O efeito dos prémios

Há muitos anos, ainda na Temas e Debates, publiquei um livro de J. M. Coetzee que era uma mistura de ficção e não-ficção; tomando a história inventada de uma conferencista que devia fazer uma palestra numa universidade sobre literatura, mas se debruçava inesperadamente sobre o tema dos direitos dos animais, o livro apresentava na íntegra a sua palestra fictícia, à qual agregava os comentários de quatro especialistas reais, entre os quais o filósofo Peter Singer. Era uma obra francamente original intitulada As Vidas dos Animais, mas vendeu-se muito mal na altura em que saiu, quiçá devido ao seu carácter híbrido. E, no entanto, por um bambúrrio de sorte, Coetzee venceu o Nobel da Literatura nesse ano e o livro em causa era um dos poucos da sua autoria disponíveis no mercado. Resultado: tornou-se um êxito de vendas em pouco mais de um mês... O anúncio dos prémios e a sua divulgação nos meios de comunicação social têm um efeito inegável nos consumidores, mesmo no que toca à literatura. Em 2011, publiquei o primeiro romance de Nuno Camarneiro, No Meu Peito não Cabem Pássaros, que vendeu moderadamente, como costuma acontecer a obras de estreia. Porém, assim que se soube que o autor vencera o Prémio LeYa com um inédito que há-de ver a luz lá para Março, as livrarias começaram a encomendar desenfreadamente o romance anterior, foi preciso reeditá-lo a correr, e na semana que antecedeu o Natal as vendas devem ter sido mais do que no período que decorreu entre a publicação e o anúncio do prémio. É verdade que Nuno Camarneiro foi entrevistado por todas as televisões e jornais nacionais e apareceu nos noticiários à hora do jantar, entrando na casa de muitos portugueses que se calhar não frequentam livrarias regularmente, mas estaria condenado a ser um escritor praticamente desconhecido se não tivesse ganho o prémio?

Comentários

  1. A literatura na sua forma de livreiros é cada vez mais um engano, uma espécie de pecadilho de almas adormecidas. Ou talvez não, já que «o cada vez mais» é de todo em todo injusto. «Sempre assim foi; sempre assim será.»
    No «Meu Peito Não Cabem Passáros», do Nuno, reencaminha-me para todos aqueles personagens que transportamos na vida e para o enorme «fresco» de uma alma que devemos todos os dias despertar. Falo de Fantine - da doce Fantine! - do «nobre» revolucionário Marius; da apaixonada Éponine; da doce e bela Cosette; do senhor Benvindo, bispo de Digne - dessa dignidade feita bondade e reencontro com a humanidade - do dilacerado radical inspector Javert…
    Da releitura desta sincrética ópera cinematográfica da obra de Hugo, em que tantos pássaros soam trinados e em que se transformaram os episódios – volumes, Fantine, Cosette, Marius, a rua Plumet e a epopeia de St. Denis e Jean Valjean - que me ilustrou, entre tantos outros clássicos, de caracteres a juventude - «cola-se-me» a imagem de Valjean, o injustiçado, o motor deste «estendal da epopeia e condição humana.»
    Como sempre, retornamos aos temas chave da humanidade: a injustiça, o rancor, a liberdade, o amor, a pequenez e a grandeza, a crueldade, a maldade, a esperança, o reencontro, a luz de um novo recomeço.
    Como sempre, a miséria só existe quando dentro de nós; e como - e quando - como Javert, amordaçamos dentro de nós as inúmeras personagens que fazem de nós Miseráveis: A Desumanidade, O Rancor, A Inveja, O Ódio, A Raiva, A Cegueira.
    A este estendal, das misérias humanas, acrescentaria a indiferença que o nosso senhor Benvindo afastou com a sua fé na reabilitação humana, recobrando com paixão e bondade, o amor-próprio e a dignidade do ser humano.
    Tantos «Miseráveis» que temos, todos os dias, de combater dentro de nós.
    Que efeito de prémio maior recebemos todos os dias, a os ouvirmos e confrontarmos?

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    1. António Luiz Pacheco7 de janeiro de 2013 às 15:16

      Mais um belo texto... meu caro, ainda vai vencer um prémio???? Ahahah!

      Um grande abraço de apreço literário!!!

