Cartão de boas-vindas

Hoje o meu post é uma espécie de surpresa para uma pessoa francamente especial na minha vida, que graças a Deus cruzou um dia o meu caminho. Estou a falar da Madalena, o meu braço-direito (e quantas vezes também o esquerdo), que me acompanha há mais de três anos e meio neste bonito mas difícil ofício da edição de literatura (difícil, porque as pessoas gostam cada vez mais de livros que não são literatura, tornando quiçá quem põe o dinheiro no negócio também cada vez mais desconfiado sobre a real importância de publicar livros a sério). Pois bem, como todos os anos por esta altura, a Madalena foi de férias uma semana inteira e regressa hoje (ufa!). E, além do facto de ser uma pessoa muito bem-disposta e sempre com boa cara (não me consigo lembrar da última vez que a vi aborrecida; preocupada, sim, mas quem é que, neste momento, com um mínimo de sensatez, pode despreocupar-se?), é de uma rapidez de resposta que podia enervar alguém menos stressado do que eu – e tornou-se-me tão indispensável com os anos que, se ela não deixasse uns memorandos irrepreensíveis para eu seguir à risca na sua ausência, eu era bem capaz de agarrar uma depressão nervosa todos os anos em Janeiro. Devo-lhe muito – e espero que ela o sinta, pois, na lufa-lufa diária que enfrentamos, às vezes não nos sobra nem um minuto para um elogio e, se calhar, ela até é mais pródiga do que eu a dizer coisas agradáveis quando, na verdade, o contrário é que teria razão de ser. Sei que a maioria dos que aqui vêm ler-me todos os dias não a conhecem, mas acredito que daqui a alguns anos, quando eu já estiver cansada disto, a Madalena possa substituir-me na dura tarefa de ler centenas de páginas todas as semanas e separar o trigo do joio. Hoje, que ela regressa, estou muito mais aliviada e quero dizer-lhe, para todos «ouvirem», que me fez uma falta tremenda. Espero que nunca seja uma Madalena arrependida…

Comentários

  1. Eu já tive o privilégio de a conhecer. É uma pessoa encantadora, sim.

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  2. E viva a Madalena!
    Não a conheço, mas para merecer estes elogios públicos só pode ser encantadora.
    Isabel

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  3. As pessoas que expressam assim a sua gratidão só podem ser boas pessoas (e estes sim são os leaders, não aqueles caras de pau de que falam os livros dos marketings e que tais...)!

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  4. A Madalena é de um profissionalismo e simpatia raros. Foi um prazer trabalhar com ela.

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  5. Conheci a Madalena, mas não profundamente. Às vezes há tanta gente à nossa volta. Mas tenho ideia dela ser muito simpática.

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  6. fiquei a querer conhecer a Madalena, para lhe oferecer um sorriso

    talvez um dia destes...

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  7. É sempre lindo ver reconhecido o trabalho que se faz pelo nosso superior. Mas a Madalena vai estar à espera de uma promoção e/ou de um aumento salarial. Elogios, mesmo tão sentidos e bem escritos, não pagam a prestação da casa...

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  8. Adorei ler esta mensagem. Como dizia alguém, desejo-lhe as maiores felicidades e sucessos, se forem merecidos.
    Ao contrário do Artur Águas não penso que a Madalena – que não conheço – vá pedir aumento ou promoções. Que os deseje sim, quem não os quer? Mas a visão materialista pura e dura… custa-me a crer que seja generalizada. Um elogio sentido vale tanto, mas tanto.
    O post de hoje valeu por dez.

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  9. Estou com ciúmes!!!
    Mas estas palavras são merecidas pois a Madalena irradia felicidade e tb profissionalismo.
    Tenho a sorte de ser amigos das duas!

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  10. Que bela homenagem! Ainda bem que pode contar com alguém como a Madalena. Ela vai ficar derretida com este post que a recebe, de volta ao trabalho, de braços abertos. Bem hajam, ambas.

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  11. A avaliar pelo que nos diz Maria do Rosário, estou certo de que Madalena é credora, também, da nossa homenagem.

    A minha:

    Confiança

    O que é bonito neste mundo, e anima,
    É ver que na vindima
    De cada sonho
    Fica a cepa a sonhar outra aventura...
    E que a doçura
    Que se não prova
    Se transfigura
    Numa doçura
    Muito mais pura
    E muito mais nova...

    Miguel Torga


    Em boa verdade, a homenagem é extensiva a ambas, pois que a “vindima de cada sonho” é um trabalho de equipa, uma questão de confiança.

