Editores em livro

Em vários países do mundo – desde logo nos Estados Unidos, mas também na vizinha Espanha – é relativamente comum os editores, chegados a determinada idade, publicarem as suas memórias, às quais não são obviamente estranhas histórias e anedotas sobre a sua relação com os autores que publicaram, o que, diga-se de passagem, apimenta a obra e gera interesse suplementar. Menos comum é a publicação de biografias de editores por mão alheia, mesmo dos célebres e mortos, embora haja casos de grandes figuras retratadas por terceiros, com base em aturada investigação e conversa com quem as conheceu pessoalmente. Em Portugal, porém, temos muito pouca coisa disponível sobre as pessoas que fizeram a história da edição, mas agora, pelo que sei, a situação vai mudar. Os Booktailors, que publicam ocasionalmente livros, inauguraram recentemente uma série exclusivamente dedicada aos editores portugueses que promete cobrir decididamente o vazio nesta matéria. Estreada com Fernando Guedes, o Decano da Edição Portuguesa, entrevistado pela jornalista Sara Figueiredo Costa, são de esperar em breve outros dois títulos na colecção, um sobre a editora do Círculo de Leitores, Guilhermina Gomes, e outro sobre o fundador da Teorema, Carlos da Veiga Ferreira. Tenho pena de que a ideia não tenha surgido nos anos 70 ou 80, pois perdemos definitivamente a oportunidade de aceder às histórias na primeira pessoa de editores como Lyon de Castro, Joaquim Magalhães, ou mesmo Snu Abecassis, que viveram tempos especiais em matéria de livros e partiram deste mundo sem os poderem partilhar connosco; mas estou feliz por ter à disposição o testemunho de Fernando Guedes – da Verbo, claro –, um editor multifacetado com uma história riquíssima, inclusive em termos internacionais.

Comentários

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    1. Só não referi o adorado Rogério de Moura, porque nos 40 anos da sua vida editorial foi possível mesmo assim fazer um livrinho de homenagem... Mas, sim, era mais do que justo um calhamaço a seu respeito, e até eu teria muitas histórias para contar.

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    2. Ou o irmão, que ainda esta vivo e no activo.

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  2. O Rogério Moura dos Livros Horizonte. Gostei muito do conhecer. Quis-lhe comprar livros para a biblioteca que então dirigia. Fez ofertas de livros bons porque ele não gostava de publicar tretas. Era amigo do meu querido professor António Hespanha . Ensinou-me muito no pouco tempo que estive sentado à sua frente: limpou-me do lixo: Penedono no Contexto da Reconquista - da origens à afirmação concelhia e disse-me: agora já o podes publicar, mas pede patrocínio à Câmara - Depois deixou-nos, assim...

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    1. Oh, Luis, onde é que pára esse "Penedono no contexto da reconquista"? E como desencanta num pequeno concelho do distrito de Viseu, matéria para desenvolver em livro?
      Dou-lhe os parabéns, porque terá sido tarefa difícil.
      Não me vai dizer - ou provavelmente escreveu - que o Magriço, um dos doze de Inglaterra, era dali natural? Nem caiu nas esparrelas dos apontamentos de Alexandre Herculano?
      É concelho que perdeu a sua autonomia no séc. XIV, recuperou-a no séc XV e, por um triz, manteve-a no séc. XIX. Não me parece que tenha grande significado na belicosidade da reconquista, pois um outro concelho cerca, Trancoso, manteve essa função desde o séc. X ao XIII.
      De qualquer forma, é trabalho que merece vir a lume. Peça o patrocínio à Câmara (nese caso, ponha lá o Magriço), pois compete aos municípios a divulgação da sua História, tanto mais que é um concelho com um belíssimo castelo.

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    2. Amigo Jocamartinho não se trata de uma obra fantástica, mas há muito pior... Foi editado pelas Edições Colibri: até tem umas coisas de interesse, abraço.

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  3. Sobre o tema dos editores é bem interessante o "Dublinesca" e o seu Samuel Riba, desconsolado editor literário que é o personagem principal do romance do Vila-Matas. E, já agora, uma pergunta em busca de satisfação de uma curiosidade pessoal: a editora Maria do Rosário Pedreira não foi escritora editada pelo Fernando Guedes da Verbo ? Ou estarei a fazer confusão em relação ao editor dos seus livros escritos para público juvenil ?

