Desfrutar do sofrimento alheio
Li há muito tempo (e quem me dera ter tomado nota desse texto a que um dia gostaria de voltar, mas perdi completamente as referências) que Freud teria dito (ou escrito, mas vai dar no mesmo) que, no tempo em que a ópera era um espectáculo popular, o povo não a perdia porque gostava de ver sofrer em palco. Não sei se o génio austríaco estava certo quanto à ópera, porque o povo deixou de a frequentar; mas a verdade é que os nossos telejornais cheios de coisas de fazer peninha e causar horror (com velhos, crianças e tudo isso que faz chorar e doer) não param de conquistar audiências (quanto mais horríveis, mais espectadores têm) – e o mesmo vale para os livros de testemunhos pungentes do tipo Queimada Viva, que vendeu milhões de exemplares em todo o mundo desde que saiu e desencadeou, de resto, em Portugal, a publicação de muitos livros afins (todos eles com bastante sucesso). Não me admiraria nada que estivesse neste momento a discutir-se nas grandes agências literárias e editoras norte-americanas e inglesas a publicação da história trágica da indiana de 23 anos violada por seis crápulas num autocarro – e morta na sequência desse crime hediondo. E tenho a certeza de que seria best seller para figurar nos primeiros lugares dos Top de vendas em positivamente todos os países, independentemente do grau de repulsa de todos nós pelo sucedido. Teria então o mestre Sigmund razão ao dizer que as pessoas gostam de ver sofrer, mesmo que o palco se tenha transformado em página? É bem possível.
parece que sim.
ResponderEliminaro sucesso de vendas do "CM" explica o fenómeno.
uma das coisas que sempre me fez confusão, é a necessidade que a maior parte dos automobilistas têm de parar quando avistam um acidente, provocando filas intermináveis.
a minha tendência é escapar dali logo que possa, até para não estorvar.
mas eu normalmente pertenço às minorias. a única excepção é o futebol, por gostar do Benfica. :).
Pequena provocação sem maldade: não será esse "gostar do Benfica" uma forma de contemplação do sofrimento? ;)
Eliminarnão, Carriço.
Eliminaro gostar de clubes é pouco racional.
ainda por cima era o único benfiquista em casa (os meus pais e o meu irmão são sportinguistas).
e hoje continua a ser assim, a minha companheira e os meus dois filhos são do Sporting. :)
"O Correio da manhã" do Octávio, como muito bem diz o Luis Eme (com este nome também só podias ser do clube de Carnide), mas dizia eu que o correio do Octávio diz tudo, é só porrada e salto pa trás...
EliminarFamília de bom gosto, por que teria o Luís Eme de estragar o ambiente...
EliminarApoiado!
EliminarUma coisa que me tem importunado ultimamente é o excesso de casos de crianças que infelizmente morrem todos os dias com cancros incuráveis e são publicados por usuários do Facebook. Vejo que há pessoas que transformam essa inevitabilidade em verdadeira exposição gratuita dos sentimentos dos pais, para alimentarem o ego próprio e dizerem ao mundo que são tão bondosos que sofrem até pelo alheio. Será que sofrem mesmo? Não será um marketing pessoal para gritarem ao mundo que são piedosos? E será que são? sinceramente conheço alguns que tenho sérias dúvidas.Alguma pessoas em vez de celebrarem a vida, publicam a morte... transformam as sua páginas pessoas em verdadeiras páginas de necrologia de um qualquer diário. Gostaria de ser psicóloga para entender melhor este fenómeno!
EliminarÉ bom não esquecer que a nossa cultura assenta num vasto período de tempo no qual o povo, olhando um homem pregado na cruz, lá acabava por se sentir melhor com a sua vidinha.
ResponderEliminarÉ uma coisa doentia, mas muito nossa, esta de encontrar conforto no sofrimento dos outros, ao estilo, "estou mal mas ainda há quem esteja pior".
