Estavas linda, Inês, posta em sossego
Sim, foi mais ou menos como no poema. Estava eu posta em sossego – se é que alguma vez consigo sossegar no meio desta crise e com o stress que carrego há anos – quando tocou o telefone. Devo desde já avisar que este post é muito egocêntrico e que, se não quiserem assistir à minha vaidade, podem parar já de o ler e regressar amanhã para algo mais interessante. Mas, como ia dizendo, tocou o telefone – e, por acaso, umas horas antes, uma alma misteriosa viera dizer-me que tinha dado nessa manhã o meu número a uma pessoa, que não podia dizer porquê, mas que era imperioso que eu atendesse as chamadas, ainda que não identificasse quem estivesse a ligar. Não percebi grande coisa, mas estava com muito trabalho e só voltei a lembrar-me do recado quando ouvi a campainha e nenhum nome apareceu a piscar no pequeno ecrã. Pois bem, a notícia era boa: o meu último livro de poesia ganhara o prémio literário da Fundação Inês de Castro – e por unanimidade!, o que dá alguma segurança. O júri, composto por nomes de peso – Fernando Guimarães, Frederico Lourenço, José Carlos Seabra Pereira, Mário Cláudio e Pedro Mexia – parece ter engraçado com A Ideia do Fim e achado que a sua temática era suficientemente inesiana para merecer o galardão. Uma coisa boa, para variar, num ano triste como este – e a reedição da Poesia Reunida já está a caminho!
P.S. Desculpem-me aqueles que já me deram os parabéns, mas, assim que soube do prémio, escrevi o que vai acima e achei que não devia desperdiçar...
Muitos parabéns!
ResponderEliminarConfesso que não conhecia a sua obra e aqui há uns tempos folheei a sua poesia reunida na Bertrand e gostei muito. Está no meu carrinho de compras mental, um dia repousará numa das estantes lá do meu barraco.
Rui Miguel Almeida
Maria do Rosário ainda não lhe dei os parabéns mas depois de ler este post não posso deixar de lhos dar não só pela poetisa que parece ser mas fundamentalmente pela boa pessoa que deve ser pois os seus escritos aqui não me enganam - é uma boa pessoa-!
ResponderEliminarApesar de ser um leitor absolutamente viciado a poesia nunca me prendeu, só um poeta me conseguiu prender - Pedro Homem de Melo (não sei com um se com dois ll).
Mas A POESIA REUNIDA irá certamente fazer parte dos livros a ler em 2013 (a ver se finalmente a poesia me apanha).
Não vou novamente dar os parabéns à Rosário nestes tempos de colher os doces fruitos », porque embora não muito prolixa - para os seus leitores, obviamente! – é, por isso mesmo, como nos ensina nas suas entrelinhas, «prolixa» na concisão e na magia desses poemas curtos em número pós rascunho, finalistas sublimes, quase a raiar as «cantiga de amor» - e que a todos «canta» e… encanta.
ResponderEliminarA concisão e o rigor são a sua arma. Armas letais para o fastio, para o enfadonho, para o excesso; a certeza e a minúcia da escrita são o seu dom.
Um dom conseguido no cruzamento da reflexão com a minúcia - e com os percalços do amor numa espécie de cruzamento do Terreno com o Olimpo.
O post da Rosário gera no entanto - e é esse poder gerador atractivo e reflectivo que prende pela identificação os seus leitores - um aparente paradoxo. Uma aparente sentida vaidade humana positiva de criador com um stress paralelo e uma ansiedade demasiado humana, como se o poeta fosse merecedor de um fardo de que não se consegue livrar.
Para o poeta a realidade existe, mas é demasiado comezinha e irrelevante para merecer o seu sacrifício. No caso da poesia da Rosário, que a fortuna a deixe durar muito que o engano de alma «não sendo aparentemente ledo», é muito menos pequeno, quanto mais «cego».
Damos de novo :)
ResponderEliminarPARABÉNS!!!
Viva a Castro ter existido. Haver tal prémio. E a Maria do Rosário ser Poeta. E escrever como escreve.
Bem Vindo o que veio vindo.
Estava linda Poesia Reunida posta em imerecido sossego e eis que .....
ResponderEliminarViva!!!!
Fiquei tão contente com o seu prémio como se ele fosse meu, acredite.
"As palavras começam a ficar velhas: têm
dores nas articulações e rangem, de vez
em quando, sem razão; reclamam óleos
e resinas, tempo e açúcares mais lentos".
Não, as suas palavras não estão envelhecendo. Estão, cada vez mais, umas meninas de vestidinhos garridos e laços nos cabelos ao vento.
Gostei tanto.
Fica-lhe bem a confissão de um sentimento humano como a vaidade. Há tantos autores por aí que põem aqueles ares de falso desprendimento, as mais das vezes cerrando os olhos, no meio do fumo que vão libertando dos seus cigarros de uma forma "nonchalante".
ResponderEliminarÉ tempo de saborear estes momentos. São seus.
Acho que a vaidade só lhe fica bem por ter recebido este prémio,que tão de acordo está consigo e a sua maravilhosa poesia
ResponderEliminarPartilho a sua felicidade,Maria do Rosário, e deixo-lhe aqui um grande beijo de parabéns.
por descrição não passo a vida a citá-la no FB
ResponderEliminarpois cada página sua é de uma honestidade e transparência e que apetece partilhá-la todos os segundos.
mas, como acho que até já exagerei (sei que me entende) resolvi guardar os elogios dentro de mim e partilhá-los na intimidade dos meus dias...
faz muito bem em partilhar o seu orgulho! Assim, dá-me a oportunidade de a felicitar mais uma vez!
e perdoe-me...se vou partilhar no FB , agora sem palavras extra.