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  4. Hoje, o Bookoffice publica a resposta do João Ricardo Pedro ao questionário de Proust , revisitado por Joel Neto. Ouvi uma vez o João ao vivo, e não me passou nem despercebido o seu humor, nem um certo desconforto por alguma falta de independência e de enfado pelas tarefas, exigência, do - pós atribuição do seu prémio; afinal, não há almoços grátis como esconjura o racional «homo - economicus». Tudo, condimentado com alguma ansiedade e até alguma dúvida assumida, honesta, pela sua continuidade na escrita publicada pois, como se sabe, «uma andorinha não faz a primavera».
    E os três anos que assumiu com hombridade ter demorado a escrever o seu premiado livro, revelaram um talento evidente, mas igualmente um sofrimento de trabalho artesanal feito com risco de não replicação, apesar da motivação «simpática» e acrescida. Concordo, também, como ele afirmou numa «mesa pouco redonda», de que ao autor nada mais devia ser exigido senão o acto de escrever. Mas compreendo que isso seria linguagem de marketing da oferta, não linguagem do posicionamento pela procura e quando as oficinas de escrita eram oficinas e não cadeias de montagem.
    Como compreendo igualmente o posicionamento das editoras num mercado de excesso de oferta, procura por defeito, défice de rendimento e/ou défice de leitura, num mundo «a deitar fora, livros, pelas costuras» bem, assim, com a cada vez maior dependência da imagem/comunicação como forma de «vida».
    Assim se percebe «a fuga para a frente» das editoras, no futuro próximo ou neste presente «agora», para a venda/prestação de serviços editoriais, de «editing», de revisão, de comunicação,...
    Bem como se percebe como os Editores, fiéis depositários dessa relação que se esgota face a um novo paradigma de diluição de risco e de massificação da escrita, se queiram desprender de tudo o que foram amealhando, já que o que aí vem é uma nova geometria - democracia do livro. Aos mais velhos, já só nos falta o agradecimento. No futuro, nada será como antes.

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  5. Boa tarde. Queria-lhe pedir que enviasse um email para pjunqueiralopes@letra1.com, por forma a poder responder para lhe falar sobre um projecto online que está a ser desenvolvido.
    Obrigado

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  6. O Manel e a Rosário estarão a pensar (provavelmente, entenda-se), publicar as suas memórias em conjunto, pois hão-de tê-las, dada a riqueza do trabalho por ambos desenvolvido, que reputo significativo nas Letras portuguesas.
    Não sei se lhes hei-de desejar que seja bem mais tarde (por os desejar neste serviço durante mais tempo) se hei-de querer que seja breve (por desejo deles e da pressa nossa em vermos essas memórias). De qualquer forma, um ou outro (ou ambos) não deixarão de nos contar as experiências obtidas ao longo destes anos de trabalho intenso e árduo, como imagnamos os de fora, se bem que pleno de satisfação para quem cumpriu - melhor, cumpre - o seu dever.
    É esta a oportunidade de lhes agradecer o que têm feito pela literatura portuguesa, mesmo não tendo eu sido editado por eles. O fruto da sua dedicação está bem repousado em inúmeras publicações, cujas me observam ao longo das quatro paredes do meu escritório.

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    1. Obrigada, mas nem um nem outro pensou nisso. Muito trabalho talvez e, pela parte que me toca, não sei se seria assim muito interessante. Pode ser que fique velha daqui a um tempo e então me apeteça. O Manel é um pouco preguiçoso para escrever, mas de certeza tinha mais que contar.

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  7. Eu tive a honra de traduzir alguns livros editados pelo Verbo, e de colaborar na tradução de enciclopédias da mesma editora. Belíssimos tempos. Apesar de todas as dificuldades económicas que a Verbo então passava, pagava sempre, a tempo e horas, aos tradutores. Hoje não posso dizer o mesmo das empresas para quem trabalho - desde Julho que ainda não vi um cêntimo de todas as traduções que fiz nos últimos cinco meses...

    E os livros/enciclopédias que traduzi na Verbo tinham temas tão interessantes, que me fizeram aprender tanto. Infelizmente, nunca tive oportunidade de conhecer Fernando Guedes, a quem deixo aqui a minha consideração e admiração.

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