Portugal é nosso
A minha mãe conta que, quando a minha irmã era pequena – uns seis anos, se tanto –, iam as duas de metro para a Baixa quando, já perto da estação do Rossio, onde saíam, a terá avisado: «Agora é a nossa.» Mas, porque se estava numa época terrível e o salazarismo espalhava mensagens que todos ouviam (alguns sem perceber sequer o que implicavam), a miúda terá ouvido mal e repetido num tom de cantilena, para vergonha da minha mãe e consternação dos passageiros: «Angola é nossa! Angola é nossa!» Pois bem, o mundo mudou imenso desde então, e ainda bem, mas também não era preciso os factores inverterem-se… Não só a filha do Presidente Eduardo dos Santos detém importantes participações em bancos (BPI e Millenium BCP) e empresas portuguesas (a Galp ou a Zon), mas também consta que a RTP vai ser vendida a gente de Angola (e a dispensa do jornalista Pedro Rosa Mendes na sequência de uma crítica à subserviência da RTP a Angola já pode ter tido que ver com isso); o jornal Sol é de um grupo angolano, o mesmo se prevendo relativamente aos órgãos de comunicação social detidos actualmente pela Controlinveste, entre os quais se contam a TSF, o DN, o JN e alguns jornais desportivos – o que, a ser verdade, vai obrigar os que ali trabalham a pensar duas vezes antes de falar do país donde vieram milhares de portugueses em 1975. A Tinta-da-China, editora do livro Diamantes de Sangue – Tortura e Corrupção em Angola, do jornalista Rafael Marques – angolano, pois claro –, acaba de ser constituída arguida num processo instaurado em Portugal contra o autor por um grupo de generais que são acusados no livro e foram também objecto de uma queixa-crime de Rafael Marques em Angola pelas práticas de tortura e morte ocorridas nas minas de diamantes das Lundas (e arquivado entretanto por falta de provas). A liberdade que conquistámos, que entre outras coisas serviu para libertar Angola do nosso jugo imperial, parece estranhamente estar a conduzir a uma situação de medo e subserviência que não é nada boa. Qualquer dia é Angola a dizer: Portugal é nosso...
E claro, quase aposto que daqui a pouco o prémio Leya vai para um angolano, porque é preciso agradar-lhes. Bem, angolano não tenho a certeza porque desconfio que a MRP já saberá quem é e não teria posto este post numa situação dessas. Creio que será brasileiro, porque a Leya tem de agradar cada vez mais o outro lado do Atlântico; ou que não será ninguém: nenhuma obra terá qualidade para ganhar porque o dinheiro escasseia.
ResponderEliminarAgora, um português é que não: o ano passado já se cumpriu.
Quem decide é o júri, não a LeYa. E o júri tem seis elementos, portugueses, brasileiros, de Angola, Moçambique... Num inédito, não sei se se percebe a nacionalidade...
EliminarEnfim, não sei se o Jorge terá razão no que diz. Mas também desconfio que sim. E claro que se percebe a nacionalidade num inédito! É preciso estar muito distraído para não perceber que o texto é de um brasileiro, de um africano (admito que possa ser mais difícil entre angolano e moçambicano embora eu também perceba) ou de um português! E logo jurados deste quilate. Diria mais, percebe-se logo no primeiro par de frases.
EliminarE claro, estamos a partir do princípio que os inéditos são mesmo inéditos até ao fim... que não são abertas as obras melhores para escolher a que mais convém. Eu não ponho as mãos no fogo. Eu estou com o Jorge: não confio nem um pozinho no prémio Leya depois da grande mentira de 2010.
Afinal foi para um português: Nuno Camarneiro . Parabéns ao autor e à LeYa (membros do Júri ) porque não tiverem a coragem de premiar dois anos seguidos autores de Portugal, sem receio de ferir susceptibilidades .
EliminarQuanto a Angola, sinto o mesmo e admiro-lhe a coragem de o dizer tão bem, Maria do Rosário!
