Preconceitos

Toda a gente sabe que a melhor forma de difundir uma ideia, um produto, seja o que for, é pela televisão, que está acesa todos os dias em casa de milhões de pessoas. Mas, curiosamente, mesmo os autores que ajudam muito a promover os respectivos livros, quando são convidados para participar em programas ditos populares, desses que preenchem as manhãs ou as tardes dos desocupados, raramente aceitam, crentes talvez de que a sua imagem – e os seus livros – nada têm a ganhar com o sacrifício, até porque a grande maioria dos que vêem televisão a essas horas são provavelmente os que têm menos hábitos de leitura de todo o País. Curiosamente, fui há uns quinze anos ao Porto participar no Praça da Alegria, nessa altura apresentado ainda por Manuel Luís Goucha. E não só nunca fui tão bem tratada em televisão, como me dei conta de que toda a equipa era de um profissionalismo difícil de igualar (lembro-me, por exemplo, de que o apresentador telefonou à minha mãe uns dias antes de eu ir ao programa – e não fui eu que lhe dei o número – e perguntou tudo sobre a minha relação com os livros desde pequena para poder sustentar a conversa sem hesitações ou lapsos desnecessários). Pouco antes, tinha ido a um outro programa, este mais intelectual, participar numa mesa-redonda sobre o imaginário infantil; e o conhecido jornalista que o conduzia, uns minutos antes de começar a emissão, andou a perguntar os nomes dos intervenientes, como se não tivesse sido ele a convidar-nos (e se calhar não foi). Sei que os programas popularuchos têm hoje em todo o mundo um nível bastante baixo, mas, com o desaparecimento anunciado de outros mais interessantes em termos culturais, não será tempo de pôr os preconceitos de lado? Isto para quem está interessado em ser conhecido, claro, porque também há os eremitas e os que cultivam uma certa distância, e estão no seu pleno direito.

Comentários

  1. penso que não é apenas preconceito, é uma questão mais complexa.

    em alguns casos poderá até existir "alguma superioridade intelectual", mas quem sofre desse mal gosta de aparecer, para espalhar esse tal ar, e vai a todas.

    há quem não aceite convites deste género, porque pouco ou nada têm a ver com o seu "mundo", não gostam de fazer "fretes".

    em relação aos apresentadores, serão dos mais habilitados a falar com quem quer que seja, pela sua vasta experiência e pelo seu profissionalismo.

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  2. Há uns tempos li uma notícia em que se dizia que o Jonathan Frazen tinha achado que uma recomendação da Oprah relativa a um dos seus livros o prejudicava. Depois, lá se retratou e até tenho ideia de que foi ao programa dela.
    É uma pena que alguns escritores tenham essa visão tão redutora. Esquecem-se que para muita gente a televisão é o único modo de obter informação.

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    1. E o Jonathan Franzen não tem, propriamente, uma escrita elitista...

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    2. A pergunta que o editor fez ao Franzen deve ter sido do género: queres ser rico ou basta-te ser um enormíssimo escritor de culto? Ele foi à tv e, quem sabe?, sem toda a publicidade à volta desse caso mediático eu não teria lido o "Liberdade", o melhor romance que li nos últimos anos. A perda seria minha. De facto, o tema é complexo como já ficou dito em comentário anterior. Mesmo que não se veja a tv popularucha, porque não usá-la para difundir a mensagem entre os não convertidos?

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    3. Creio que aquilo que terá incomodado Franzen terá sido a própria natureza do Programa e não qualquer pergunta, em especial, que lhe tenha sido formulada.
      Apesar de ter gostado muito do "Liberdade" (muito mais do que do "Correcções") estou longe de o entender como um romance brilhante. Franzen é um relator das experiências do quotidiano (por vezes até ao pormenor mais mesquinho) e isso, a mim, não me fascina.

