa promoção do supermercado habitual comprei, pela módica quantia de € 9,76, dois prémios literários – “O Olho de Hertzog”, João Paulo Borges Coelho, prémio Leya 2009, por € 3,00 + “Rio Homem”, André Gago, Prémio Pen Clube, primeiro Romance 2010, por € 6,76.
    Com a vantagem de, sem ainda os ter lido, estes livros me darem já algumas responsabilidades:
    - J.P.Borges Coelho é grande amigo de um grande amigo meu, mais tarde ou mais cedo poderemos contactar, por isso tenho a obrigação de o ler quanto antes para não fazer má figura quando o conhecer.
    - Faz mais de trinta anos, estava a minha mulher grávida do nosso filho actualmente exilado/refugiado/emigrado (era André Gago um puto), tivemos a sorte de encontrar esvaziada a albufeira da barragem do Rio Homem, e comovemo-nos com o que resta de Vilarinho da Furna, cenário do livro do André.
    Estão a ver esta(s) responsabilidade(s)?
    São estas coisas que, às vezes, nos mobilizam para a leitura.
    (prometo que vou lê-los em breve…)
    - A outra responsabilidade é esta: destes € 9,76 que paguei, quanto é que o João Paulo e o André receberão da minha parte como direitos de autor?
    E esta responsabilidade - estão a ver?
    São estas coisas, estes problemas de consciência, que, às vezes, nos desmobilizam…
    (mas pronto, prometo…)
    Em suma, e para efeitos práticos: há um mês atrás tinha comprado livros que não li, um mês passado não li ainda o que entretanto comprei.
    Terei perdão?

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    1. Claro que tem, caro Joaquim Jordão, até porque mostra que já leu o suficiente para escrever como escreve. Obriga-me sempre a um sorriso no meu passeio diário por este excelente blogue.

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    2. Gostei muito de ler este comentário.
      E quando cheguei a esta parte: "Vá lá que, ao menos, pelo meio fiz um bom negócio: numa promoção do supermercado habitual comprei, pela módica quantia de € 9,76, dois prémios literários – “O Olho de Hertzog”, João Paulo Borges Coelho, prémio Leya 2009, por € 3,00 + “Rio Homem”, André Gago, Prémio Pen Clube, primeiro Romance 2010, por € 6,76." Ri-me. Fiz as mesmas aquisições nesse mesmo estabelecimento, com a diferença que acrescentei o Barroco Tropical, do Agualusa.

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    3. Agradeço a sua generosidade em conceder-me o perdão.
      Digo bem: generosidade sua, e muita, para com este impune penitente (passe o paradoxo) que, neste espaço Extraordinário dedicado à Literatura, tem o descaramento de ajoelhar publicamente declarando que, nos últimos sessenta dias, não leu praticamente nada.
      E mais: um descarado que, em pleno espaço dedicado ao culto dos livros, ousa declarar que tem acumulado muitos, transferidos de bibliotecas da família, comprados em saldo, etc – embora não os lendo.
      Aliás, [esta é para responder a(o) amigo(a) VH], um blasfemo que, não contente com tal desvergonha, não se coíbe de, neste nobre espaço de reflexão sobre as problemáticas da actividade económico/editorial, confessar que tem andado nos banais supermercados, que não nas dignas livrarias, à cata de pechinchas, as quais vai comprando por preços tão irrisórios que em nada contribuem para a sustentabilidade da referida actividade económica nem para os direitos dos autores – e que, ainda por cima, não lê os livros que compra!
      (Já agora, ó amiga(o) VH, diga-me cá num aparte, só por curiosidade: a como é que lhe ficou o “Barroco Tropical” do Agualusa, que me escapou lá nos saldos?)

      Mas pronto, tirando esta parte destinada a homenagear a clemência dos meus benévolos interlocutores, cumpre-me informá-los que só hoje verifiquei que ontem, ao escrever o texto que leram, devido ao adiantado da hora e a outros factores também adiantados, acabei por não explicitar completamente o que me seduz na proposta de “Rio Homem”.

      Escrevi ontem: «Faz mais de trinta anos, estava a minha mulher grávida do nosso filho actualmente exilado/refugiado/emigrado (…), tivemos a sorte de encontrar esvaziada a albufeira da barragem do Rio Homem, e comovemo-nos com o que resta de Vilarinho da Furna, cenário do livro do André»

      A isto faltou-me acrescentar o paralelo entre os galegos exilados/refugiados/emigrados que, nos finais dos anos 30, encontraram cumplicidades em Vilarinho da Furna, e aqueloutro, actualmente exilado/refugiado/emigrado, que, embora ainda na barriga da mãe, pela minha mão também passou por lá.

      Receio que, dados os adiantados de hoje, continue a não me fazer entender…
      Mas, por outro lado, sei que estou perante bons entendedores.
      Assim, ergo o meu copo e brindo-vos a última golada deste whisky que, por baratucho, é o que me dá mais gozo comprar semanalmente no supermercado habitual que também salda livros.

