O mudo fala tão bem
No ano passado, quando fui à Feira de Guadalajara, assisti no auditório principal, no contexto das cerimónias inaugurais, à entrega do Prémio Juan Rulfo, que é um tributo pelo conjunto da obra de um escritor (Lobo Antunes é, segundo creio, o único português contemplado). Ganhou-o então Fernando Vallejo, um autor e realizador de cinema colombiano que, no discurso de agradecimento, citou alguns dos intelectuais que mais o marcaram, incluindo o peruano Julio Ramon Rybeiro, desaparecido do mundo dos vivos em 1994. Conhecia Rybeiro de nome e reputação, mas ainda não tinha tido oportunidade de lhe «meter o dente». Pois a verdade é que a altura chegou e posso diz-vos que estou maravilhada com o primeiro volume de contos deste autor que a Ahab publicou sob o título A Palavra do Mudo (este «mudo» é o desprotegido, o marginalizado, aquele que raramente tem a palavra e que é quase sempre a figura que protagoniza os contos do autor peruano). A selecção e tradução estão a cargo de Tiago Szabo, que soube escolher muito bem as peças, desde logo o texto inicial «Só para fumadores» (os fumadores adorarão), mas também, por exemplo, a história do professor substituto que não chega a dar a sua primeira aula, a do armário onde se reflectem os antepassados ou a do livro em branco que anda de estante em estante até ir parar às mãos de um poeta desafortunado. Recomendo este livro a quem gosta de contos e a quem não gosta (mas passará a gostar).
vou ler.
ResponderEliminarpor gostar de contos e da magia da latina-américa.
só não sou é fumador, que chatice.
Fiquei deveras curiosa! Vou comprar.
ResponderEliminarObrigada pela sugestão!
Eu até comprava, mas a crise...
ResponderEliminarJá foi para a lista de livros a comprar!
ResponderEliminarO conto do professor suplente é tão melancólico e tão humano, com um final tão agridoce que nos conquista de vez para este escritor. Escrito há décadas, faz-nos sentir os dias de hoje de vida penosa, mas cheia de esperança e fantasia, daqueles que têm vocação de professor de história e não arranjam qualquer colocação, nem sequer a substituir colegas. E quando o conseguem, não lhes acontecerá o mesmo que ao Matias do conto? Inesquecível ! É um grandíssimo contista esse Ribeyro peruano.
ResponderEliminarAndo há tanto, mas tanto tempo com vontade de pegar nesse autor e nas suas "Prosas Apátridas"... este post só veio aumentar a urgência dessa leitura e, não satisfeito, juntar-lhe outra. :)
ResponderEliminarGosto de contos e pareceu-me uma boa sugestão. Não sou fumadora mas não me parece impeditivo de o apreciar.
ResponderEliminarExcelente livro. O primeiro conto sobre os fumadores é uma obra prima mesmo para aqueles que como eu já deixaram de fumar.
ResponderEliminarAliás esta editora a Ahab já nos habituou a uma criteriosa selecção editorial.
Tenho todos os livros da Ahab.