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    4. Óbvio que os gostos literários distintos são todos interessantes. Confesso que achei de uma suprema perfeição a complexa e dolorosa "love story" que une e afasta o casal protagonista, o balancear do homem entre um idealismo fanático e o compromisso com o mundo financeiro, a ferida juvenil que não larga a mulher e a atormenta nas suas escolhas, genial também a verosimilhança dos personagens secundárias (o admirado amigo de sempre, rock-star sedutor e egoísta que tanto sofrimento induz no casal; o filho e a sua ultradevotada namorada/mulher, mesmo a filha certinha). Claro que estou de acordo consigo quanto ao apuradíssimo olho e ouvido do Franzen para o pormenor da experiência quotidiana, mas sinceramente não foi isso o que mais me fascinou no "Liberdade". Foi a consistência humana do enredo, a veracidade de cada personagem e as ideias políticas, ecológicas, sociais e humanas que vão sendo tratadas ao longo do romance. Quase como se fosse um novo Hemingway que tendo escrito o "Fiesta" (The Sun Also Rises) agora o atualizasse e aprofundasse.

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    5. Quanto às vertentes referidas, não deixo de dar-lhe razão. Embora esteja longe de considerar Franzen um novo Hemingway. E é na densidade psicológica das personagens que aquele autor, de facto, mais se destaca. Contudo, trata-se, ainda assim, de uma abordagem de aspectos acessórios. Com excepção da questão ambiental (magistralmente focada, é certo) que outro aspecto de grande relevância e actualidade encontra tratado no livro? E aquele fim? Que pretende ser moralizador e moralista? O fim é imperdoável! Matar a pobre da jovem só por esta ter mantido um romance com o protagonista e de forma a conseguir a reconciliação conjugal? BAAAAHHHH:-)

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    6. Tem toda a razão quanto a penalizar o Franzen por ter deitado mão ao recurso fácil de eliminar de uma penada, por acidente de viação, a jovem mulher idealista e exótica para terminar o romance com um "happy ending" tão cinematograficamente americano. Estou de acordo que a resolução é a parte mais fraca do romance. E, pelo que fomos aprendendo da história pregressa daquele casal, não ficamos de todo convencidos, como o autor dá entender, que haja uma pacificação definitiva entre eles. Mas há autores superlativos que não conseguem construir finais memoráveis. Estou a pensar, por exemplo, em Saramago, Lobo Antunes ou Auster. Nestes escritores é o caminho que é interessante e não a chegada, tal como na vida. Reli recentemente o Hemingway e não posso honestamente dizer que considero a sua escrita e análise psicológica superior à do Franzen (reconheço que poderá ser uma ilação só temporária). De quelquer modo, é daqueles escritores de que estou à espera da próxima obra de ficção (não de memórias) e, entretanto, já me deliciei com as suas entrevistas no youtube (dão para perceber bem as obsessões particulares deste criador).

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    7. Artur: certo. Mas também é verdade que não conto, entre os meus autores predilectos, com Saramago ou Lobo Antunes. Têm, no entanto, o mérito inegável, de problematizar a sociedade em que vivemos, fazendo pensar quem os lê. Virtude que também pode ser facilmente assacável a Franzen . E, reflectindo ponderadamente acerca da questão, é uma qualidade susceptível de construir um grande autor. Até por não ser fácil de atingir. Quantos dos ditos novos escritores portugueses a terão? Se os analisarmos em profundidade, praticamente nenhum...E que ganha a sociedade com a chamada escrita poética ou introspectiva? Pode revestir-se de grande beleza ou qualidade estética...Mas, para quem a absorve tendo como objectivo uma outra visão do mundo...poderá deparar-se apenas com uma enorme desilusão...