Jorge e Bruna,
EliminarNão acertaram, ganhou um português. Nuno Carmaneiro com mais um título foleiro: Debaixo de Algum Céu, a juntar aos anteriores premiados... O que não quer dizer que os vossos pressupostos estejam errados... Ganhou um português que oferece garantias. Já era conhecido e de certeza que a Leya não vai perder dinheiro com ele.
porque tiveram a coragem (o não está a mais)
EliminarSim, Anabela. Este ano tiveram coragem e dou a mão à palmatória relativamente ao que escrevi há pouco. Li todos os prémios anteriores e não gostei. E digo mesmo, os livros que publicaram de autores finalistas eram melhores que os dos premiados...
EliminarDesta vez, a avaliar pela primeira obra do autor premiado, desconfio que acertaram e que, finalmente, tiveram coragem.
Parabéns portanto à Leya.
Enganou-se, Jorge Melo...
Eliminar:) mas não muito. Só na forma, não no conteúdo. E mesmo que não, o que se faz hoje não invalida o que se fez ontem.
EliminarBruna e Jorge, na forma ou no conteúdo, o que importa é que têm razão e que criou-se um tipo de escritor que vende e em que se aposta.
EliminarSão sempre os mesmos, todos muito parecidos, ao gosto da espuma dos dias. Veja-se aqui ao lado direito, logo na primeira ligação da MRP, de quem é o blogue "Acordar um Dia".
A ordem dos blogues à direita é alfabética.
EliminarE...? Era só uma indicação, não aludi a quaisquer hierarquias.
EliminarPortugal está em coma... a caminhar para o coma profundo. Até que alguém o desligue de vez.
ResponderEliminarRIP Portugal (Séc. XII - Séc. XXI) ... piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
Não sei se não estaremos já numa fase tão pós-colonial que se tratará de "reverse colonialism", mas enfim, isto é uma académica dos estudos imperialistas a falar...
ResponderEliminarEm, «Paris Após A Libertação: 1944-1949», Antony Beevor e Artemis Cooper , desvendam as teias de aparência quase ficcional de uma época de ouro para o olhar da ficção, quase se confundindo com a pior realidade imaginada de tempos cinzentos.
ResponderEliminarEm 1940, já o bispo de Arras , monsenhor Henri - Édouard Dutoit , na sua mensagem de ano novo, a cheirar a velho, se dirigia a Messieurs et très chers collaborateurs » com esta fórmula pseudo-cartesiana : «Eu colaboro: por isso, já não sou o escravo a quem é proibido falar e agir e que só serve para obedecer às ordens. Eu colaboro: por isso, tenho o direito de contribuir com o meu pensamento pessoal e o meu esforço individual para a causa comum.»
Autonomia imaginária, digna de um cartesiano manco, servindo que nem luva aos traidores de Vichy . Autonomia imaginária servindo que nem luva - como servidão e serva? - a todos os corpos estranhos, violadores e violados, por medo, sobrevivência, interesse individual, das sua próprias consciências.Beevor e Cooper relembram em (Paris Após A Libertação; 35), um episódio passado no departamento de Eure et -Loire, em 1940, com um mártir da resistência, de seu nome, Jean Moulin.
Este patriota, resistente, é selvaticamente espancado, preferindo tentar opor voluntariamente a sua vida a assinar uma declaração falsa imputando à infantaria Senegalesa Francesa um massacre de mulheres e crianças. Isto na sequência de um seu pedido de explicações ao quartel - general alemão, pelo assassínio gratuito de uma velha autóctone; patriota da sua própria dignidade, a velha senhora fora abatida e amarrada como aviso a uma árvore, pelas tropas nazis, pela resistência pacífica e indignada oposta à violação brutal da sua privacidade: «A minha casa é a minha fortaleza!», diria ela, como muito de nós que preservamos a liberdade e a autonomia.
Nem sempre a ficção ultrapassa a realidade, como nem sempre a autonomia reflecte a realidade, tornando-se uma Autonomia Imaginária.
Permitam-me, só, que termine assim: «a luta é que nos dá vida!»
EliminarBom dia a todos,
ResponderEliminarÉ fora do tema do post de hoje, mas já que o assunto veio à baila, permitam-me:
Estou MUITO FELIZ pelo prémio Leya!!!