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  2. Cara Maria do Rosário,

    A meu ver, a resposta à sua questão é: NÃO.
    Por um motivo: o Nuno é um grande escritor.

    Já tive oportunidade de referir aqui no seu blog que descobri o Nuno Camarneiro mal saiu a obra de estreia (atraiu-me a capa e o título do livro). Li e adorei. Já o emprestei inúmeras vezes e sempre que posso recomendo-o. Uma grande amiga minha confessou-me que comprou o livro do Nuno só por me ver a falar tão bem dele no facebook e apanhou uma grande desilusão, não gostou nada. Mas ela quase não lê e fica-se por coisas pink.

    Este preâmbulo serve apenas para dizer que sinto que posso falar com alguma propriedade, porque li o livro de estreia sem influências de prémios e sempre o considerei um grande livro.

    O Nuno, na minha opinião, é um GRANDE escritor e a qualidade, mais tarde ou mais cedo, tende a vir ao de cima. Os prémios são/deverão ser consequência da qualidade que se tem. Haverá sempre quem diga que as atribuições não são inocentes, que podem ser manipuladas e por aí fora...

    Tinha alguma curiosidade em saber quanto vendeu o João Ricardo Pedro, que quanto a mim escreveu um livro muito bom, mas não é tão escritor como o Nuno. Aposto que, mesmo com o prémio, vendeu bem menos que o José Rodrigues dos Santos. A Rosário deve ter esses números. Diria que com a crise que vivemos, o Nuno venderá ainda menos, quando a obra sair em Março, porque o "público" é maioritariamente como a minha amiga.


    Tenho a ideia que Joyce não vendia (alguém confirma?) e o nosso Pessoa, não me consta que tivesse ganho algum prémio literário.

    Termino dizendo-lhe isto: publicou uma escritora que, se escrever mais, há-de ter sucesso, inevitavelmente, ainda que um sucesso relativo, porque escreve maravilhosamente bem. Falo de Aida Gomes.

    Uma boa semana a todos,

    Rui Miguel Almeida

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  3. Estava a ler o comentário do Rui que me levou a pensar no dualismo opcional da Rosário, fruto da sua experiência de amores e desamores (poéticos, obviamente!), ligações e desligamentos que num poeta soa a relativo – e que num poeta, simultaneamente editor, deve soar ainda mais fundo, dada a dialógica - pluri ) lógica? - das opções das prosas.
    Num universo tão relativo, onde não há lugar a Javert’s , há uma relatividade clara de opção que se funda no coração, mas acima de tudo no profissionalismo dos objectivos.
    É que o céu, como reclamam os revolucionários da liberdade, igualdade e fraternidade, é muito largo e igual... e não cabendo na terra, cabem lá todos!

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  4. Caros: a literatura não é uma ciência. Não possui, por conseguinte, o dom da exactidão. Tratamos de gostos e estes raramente se discutem (para não dizer nunca).
    Parece-me, contudo, perigosa a dicotomia entre qualidade e comunicabilidade. Neste sector, tal como nos demais, tudo existe: há quem seja bom e venda e quem não logre alcançar os leitores, apesar da sua qualidade. O ideal é conseguir reunir ambas as características. Mas poucos alcançam o ideal durante a vida.
    Uma boa semana para todos! :-)

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  5. neste caso, não.

    falamos de um autor publicado numa grande editora, ainda sem prémio.

    isso acontece é a quem nem sequer tem editora, pelo menos das que dominam o mercado (e os prémios)...

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    1. E não só Luís Eme. Ou conhece todos os autores publicados por editoras "que dominam o mercado?"...

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    2. Há os que chegam ao público...e os que não chegam. Quanto aos outros mencionados por si, creio bem nem contarem para esta amostragem e discussão. :-)

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    3. o que torna a questão ainda mais grave, Sandra.

      todos sabemos que não é o talento que vende, mas sim as máquinas que se montam à volta dos autores e a sua visibilidade pública.

      porque será que temos tantos escritores, ligados à televisão?

      em relação ao primeiro livro do Nuno, que ainda não li, gostei logo do título e da capa...

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    4. não conheço todos, mas há uma selecção, não publicam qualquer autor ou qualquer livro, Sandra.

      pelas palavras da Rosário, percebe-se que há uma escolha criteriosa, pelo menos em relação a novos autores.

