Wanted, alive

Três dias antes de a extraordinária Isabel ter aqui expressado por escrito a sua preocupação com a falta de comparência de Cláudia da Silva Tomazi, que foi durante um largo período leitora e comentadora assídua deste blogue, escrevi um post (o que foi publicado no dia 1 de Dezembro) que tinha um post scriptum, entretanto apagado. Coincidência, telepatia ou outra coisa qualquer, a verdade é que esse P.S. era exactamente uma chamada de atenção para o vazio deixado pela brasileira, intempestivamente desaparecida. Não foi, é óbvio, a única que preferiu ir «pregar para outra freguesia»; lembro com facilidade outros nomes que foram muito constantes numa certa altura e depois quiçá desistiram de perder o seu tempo com as minhas bagatelas... Alguns até compreendo porquê, uma vez que chegaram ao blogue no mesmo mês em que me mandaram um livro que haviam escrito e o deixaram um ou dois dias depois de eu o ter recusado. Outros, também desconfio porquê, mesmo que já não os compreenda tão bem (mas é desconfiança que agora não vale a pena partilhar). Com a Cláudia, porém, estou completamente segura de que, se houve pedra no seu sapato, não fui eu que lá a pus – o mais provável é que os meus assuntos tenham deixado pura e simplesmente de lhe interessar. Tenho pena, porque um blogue nunca é feito apenas por quem deixa o post todas as manhãs; mas saber que ela está viva e de boa saúde comentando noutros locais da blogosfera já me aliviou. Pode ser que regresse, sobretudo se chegar a saber que sentimos tanto a sua falta… Em todo o caso, este post serve também para agradecer aos que o frequentam, comentem ou não, e sobretudo aos que se afeiçoam aos outros frequentadores, prova de que são de carne e osso e não olham apenas para o seu umbigo. Obrigada!

Comentários


  1. Cá eu sou de carne e osso, não posso negar que ainda tenho umbigo, mas tenho que admitir que o pior de tudo é ser um completo bicho, ( neste caso
    bicha, salvo seja?) bicho de mato, portanto.

    Vou passando , com gosto, não tem nada que agradecer.

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  2. Porque é que eu não acho estranho desaparecimentos depois de negas? Os egos...

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  3. Ter um blogue é uma como ter uma casa de porta aberta, que nem sequer fecha ao Domingo. Ao longo dos anos que tenho andado pelo blogobairro ( continuo a achar blogosfera demasiado ambicioso...) tenho-me habituado ao entra e sai temperamental dos leitores. Poucos, mas bons vizinhos desta minha rua, continuam comigo desde 2007, quando abri a minha primeira porta. Outros, que nem tempo ganham para lhes lembrar o nome, entram e saem naquela impermanência de quem só escuta a própria voz.
    É um bairro por vezes bizarro, este onde habitamos virtualmente. Mas acho que já não mudo de rua.


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  4. Há, de facto, pessoas com egos excessivos. Muitas delas sem consciência dos seus limites e fraquezas. O que é sempre deplorável. Por muito discutível que seja sempre a subjectividade do juízo humano. Já assisti às lamurias de quem se queixa de não receber resposta (positiva ou negativa) das editoras não atentando no facto de até erros ortográficos cometer na sua escrita. Mas somos sempre, por norma, bondosos ao julgar-nos.
    Também costumo sentir a falta de quem comenta na minha página do face. E já aconteceu, quando há alguém que se ausenta demasiado tempo, ir buscá-lo, pelas orelhas, a sua casa (que é como quem diz, ao seu Mural). :-)

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  5. Eu, leitora assídua dos seus posts e dos comentários, fiquei intrigada: por que razão foi apagado esse P.S., que estranhava a ausência da Cláudia?

    E hoje não há livros por aqui?

    Ontem vi «Os miseráveis» na televisão. Soube hoje de manhã, em conversa com a minha parceira de boleias, que vai estrear em breve um novo filme, em 3D. Fiquei com vontade de ler o livro, mas acho que ainda vou esperar mais uns cinco anos. É que há livros que têm um tempo para ser compreendidos e sinto que ainda não cheguei lá. Será?