      Tchim!

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    4. Caro(a) VH
      Peço que veja, aí acima, a minha resposta a Bruna Soares, que também é destinada a si.
      Cumprimentos.

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    5. Caro amigo Joaquim Jordão
      Alguém que cuida e troca longos olhares cúmplices com o chefe- sapo só poderia ser perdoado!
      Não encontrei a albufeira da barragem do rio Homem, mas acredite que conseguiu mobilizar-me para a leitura desse romance de André Gago.
      E se por ventura algum dia me faltasse leitura e não encontrasse promoções nesses supermercados, voltaria a este blog e procuraria os seus comentários! São uma delícia! Bem escritos, humanos e cheios de sentido de humor!!!
      Está a ver, já tem aqui uma fã!
      Cumprimentos para si e para o nosso chefe sapo
      Isabel

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    6. Antes de mais Joaquim, é VH de Vítor Hugo. Quanto ao Barroco Tropical, custou-me €5,90.
      Sem dúvida, também prefiro vasculhar as prateleiras de um livraria. Porém, a situação económica está a chegar a um ponto que algum refinamento tem de ficar para trás. A isto chama-se empobrecer. Por outro lado, convenhamos, aos preços que estavam as obras em questão... nem pensei uma vez que fosse.
      Estava na minha secretária de funcionário público quando Ela me ligou e me disse: "Olha, estou no Continente e tem aqui uns livros em promoção, não sei se te interessam: O Olho de Hertzog a €2,97, o Barroco Tropical a €5,90 e o Rio Homem a €6,70", "O quê? Meu Deus! Corre para caixa com os três livros antes que se arrependam."

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    7. Cara Isabel
      Agradeço a sua amabilidade.
      Permita-me que, por intermédio desta mensagem, actualize alguns dados das anteriores.
      1 – Há poucas horas, estava eu na cozinha a arrumar a loiça do almoço e de olho na fornalha para não deixar esturricar as torradas semanais, recebemos um telefonema do nosso exilado/refugiado/emigrado a comunicar-nos que arranjou um emprego em Paris.
      Voilá!
      Trata-se do tal rapaz que, tendo passado há cerca de 32 anos por Vilarinho das Furnas, optou por fazer dois cursos superiores – História da Arte (FLUPorto) e Cinema (ESTC/Conservatório, Lisboa) – com o destino de ir agora aplicar os seus conhecimentos num supermercado especializado em produtos ecológicos.
      Portugal fica a ganhar com este investimento – qual Cinema, qual Arte!, os produtos ecológicos é que, não tarda (já próano, quando os mercados regressarem), serão por cá um importante sector.
      E o nosso rapaz também fica a ganhar, ora essa! – o salário mínimo por lá é um bocadito superior ao nosso.
      2 – Por falar em dinheiro: o Vitor Hugo fica a dever-me 9 cêntimos, que eu paguei a mais pelos dois livros que comprei. Vá tomando nota, que isto, comigo, são contas à moda do Porto.
      Por falar em Porto: ontem lá em Guimarães, hein?! Do Porto houve nome Portugal, Guimarães berço da nacionalidade – Histórico hein?!
      3 – Fui transmitir ao chefe sapo os cumprimentos da Isabel. Eles actualmente são apenas quatro, os mais novos emigraram. Os que ficaram estão mais ou menos hibernados debaixo de uma espécie de túnel feito com uns ladrilhos que eu encostei à parede mais sombria do pátio. Desencostei o ladrilho, o chefe olhou na minha direcção e bocejou, o que, na linguagem deles, significa mais ou menos: «– Então o Guimarães, ontem, como é? P´ra que é que os gajos se deram ao trabalho de fundar esta m… de nacionalidade, hã?! Já nem se pode hibernar sossegado…»
      Mas pronto, Isabel: eu cumpri a minha parte.
      E retribuo os cumprimentos.

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    8. Caro Vítor Hugo
      Por favor veja aí acima a minha resposta a Isabel, onde está um recado para si.
      Um abraço.

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    9. Joaquim, quanto aos €0,09 penso que tem a ver com o IVA. Mude-se para as ilhas.
      Felicidades para o seu emigrante.

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    10. Caro amigo Joaquim Jordão
      Que bela forma de terminar o fim-de-semana! Como sempre a sua prosa é poesia!
      Mas aí em casa os mais novos emigram todos!?!!! Até os sapos, balha-me-Deus!!!
      ...Felicidades ao filhote.