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    5. Luís: umas vezes o talento, outras a própria pessoa do autor. Não generalizemos. Mas quem escreve deve, também, ter em conta, (se assim o entender) as preferências do leitor médio nacional. Para, depois, não existirem surpresas.

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    6. Uma escolha criteriosa é uma escolha efectuada com base em padrões adoptados por determinada editora como preferenciais. E que variam de editora para editora. Mas, o que está em causa é a capacidade de um autor atingir o seu público. Ou não. Independentemente da sua qualidade, maior ou menor.
      Obviamente, quem se auto-edita (quem se edita pagando é isso que faz) não pode entrar nesta estimativa porque a sua credibilidade enquanto escritor ainda não foi atestada por quem dispõe de habilitações para o fazer.
      O que não podemos é tomar as nossas opções como um valor absoluto porque, a não ser em situações óbvias, um critério não passa disso mesmo: uma escolha pessoal.

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    7. mais uma questão pertinente, Sandra.

      os grandes escritores não escrevem a pensar nos leitores.

      escrevem quase sempre para dentro de si.

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    8. Luís Eme: Não concordo. Mesmo nada. Choca-me, até, bastante, que um autor assuma essa postura. Mas lá está...Critérios e perspectivas.
      Já agora: dê-me lá exemplos desses grandes escritores que narram "para dentro de si"...

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    9. não é uma questão de concordar ou não (eu também acho que os leitores merecem mais respeito...)

      por exemplo António Lobo Antunes e Philip Roth.

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    10. Deixem-me meter-me, Sandra e Luís :). Acho que há sim, grandes escritores que se estão nas tintas para o leitor. Salman Rushdie, por exemplo, ou Lobo Antunes. E outros melhores, como Proust. Em condições normais, nunca publicariam se estivessem agora a começar.

      A maior parte dos escritores, no entanto, não se está nas tintas para o leitor. Creio que foi o Nuno Serrano disse aqui uma vez que o Gonçalo M. Tavares, por exemplo, reúne as duas características: é um grande escritor que escreve para o seu tempo, com uma construção de frases linear, frases e parágrafos pequenos, capítulos pequenos com apenas uma cena, linguagem simples e aforística. Os novos autores com mais sucesso também escrevem assim (até porque esta escrita mais fragmentada dá muito menos trabalho) mas não são tão bons: os melhores, para mim, nunca ganharão prémios porque não escrevem tão à americana com o objectivo de prender a atenção dos novos leitores, incapazes de mais de três minutos de concentração.

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    11. É, é. António Lobo Antunes? É o maior caracterizador do meio suburbano português das últimas décadas. É uma escrita voltada essencialmente para fora! E Roth! O divulgador da questão judaica! Que péssimos exemplos, Luís.

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    12. Bruna: quem se está nas tintas para o leitor ou quer escrever para si...não publique! As editoras devem manter um equilíbrio ideal entre o que vende e o que tem qualidade. E cada autor e leitor terão direito ao seu próprio gosto. Em minha opinião a sociedade actual carece de uma escrita despertadora de consciências. Que não adormeça as pessoas no conformismo do quotidiano. Que as faça perceber a importância da sua actuação diária. A poesia terá, naturalmente, outra função, é mais introspectiva. Mas a narrativa, não. E atenção ao conceito de "qualidade literária". Sempre altamente subjectivo.

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    13. Caro Luís, permita-me discordar. Eu publiquei o meu primeiro livro na mesma altura que o Nuno e pela mão da mesma editora, a Maria do Rosário, e aposto que nunca ouviu falar de mim nem do dito. Mas se eu amanhã ganhasse um prémio (ou até um concurso de televisão!), é óbvio que iria acontecer o que a Rosário descreve: o livro, que até agora vendeu moderadamente, esgotaria em três tempos e teriam de fazer nova edição a correr. Independentemente da qualidade do mesmo.
      Isto simplesmente porque é muito difícil atingir o nosso público quando os livros apenas estão em destaque durante o mês do lançamento e quando a maioria dos leitores acabam por comprar ou o que lhes é sugerido por alguém em cujo o critério confiam ou o que lhes é apresentado pela comunicação social (especializada ou não). É a lei do mercado e acontece quer com livros, quer com música, quer com produtos de grande consumo.
      Por isso, ainda bem que há prémios e que o Nuno ganhou um dos grandes. Seria uma pena o seu talento passar despercebido.