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    1. Tirei o P.S. apenas porque, quando escrevi o post, a Isabel ainda não tinha escrito sobre a ausência da Claúdia; mas, no dia em que ele saía, já todos tinham falado disso, pelo que se tornou redundante.

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    2. Obrigada, Maria do Rosário, por esclarecer o que até estava claro, se eu tivesse lido com um pouco mais atenção e sem querer encontrar mistério onde ele afinal não existia.
      E, quanto à Cláudia, confesso que cheguei a pensar que ela seria uma invenção, mas com uma pesquisa no Google vejo que ela foi comentadora assídua de outros blogues. Ao contrário de alguns outros comentadores, penso que nunca fui capaz de a entender e estranhava imenso as suas associações de palavras (seriam frases?), mas divertiam-me e, sim, tenho sentido a sua falta.

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  6. Anda mais emocional! Será da época natalícia? :)
    Bom post.
    Texto sobre os comentadores. Merecem.

    M

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  7. A Cláudia, a nossa querida Cláudinha, deve andar por aqui. Passa, observa, dá uma risadinha, enerva-se e depois, sorrateiramente, sai sem deixar sinais.
    Existe um ditado popular que diz que "quem bate esquece, quem apanha lembra sempre".
    Volte, Cláudinha. Esta caixa de comentários, sem a sua presença, ficou mais triste. Eu gostava tantos de seus hieróglifos ...

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  8. "A vida é muito importante para ser levada a sério".

    Oscar Wilde é, a par com Woody Allen, o campeão das tiradas fantásticas.

    A vida tem destas coisas, por vezes amigos chegados afastam-se, sem que se calhar haja um motivo para isso, ou pelo menos um motivo a que consiga aceitar uma justificação lógica. Mais depressa acontecerá a quem segue um blog, seja lá por que razão for. A dos egos feridos é tão boa como outra qualquer... que não tire o sono a ninguém.

    Falando por mim, desde que começei a seguir o seu blog, tenho descoberto livros fantásticos, embora já tenha lido alguns que recomenda (ou são recomendados por outros "clientes da casa") e que não me disseram nada.

    No fundo, é tudo uma questão de gosto pessoal. Mas aqui todos partilhamos a mesma paixão pelos livros. Da minha parte, eu é que lhe agradeço a disponibilidade para manter este espaço.


    Uma boa semana a todos,

    Rui Miguel Almeida

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  9. a vida é feita de perdas e de ganhos...

    e faz bem perceber que esta coisa dos blogues não é assim tão importante, como por vezes se pode pensar.

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  10. Costumo vir aqui, embora raramente comente, mas gosto, principalmente, das sugestões de leitura.

    Faço apenas um reparo aos comentadores de hoje, que tanto falam de egos feridos, como se eles próprios não tivessem um ego, suscetível de também ser ferido. E pergunto-me, muitas vezes, se estamos em condições de distinguir quem olha para o seu umbigo de quem se esconde atrás de falsa modéstia. A nossa civilização adora a modéstia, mas também se deixa muito levar por aparências. Eu, pelo menos, confesso as minhas dificuldades nesse campo.

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    1. Sim, Sandra.

      O que me parece de alguns comentários é que a MRP é uma deusa e que os rejeitados não prestam. Nada disso. A MRP é uma grande profissional mas rejeita obras, não rejeita autores. Se um autor acredita na sua obra pode continuar a apostar nela (embora no nosso país seja difícil, a Leya é quase tudo...), nada garante que essa obra não seja boa, cada pessoa tem o seu gosto, a sua maneira de estar. Desconfio por exemplo que a MRP concordaria com André Gide em não publicar um Proust: já li várias afirmações dela em que diz que o texto tem de prender nas primeiras vinte páginas...

