Almas gémeas

Tenho muitas razões para estar orgulhosa nesta quinta-feira, embora a extraordinária Ana Bernardo, que às quintas está ocupada, me deva estar a rezar pela pele… Hoje faremos a apresentação pública do último romance de João Tordo, O Ano Sabático, com apresentação de Luís Ricardo Duarte e um bónus no fim (António Zambujo e Ricardo Cruz vão oferecer-nos, de certeza, um momento musical inesquecível). Além de achar este um dos melhores livros do autor, o tema dos gémeos, do duplo e da identidade apaixona-me desde sempre – e O Ano Sabático fala disso mesmo, de um par de músicos que nunca se viram mas cujo cérebro produz estranhamente a mesmíssima composição. E, para que conste, o escritor deu-me, além do seu romance, um presente suplementar, incluindo-me entre as pessoas a quem o dedica. Vai ser, também por isso, uma ocasião especial. Se quiserem aparecer, estão convidados. Senão, leiam o livro.


 


Comentários

  1. Eu bem digo que há um qualquer fetiche literário pelas quintas... eheheheh
    Sendo assim, resta-me ler o livro :)

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    1. As quintas (quintas-feiras) são o padrão das apresentações. Não admira que a apresentação do meu livro (há algum tempo atrás) através de uma das editoras do grupo Leya (que não esta editora em apreço) tenha ocorrido a uma quinta-feira, num belíssimo fim de tarde lisboeta.

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  2. Sou do mais supeito que existir possa a escrever sobre João Tordo. Por gostar dele e ter uma falta de discernimento em relação a tudo e todos de quem gosto confrandoramente patológica (de pathos, patas, se preferirem, que é no fundo a mesma coisa).
    Mas pronto. Digo na mesma. E desculpem os excessos. Ou saltem por cima. Que não vejo. E se vira, não me importaria. que não vem ao mundo mal, por.

    Por acaso não considero que este seja o seu melhor romance. Continuo no Três Vidas, de pés juntos. Gostos. Discutem-se, mas continuam gostos. E não abdico. Mas, fora do gosto, também o encontro o seu melhor romance.

    Já disse aqui, ou em qualquer outro lugar - ou pensei - que é o escritor português de imaginário mais portentoso que conheço, com o acréscimo de saber como escrevê-lo. Prevejo-lhe bom futuro nas letras se for isso sinal de que vai evoluir e escrever muito mais e melhor, que a juventude é, neste caso, boa seta ao caminho. Quanto ao ano sabático, amei da forma como colocou o problema que não resolveu e apenas mostrou (a sua arte é a mostra e o saber que não há que ter solução). Como, hipoteticamente, pode haver alguém que nem sabemos existir e seja parte de nós e por isso incompletos. Todos. Julgo que agarrou a humana incompletude e a podou a seu jeito. E mais gostamos do João Tordo por isso. Estamos lá, em qualquer das metades que nunca são uma. A procurar o que falta. E se encontra. Aos bochechos. E nunca o eu inteiro.

    Parabéns à Rosário e ao João. E tudo em bem. Para hoje. O Alentejo que em Zambujo existe, jamais o deixa ficar mal.
    Have Fun

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  3. E peço desculpa que me faltam vírgulas mas já não vou emendar.Se leiam, ponham-nas. pf. Imaginem. Faz bem à psiquê. Também as vírgulas.
    Sorry:)

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  4. já o disse aqui, para mim o João é quem melhor escreve, dos escritores da sua geração.

    nem sempre escolhe é as melhores histórias...

    não vou estar, mas lerei de certeza este "O Ano Sabático".

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  5. Sempre se confirma a presença MRP no 3.º Festival Literário da Madeira?