Sim, parece ser esse o motivo: andar insatisfeito com a vida e constatar que há quem esteja pior, ou a quem acontecem desgraças maiores. Será, assim, uma espécie de consolo.
EliminarJá sabíamos ser o homem animal curioso, que interage com os outros animais e com a natureza; já sabíamos, pela imprensa e pela experiência, não necessariamente pela mesma ordem, que o cansaço e o stress profissional podiam ser motivo de falta de interesse; já sabíamos, pelos tempos que nos vão dando essa notícia, que adoramos ser sátrapas do espaço e da dimensão do nosso semelhante; já sabíamos que acontecimentos fora da norma prendem a atenção deste animal cheio de hábitos, maus e bons, sempre à procura de se desabituar: já dizia Sócrates, o do S grande, que quanto mais curiosos, mais desenvolvidos e sábios os homens se tornam. Esta avaliação de Sócrates não terá nada, aparentemente, de finalista: já que a história não a confirmará cheia que está de processos bárbaros, a que chamaram «desenvolvimento».
ResponderEliminarO que é pena, em definitivo, é serem, a harmonia, a bondade, a reflexão própria - centrada na relação harmónica - e o equilíbrio, variáveis consideradas entediantes e desinteressantes pela voz mediana animal: o que vende no mundo animal são as emoções fora da norma, que nos avaliam como ser «ainda» vivos.
Este desfrutar ao longe do sofrimento alheio fará, talvez, parte do mesmo mecanismo que nos faz meter, por boas e más razões, em vida alheia; querendo impor as nossas verdades, as nossas vontades, as nossas certezas, as nossas espertezas, as nossas mensagens.
Será talvez um mecanismo de exorcismo, ou de comparação e de avaliação de nós próprios, em contexto diferente do nosso, já que vivemos nos outros e pelos outros: sem isso, poderíamos sentir-nos como inertes pedras da calçada. O sofrimento, esse é como um ignitor da vida!
Se há alguém que faz polpa do sofrimento alheio esse alguém é um dos meus académicos preferidos: o José Adelino Maltez . Não o posso deixar de mencionar quando o José escreveu um «breviário» do estado da nação com o apelativo e identificativo nome de «Breviário de um Repúblico - Entre o estadão e as teias neofeudais do micro-autoritarismo ». Este breviário, deste livre pensador trabalhador e trabalhoso da história, da palavra, das nossas raízes mais próximas, promete: na Férin , às 18h30 do p.f. dia 31.
ResponderEliminarUm português superlativo, para quem a palavra cola com a acção tornando-a carregada de significado e que distribui em gomos o nosso sofrimento.
Esta atracção pelo horror e sofrimento (dos outros) está-nos inscrita no sangue.
ResponderEliminarNunca será demais relembrar o Circo Romano... as justas dos Cavaleiros (até ao século XII, antes de serem substituídas pelos mais civilizados torneios) bem documentados na Biografia de Guillaume le Marechal e as execuções públicas dos condenados, entre muitos outros exemplos.
Todos estes eventos eram sempre bem aplaudidas e acompanhadas por multidões.
Todos estes eventos eram sempre bem aplaudidos e acompanhados de multidão...
Eliminare todos sabemos que não há bicho pior que uma multidão...
Eros e Tanatos em estado bestial. Devíamos ler mais Freud para compreender o que o somos.
ResponderEliminarApoiado, Artur! Um dia muito triste ver o desespero inenarrável de uma mãe que sacrifica os filhos; não precisávamos de assistir a isto!
EliminarTodos vamos morrendo com essa mãe e esses filhos, como o John Donne o deixou escrito para sempre: "Each man's death diminishes me, For I am involved in mankind. Therefore, send not to know. For whom the bell tolls, It tolls for thee."
EliminarExtraordinários Comparsas deste Blog:
ResponderEliminarJá vi e vivi um bocado de coisas e do Mundo, digo-o sem falsa modéstia nem vaidade.