      Por outro lado, estou em crer da imagem que fui fazendo da MRP que ela pode rejeitar uma obra de um autor e não rejeitar outra... Posso estar enganada mas não acredito que esteja.

      Outra questão são os egos. Depende do que se entende por egos. Da maneira que eu entendo, acho que alguém que é escritor tem de ter um ego bem grande. Se não desistia logo, porque nem todos têm a história fácil que alguns dos novos escritores apresentam. Balta olhar para a História para ver os grandes escritores que se fartaram de ser recusados, e às vezes por outros grandes escritores e por grandes editores... que também não deixaram de ser grandes por causa disso.

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    2. "Depende do que se entende por egos" - ora nem mais! Eu também acho que os bons escritores têm de ter um ego bastante grande, para sobreviverem às primeiras rejeições.
      E, com ego grande ou pequeno, somos todos, acho, de carne e osso.

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    3. Há quem venha e comente sempre, há quem venha e nunca tenha comentado. Há quem venha com certos interesses e quem venha apenas e só pela razão fundamental: a qualidade do blog, as excelentes recomendações e os bons comentários (na maioria).
      E assim continuarei a fazer: a vir cá, ler e comentar apenas algumas vezes.

      curtosinstantes.blogspot.com

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  11. Mas vocês estão todos tolinhos? Passa pela cabeça de alguém que uma pessoa, vindo aqui uma vez que seja, deixe de cá vir? Se neste espaço se correm abraços feitos de letras, de livros, de traços aos rabiscos que outros fizeram, não seremos nós gulosos inveterados em casa de chocolate? Claro que estamos todos aqui. Eu, a Cláudia e outros que só esporadicamente deixaram os seus nomes. A ler-vos, a imaginar todos os livros que a Ana B. já comprou e que a Isabel irá comprar sob o olhar do amigo do planalto central (abraço extraordinário) e as nogueiras a serem podadas nos ramos dos que não se editam porque são velhos e perdem em relação aos novos que, por serem-no, ainda têm de ser podados também (tudo bem, Jocamartinho?).
    Eu teso pecador me confesso. Com a crise ainda ando a poupar para comprar um livro que saiu há dois anos. Como posso eu ter os que em catadupa diária aqui se anunciam? Não posso! Por isso escrevo-os eu. Mas como não se editam e, logo, não recebo direitos de autor, vou continuando à espera de comprar o tal livro de há dois anos. Porque gasto o dinheiro em tinteiros de impressora a que chamo o meu prelo. Negas? Para quem tem 56 anos as negas são calos no coiso como o do macaco. Já tive negas de mulheres e continuo a gostar delas; negas de amigos e cada vez tenho mais; negas de editores e não paro de escrever. O que são negas?
    Eu respondo: são enganos como os que vocês estão a ter ao pensarem que fugimos e é a frustração de escrever em directo neste irritante quadradinho que empurra as letras de baixo para cima e, limitativo, me está aqui a dizer que faltam 2699 caracteres. É burro! Sou lá eu obrigado a escrever até esgotar caracteres. Abraço de Natal, extraordinários amigos.

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  12. Eu nunca me referi à hibernada Cláudia, mas confesso que me entretinha bastante a convencer-me de que o que ela escrevia fazia sentido e, com persistência, encontrava-o, o sentido

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  13. Venho, quase pontual e ritualmente.
    Do mesmo modo me vou sem comentar.
    Ler e sentir o que se lê é bom, muito bom.
    Hoje apeteceu-me dizer da minha fidelidade, porque, na medula do osso, há sentimento... e também, porque não? um pequeno umbigo.
    AlexMT

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  14. Leitora de todos os dias, comentadora só em dias especiais, sou no entanto uma fã da MRP:)

    Cláudia Moreira

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  15. Recebi, há 4/5 dias a resposta ao email que enviei à Cláudia . Ficou muito sensibilizada por nos termos lembrado dela e diz recordar-nos, a todos, com muito carinho, desde a Anfitriã aos comentadores. A todos manda um abraço. Não revela os motivos do seu silêncio mas remata dizendo que embora não se intrometa, gosta.
    Não o referi, aqui, mais cedo porque esperava secretamente que, mais dia menos dia, fosse ela a fazê-lo. Fica então o recado.