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    8. Sandra, obrigado pelo seu comentário que me fez ver algo em que eu não tinha pensado: o desligado que está a maioria dos escritores portugueses da observação profunda da nossa realidade concreta de portugueses do século XXI; como diz, esse tipo de abordagem é capaz de dar mais trabalho do que a escrita poética (e um pouco aérea) que domina a nossa ficção atual. Estou com curiosidade em ler o celebrado livro do Camarneiro porque a sinopse do seu romance (a vida daqueles que vivem em vários andares de um mesmo prédio) faz lembrar a do "Clarabóia" que tem temática semelhante mas passada nos anos cinquenta (mas num prédio de Penha de França, em vez de em edifício junto ao mar, como em Camarneiro). É que o primeiro livro do Saramago [e o único póstumo!] fez-me recordar de modo tão agudo, e como nenhum outro, o ambiente humano tantas vezes mesquinho e doentio, que recordo dos tempos da minha adolescência (nasci nos anos cinquenta). Quando alguém jovem me pergunta como se vivia no final do salazarismo eu respondo: está magistralmente documentado no "Clarabóia" do Saramago. Verei na próxima primavera se o jovem Camarneiro nos oferece uma imagem tão vincada do nosso mundo português atual. A localização do edífício frente ao mar, pelo seu potencial poético, deixa-me desconfiado quanto à sua colagem à realidade...

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    9. Artur: o seu comentário demonstra ter entendido na perfeição a mensagem que pretendi transmitir. E o exemplo dessa obra de Saramago é paradigmático. Falta quem dê relevo e aguilhoe (com ferrões agudos) a espuma dos dias. Ao poeta, a poesia. Ao narrador, a prosa. Mas uma prosa direccionada para o exterior, para a visão crítica do quotidiano, para o relato dos sofrimentos que nos tornam humanos.
      Bom resto de semana. :-)

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  3. Não acredito que seja sempre preconceito. De facto, a experiência da MRP terá sido boa mas o risco é grande. Pode haver nesses programas um ataque cerrado à vida do outro e não acredito que seja da natureza de muitos escritores estar a falar da mãe, do pai, do gato, etc. Os escritores gostam de falar do que escrevem e ponto. Acredito que num programa do Manuel Goucha não haja demasiadas intromissões... mas imaginem lá o que é apanhar uma Júlia Pinheiro pela frente. Ou uma Teresa Guilherme...
    Eu se fosse escritor, não ia. Sendo o que sou, também não.

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  4. Tive uma experiência parecida na Praça da Alegria, curiosamente também há uns 15 anos. Com a particularidade de as atenções terem ido ao ponto de me arranjarem um médico em cima da hora, pois com o frio que estava no Porto constipei-me e praticamente perdi a voz. O médico, com alguns medicamentos, conseguiu que eu acabasse por falar um pouco, embora menos do que o que estava previsto. Provavelmente foi a melhor solução, pois deu para falar um pouco do meu primeiro livro e a falta de oportunidade para me alongar deverá ter impedido de dizer algumas asneiras.
    Lembro-me de que o apresentador tinha um mini (tinha mesmo de ser mini) dossier sobre mim, com críticas que tinham saído nos jornais. Não teria lido o livro, mas sabia do que estava a falar. Uma das críticas tinha saído no Expresso e aí eu era apresentado como um jovem escritor, tipo no título, ou no sub-título. Vi o apresentador hesitar ao olhar para a fotocópia, creio até que ficou uns segundos a olhar para aquilo, e depois encarou-me e disse-me: «Mas você afinal não é nada jovem!»
    Isso não me atrapalhou, até porque eu já estava suficientemente atrapalhado com a voz, e além disso era de facto jovem nessa altura. E a entrevista lá avançou.
    Atrapalhação, atrapalhação senti numa rádio, numa entrevista de quase uma hora. Um livro que a Rosário editou. Uma figura da cultura a entrevistar-me. E lá fui respondendo, mas com um esforço enorme para não pegar em mim e ir-me embora. A pessoa não sabia nada do livro. E eu a cada resposta que dava tinha de a adequar à pergunta, mais preocupado em que esta fizesse sentido, em vez de preocupar-me com a resposta. De certeza uma má decisão. Sair teria sido a melhor opção.