Este post acaba por nos levar para fora do nosso habitual Mundo das Letras, esse onde sou uma simples traça atraída pela luz que aqui brilha.
E nesse outro Mundo, já eu vivi e vi um bocado bom de coisas, Digo-o com alguma eventual vaidade mas sem falsa modéstia e para justificar a minha intervenção:
É que tenho uma novidade para Vócezes:
- Aquilo de que se fala, a chamada morbidez, é HUMANA! Não é católica, ibérica, latina... é uma característica de toda a humanidade, de todas as culturas, religiões, povos e está geográficamente difundida, pois a vi e conheço em toda a parte.
Existe em todos os estratos sócio-económicos e do académico ao analfabeto!
Reparem como logo acorreram aqui, Vócezes, meus Extraordinárioas, a refutar mas ao mesmo tempo a criticar ferozmente e logo imputando ao "povinho", à "cultura nacional" (coitada) à religião cristã, ao futebol, ao circo romano... de que fazem parte e de onde vêm, que são as Vossas raízes queira-se ou não se queira, porque no fundo gostam de se flagelar - desculpem lá - e portanto sofrem desse mal, da tal morbidez que nos faz dizer mal de nós mesmos, ainda que lamentando-o.
Mas, agora entrando na literatura - nosso tema e também presente neste post, (O Pedro Sande consegue sempre dar uma aula...) , uma coisa eu sei: Livro negro (acho que assim se diz), aquela literatura depressiva e deprimente dos nossos tão celebrados autores modernos, NÃO GOSTO! E só leio para constatar que não gosto!!!
Prefiro o Cafuné (do Mário Zambujal), que estou a ler, e a ficar bem disposto.
Saudações daqui, de onde o belo convive com o horror, a generosidade com a mais atroz crueldade... isto ou se ama ou odeia!
Não há meios-termos!
Hum... perdoem-me:
EliminarP.S.
1º O teu rosto será o último, é bem o exemplo acabado da literatura que refiro e não gosto e é mórbida, doentia? Lê-lo é como usar um cilício - e não sou da Opus Dei!
2º A maioria dos Extraordinários do Costume, ficaram caladinhos... eu reparei!
não concordo nada.
ResponderEliminaré um bom livro, que questiona e nos prende.
Vai-me perdoar Luis M.
EliminarEu não disse "é um mau livro"!
Disse "eu não gosto"... o que não é susceptível de ter ou não ter concordância.
Claro que pode dizer que não o sei apreciar, que me falta essa capacidade, sensibilidade... cultura...
Mas que não gosto é um facto! E repare, que tive o cuidado de o ler, e sim está bem escrito... mas não gosto!
Um grande abraço cá do Planalto
claro Luiz, não temos de gostar dos mesmos coisas, dos mesmos livros.
Eliminarfiquei surpreendido pela positiva com esta obra. não achei muita piada às primeiras entrevistas que o João deu. nem pensava ler o livro, mas o "pai natal" tem destas coisas...
um abraço de Cacilhas.
Pois eu acho um mau livro. Tem o vício dos autores da moda, que não sabem lidar com o tempo e com o espaço, que é como quem diz: não sabem narrar, e põem uns capítulos aqui, uns capítulos ali, depois juntam tudo no fim com uma saída airosa e está pronto. Quando lhes falta uma arte mínima, põem a costumada lista de compras para encher e está fixe, é muito in.
EliminarAproveitam as 'mariquices' do pós-modernismo para se safarem. Tentam imitar todos o Gonçalo M. Tavares, que não é um grande escritor mas é melhor do que eles.
Sinceramente, dá-me a impressão de que escreveram notinhas num bloco e depois pensaram sobre como juntá-las. Às vezes resulta, se se tem algum fôlego (mais uma vez o G. M. Tavares), mas na maioria falha.
Em resumo: espero que o ilustre 'trinome' já tenha arranjado emprego na sua área de formação e que o prémio passe a ser mais prestigioso do que prestigiado.