Descobri o Nuno Camarneiro assim que saiu "no meu peito não cabem pássaros" e desde aí que não paro de emprestar esse livro. Posteriormente tive o prazer de o conhecer pessoalmente. Até o tinha como grande candidato ao prémio José Saramago deste ano. Quem sabe?
Auguro-lhe um grande futuro no mundo das letras, assim que sair este livro agora premiado vou correr a devorá-lo.
A quem não conhece, recomendo vivamente!
Rui Miguel Almeida
É, de facto, uma questão pertinente e bastante actual. A merecer, talvez, ainda mais atenção por parte da comunidade literária (nomeadamente portuguesa). Estamos num tempo em que se evitam os temas de ruptura. E, contudo, quais senão estes contribuem para o progresso da Humanidade?
ResponderEliminarBoa semana!
Hum... confesso que me perdi... afinal qual o tema do post?????
ResponderEliminarBem... sobre o que diz a nossa anfitriã, sim acho que tem razão, e ainda há quem não tenha percebido (tanto lá como cá) a negociata e o vil embuste que foi a dita descolonização....
Sobre o outro assunto... pois não sei que diga, mas desconfio que têm razão (perdoe-me a nossa anfitriã que considero pessoa de bem e honesta).
Só não concordo com uma coisa, "O rasto do Jaguar" de Murillo de Carvalho é portentoso, um grande livro e digno do prémio (qualquer prémio)!
Os outros... enfim, cada qual sabe do que gosta de ler! E o que convém premiar...
Saudações do Planalto Central
Interesses, invejas, hábitos, memórias, subserviências, passados, reminiscências, prémios, estratégias, liberdade, presentes, padrões, futuros, ilusões... condição humana... nada de muito diferente daquilo que o ser humano - não o português, que esse é diferente! - está habituado.
EliminarConheço o Nuno Camarneiro daqui: de uma escrita poética, que faz dos poetas escritores e de outras coincidências. Gente que pensa, reflecte, que se alimenta de uma melodia que nos vem do peito. A forma é dos pássaros. E no mundo dos pássaros não há coincidências, apenas o barulho ritmado das asas a quebrar paredes de vento.
ResponderEliminarNo seu peito «não cabem pássaros», mas quando o escutamos ao perto ouvimos piares como se estivesse coberto de ninhos.
O tempo hoje tem a idade dos que piam poesia! Jovens poetas que prosam! Vivemos no tempo do eu, dirão! Muito bem, portanto. Aqui em portugal mandam os que daqui são! Mesmo que no nosso peito não se alberguem pássaros, mas há sempre o acordar um dia! e «tantos sonhos que não são dias» (Nuno Camarneiro ; Calendária; 2012) e tantos países que um dia terão de se fazer forma! Portugal será nosso? ou esse sonho já é uma ilusão onde não cabe o sussurro das asas de «todo los» pássaros? ... o enigma dos jovens, talentosos, poetas que prosam!
Parabéns ao Nuno... e à poesia!
Parece que alguns angolano têm razão, quando afirmam que os pulas têm dor de cotovelo. Queiram ou não queiram, Angola está por cima. Aliás, foi confirmado agora uma coisa que eu já sabia: em 1974, no terreno e na cena internacional, Angola já tinha vencido a guerra, infelizmente, com muito sangue e horror como são todas as guerras. Isso já lá vai, saibamos estar à altura dos desafios do nosso tempo: corruptos é o que não faltam na Europa. Gente boa também não escasseia em África...
ResponderEliminarAngola está por cima?
EliminarÓ Luis Peixeira... então porque é que tem de importar TUDO o que consome e inclusive as pessoas para fazerem e ensinarem a fazer?
Não me dirá? É uma forma de estar por cima algo... bizarra, no mínimo.
Agora, se me disser que está cheia de oportunidades, contráriamente a Portugal, ai isso sim! Mas isso não põe ninguém por cima nem por baixo... enfim no meu entender, se você se sente
assim lamento e serei solidário para o animar e ajudar a recobrar o ânimo!
Por outro lado diga-me: seria possível, hoje, em Angola, um blog como este? Onde se diz de tudo sobre qualquer um, com elevação evidentemente?