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    14. concordo com a perspectiva da Filipa.

      e tenho pena que seja assim.

      eu quis foi ir ainda mais longe, chegar aos autores que são preteridos pelas editoras, não pela qualidade do seu trabalho, mas por ser "pessoas anónimas"...

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    15. Sandra, não se trata de serem ou não péssimos exemplos, porque não se trata do conteúdo das suas obras mas das suas afirmações.

      são os próprios autores que dizem que não escrevem a pensar nos leitores.

      o Lobo Antunes já disse isso em dezenas de entrevistas.

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    16. Luís Eme: O Lobo Antunes diz tanta coisa... ;-)

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    17. António Luiz Pacheco7 de janeiro de 2013 às 15:18

      Estou a gostar imenso da conversa!!!!

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  6. Nada tenho contra as máquinas promocionais das grandes, ou médias, editoras, desde que promovam escritores com a qualidade e maturidade literária do Nuno Camarneiro. O problema é quando a máquina promove "nomes", potencialmente vendáveis, sem que a variável maior da equação seja a competência literária do autor.

    Miguel

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    1. Caro Miguel,
      ...quando E.L. James com a sua "pornografia para mamãs" (não é meu este qualificativo) vende, em Portugal, um livro por minuto desde que foi publicado... (há crise aqui? que crise?!), LOUVO as grandes e médias máquinas editoriais que ainda promovem novos e bons autores como a Aida Gomes, o Nuno Camarneiro ou o Bruno Margo!!!

      PLFF

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  7. Eu diria que ... é inegável o aumento na procura de obras dos autores que são premiados. Os profissionais da área, livreiros principalmente, de imediato tratam de rever a anterior política de promoção e exposição dos trabalhos desse autor. A divulgação nos media, leva também a que haja uma curiosidade que resulta numa procura maior, por parte dos consumidores. Os dois factores em conjunto, levam a que um livro que até então enfrentava as normais dificuldades de afirmação num universo em que pouco se lê ou divulga, possa por fim ter a oportunidade de julgamento por parte de uma plateia muito maior. Em tudo isto não haverá vítimas nem culpados, apenas a constatação de uma realidade. Já quanto à questão do Nuno Camarneiro, pois ele será, tudo indica, um escritor de grande valia. A sua obra de estreia assim promete. Caso não ganhasse este prémio Leya, provavelmente a sua escrita ficaria apenas conhecida de quem lê e acaba por não deixar escapar o que é bom. O que me faz pensar ... que o Nuno mereceu o prémio e o prémio espera poder merecer da sua acertada decisão.

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  8. Como se explica então o fenómeno Kafka?

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    1. Só são premiados os do seu tempo, os consensuais. Kafka era mais do que isso, não tinha hipótese.

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    2. Esqueci-me de assinar...

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  9. A escrita é um mistério, a escrita criativa é um mistério muito misterioso. A escrita criativa genial, nem mesmo essa tem garantia de publicação. Escrever com a ambição de vir a ser publicado é uma quimera que raramente se concretiza, essa é a realidade. Que fazer então ? Se o ato da escrita é um imenso prazer, porquê desistir dele ? Se esse prazer só se tornar inteiro se houver prémios ou edição, então concorra-se ou tente-se publicar. Se os prémios não aparecerem e as editoras rejeitarem, siga-se a mesma via da escritora que mais vendeu no ano passado: publique-se na internet e deixe-se aos deuses a decisão de se vir ou não a ser lido. Angústia, ansiedade, frustração e inveja é que não. Não se via Borges a si próprio antes de tudo como um grande leitor ?

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    1. clap, clap, clap, Artur Águas. :-)
      Mas sempre tendo presente a teoria da relatividade...

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    2. ... e os efeitos da teoria da relatividade podem ser muito injustos e dolorosos, mas nada de recorrer a ansiolíticos ou neuroléticos, a vida é curta.

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    3. Artur Águas:
      Mas os efeitos da relatividade só podem ser bons! O absolutismo, esse não! Sempre foi bastante negativo...em tudo!