Enfim, que o júri da Leya e os que seleccionam as obras a avaliar sejam reciclados....
Sim, há quem diga que apresentar o tempo e o espaço num romance de forma caótica é de quem não se deu ao trabalho de arrumar melhor as coisas. E sempre dá um ar "non-challant". Saltos no tempo e no espaço podem também ser considerados um estilo de escrita literária, mas é um campo muito difícil de manusear. Por acaso, li, há pouco, "Pequena Abelha", de Chris Cleave, onde o autor utiliza muito os "flashbacks", mas fá-lo de maneira genial. Gostei. Em vez de dificultar o entendimento da obra, facilita-o.
Eliminar"Nonchalant"
EliminarJá é embirração!!!
EliminarAinda outro dia li aqui um "á", que devia ser "há", do verbo haver, porque era numa frase temporal, do género: "Há um ano", escrita "Á um ano". Foi há pouco tempo. É um dos piores erros que se podem dar em língua portuguesa. E ninguém se deu ao trabalho de a corrigir!!! Onde estava, Sr. Anónimo? Ou não reconheceu o erro? Se calhar, até foi o senhgor que o deu!
Pelo menos, errei numa palavra estrangeira, francesa, língua que conheço mal. Sou licenciada em Germânicas.
"o senhor"
EliminarOh Cristina, não tenha esse mau feitio, acredite que não foi por mal! Eu é que já percebi que fica amuada com estas coisas (razão pela qual andou desaparecida por uns tempos), e deu-me vontade de brincar consigo (juro que estava à espera dessa sua reacção). Tenho muita estima por si e julgo-a uma mulher inteligente, razão pela qual essas suas reacções me fazem sorrir, são tão surpreendentes!!
EliminarÉ verdade, também reparei naquele erro do "à", mas que importa isso, o resto do texto estava bem escrito, e quem não erra de quando em vez?
No seu caso, só a corrigi pelo seu "mau feitio" e porque se tratou de uma palavra estrangeira (aposto que nunca mais se vai esquecer dessa palavra!)
Vá lá, adopte uma atitude "nonchalante", estamos cá por tão pouco tempo!
Até breve
Pois eu acho que a Cristina Torrão comete de vez em quanto uma gralha, como toda a gente. E que já foi mal tratada (a propósito, é mesmo assim que quero pôr, e não maltratada) neste blogue, inclusive pela própria anfitriã. Não ultimamente, mas houve uma altura em que sentia da anfitriã alguma animosidade. Isto de ter um blogue com comentários não é fácil: no início pode ser difícil lidar com a crítica.
EliminarAdmiro na Cristina, do que tenho seguido, a capacidade de não guardar rancor e de continuar a participar :).
ai, balhamedeus!
Eliminar(Mais um erro para corrigir)!
Caro Anónimo,
eu sou uma "pretenciosa non-challant"... Oh, Verzeihung!
Às vezes, penso que as pessoas confundem ter "mau feitio" com defender-se de injustiças. Se a ninguém são corrigidos erros, só a mim, considero isso uma injustiça.
Por outro lado, talvez me devesse considerar honrada por a nossa anfitriã se ter dado ao trabalho de me ter corrigido apenas a mim. Consegui, pelo menos, levá-la a isso, parece que não é qualquer um...
De qualquer maneira, abriu um precedente e agora tomaram-me de ponta, mesmo que não seja por mal (seja lá o que isso quer dizer).
Obrigada pelas palavras simpáticas, Manuel :)
EliminarJulgo que a palavra “gostar” de ver o sofrimento alheio é talvez exagerada para explicar esse fenómeno de que a desgraça dos outros tem boa audiência.
ResponderEliminarCreio que a maioria das pessoas que se interessam pelo mal que acontece aos outros (apenas numa perspectiva de espectador/leitor) caso tomassem consciência disso, rejeitariam de imediato, e de forma instintiva.