Hum... não me parece...
Finalmente: A guerra estava perdida no plano político e internacional - aliás como sempre e já vinha de trás... desde a conferência de Berlim em 1880 e tal... mas não no terreno como diz. Olhe que até a língua ficou... E, pelo contrário, havia já acordos de cessar fogo entre as tropas, o Savimbi foi operado no Hospital militar (em grande segredo). Mas não era isso que interessava às forças políticas que disputavam em África aquilo que não queriam fazer no seu terreno...
E sabe, há muito jovem aqui em Angola, quadros do partido ou já universitários que hoje dizem e reconhecem o erro que foi mandar embora os brancos! Até criticam abertamente a sovietização e o que cubanos e russos fizeram, a destruição do aparelho produtivo e de educação ou saúde, para criar dependência... o que distribuíram foi AK47!
O progresso esse acontece agora e com os portugueses... e tenho até muito orgulho em participar nele, não me sinto nada por baixo!i
Peço desculpa por ocupar tanto deste espaço...
Saudações do Planalto Central
A terra queimada um dia renasce
EliminarCinzas velhas que germinam
Na terra antiga há cinzas novas
De um chão que já não dá
Que já não é
Deixai a terra ser o que é
Queimada e seca
Ou viçosa
Deixai os homens serem o que são
Um aos seus ideais fiel
Outro ladão
Deixai a terra ser como é
Digamos apenas não
Ao que não é.
"E sabe, há muito jovem aqui em Angola, quadros do partido ou já universitários que hoje dizem e reconhecem o erro que foi mandar embora os brancos!"
EliminarNesse aspecto o Mandela foi perspicaz e deitou o olho aos vizinhos.
Os brancos saíram porque tiveram medo. Ninguém os mandou embora. Hoje são retornados e servis. Duplamente retornados. As voltam que o mundo dá ....
EliminarIsso que diz não é verdade. Foram obrigados a sair, sim. Sou abertamente a favor da descolonização mas foi bastante mal feita e toda a gente sabe por quem.
EliminarDepois da independência dada à pressa e sem negociações que protegessem os que lá estavam (em Angola, que é a minha experiência), estes foram perseguidos, expropriados e mortos à catanada. Queria que lá ficassem? Alguns conseguiram, se calhar não viviam em ambientes tão hostis, mas a maioria teve de partir com uma mão atrás e outra à frente.
Eu sei, eu estive lá. E quando saí não vim para Portugal. Já sabia que, naquela época, não seria bem recebida.
Ninguém os mandou embora?! Não diga asneiras.
EliminarPois é Bruna, essa é a sua versão. A minha é outra e eu também estava lá. Não só estava, como permaneci. Só para esclarecer: a minha pele é branca e nunca me ordenaram que deixasse a minha terra. Nunca pertenci nem pertencerei a qualquer movimento ou partido político, só para que conste. Partiram com uma mão à frente, outra atrás (sic) - da maneira como chegaram. Triste, mas real. As situações de guerra são assim mesmo, o povo é que paga a conta. Hoje, os portugueses, já sem medo dos negros, porque a fome é maior do que o medo, regressam e não são mal recebidos. Ganham o pão na terra que já não lhes pertence e por isso são remunerados, conforme os cargos e funções que desempenham. Pudesse haver, pelo Mundo, muitas Angolas, para dar sustento a portugueses que, em seu solo, estão a perder, ou já perderam, tudo. Que não percam a dignidade e que não "cuspam no prato em que comem".
EliminarDesejo-lhe uma Festas muito felizes, Bruna.
Não se aborreça com os meus comentários, amigo António Luís. antes de mais, gostei de ler o seu livro: é uma largueza no Ribatejo, aprendi umas coisas, gostei, mesmo. Está em Angola , eu também estive antes e depois e, de facto, está por cima ou, se calhar, sempre esteve. Quase meio século de guerras o que esperava? Quanto ao Savimbi , no hospital português, não é novidade, até lhe posso mostrar documentos/correspondência dele com o exército colonial, para isso é que foi escolhido - a UNITA nunca lutou pela independência... Abraço.