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    4. António Luiz Pacheco7 de janeiro de 2013 às 15:19

      Clap! Clap! Clap!
      Pelo prazer de escrever...
      Um abraço!

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  10. Parece-me que, neste momento da perpétua discussão acerca do escreve-não-escreve-para-o-umbigo, publica-não-publica, dá-não-dá-prémio, vende-não-vende, calham a propósito as prudentes recomendações resultantes da sabedoria editorial já acumulada nos finais do séc. XVI.

    Com vista ao sector médio do mercado / leitores menos exigentes, com todo o respeito tomo a liberdade de um pequeno trabalho de edição e transcrevo em texto corrido, que facilita a percepção:

    «Livro, se luz desejas, mal te enganas. Quanto melhor será dentro em teu muro quieto e humilde estar, inda que escuro, onde ninguém t'impece, a ninguém danas! Sujeitas sempre ao tempo, obras humanas coa novidade aprazem; logo em duro ódio e desprezo ficam: ama o seguro silêncio, fuge o povo, e mãos profanas.
    Ah! não te posso ter! deixa ir cumprindo primeiro tua idade; quem te move te defenda do tempo, e de seus danos. Dirás que a pesar meu foste fugindo, reinando Sebastião, Rei de 4 anos:ano 57, eu 29.»

    Para que o sector mais sofisticado e exigente possa aprofundar e enriquecer a leitura, tenho todo prazer em reproduzir agora, com a devida vénia, a sua forma editorial original:


    Livro, se luz desejas, mal te enganas

    Livro, se luz desejas, mal te enganas.
    Quanto melhor será dentro em teu muro
    Quieto e humilde estar, inda que escuro,
    Onde ninguém t'impece, a ninguém danas!

    Sujeitas sempre ao tempo, obras humanas
    Coa novidade aprazem; logo em duro
    Ódio e desprezo ficam: ama o seguro
    Silêncio, fuge o povo, e mãos profanas.

    Ah! não te posso ter! deixa ir cumprindo
    Primeiro tua idade; quem te move
    Te defenda do tempo, e de seus danos.

    Dirás que a pesar meu foste fugindo,
    Reinando Sebastião, Rei de quatro anos:
    Ano cinquenta e sete: eu vinte e nove.

    (António Ferreira, Poemas Lusitanos, 1598)


    Cumprimenta-vos de Amarante o vosso
    Joaquim Jordão

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    1. Joaquim Jordão: apenas um pequeno esclarecimento. Quando me referi ao sector médio do mercado nunca o quis qualificar como menos exigente. De modo algum. Trata-se de uma diferença qualitativa de gosto que não pode nem deve ser graduada.
      Digo mais. Se um autor publica quatro ou cinco obras mantendo-se sempre com elevados índices de venda é porque os leitores se identificam com aquilo que escreve e apreciam a sua narrativa. Ponto. Tudo o mais é inveja e, como diz o Extraordinário Artur Águas, cura-se com anti-depressivos. :-)

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    2. Ó Sandra, valha-me Nossa Senhora das Neves, peço desculpa – é que, valha-me outr(o)a san(dr)ta(o), nem reparei que tinha sido a Sandra a, no meio de tantos tópicos que vieram à baila, referir-se ao tal “sector médio”.

      Claro que se o tal sector dos leitores (que, por razões de simplificação, grosseiramente designei por “do mercado / médio / menos exigente”) gosta/compra quatro ou cinco obras consecutivas do mesmo autor, pois sim senhor! fico invejoso pel(a)o autor(a), e também feliz pela(o) editor(a), pelo pessoal da tipografia, da distribuidora, das livrarias, etc – que isto, hoje em dia, nesses aspectos já não é como era no séc. XVI.

      Hoje há, felizmente, muitos mais alfabetizados, um mercado cada vez mais alargado, algumas línguas faladas/lidas em todos os continentes, etc – há portanto que incentivar, na Literatura, a diversidade, que é o caminho da universalidade (ia a dizer “da fraternidade”…).

      Por todas as razões. A principal das quais é que na diversidade, não na exclusividade, é que se encontra a qualidade (ia a dizer, outra vez, “a fraternidade”…).