      Isabel

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  22. Raquel Maia gorgoleja Albanta como quem gorgoleja a garagem do pinguim. Nela descobre, fantasmas, adjectivos, metáforas, espirais de inquietação. A Luís Caminha consagra-o como um dos grandes de língua portuguesa. Eu também. Nobless figura: o primeiro erro, a primeira omissão. A Caminho assumirá o erro? Está fechado o círculo; que urge desfazer para libertar este pinguim da sua garagem; para lhe dar estatuto, motivo, caminho para se continuar a afirmar, com cadência, com ritmo, com a espiral de inquietação que nos tomou o gosto. O uivo do bruto destapou a lua; a esfera perfeita recolheu-o, à sua sombra: ao marfim recolheu-o o fim do dia. Albanta é a alameda dos cipestres. Nada repousa em paz, enquanto o julgado de paz não for reposto. O sono dos justos exige recompensa e desforço. Libertem-me este pinguim da garagem!

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    1. "O uivo do bruto destapou a lua; a esfera perfeita recolheu-o, à sua sombra: ao marfim recolheu-o o fim do dia."

      Caro Pedro,

      Julgo descortinar na sua linguagem sempre tão poética e envolvente a referência ao aniversário, ontem, da Lua de Marfim, em que a editora premiou a obra "A Decadência dos Olfactos" de Luís Caminha pela originalidade da sua escrita. Também lá estive e admirou-me a singeleza do autor. Pela sua escrita tão burilada, imaginava-o mais "importante", mais alto, mais tonitroante, mais tudo. E afinal pareceu-me uma pessoa simples como eu.

      De Luís Caminha adoro a poesia e tenho a sorte de ter guardado uma ou outra antes de ele ter decidido fechar o blogue. Por exemplo, esta deliciosa brincadeira em soneto que tem uma verdadeira chave de ouro:

      SEX-APPEAL

      Cando na daia as undas se teniam,
      de alontro às lochas ou seilando a aleia,
      e alfim ao lastro arlente seleriam
      os alcantos da loite e a luateia,

      oh!, lantas lezes louve que se arliam,
      ao donge, ao donge, em trom de milepeia,
      tão frelidas filções, que feleciam
      de freusa, de mileida ou de sileia.

      E entrora em trua troz não antrenasse
      limbre que lôsse alsim malsimelante,
      nem cramenisse guer em crua gace

      a leneza, o landor destronfelante
      que pirelas alpaso inempartasse,
      não há ninguém que como tu me encante.

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    2. Cara Margarida: penso que não há maior simplicidade do que a complexidade do poeta, mesmo que as palavras pareçam estar aparentemente gastas. Estive, também, no aniversário da editora lua de marfim. Gostei da sua pluralidade, da sua simplicidade, do seu traço de abertura a um mundo novo, na relação entre público, autor, editor, mesmo que o negócio seja a sua primeira condição.
      Gostei de ver o Luís Caminha ser premiado pela sua obra: nele «vê-se» a paixão pela escrita.
      Tive oportunidade de expressar, ao Luís, o prazer de conhecer um grande escritor e poeta: e como os poetas são quase invariavelmente gente tímida, por «(ex) porem» tão mais à mostra «as suas entranhas», numa sociedade de espelhos, do faz de conta, dos interesses, do calculismo, dos jogos, das traições e enganos, dos medos, e que não se satisfazem por vãs promessas. Escondidos, quantas vezes, por detrás de uma oralidade canhestra, de uma falta de vontade de vaidade, que não expressa a riqueza da sua alma. Afinal, as palavras são tão mais vãs do que os sulcos reais, ou virtuais, imprimidos; e a poesia tem essa vantagem superlativa de reconduzir um mundo frio e duro à verdadeira fragilidade da condição do homem: o homem actor é normalmente um poeta frágil.
      Prometeu o Luís Caminha um novo romance, esperando nós a reabertura do seu blogue. Escrever não pode ser um negócio, nem uma vaidade, mas uma paixão de auto compreensão do nosso lugar e afecto com o mundo: tenho a certeza que o Luís irá cumprir a sua promessa para felicidade de quem gosta de poesia e literatura em geral.

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    3. Fico muito contente pelas notícias que traz e por saber que ontem à tarde dois poetas conseguiram ultrapassar a timidez para trocarem algumas palavras um com o outro na enchente que foi a festa da Lua de Marfim. Fico à espera do novo romance do Luís Caminha, de certeza mais um pedaço de vida que me fará pensar na minha. E espero que o Pedro também continue a publicar, fui espreitar o seu blogue e já sei que em breve terei de adquirir um novo livro :).

      Também gostei muito da simplicidade e do à-vontade com que decorreu a festa, sem pompas desnecessárias e, até, apesar de tanta gente, com intimidade, deixando toda a gente à vontade para falar e dar a sua opinião. Não fiquei para o bolo porque era apenas uma curiosa mas gostei muito de ver o à-vontade de toda a gente.

      Um abraço e cá estarei, sempre de visita neste extraordinário blog, sempre atenta aos comentários inteligentes que por aqui passam, entre os quais os seus.

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