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  5. Quando se cruza «a literatura» com o marketing de massas – passe a fraca definição de marketing - há um hiato de contradição. Essa contradição tem custos e promove desencontros! A um produto exquisite » não se pode exigir uma montra de feira popular. A cada nicho, o seu produto!

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    1. Absolutamente de acordo com Pedro Sande. E não tem nada a ver com preconceito! Certamente que não se espera ver no Preço Certo ou nos guinchos de Júlia Pinheiro certas sabedorias e certas eloquências. Não que as "massas" não mereçam, mas isso seria um trabalho de fundo e desde sempre. Não é agora "atirar para a frente" com Herberto Helder ou com ALA ou com Agustina ou com Lídia Jorge ou etc ou etc ou etc nos ditos programas. Nem faria sentido! Uma coisa são sobremesas, outra coisa, refeições completas. Não serviria a ninguém. Uma pessoa que liga a tv para assistir ao Preço Certo ou aos concursos do Malato não está à espera de ver como concorrentes os nossos mais ilustres escritores, não é? E quem diz escritores, diz cientistas, médicos, etc.

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  6. Embora um pouco desviado da essência do assunto, mas lembrei-me de uma certa oração de sapiência a que assisti.
    Perante o assombro crescente da assistência o orador começou a falar dizendo que, só quando a secretária o lembrou daquele compromisso nessa mesma manhã, é que ele se apercebeu que tinha que fazer uma oração de sapiência, pois pensava que apenas tinha que estar presente.

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  7. Preconceitos?

    Na penúltma frase do seu "post" (que é uma pergunta), substitua "programas" por "livros"!

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  8. Não podia estar mais de acordo, Rosário (e também tive experiências dessas "este livro fala de quê?).
    Não posso esquecer o profissionalismo e o carinho com que falaram das minhas obras em A Tarde É Sua, Portugal no Coração, Sociedade Civil, Programa Consigo, Praça da Alegria, SIC Mulher, até estou preocupada por saber que estarei a esquecer-me de algum programa! Equipas empenhadas e muito cuidadosas, excelentes.
    Devemos realmente corresponder ao excelente trabalho destas equipas e agradecer-lhes quando nos recebem!

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  9. Quanto mais qualificados são os entrevistados, mais interessantes os programas se tornam . Mesmo que seja para um público pouco esclarecido. Aliás não percebo a ideia que, por vezes, se quer fazer passar, de que a mediocridade dos programas televisivos se deve à sua procura. Acho até que as pessoas culturalmente mais diferenciadas deveriam ter a preocupação de mostrar que existem outras vias e outros percursos que não o do mais fácil e banal. Parece-me até um dever. A sociedade, como um todo, só teria a ganhar.
    Confesso que tenho um carinho especial pelo M.L . Goucha. Acho-o um belíssimo profissional, inteligente, competente e muito culto. Recordo-me que, há dez anos, fez-me muita companhia durante os quatro invernosos meses que estive de licença de maternidade. Entre mamadas, fraldas, cólicas e choros misteriosos indecifráveis, quem tem concentração para se debruçar num livro? Disponibilidade, só mesmo para o Goucha. E se possível , na companhia de convidados inteligentes e interessantes .

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  10. Nos programas generalistas, os entrevistadores podem não ler os livros mas conseguem encontrar perguntas interessantes.
    Nos programas "culturais", os entrevistadores não só não leram os livros como acham que deviam ter sido eles próprios a escrevê-los e as perguntas só são interessantes quando se distraem porque eles já sabem as respostas.
    Desculpem lá, mas eu sei do que a casa gasta...

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  11. "Portugal no Coração, Praça da Alegria, SIC Mulher, etc. - profissionalismo e carinho";
    "carinho especial pelo M.L . Goucha";
    "Nos programas generalistas, os entrevistadores podem não ler os livros mas conseguem encontrar perguntas interessantes", ao contrário de "nos programas 'culturais'".