      Mas as outras razões também contam: tradutores, editoras, artistas gráficos, tipografias, distribuidoras, livrarias, bibliotecas – e, principalmente, os leitores, na sua diversidade. Todos fazem parte do processo do livro, da Literatura – que não apenas os escritores e as personagens das suas ficções.

      Isto – para aproveitar a oportunidade de insistir que leiam paciente e atentamente de Italo Calvino “Se Numa Noite de Inverno Um Viajante” – é tão certo como dois e dois serem, finalmente, apenas quatro, ou três mais dois serem, por enquanto, apenas cinco.

      Está a ver a ideia?

      “Ponto. Tudo o mais é inveja e, como diz o Extraordinário Artur Águas, cura-se com anti-depressivos. :-)” – fazendo, Sandra, minhas (suas) as suas (minhas, embora por outras, talvez menos claras) palavras de Artur.

      Cordiais cumprimentos do
      Joaquim Jordão

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  11. Não há dúvida alguma que a LeYa acertou na "mouche". O livro do Nuno, que vendia mais ou menos, passou a vender mais. Assim - e desta vez - a LeYa consegue vender "dois" livros em vez de um.
    Benditos os elementos do pré-júri, que escolheram bem a obra a submeter ao grande Júri. O mercado agradece... e os cofres da editora rejubilam.

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    1. António Luiz Pacheco7 de janeiro de 2013 às 15:22

      Quem acertou na mouche, foi a Drª Mª do Rosário... com esta lebre que tão bem soube levantar e tantos aqui e tão bem a correram!
      Mais uma sessão extraordinária!

      Parabéns e grato a todos, cá desta traça literária, pela luz que produziram!!!

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    2. Também o Jocamartinho acerta na mouche...

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    3. Na mouche, sim, Jocamartinho. :) Como de costume.

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    4. Essa é uma das críticas que eu faço ao prémio Leya. A escolha das obras é feita por pessoal da casa, que conhece o estilo dos autores da casa e que gosta do estilo dos autores da casa (porque, claro, estes foram escolhidos por esse pessoal para serem autores da casa).
      Ou seja, começa tudo enviesado e creio ser por isso que dois ou três dos quatro vencedores são... autores da casa.
      Isso faz, claro, com que certos textos sejam escolhidos, mesmo que inconscientemente e sem se ter a certeza de que pertencem a este ou aquele. É que obedecem a um certo gosto e a certos critérios que já fazem parte das opções editoriais.

      Na minha opinião, a solução passa por: 1. entregar a selecção das obras a pessoal que não pertença à Leya (mesmo que para isso se tivesse de baixar o valor do prémio); 2. impedir o concurso de autores da casa; ou 3. atribuir o prémio apenas a autores inéditos.

      Só assim, para mim, o prémio teria a importância e o prestígio que o júri da Leya disse ter em 2010, quando decidiu não atribuir o prémio a ninguém... Assim e também se fosse substituindo os jurados. A propósito, que capacidade têm um poeta (Júdice) e um poeta assim-assim (Alegre) para dizerem que uma obra de ficção é melhor que outra? Se calhar até têm, mas fico sempre a torcer o nariz, nunca ma demonstraram em nada do que tivessem escrito sobre o assunto.

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    5. Só espero que agora arranjem dinheiro para pagarem aos tradutores...

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    6. Clap, clap, clap...e de pé, Bruna Soares!!! :-))))

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  12. Eu que sou leitora não compulsiva, tenho uma invejinha boa e sem stresses de quem tem muito tempo para ler e lê mesmo. A gostar. A rejubilar por dentro das folhas, a sentir, como dizia Lobo Antunes acerca dos livros de Miguel Torga, "aquele vago cheiro a floresta". E sempre a agradecer o escrito.
    E não li Camarneiro, nem As vidas dos Animais. Mas se algum dia os ler, não será decerto por terem sido premiados. Os livros de novos autores namoram-se antes da compra. Mais exactamente, tem que haver um encontro dos olhos nas páginas, das mãos com o livro, da mente com alguma ideia âncora.
    Não me são nada, mas sento-os no colo. E à vez os vou abrindo. Em respeito por quem.

    leitora

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  13. Conrad writes to Meldrum about his difficulties finding publishers for his stories.