    Já agora, à equipa calham bem estes dois versos de Manuel António Pina implorando aos seus livros:

    Levai-me então pela mão, como nos levam
    os filhos pela mão: sem que se apercebam.

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  12. Bonito. E tão raro...

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  13. Engraçado, neste mundo virtual, sou "amigo" da "sua" Madalena no facebook, isto porque há uns tempos troquei com ela uns emails, que tiveram inicio num livro que comprei e que vinha com páginas a menos. Ela foi fantástica e senti logo que estava ali uma grande profissional.

    Tenho ainda na minha lista mental de livros para ler umas recomendações que ela me fez e já conheci coisas bem interessantes (livros e música) através dos seus posts no facebook.

    Foi bonito ler as suas palavras bonitas. Também tenho lido muitas palavras bonitas da Madalena no facebook, ao referir-se a si. Continuem ambas em sintonia a dar-nos livros bonitos.

    Rui Miguel Almeida

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  14. A Madalena gosta de anunciar que tem mau feitio. Ainda não a conheço suficientemente bem, mas parece-me que é publicidade enganadora...

    É bom ver que há pessoas que sabem bem o valor de um elogio e que isso ainda faz alguma diferença na motivação para o trabalho. É que os bons profissionais não precisam certamente disso para trabalhar bem, mas talvez o façam com mais gosto quando sentem que alguém reconhece o valor do seu trabalho.

    Andei a baldar-me e faltei aqui no primeiro dia do mês.
    O que ando a ler: «A herança de Eszter», porque tive de esperar que o meu marido o terminasse (dizendo que sente que não ganha nada com este tipo de livros...). E acabei de ler «Um pinguim na garagem». Fiquei positivamente impressionada com este estilo tão diferente e único de escrever. Não faz miuto o meu «estilo», pois gosto de leituras aparentemente mais simples e corridas, mas reconheço nesta voz muito valor e orginalidade, além de um grande sentido poético e filosófico.

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  15. Não é fácil voltar ao mundo onde os afectos nos tomam como escravos; não é fácil voltar ao mundo onde se danam os abraços, os toques, os reportes das coisas boas, as fragrâncias e só se divisa vaidade, desumanidade, desrespeito, despeito e orgulho. Nesses locais gelados, frígidos, de grande bestialidade, onde os homens são números e materiais descartáveis, é a desprezível carteira que julga substituir-se à amizade - como um bom golpe nos curtumes dava um bom enxerto para preencher corações empedernidos!
    Não é fácil voltar ao mundo onde os afectos nos tomam como escravos, como não é fácil qualquer regresso depois de passar pelo graal, que alguns entendem como o sol num dia de inverno; outros, uma réstia de luz num dia de bruma; ainda outros, uma flor viçosa no deserto; este outro, uma nuvem fugidia num céu limpo; alguns, ainda, como o apetecido remanso familiar, depois de uma jornada.
    A gratidão é a nossa humildade a prestar a mais bela das rasteiras à nossa vaidade; uma forma de nos agradecermos; uma mão a retornar tudo aquilo de que tiramos do espaço que nos rodeia; uma das mais belas formas de amar. A gratidão não é granizado, nem gratinado, nem um qualquer acepipe que nos abra o paladar; a gratidão é uma espécie de glacée cobertura de bolo mármore; e, sim, uma espécie de cozido de furnas que nos vai cozendo, apurando, a nós, devagarinho, ao barro. De todo esse desperdício, junto e juntos faremos umas bolas de pêlo que nunca afundarão nas poças; que nunca se arrastarão nos charcos; que nunca flutuarão nos lagos; que nunca se depositarão nos rios; que nunca empestarão os mares e, que nunca se perderão nos oceanos acicatados pelos ventos de oeste ou de leste, de norte ou de sul; e, que cá estarão dentro de mil anos, a espicaçar-nos, tomando conta de nós e separando verdadeiramente, devagarinho, o trigo do joio, à espera que do joio se faça trigo.

    Parabéns à Madalena que só ainda não é arrependida porque «ainda» não grata ao senhor de DM

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  16. As relações de trabalho que têm tal plataforma de entendimento e cumplicidade são desejáveis e mais fáceis para todas as partes.
    Parabéns à Madalena por se fazer tão imprescindível. Bem regressada! e que as férias tenham aproveitado.
    E não é vulgar o uso de merecidos elogios entre os portugueses. Mas quando assim, honram, como já foi dito, fonte e destinatário.
    Portanto, corrijo: parabéns às duas.