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    1. e eu mando à Cláudia, aquela abraço, (via Ana).

      sem saber o tamanho do seu ego, que penso ser menor que o seu sentido de humor.

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    2. Cláudia da Silva Tomazi14 de dezembro de 2012 às 12:48

      Boa doce, lembrança. Deixo a vos Luís Eme e, estenda-se aos demais extraordinários, de abraço e carinho.

      Escrever é tecer de arte e, palavras à parte.

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  16. Uma parte substancial da nossa vida rege-se pelo princípio da relatividade, como se os próprios objectos fossem apenas estática ou espessas cortinas que se desfazem imateriais por entre os dedos. Nem sempre foi «quase» totalmente assim – e, o «quase», porque nunca se é alguma vez qualquer coisa de definitivo; aproxima-se, sim, de o ser, quantas vezes por tentativas sucessivas de questionar pela aprendizagem. Assim, não acreditemos em heróis ou vilões, monstros ou anjos, ignaros ou génios, prodígios ou desprovidos de vontade própria a que chamamos, tremenda, impiedosamente, idiotas. Há sim, apenas seres que aprendem – apreendem? – a arte de partilhar com outros seres, como os antigos aprendiam a arte de marear por entre a espuma «angulando» as vagas. Como não há escritores em si próprios, consagrados e outros (in) confirmados – pelo menos os que vivem pelo fascínio da sua própria tradução, que é uma espécie de tradição de se encenarem nas palavras. Há apenas escritos bons e maus – mas há técnicas (treino da consciência? as palavras escondem segredos) que se apreendem e que vão fazendo caminho - reflexo do treino da nossa própria consciência, desafios constantes de quem fez das palavras um modo fácil e soberbo de «se percorrer» sem fadiga ao mundo?, que nos distinguem por cartas de foral, por um juiz – juízo? - de foral, juiz e juízo em empatia com o povo, com os seus gostos e desgostos, receios e audácias, prazeres e desprazeres, disposições e indisposições, oportunidades e inoportunidades, tudo no cadinho que é o tempo - o grande C: construtor e constritor! Vivemos numa espécie de limbo de normalidade – e o que é a normalidade senão uma espécie de norma com um enorme banda voltada aos pontos cardeais? Ou um túnel, com uma luzinha que pisca mais ou menos intensamente a espaços e que projecta o sonho tão comum de um quase chegar inopinadamente quebrado. Há, assim, períodos de exacerbado absoluto - mesmo de profundo realismo - como há períodos de euforia e de descrença se não se atinar no conselho do(s) poeta(s) de que: «tudo vale a pena, se a alma não é – e nunca é, necessariamente - pequena!» Foi-se entremeando o preto e o branco, o gosto e o não gosto, a simplicidade e o complexo, mas no fim somos apenas tempo - tudo o que fazemos percorre desse modo essa banda, umas vezes estreita, outras vezes imensa, que é, umas vezes, exercício, outras, uma espécie de grito – tão só à espera apenas do eco que corrija o tiro, daquilo que nos distingue pela inteligência, das pedras: a nossa capacidade de apreendermos e aprendermos com o que nos rodeia, seres anónimos, cadáveres adiados que replicamos e reescrevemos. Não se «larga» a mão de quem nos ensina a bolinar por entre as ondas...e o desafio está sempre presente, mesmo que imerso!

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  17. Eu comento de vez em quando, nem sempre para acrescentar. O que mais me interessou (interessa) no blogue são as sugestões de leitura, as pequenas descobertas onde depois embarco ou não por conta e risco. No entanto, também fiquei sensível às afinidades que se vão aqui estabelecendo, afeiçoando-me mais a alguns nomes e estilos (os enigmas insondáveis de Cláudia...) ou à ideia que deles vou construindo.