    Mas, afinal, porque é que, outro dia, estavam todos aqui a chorar pelo fim de "Câmara Clara"?

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    1. apesar de vir de "ninguém", não deixa de ser uma boa questão. :)

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    2. 1) Concluir que no outro dia todos choraram pelo fim do "Câmara Clara" é um exagero.
      2) Outro exagero é concluir, com base em duas ou três citações, que hoje só se falou bem dos programas populares. Embora não possa garantir que o Anónimo pecou neste exagero no seu comentário, quer parecer-me que sim.
      3) Outro exagero ainda, e duplamente minado: partir dessas ideias já de si mal fundamentadas para dar a entender uma certa arbitrariedade no discurso dos comentadores. Primeiro porque estamos perante duas realidades compatíveis: nada permite garantir que os "programas culturais" e os "programas populares" sejam mutuamente exclusivos, que uma pessoa que goste destes tem obrigatoriamente de desgostar daqueles; e segundo porque só faz sentido apontar contradições de pensamento a nível individual, nunca a nível colectivo.
      4)Por isso, a pergunta final não faz sentido com o "todos". Só faria sentido se referisse um indivíduo ou conjunto de indivíduos que se tivesse manifestamente contradito nos seus comentários aos dois posts.

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  12. Fui ao Programa "Viva a Manhã", que precedeu "praça da Alegria", com o Manuel Luis Goucha e a Anabela Mota Ribeiro, preciosamente no dia 18 de Outubro de 1994. Não falei de livros, mas de História e de estórias da História. Voltei lá mais tarde, por duas vezes, desta feita como "Praça da Alegria" com o Jorge Gabriel.
    O Goucha é um excelente apresentador, mas o Jorge Gabriel é um excelente apresentador e um excelente comunicador. Desta feita, acabei por falar de um livro meu, metendo a "bucha" num assunto de História.
    Havia lá um convidado que tinha levado uns doces e outros apaparicos, que colocou no estúdio ao lado onde se situava o "plateux" do programa, no Monte da Virgem. Esse estúdio servia para a leitura do telejornal que havia a seguir. Deitámo-nos todos aos doces, no intervalo curto, e reduzimos aquilo a migalhas.
    A televisão é um mundo de comunicação como não há outro. Para divulgar uma obra, é o meio ideal. Felizes os contemplados - como os autores da Casa - com referências à sua obra, cuja já é bem divulgada e passa a estar bem divulgadíssima.
    Aqui há uns bons anos ganhei um prémio literário, num programa que era da autoria do Professor Joaquim Manuel Magalhães. Foi a minha primeira experiência em televisão e valeu a pena. O Professor (não Prof. mas Professor), para além de um Mestre não tinha par em matéria cultural e literária.

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  13. Há programas que não vejo por falta de tempo e necessidade de selecção. Na verdade vejo apenas um ou dois:). Deve ser preconceito meu, mas a TV não me atrai. No entanto, parece-me bem que escritores e demais artistas, os frequentem a convite. Só por ser uma forma de chegar à maioria. E é que chegam mesmo. Nem me parece que seja apenas uma questão de vender mais. Quando Maomé não vai à montanha... O que interessa é o encontro. Ou proporcioná-lo. E confiar nas palavras e na convicção de dizê-las.

    Foi bom saber que os programas da manhã são exercício apurado. Não desmerecem. Ao contrário de outros. Como tudo depende sempre do profissionalismo e carácter de quem dirige...

    Ao ler, recordei uma vez em que Isabel Allende conta que foi entrevistada por um jornalista que não fazia ideia de quem ela era. E ela logo usou outra personalidade e resolveu, creio, dizer-se cantora de ópera. Deu uma entrevista completa como tal. Diz ela que nunca a viu publicada :)

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