EliminarMeu Caro Luis Peixeira: Não fiquei zangado consigo! Mas senti-me "picado"... isso sim, se é que me entende, e aposto que sim!
EliminarE explico: ao contrário de muita gente que está na Angola-de-Sucesso, nos escritórios na Torre Ambiente (sede da nossa empresa), que anda pelos restaurantes da ilha... eu vivo e lido diáriamente, com a outra, a Angola-esquecida ... onde há iliteracia, falta de tudo (saúde, educação e e perspectivas de futuro), e muita carência até miséria! Em locais remotos e sem estradas onde a água se tira da cacimba e a roupa é lavada no rio... com olho nos jacarés!
E vejo e contacto muita gente sem nada!
É por isso que o seu comentário me fez saltar a mola... porque se muito boa gente que atira com o argumento que você usou, fosse a um banco ser atendido por quem veste camisa e gravata mas não sabe o que está a fazer nem como fazer, a um estabelecimento onde o empregado assume um ar importante mas não sabe passar uma factura, se tivesse uma empregada doméstica que vive numa barraca sem luz e não sabe usar electrodomésticos, se fosse a um restaurante onde a empregada toda empinocada lhe pede que abra garrafa porque não sabe usar o saca-rolhas... se andasse milhares de quilómetros por caminhos inenarráveis e aldeias perdidas a contactar colhedores de mel (ditos apicultores), pois essa gente baixaria a cabeça de vergonha... afinal fizeram ou tem feito o quê por eles mesmos?
Guerra? A guerra colonial matou gente, claro... mas deixou pontes, estradas, fábricas, hospitais, escolas... que depois a guerra civil destruiu, e ainda angolanos mataram muitos mais angolanos que o exército colonial...
Eu, camponês presumidamente evoluído porque estudei, estou ali a fazer algo pela minha gente que são os Camponeses, seja qual for a côr da pele. Como os jornalistas e políticos são todos iguais, qualquer que seja a côr da pele...
Ainda bem que gostou do meu Largueza, é sinal que pesa e sente como eu, e que o percebeu!
E se calhar esta conversa que aqui iniciámos não da melhor maneira, seria interessante de continuar e descobrirmos ainda mais pontos de acordo!
Receba um forte abraço, sem reservas!
Embora não tenha a ver com este post, parabéns pelo prémio do Nuno Camarneiro. Espero que pelo menos seja tão bom/belo quanto "No meu peito não cabem pássaros".
ResponderEliminarJoão Raposo
"Acordar um dia" e receber uma chamada.
ResponderEliminarParabéns ao Nuno Camarneiro e parabéns à Leya, que o já editou.
Também julguei que fosse parar a Angola, mas a coisa deu "luta" no júri, pois não foi atribuído por unanimidade, o que significa que um, dous ou três elementos preferiam outra obra.
Enfim, alguém tem de vencer (valha-nos isso), mas lembremo-nos que é o grupo LeYa que se encarrega de levar as obras ao júri final. E, ao contrário do que aqui se diz, um escritor "assina" através da sua escrita; é natural que um angolano ou um brasileiro, não passasse despercebido.
Quando soubermos quem são os outros cinco ou seis "finalistas" teremos oportunidade de comparar e de, claro está, também podermos dar a nossa opinião.
Deixemos Angola percorrer o seu caminho. Portugal só tem Democracia há 35 anos e talvez o deva também a Angola.
ResponderEliminarExcelente e lúcida análise! Entrsitece-me perceber que o 25 de Abril tinha o objectivo de nos dar a liberade e tornar-mo-nos num país moderno e devolver, também, a liberdade aos povos colonizados. Resta uma caricatura sombria de uma utopia que não passou disso mesmo... Enfim, como funcionário de uma empresa financeira há mais de vinte anos estou habituado a ver o dinheiro mudar de mãos e, por esse prisma, nada nos ventos angolanos, chineses e brasileiros me perturba... Parabéns Pelo resto... pelas descobertas, Valter Hugo Mãe, João Tordo, Camarneiro... a ver se tropeço em si um dia destes... :-)
ResponderEliminarPortugal é português,
ResponderEliminarnem solaio ou freguês.