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  18. Eu venho aqui todos os dias. Comento poucas vezes porque nem sempre tenho algo a dizer... Venho porque gosto de livros, de escritores, porque sou editora, porque gosto de si - muito -, do que escreve aqui, do que escreve nos livros que publicou e que são peças obrigatórias da minha vida e porque gosto do que faz... tipo profissão de sonho num futuro que um dia até pode ser meu. Porque não? :) E sim... sou de carne e osso. Todos os dias, nas horas extraordinárias e nas normais. Obrigada por este blogue.

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  19. Escrevo para dar prova de vida...

    Escrevo para dizer que não sou umbiguista e que continuo à espera da minha nega... o meu grande "NÃO"... não tenho medo de um "não"... tenho direito a a ele... quantos "nãos" tem a vida, até que um "sim" seja dado?

    Sempre que achar correcto e pertinente irei escrever para defender a minha opinião...

    Este blog (mérito da autora e seus leitores) é para mim um (bom) vício.

    Boa tarde a todos...

    os NÃOS?!

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  20. Fico feliz por constatar que a operação "À procura da Cláudia" tenha tido o melhor dos desfechos, afinal pela pessoa da ana b. ela manifestou-se! Obrigada a ambas! (mas confesso que tinha uma secreta esperança que nos viesse cá brindar-nos com a sua magnífica e misteriosa prosa).
    Acrescento ainda que sendo de carne e osso, afeiçoiei-me a alguns "habitués", que sem o saber acabam por, de alguma forma, povoar o meu quotidiano. Não os irei nomear a todos (até porque sou uma pessoa de muitos afectos eheheh!), mas destacava a ana b, uma espécie de "alma gémea", e o fascinante João Courinha, o "Enfant terrible" como um dia foi apelidado pelo nosso querido amigo antónio Luiz Pacheco. Mas há outros, claro! E há também o afecto que nutro, vejam bem, pelo chefe-sapo do Jordão (apanhará muito frio neste inverno?).
    ...Ainda um pensamento para o Nuno Serrano cujos comentários me faziam pensar.
    Afinal a amizade virtual também tem os seus encantos!
    Isabel

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  21. Maria Paula Galvão de Noronha Peres10 de dezembro de 2012 às 08:55

    pois eu sou bem de carne e osso e sempre tive uma grande admiração pelo que escreve e pelo que analisa. Não tem que agradecer. No mínimo eu é que agradeço.
    Se eu tivesse um livro para editar era a MRP que tentaria pedir para avaliar o potencial do livro pois ficaria a saber a verdade, isenta de preconceitos e honesta.
    E depois de um eventual" Não" continuaria com toda a certeza a seguir os seus posts pois muitos são de uma riqueza impressionante.
    há pessoas tóxicas, outras "ricas" - as primeiras procuro clicar ""ignore", as segundas clico " enter " - por isso aqui estarei por aqui - lendo sem, muitas vezes, fazer comentários. Mas lendo com atenção.

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  22. Deve ser duro ver recusada a publicação de um seu romance construído com imenso amor durante meses ou anos. Como duro será porventura ao editor assinar as cartas de recusa. O meu "negócio" tem sido a publicação de artigos científicos e, neste ofício meu, a nega é a regra. Uma nega justificada por relatórios de 2/3 especialistas e secundada por um editor. Mas na publicação científica há a possibilidade de contrapor argumentos e resultados que venham a permitir que decisão de recusa de publicação seja revertida. E mais importante: há uma plêiade de revistas e editoras, que se vão tentanto em decrescente exigência, onde se acaba por encontrar quem aceite publicar as nossas pequenas descobertas. A publicação de obras literárias orginais é um processo muito mais aleatório, sem justificativos relatórios de várias páginas e de vários revisores a serem enviados ao autor e sem uma diversidade de editoras tão grande quanto a que está disponível para quem faz ciência. Além de que a publicação científica é, se for séria, feita necessariamente em inglês. Talvez fosse interessante comparar mais amíude as práticas exatas dos mecanismos de publicação nas duas opostas culturas, no sentido que Snow lhe deu. Como seria muito curioso que os editores e agentes literários escrevessem livros sobre a sua experiência profissional: alegrias, mágoas, angústias, vitórias e desafios de ler originais e se relacionar com os seus autores.

