Coragem e desilusão
As férias também servem para nos pormos em dia com o cinema e, nesses dias livres que decorreram entre o Natal e o Ano Novo, vi ou revi alguns DVD com o Manel (Tabu e Aconteceu no Oeste, por exemplo), filmes na TV (Casablanca e West Side Story, entre outros) e até uma adaptação do romance de Tolstoi, Anna Karenina, numa sala de cinema de Lisboa. Tenho de dizer que, embora Leonard Bernstein fosse um músico genial, Amor sem Barreiras (a tradução de West Side Story) me pareceu irremediavelmente datado (mesmo que o conflito entre modernos Jets e Sharks subsista); mas, no geral, os filmes velhinhos continuam bem mais interessantes do que o novo. Tolstoi merecia, efectivamente, melhor. Mesmo que Keira Knightley seja muito bonita e esforçada, e exista na mise-en-scène uma aproximação ao teatro que é uma ideia muito bem arranjada e de um bom gosto a condizer com a época e a história, a verdade é que falta pathos a este filme e, à excepção de Jude Law, que é um marido perfeito, tudo carece da garra e da glória que genuinamente esperávamos. Bem sei que é de louvar a coragem de quem se mete com a literatura russa, mas, mesmo assim, foi uma desilusão.
Há quem goste. Em respeito ao assunto, ouso.
ResponderEliminarFinalmente voltámos a ter a Cláudia!!! Fez bem em ousar, em ousar voltar a este convívio!!
EliminarIsabel
Também me desiludi. Gostei muito da coreografia das cenas de baile, da ideia de apresentar o enredo como se de uma peça de teatro ou de uma ópera se tratasse, mas saí de lá com a sensação de que algo falhou...
ResponderEliminarGostei bem mais da adaptação que o mesmo realizador, Joe Wright, fez de Orgulho e Preconceito.
Fui ver Amor, de Michael Hanecke. Duríssimo de ver, mas magistral. Em tudo.
Marta
Estou em pulgas para ir ver "Amour"!!!!
EliminarQuando vejo cinema actual penso que, na maioria dos filmes, falta maravilhoso, aquela espécie de unguento que percorria filmes antigos e ainda hoje os faz nossos. Que não precisam resistir ao tempo, são pertença natural desse outro onde somos passantes ensombrados pela clepsidra que inventámos.
ResponderEliminarTambém revi Casablanca em seus tons de apetecer - reconheço que por ter passado na TV e livre a minha areia na ampulheta - e um filme de Hitchcok que não conhecia Dial "M" for murder, a elegância de Grace Kelly a entornar sobre a trama, nos gestos mínimos; e, claro a genialidade de Hitchcok. E andei a hesitar em Anna Karenina que conheço de Greta Garbo e outra atriz que não recordo. Mas desisti. Só vi o thriller do último. E gosto absurdamente de Keira Knightley. Mas não creio que a estética primorosa vença a vida que lhe não encontrei. Mas também não sei se o thiller basta para opinar com alguma verdade :)
Depois, vi Amour de que gostei a valer. E dizem que triste. E que talvez. De um realismo insofismável e muito europeu, tão agradável como um banho de água limpa. E não desvendo que se deve ir para um filme em esperança e nada mais.
Mais dois de que gostei, mas outro estilo:"Der Tunnel" filme dos tempos da 2ª guerra que é boa continuação da saúde dos filmes alemães. E "Detachment" que aborda uma perspectiva pouco analisada em filmes que focam escolas e professores. E onde Adrian Brodi fosforece quase divino de tão sobre o humano. E nele há um abraço extraordinário. Extraordinariamente inocente. Há sempre uma Flor à beira do Pântano :)
Bom Dia
A literatura e o cinema russos são, para mim, referências. Não me estou a referir ao Couraçado ou a outras obras mais ou menos de apologia estalinista . Que o diga Bessa Luís, ela nunca negou o seu fascínio pela densidade psicológica, a beleza estética e a invulgar capacidade narrativa dos mestres russos. Há cerca de vinte anos até frequentei aulas de russo no intuito de ler certos originais, dado que só nos chegavam traduções a partir do francês...
ResponderEliminarO que Miguel Lopes conseguiu com "Tabu" é de realçar. Um dos melhores filmes que já vi de sempre...
ResponderEliminarMiguel Gomes, queria eu dizer; o Miguel Lopes é o de Alvalade...
EliminarEnfim, a minha ideia era dizer que 'Tabu' é um grande filme. Muito bom!
É um dos meus livros favoritos. Daqueles que nos estruturam a personalidade e cujos pormenores recordaremos para sempre. O filme, confesso, não vi. Mas qualquer obra cinematográfica ficará sempre muito aquém do romance de Tolstoi. Eis mais um morto que permanece bem vivo.
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