    "On the other hand my health has been remarkably even and very tolerable—while when writing Lord Jim in ten months or less I had been feeling always on the brink of the grave. Explain it who may. And perhaps true literature (when you “get it”) is something like a disease which one feels in one’s bones, sinews and joints.

    However I feel that if I can only tide over all the beastly bothers (that very naturally beset a man who has not worked enough to keep body and soul together) I shall get my feet on the firm ground or my head above water—Whatever is the proper metaphor for this kind of situation. The delay in placing the three stories I had achieved dispirited me for a time in a most ridiculous and lamentable manner—for after all I do I know fairly well what I am doing and the unwillingness of editors to publish the stuff does not affect its value..."

    Read the full text here: http://theamericanreader.com/7-january-1902-joseph-conrad-to-david-s-meldrum/

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    1. Para Joseph Conrad, nos dias que correm, tudo teria sido diferente. Mais ligeireza, melhor aceitação imediata. Da mesma maneira que Nuno Camarneiro foi, imediatamente, aceite e compreendido pela editora que o acolheu. Vendeu com moderação o primeiro livro, como é natural, numa primeira obra. Agora foi-lhe reconhecido o valor. Mas a maior parte de quem se julga magnífico, é mau. Muito mau. De linguagem e temas, absolutamente, vulgares. Nada interessantes. E os editores percebem isso muito bem. Não é obra do acaso ou do destino este prémio de Camarneiro. É obra da sua inteligência e talento.

      PA

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  14. Para terminar (no que me diz respeito):
    há espaço, no mercado, para todos os géneros literários. Creio, no entanto, que determinadas opções editoriais dão hoje relevo a um tipo de escrita intimista, muito centrada sobre si própria, sem qualquer ligação plausível às problemáticas de cariz societário. O que é grave. Porque a literatura cumpre-se na sua absorção pelo público a quem se destina e na transmissão e comunicação de ideias e princípios.
    Um grande escritor não é aquele que se limita ao exercício exegético da palavra escrita e à exibição de capacidades manipuladoras da língua. É o que logra comunicar a sua visão do mundo e contribui, através da mesma, para ideais como a paz, a justiça, a liberdade e a fraternidade.
    Por último, quem lê tem de compreender. Porque, se não perceber, não gostará e não lerá.
    Quando um crítico escreve a respeito de um autor que a obra é promissora mas misteriosa porque, a partir de determinado momento, não se percebe a intenção ou finalidade com que foi escrita...o que dirá o pobre público que apenas pretende recrear-se? E por aqui me quedo quanto a esta matéria. :-)

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    1. Grande comentário este, Sandra!
      É precisamente isto que se passa na actual literatura, vazia de conteúdo e de ficção, plena de imaginário filosófico, intimista, surrealista.
      Pode crer, porém, que o género não pega; vende, edita-se, proclama-se, publicita-se, premeia-se. Tal como o seu vazio, deixará o espaço vazio para um futuro de escritores que escrevam sem manipulações de escrita e de pensamento.
      As editoras é que escolhem os estilos e aqueles que lêem tudo o que se lhes oferece com chancela, ficam anestesiados pela leitura "vanguardista" e vazia como um balão de ar sem ar.
      É o momento, o volátil ditará as regras e, num futuro bem próximo, o género agora em destaque, quedará nas prateleiras mais profundas de um alfarrabista, que não deixará de arrepelar a cabeleira pelo mau investimento.
      Literatura "light", filosófica, com débitos amorfos de palavras ocas - requiescat in pace.
      Parabéns por esta sua divagação, Sandra. Se me permite, subscrevo-a.

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    2. Eu também subscrevo.

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    3. Bom e pertinente comentário, Sandra Neves.
      Daí, o maravilhamento com que se lê os escritores do passado, até de um passado muito recente. Todos eles traduzem comportamentos, sentimentos, vidas. A tal fraternidade e entendimento universal está sempre presente nos livros que escreveram.

      Algumas destas linhas dos nossos dias, ditas modernas, são incompreensíveis. Não servem a ninguém. Até onde e até quando perdurarão?