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  23. Eu raramente comento. Creio que até na internet sou tímido.
    Mas venho aqui todos os dias, sobretudo para aprender, para descobrir novos autores, para ler coisas sobre mundos que estão tão longe de mim, pois moro na província, onde quase nada acontece.
    Aqui, no sítio onde o mundo descansa (até o ouço ressonar...), até parece que as horas chegam mais tarde, como se as duas da tarde já fossem três horas noutros sítios do nosso país.
    Tem aspectos positivos, pois o único stress é o de não existir stress.
    Mas falta-me muito conversar com quem eu gostasse de conversar.
    A única solução que encontro é falar com os livros. Até discuto com alguns.
    Mas já percebi que eles não me ligam nenhuma. Até me olham das estantes como se coscuvilhassem uns com os outros, dizendo: «Lá porque me comprou pensa que é meu dono. É um palerma, que julga que os livros lhe pertencem.»
    Pois é, coscuvilham nas estantes.
    Mas eu não me importo.
    Sou amigo deles.

    Bom, tudo isto para dizer que gosto de vir aqui, para ler artigos e comentários. Para poder chegar ao pé dos livros e dizer-lhes: «Estive a ler umas coisas sobre vocês. Trago boas e más notícias.»
    Aí, gosto de ver a cara atrapalhada daqueles que ainda não pude ler.
    Ah, mas é só para os assustar.
    Pois eles não sabem que aqui, neste santuário dos livros, são tratados como deuses.
    Mas prefiro que não saibam, para que não se tornem uns convencidos.

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  24. Ainda bem que não submeti qualquer proposta de publicação literária à Maria do Rosário. Duas razões fundamentais me levam ao conforto expresso na frase anterior: a primeira, porque me evitaria uma provável recusa, uma vez que não sou propriamente um ficcionista da esfera que ela mais aprecia; a última, porque deixei de enviar obras para as editoras e parei de fazer ficção literária. De qualquer forma, caso se concretizasse a primeira premonicão e se decidisse a interromper a última decisão, decerto continuaria a vir ao blog da Maria do Rosário, porque este está acima das suas legítimas (e, tenho de reconhecer, justas decisões) e, principalmente, porque se deixasse de vir, quem perderia era eu.
    Vindo assim, sem nada nas mãos, sinto-me à vontade para concordar e discordar, com íntegra bonomia, sem acidez ou repúdio, sem ressaibos ou ressentimentos.
    Acho, por isso, que não devemos lamentar quem sai do blog por cansaço, desinteresse, pior por motivos fúteis ou de índole pessoal
    e mau perder, porque esse lamento deverá caber a quem tomou essa decisão.
    No que respeita à Cláudia ou a outros comentadores habituais, alguns com quem se estabelece uma empatia e até amizade cibernáutica, é evidente que se sente a sua ausência, mas esta não é, de todo, razão para se fazer "o luto" e carpir o vazio. Se querem aparecer, apareçam; se querem comentar, comentem. Implorar para que façam uma das duas supracitadas coisas, é pedir de mais...

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  25. Boa Noite :)

    O meu primeiro comentário serve só para dar sinal de vida :)

    Acompanho o blog desde o primeiro dia. Tomei conhecimento dele no Blogtailors e desde aí não parei. Não deixo opinião com receio de não enriquecer o seu espaço, mas hoje achei que o devia fazer.