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  17. Esta homenagem deixa-me a certeza de um excelente ambiente de trabalho e de uma liderana tranquila, aberta e segura. Fico, também, com a cereteza de que a Madalena é, acima de tudo, uma pessoa competente. Parabéns às duas

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  18. Quiseram os deuses das Letras que se encontrassem. Fantástico!

    Madalena, somos nós (perdoem se falo por todos e por mim também) merecedores de umas palavrinhas suas?

    Esperarei com extraordinária paciência.

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  19. Palavras bonitas que lhe nasceram do coração. A sua Madalena, que eu conheço como Sofia, é mesmo uma pessoa especial. A sua passagem na minha vida deixou a marca de uma doce recordação. Fico muito feliz quando vejo o quanto gostam dela e o quanto ela deve ser feliz na profissão que escolheu, uma profissão de sonho para quem ama as palavras e os livros. Que ela vá sempre trabalhar com um sorriso e que seja capaz de continuar a inspirar sorrisos a quem se cruza com ela no dia-a-dia. O maior sucesso para si, para toda a sua equipa e, de modo particular, para a Sofia Madalena!

    Bjs
    S. T.

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  20. Qualquer dia roubamo-la!

    (estou a brincar...)

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  21. É raro encontrar um chefe que nos valorize enquanto andamos por perto (e não apenas depois de irmos embora), por isso tanto a Madalena como a Rosário têm sorte, na m/ opinião.

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  22. Já reli este post algumas vezes, não só para satisfação pessoal (sabe bem dizerem bem de nós, mesmo que com um certo exagero de simpatia - a Rosário sabe como tenho problemas em receber elogios e depois faz-me uma coisa destas!), mas também li e voltei a ler porque ando a digerir a delicadeza e as coisas importantes e bonitas que a minha chefe escreveu para o mundo ler (os que me conhecem e já tiveram a infelicidade de conhecer o meu mau humor exercitado com ironia e a minha energia enervante para avançar mesmo em dias difíceis; e os desconhecidos com os quais tenho em comum os livros e as palavras da Rosário, e este blog-lugar onde nos encontramos). 

    Tenho consciência a cada dia do privilégio de trabalhar com uma pessoa que admiro, me respeita e ensina sem mais que desejar que eu cresça cada vez mais "em sabedoria e graça". Com o passar do tempo, as rotinas e o quotidiano perdemos o hábito justo de agradecer o que é importante e fundamental para sermos felizes, mas tento que os meus gestos, o meu sorriso, a minha disponibilidade e a dedicação que coloco nas pessoas e nos livros sejam prova material suficiente da intensidade do que vivo e sinto por dentro... 

    Não tenho a prática da lamechice (num sentido terno) e, apesar de trabalhar com palavras, agradeço de outra forma esta sensação de sentir que a pessoa que há quase 4 anos acreditou em mim e me escolheu e desafiou para estar ao seu lado ainda hoje tem o mesmo encanto e continua a acreditar nas minhas capacidades e a desafiar-me para voos mais altos (humanos e profissionais). Os livros são a prova do crime, os autores e todas as outras pessoas dos livros são as testemunhas, o crime é esta cumplicidade boa e essencial. A Rosário é uma pessoa generosa e tem-me dado mais do que lhe cabia, a amizade é um extra maravilhoso.

    Aqui, neste comentário, não cabem os nossos dias (bons e difíceis e plenos) nem as histórias que já vivemos (em sentido literal e literário). Não nos arrependemos do que nos move por dentro, da cumplicidade, das coisas menos fáceis, das memórias irrepetíveis, das gargalhadas, dos esquecimentos e distracções, das irritações e dos dias assim-assim, do rigor que ambicionamos, da humanidade que exercitamos, das ideias que debatemos, dos silêncios que de quando em vez partilhamos... Não nos podemos arrepender da vida, de conhecer, de fazer das palavras um lugar onde nos sentimos bem juntas.

    Obrigada, Rosário, por todos os dias 
    (em especial os difíceis, porque nesses cresço dois metros) 
    (está bem: e os outros dias, porque nesses fazemos livros juntas)

    Madalena E.

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  23. Perto da Madalena faz sempre luz, é bonita e sabe ouvir, e na minha frente nem me trata como \"autor\":). Mas há algo que tem de ser dito, porque podia ser isto tudo e mais nada: é uma profissional de uma competência tremenda. A Madalena faz bem e faz-nos bem.

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