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  6. Não é fácil escrever diariamente para vários espaços, atropelando peças literárias com peças económicas, de gestão, de assuntos europeus.
    Duas das peças que já saíram hoje de um jato referem-se ao «sucesso como inibidor do coletivo », fragilidades e relatividades espaço temporais, felicidade individual e coletiva , e tudo o que não concorra para ela, como apenas uma forma de nos enganarmos a nós próprios, um sinónimo de grande fragilidade que não concorre para um mundo em que os humanos se possam assumir como tal.
    Anteriormente reverberei a inepcocracia que faz parte do nosso património genético comum. Ora aqui, bem, como duas almas gémeas de uma sociedade muito de antigo regime, muito enquistada em ganhos e perdas individuais. Costuma-se - costumava? - até dizer que, felizmente, o melhor que portugal tem são os portugueses; infelizmente, o pior que Portugal tem são os (mesmos) portugueses.
    Para além disso temos bons ares, excelentes paisagens e dois mundos, ambos excludentes, um com uma forma rectangular de campo de futebol, outro, o do portugal dos usos e costumes. Em gíria jurídica: o portugal costumeiro e/ou o portugal e o portugalzinho.
    Deste último fui ontem testemunha.
    Uma audição de uma comissão de avaliação das boas práticas universitárias, daquelas pré formatadas no tempo e nos argumentos, formais q.b., resquícios de «antigo regime», ilações formatadas de estado falido a reverberar uma universidade «avant le temps», democrática q.b, informal q.b., de resultados infinitesimamente superiores às enquistadas, arrastadas, formalizadas, conservadoras, pouco democráticas e participativas, em suma as de «antigo regime».
    Mesmo que algumas, hoje, traduzindo todos os currículos – em Inglês, está visto! - se tenham transformado em universalismos de vanguarda. O provicianismo avant le lettre... perdão, não era isto que queria dizer mas já não consigo apagar tal mancha!
    Mas hoje, cabe mais falar aqui das almas gémeas do ano sabático do Tordo - embora como bom existencialista, a minha prima seja prima de todos (nada de entorses!) e o seu bocejo incomode outros primos de outras raízes da árvore. No limite como o José, o girafa, o Rodrigues dos Santos, somos todos descendentes de Carlos Magno, passando pelos Capetos, por Afonso Henriques e por maomé - daí gostarmos tanto de toucinho!
    O João, escritor esforçado, americanizado (paga o que deves, Quetzal! a Amazon é que irá dar), em construção, como estamos todos ao longo da vida, farto de ser espoliado dos seus bens inteletuais pelos «cavalos à solta de antigo regime» (força aí, ò Tordo!).
    Chegado aqui, só um parêntesis: é que da noite para o dia, apercebi-me que todos temos uma alma gémea dentro de nós. Como? Fácil. A primeira perceção veio de, Três Vidas. A segunda, de um fenómeno estranho, mas animador para editores e livreiros. De um dia para o outro, como um daqueles telemóveis de rotação automática, a minha alma ímpar desata a contrariar a alma par, que brandia o estandarte inflexível da luta contra o novo «acordo orthográfico», desatando a escrever ao fluir da pena: jato , inteletual, coletivo , perceção, …: que leveza, meu deus, quão mais fácil, terna, ágil, produtiva e rápida se tornou a minha escrita! Em vez de duas peças, três! Em vez de meia hora, vinte minutos.
    Será que é isto a que se refere mister Passos, quando se refere ao ajustamento?
    E força aí, ò Tordo, não deixes que te vendam, que te comam as tuas Três Vidas, ou será que foi o Hotel Memória que me custou três pacatos?Perdão, ò Tordo, que eu sou português - mas tolerante, vive e deixa viver - e também tenho a «minha quinta da escrita!»

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    1. Sou na verdade ignorante mas o que é ter uma quinta da escrita? no meu tempo as quintas que existiam eram as quintas tradicionais e vulgares, com bichos, culturas várias e assim; depois conheci a moda das quintas pedagógicas, e nem achei desengraçadas. Ter uma quinta de escrita...

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  7. Convite irrecusável... não fosse a distância. Por isso, resta-me ler o livro.
    Fernandino Lopes

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