Na minha opinião, o fenómeno que descreve tem mais a ver com o interesse das pessoas na vida alheia, boa ou má, em resposta a um sucessivo desinteresse e/ou fuga das suas próprias vidas. É muito mais fácil “viverem” entretidas a assistir à vida dos outros do que tomarem consciência das sua próprias vidas, dos seus medos, dos seus anseios,…. Tanto cresce essa sede de ver a desgraça alheia como cresce o interesse pelas figuras públicas de sucesso mediático. Até a idiotice alheia é interessante para muita gente. Basta constatar o êxito de programas como o Big Brother e afins. Parece ser uma espécie de mecanismo automático de distracção.
Li o «Queimada viva» há muitos anos e, independentemente do voyeurismo que todos temos um pouco, lembro-me de que na altura fiquei com a noção da sorte que tinha. E de que havia raparigas como eu a viver horrores apenas por serem raparigas. E isso é importante. Abriu-me mais os olhos.
ResponderEliminarHá um lado mórbido, desigualmente distribuído, no ser humano. Talvez seja esse lado que os media exploram e que estará relacionado com o ter pena dos outros para esquecer as próprias (o que não me parece completamente destituído de razão; pelo facto de serem próprias, as penas alarmam). Não sei se pode chamar-se o fascínio do horrível, mas só pode ser isso que invade por exemplo os telejornais. Que sejam seres humanos, pouco importa. O que fascina, vende mais.
ResponderEliminarTêm a má sorte de morte impiedosa, de serem crianças esquálidas, mulheres sem direitos, ou vítimas de outras atrocidades. Mas sobre todas elas, o relato, a foto, o filme orientado da desgraça. Devassa meticulosa. Ouvimos falar em intimidade e em preservá-la. E pensamos em espaços ou roupas íntimas, segredos e lugares secretos de nós que abrimos só para quem, relação de afinidades que não cabem no dizer.
Mas quando se atenta contra a dignidade humana e em seguida se explora esse atentado com todos os holofotes disponíveis, curiosamente, sinto que não é só invasão de privacidade. Que é mais fundo o golpe. E de tal forma se esventra o horrível com gente dentro, que o conceito vulgar de intimidade devém idiota, palerma.
É verdade que a notícia em certa medida se ergue sozinha e o seu grito serve a informação que pode resolver. O erro pertence ao vício da notícia, e em tornar-se mais importante que ela,subalternizá-la. Mas isso nos levaria a tanto lugar…
Notável... a visão, a idéia e a expressão.
EliminarComo refere a pequena himenóptera listada e ferradora, muitas vezes a notícia serve para alertar, voyeurismos àparte...
É de facto espantosa (e maravilhosa) a diversidade
que aqui se produz em volta destas coisas!
Boas noites cá desde o Planalto Central
António Luiz
Eliminarnão me reconheço nesta conversa. Serei eu a himenóptera?! Ó minha santa mãe. Balha-me um deus qualquer.
mas teve a sua graça - só agora vim ao mail:)
E fique bem onde quer que esteja
Ninguém compra livros para saber da felicidade dos outros, disseram-me uma vez.
ResponderEliminarAnónimo
ResponderEliminara felicidade não existe, lamento informá-lo. Há felicidades - entendidas como procura do bem estar - em grau diverso, de acordo com a apetência do sujeito para categorizá-las, a força de persegui-las e a inteligência de senti-las. E serão tanto mais intensas quanto mais a humanidade nelas se afirmar, julgo eu. Contudo, é tão pontual o estado que nem lhe chamaria tal; e se a escrita é um dizer da vida, então será sobretudo sobre a procura. Essa procura estúpida, incessante que nos pertence e de que só a morte nos retira. Daí os vivos que estão mortos :)
E talvez, quem sabe, a actividade da procura seja, em si mesma, uma das felicidades a que todos acedemos e que pomos dobradinha dentro do cesto do desprazer, como se não. Quem sabe.
O prazer das pequenas coisas é um prazer feliz.
Um bom dia para si. E a companhia das coisas pequenas