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Os livros hoje têm uma vida curtíssima, porque outros rapidamente ocupam o seu lugar no espaço onde são vendidos e nos nossos desejos acendidos por entrevistas e artigos portugueses e estrangeiros. Alguns, porém, quando os julgávamos mortos e enterrados, regressam à base como uma espécie de fantasmas que não gostaram de ser esquecidos. Há para aí uns dez anos, publiquei, na Temas e Debates, um romance histórico chamado O Segredo da Bastarda, da escritora argentina radicada em Portugal Cristina Norton, que vendeu seis edições num virote mas, como muitos outros, acabou por desaparecer das livrarias ao fim de uns meses. Eis, no entanto, que o descubro agora no programa de um colega da Oficina do Livro, de cara lavada e, pelos vistos, revisto e ampliado, pronto a concorrer mais uma vez com as novidades e oferecendo-se, tentador, aos leitores que gostam do género histórico, mais ainda quando a acção e as personagens são portuguesas. Que os nossos reis tinham filhos fora do casamento, todos sabíamos, mas é voz corrente que D. João VI foi tantas vezes enganado pela sua Carlota Joaquina que dele não se esperavam bastardos (enteados, sim). O romance de Cristina Norton não é, no entanto, uma ficção completa, pois baseia-se em documentos encontrados numa outra investigação que provam que o monarca que fugiu para o Brasil com a sua corte também fez, afinal, das suas no campo da alcova. Com belas descrições da vida da bastarda durante a infância no país irmão e do choque do regresso à pátria cinzentona onde se torna próxima da rainha (e do rei, o que já não foi assim tão bom), este livro agradará certamente aos que apreciam ler sobre a História de Portugal e dos seus reis e súbditos. Promete-se um final levemente camiliano.
Com sinceridade o digo: não gosto das capas de ambas as editoras (Temas & Debates e Oficina do Livro); mas gosto de romances históricos e este é dos que se recomendam.
ResponderEliminarPara uma apreciação (recensão) aconselho os visitantes das horas extraordinárias a abrirem esta janela: - http://www.fflch.usp.br/dlcv/posgraduacao/ecl/pdf/via08/Via%208%20cap15.pdf
É sobre O Segredo da Bastarda.
Torna-se óbvio que um livro escoado em seis edições nem precisa ser lido novamente para ser aceite - trabalho facilitado para a Oficina do Livro, pois o "risco" na primeira edição correu pela Temas & Debates (que raio de nome para uma editora de ficção!), mesmo com as alterações, ampliações e demais arranjos da autora, a qual não é uma desconhecida (ninguém do "Expresso" se pode considerar desconhecido).
Não irá ter esta versão tantas edições, embora eu deseje que tudo corra bem à autora e à editora. Em dez anos muita coisa muda em Portugal e o formato editorial e livreiro revoluciona-se de ano para ano.
Se não fosse a designação de "Horas Extraordinárias", ficava bem ao blog "Temas e Debates"; aqui, sim, em pleno acordo com o que se traz à mesa e o que se debate nesta.
Também li este livro há uns aninhos, e gostei bastante. De resto, gosto muito de romances históricos. Neste género gostei particularmente de " A lenda de Martim Regos de Pedro Canais (Pen clube Português 2004), recomendo-o.
ResponderEliminarIsabel
A Isabel tem bons gostos, sem dúvida. O livro que cita (Pen Clube pelo primero livro) vale bem a leitura das cerca de seis centenas de páginas.
EliminarTambém gosto de romances históricos, assim como gosto de lendas, pela analogia: há história e ficção e gosto de ser transportado numa viagem onde se aprende muito, até a sofrer com as personagens.
Fica bem esta sua referência. Já somos dois a recomendar o livro do Pedro.
Confesso uma enorme desilusão com um livro desta autora - O Guardião de Livros. Revisão pavorosa e esquisitices na escrita, como dei conta na altura.
ResponderEliminarNão sei, não... :(
A propósito de Carlota Joaquina e dos “que apreciam ler sobre a História de Portugal e dos seus reis”, uma pequeníssima amostra de EL-REI JUNOT de Raul Brandão que reli recentemente:
ResponderEliminar“Em Queluz rodeia-se [Carlota Joaquina] da pior canalha, tocando viola, e nos seus aposentos fala-se em calão como nas estrebarias. As mulheres acocoradas no chão passam a vida em enredos: põem nomes a toda a gente, alcunhas imbecis ou pitorescas: — Aí vem o dr. Trapalhadas... — era o Linhares. — Que é feito do dr. Pastorim?... — Ouvem-se os gritos desesperados da Doida, condenada, sem remissão, às labaredas do inferno. E elas riem-se.”
Este não li. Espero que seja melhor do que "O Afinador de Pianos" e "O Guardião de Livros". Quem não gosta de segredos e bastardas?
ResponderEliminara capa está lindíssima!
ResponderEliminaro conteúdo não conheço e, pese o risco do fim camiliano, ficará nos meus pendentes!
Este romance da Cristina Norton, dentro do género, foi um dos que li e que gostei muitíssimo (ainda há bem pouco tempo o recomendei a uma jovem iniciada nas leituras). A estimada MRP, como sempre brilhante, andou 10 anos à frente deste seu colega editor da Oficina do Livro, a quem desde já desejo votos do maior sucesso. Não será igual ao sucesso que a MRP obteve com este título, mas, o novo editor deste romance terá por certo as honras pelo bom gosto.
ResponderEliminarSaudações!