      PA

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    4. Em resposta a este comentário, acho importante que se tenha em consideração que é preciso um certo distanciamento ( temporal, cronológico) de uma época para que "os principios" ou "as ideias" que a caracterizam, sejam reconhecidas nas obras.
      Poderia dar vários exemplos de autores que, no seu tempo, não foram reconhecidos como transmitindo isso tudo que refere mas a quem agora lhe reconhece, como leitor, essas qualidades. Mas os exemplos de escritores neste assunto seria sempre pernicioso, seria ilustrar com um ou dois escritores, um universo de escritores que às vezes nada tem a ver com eles.
      Mas ilustro com os móveis e decoração de uma época, inspirada noutra: vê-se um filme dos anos 50 sobre o século XVIII e percebe-se que há ali uma coisa dos anos 50, que aquele interior e as roupas são uma ideia dos anos 50 sobre o século XVIII. No seu tempo, as pessoas acreditaram que era a melhor recriação do século XVIII. Que não tinha nada a ver com os filmes dos anos 30 e a sua estilização do séc. XVIII. Sendo que, nos anos 30, as pessoas comunhavam da ideia que aquela reconstituição não tinha nada do seu tempo.

      Indo à boleia, há uma diferença entre aquilo que um homem diz e aquilo que um homem faz, até com os escritores.
      Eu não acredito que os escritores escrevam para si. Que se estejam nas tintas para os leitores. Mesmo quando referem frases destas, acho que se tem de ter em consideração o contexto em que foram ditas.
      Por outro lado, só quem não ouviu ao vivo o Rushdie a falar da escrita ( veio a Portugal e tudo, não é preciso ser rico), é que pode assumir a integraçao do escritor no rol dos auto-centrados ( escolhi esta palavra para nao citar a longa frase que foi usada); E Lobo Antunes, um escritor são também as crónicas ( de grande qualidade e muito frescas) e essas não foram auto-centradas como num mês de Agosto de uns anos idos , em que Clara Ferreira Alves se falava da dificuldade de arranjar empregada, em quatro crónicas semanais.
      Mas por fim, o que mais me impressionou: Proust? Ó senhores! Lede Proust.
      Para além da narração de várias histórias francamente acessíveis ao leitor coevo ( e compreensíveis ao leitor atual), Proust interpela o leitor, estabelece com ele um divertido e inteligente "picanço" que prolonga o interesse em ler a obra. Faz constantemente comentários com o leitor sobre a própria literatura/história da literatura.
      Quem refere que teria dificuldades de ser publicado desconhece a própria biografia do autor: não foi logo publicado porque André Gide teve preconceito, achando que aquele fulano mundano, não escreveria nada mais do que as crónicazinhas que assinava como "Horace" ( e claro, não seria um cronista num jornal de grande tiragem, se se estivesse a ralar para os leitores).
      Mas termino, em síntese, que a sua preocupação com o leitor era tão evidente que comentava " não há livro pior escrito, do que aquele que tenta ser um livro bem escrito". e tinha razão, para um leitor, não há nada mais entediante do que ler adjectivações gratuitas, fraseados de complicómetro, uma escrita tão trabalhada que não é eficaz. e a eficácia está directamente ligada ao autor final, o leitor.

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  15. Em jeito de efeito: Toda a narrativa tem de ser/ter poética? E que elementos são estes que povoam o nosso imaginário literário? Diversidade, nicho, vidas, descritivo, conteúdo, ficção, imaginário, intimismo, surrealismo, mistério, impulso de vendas, networking , promoção, interesse, divulgação, selecção, géneros, fins, meios, mistério, experiências, santidade, apetências, momentos, patamares de escrita, prémios, motivação, narrativa, poética, estética, beleza, conteúdo... Toda a narrativa tem de ser poética?... ou tem de ter conteúdo estético, beleza?...

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    1. "O poeta entrega-nos a sua essência, mas a prosa toma a forma de todo o corpo e de toda a mente." Woolf , Virginia
      ;-)

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  16. O Nuno Camarneiro teve o seu primeiro romance seleccionado para participar no 25º Festival do Premier Roman, em França, Chambéry . Foi através da comunidade de leitores da rede de bibliotecas de Oeiras e isso aconteceu no início de 2012, muito antes do prémio. Informo, assim, os entusiasmados comentadores do ''Horas Extraordinárias''. http://vimeo.com/43400130
    http://www.festivalpremierroman.com/ED25/medias/presse_luso_042012.pdf

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