Já tive oportunidade de felicitá-la, na sua página do FB , mas volto a fazê-lo aqui nesta sua, tão Extraordinária, casa.
ResponderEliminarFiquei muito feliz quando soube que o seu livro tinha sido distinguido com tão honroso prémio. Foi mais que merecido! Muitos parabéns, mais uma vez.
Venho felicitá-la pelo Prémio agora recebido. É completamente merecido, pois a sua poesia, que leio há anos, é belíssima e de grande qualidade.
ResponderEliminarParabéns!
Parabéns mais uma vez e bem merecidos.
ResponderEliminarComo já lhe disse, muito antes de a conhecer pessoalmente já a lia. E um dia ganhei coragem e fui pedir-lhe autógrafos para os seus três livros anteriores. Nunca tinha falado com um poeta. E fiquei bem nervosa. Alguém que nos «fala» tão dentro, que parece conhecer-nos tão bem, sem no entanto nunca nos ter visto, só pode ser especial.
E neste Poesia Reunida também já tenho o seu autógrafo e palavras amigas. Um livro muito bom para oferecer a quem se gosta. Ainda lhe vou pedir mais uns autógrafos...
Estava a bela da Rosário
ResponderEliminarlá no seu desassossego,
do diário aconchego,
pr’a este espaço extraordinário
Bem longe de imaginar
que a sua querida poesia,
ia o júri impressionar
do Cláudio ao Mexia!
É grande a satisfação
desta gente extraordinária!
P’la premiação,
da nossa musa diária!
Nem poeta nem iletrado!
Sou apenas uma traça…
Inspirado no que se passa
versejo em pé-quebrado!
Hoje sinto-me mais alto,
e confesso, orgulhoso!!!
Saudações cá do Planalto,
Central e pluvioso!
Só a Maria do Rosário conseguirá fazer com que este Homem venha a gostar de Poesia. E, também por isso, vai ganhar mais prémios. Muitos.
EliminarOlhem o Pacheco a rimar
Que feito, que maravilha!
Veio para nos sensibilizar
Sem ter errado uma linha.
Foi grande a sua proeza
Com quadrinhas elogiar
Quem com arte e beleza
Mereceu prémio ganhar.
Diz com muita humildade
Que é apenas uma traça
Está longe da realidade
Fê-lo bem e com graça.
Provérbio muito popular
Diz que de poeta e louco ...
Estará o Pacheco a delirar
Ou de Poeta não tem pouco?
Isto só ele para nos dizer
E só dele queremos ouvir
Se poemas sabe escrever
Ou se estava só a fingir.
Também me pus a rimar
Sem disto nada entender
Se o Pacheco não gostar
O que posso eu fazer?
Ahahah!
EliminarExcelente réplica!
Além da nossa anfitriã, é isto que torna deste espaço, Extraordinário!
Estive em Lisboa, na LX Factory. Queria tanto estar no Porto, nas Quintas de Leitura! Parabéns.
ResponderEliminarParabéns pelo prémio e por falar de si da forma que o faz: honesta e sentida.
ResponderEliminarcurtosinstantes.blogspot.com
J+a que estamos numa de poesia, aí vai uma quadra e PARABÉNS, claro.
ResponderEliminarQue bom que é ser "extraordinário"
E ter como musa inspiradora
Uma "Dama" chamada Maria do Rosário
Que nos oferece Poesia com Amor.
vamos lá ver se agora rima:
EliminarQue bom que é ser "extraordinário"
E ter como musa e ser inspirador,
Uma mulher chamada Rosário,
Que nos oferece Poesia com Amor.
Cuidado com o título, que eles podem tirar-lhe o prémio...
ResponderEliminarA vírgula é em 'estavas', não em 'linda'.
Faz a sua diferença...
Ui, é verdade, faz de conta que parafraseei...
Eliminarhttp://www.celularesdasamsung.com/
ResponderEliminarOs meus sinceros parabéns. Atrasados, que acabo de chegar da minha aldeia, onde há três dias falta electricidade, água, internet.
ResponderEliminarParabéns!
ResponderEliminarMaria do Rosário
ResponderEliminarSó agora, dia 22, pela manhã, li este seu último post, pelo que só agora tenho o grato prazer, a alegria até, de lhe dar os Parabéns pelo prémio justamente merecido.
Eis o que se reconhece como verdadeiro prémio: aquele para o qual não se concorre propositadamente, mas decorre da valia da obra, da autora.
Não me admira esta escolha unânime do júri; se eu fosse jurado, certamente faria o mesmo, votariua no seu trablaho,independentemente das outras obras a concurso, pois tenho presente a sua obra, o quanto esta me agrada e me seduz continuar a lê-la ma continuidade das suas edições futuras (espero que seja o mais breve possível).
Se me permite, mudaria o título, ainda parafraseando Camões, para "Estava a linda e talentosa Rosário posta em sossego...".
Talvez não "posta em sossego", porque parece ser seu timbre o desassossego, a intervenção, o frenesim da escrita, do trabalho, a dedicação ao seu múnus no campo literário, de que é exemplo esta permanência e contacto diários neste blog.
Não fique em sossego na escrita, Maria do Rosário, não fique. Há ainda tanto para fazer, para nos dar, embora sem a obrigação de fazê-lo. Continue, por favor.
Estou feliz por duas razões: porque foi premiada uma pessoa, pelo seu trabalho, a quem o prémio assenta muito bem; porque há ainda jurados neste País que sabem escolher uma boa obra literária.
É tudo o digo. No que teria a dizer mais, é pouco.