    Obrigado pelo seu trabalho, espero que continue por muitos anos. Parabéns ! :D

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  26. Olá Rosário
    Quando descobri este blog lembro-me que escrevi "peguei de estaca". E foi. Embora não comente.
    Beijinhos
    Rosa Maria

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  27. Bom dia,

    a este post tenho de responder.
    Só não comento mais, não é por falta de vontade e assunto mas porque acho que pouco iria contribuir de útil para a cultura geral. Pelo contrário leio todos os dias este blogue, um dos meus preferidos e também alguns dos comentadores que muito aprecio. Na verdade, talvez não comente mais porque não andei com Maria Rosário Pedreira na escola e ainda sou do tempo em que conhecer pessoalmente a pessoa era imprescindível para a considerar como conhecida ou amiga e sinto que estou a invadir espaço mesmo virtual como se fosse a minha casa e como se conhecesse toda a gente e não é assim. Reconheço cada vez mais como estou desatualizado mas tenho estas normas próprias e sigo-as. Gosto de ser educado e cortês.
    Vamos ao que me trouxe: gosto muito da poesia de Maria Rosário Pedreira e admiro o seu trabalho como editora.
    Sim, também eu mandei um original e sim também foi recusado. Só que este original, já em livro editado embora de editora extinta, eu reconhecia-lhe todos os defeitos. Mas sim Maria Rosário Pedreira respondeu-me frontalmente e educadamente com os motivos da não publicação, isto antes de eu conhecer este blogue. Só me atraiu aqui. E tenho aprendido bastante. Portanto a minha relação como leitor deste blogue é de pura gratidão.
    E sim continuo a escrever e sim espero um dia enviar um original há talvez melhor editora que conhecemos. E não, não é bajulação com 2º sentido estas palavras e se fosse o que é que isso adiantaria?
    Já não sou nenhum miúdo e não ando aqui com segundas intenções - gosto de andar por aqui. Aprendo. Vivo. Sorrio.
    Como tal, Maria Rosário Pedreira continue e muito obrigado!

    Um abraço (virtual mas é assim),
    Carlos Teixeira Luís.

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  28. manuelhenrique9999@gmail.com11 de dezembro de 2012 às 05:15

    MRP:
    Eu venho aqui praticamente todos os dias, já não passo sem esta «droga».
    Mas muito raramente comento.
    Tenho pouco a acrescentar ao que tanta gente muito sabedora aqui deixa, mas aprendo muito com as suas opiniões;
    Quanto à Cláudia, confesso que tenho dificuldade em compreender o que quer dizer; continuo a cruzar-me com ela noutros blogues que frequento.

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  29. Também quero deixar aqui o meu comentário, o primeiro por sinal! É curioso o post focar "a procura da Cláudia" porque em outros espaços virtuais, de divulgação científica, a sua presença tem sido assídua e o seu dialeto brasileiro, por vezes de difícil acesso, também tem sido comentado.
    À autora do blog quero aqui deixar o meu agradecimento por manter vivo este espaço de partilha.

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  30. Eu Sou de carne e osso, olho para o meu umbigo, já tive um texto recusado pela Maria do Rosário, e fui mais ou menos assíduo...também desapareci, não pela recusa, pelo umbigo ou porque estivesse farto do seu criativo alinhavar de palavras, até porque o texto que me recusou acabou por ser escolhido por um jurí para a FNAC e publicado. Desapareci também como devem ter desaparecido outros tantos do seu , do meu e de milhares de blogs. Uma falta de interesse geral. Uma falta de paciência para pensar, um alheamento pautado pela falta do dinheiro, do dinheirinho, esse cão tinhoso a abocanhar as canelas dos portugueses ostensivamente...há mais metafísica na face do Euro que nos parágrafos do Lobo Antunes... Perdemos a criatividade, a genica gastando as poucas horas de descanso a consumir telelixo a granel...

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  31. Continuo a seguir o seu blogue. Apenas deixei de comentar. O tempo não é suficiente para tudo. Semanalmente, por vezes quinzenalmente, venho até cá para ler o que vai postando. Também deixei de ler comentários. Mais uma vez, questão de tempo.

    João Raposo

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