Paixões proibidas

Hoje à noite estarei pela primeira vez no Museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira. É uma vergonha, eu sei, mas a verdade é que ainda não tinha arranjado tempo para lá ir e o pretexto apareceu agora. No ano passado, lancei um romance de Ana Cristina Silva intitulado Cartas Vermelhas, que se baseia na história verdadeira de Carolina Loff, militante comunista que se apaixonou por um agente da PIDE e, contra todas as expectativas, abandonou as suas funções (era, inclusivamente, espia) para viver com esse homem que a interrogara na prisão (e que também acabou por deixar a família por causa desse amor). Ana Cristina Silva confessou, por ocasião do lançamento público deste romance em Lisboa, que gosta de escrever sobre os conflitos interiores e as contradições deste tipo de personagens (é doutorada em Psicologia, o que pode explicar, pelo menos em parte, esse fascínio) e que, assim que ouviu falar de Carolina Loff, percebeu que não resistiria a dedicar-lhe um romance. Embora a investigação não tenha sido propriamente fácil (ninguém gosta de falar de traidores), a autora supriu as dificuldades com muita imaginação, reconstituindo, em capítulos que atravessam o romance e antecipam os que se referem cronologicamente à sua vida, o encontro de Carolina com a filha que abandonara na União Soviética em criança e só voltaria a ver com vinte anos. Finalista na mais recente edição do Prémio Literário Fernando Namora, Cartas Vermelhas será hoje apresentado no Museu do Neo-Realismo, às 21h30. Se estiver perto de Vila Franca, não perca.


 


 


Comentários

  1. a história promete, sem qualquer dúvida.

    vai ser um dos presentes que me vou oferecer neste natal.

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    1. Eu também!
      O amor é uma força poderosíssima...

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  2. Neste natal estou de braços abertos para receber este livro (para o caso de algum familiar vir espreitar este blogue eheheh!).
    Continua o nosso desafio "À procura de Cláudia Tomazi", se alguém tiver mais alguma pista...
    Isabel

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    1. Esperta hein... eheheheh
      Por acaso até que não está mal pensado: deixamos aqui umas sugestões, assim como quem não quer a coisa, a ver se alguém das nossas relações se inspira... Por mim, fica já dito que, para além deste, também me agradaria muito as memórias do Rushdie ... eheheheh

      E não, não recebi resposta nenhuma da nossa Cláudia. Mas, entretanto, lembrei-me que o Amigo Courinha deve ter o seu endereço eletrónico . Vou tentar saber. Isto, se ele responder, claro. Ele também anda um pouco arredio...

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    2. Qualquer dia lançamos a operação "À procura do Courinha"!!!
      Isabel

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    3. Já iniciei! Ehehehehe
      O email já vai a caminho...

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    4. Isabel, o email já vai a caminho do Brasil...

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  3. Já me encontraram!! Agora arrastaram-me para este post comuna!

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    1. E diga lá se não se está aqui tão bem...

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    2. Desde que não venha aí o comuna do saco para me levar o Vasquinho!!

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  4. Mas, para não pensarem que sou um menchevique manhoso ou, pior ainda, um desapiedado capitalista, aqui vai o discurso por detrás daquela máscara branca (com bigode) que se vê em todas as manifs!!!

    V. : But on this most auspicious of nights, permit me then, in lieu of the more commonplace soubriquet, to suggest the character of this dramatis persona. Voila! In view humble vaudevillian veteran, cast vicariously as both victim and villain by the vicissitudes of fate. This visage, no mere veneer of vanity, is a vestige of the “vox populi” now vacant, vanished. However, this valorous visitation of a bygone vexation stands vivified, and has vowed to vanquish these venal and virulent vermin, van guarding vice and vouchsafing the violently vicious and voracious violation of volition.
    The only verdict is vengeance; a vendetta, held as a votive not in vain, for the value and veracity of such shall one day vindicate the vigilant and the virtuous.
    Verily this vichyssoise of verbiage veers most verbose, so let me simply add that it’s my very good honour to meet you and you may call me V.

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    1. Credo! Não percebi nada.

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    2. Viva João Courinha!!! Afinal foi mais fácil encontrá-lo do que à nossa Cláudia (é verdade que também está mais perto!!), agora o que não foi mais fácil foi lê-lo, por momentos julguei que era a Claudia a escrever em inglês eheheh! (estou brincando, of course!)
      Beijinho
      Isabel

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    3. Cheira-me a Joyce . Se tiver tempo, pesquiso no Finneggan's . Quanto à Cláudia , está vivinha da costa, comentando diariamente no Rerun Natura. Ainda bem.

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    4. Não é Joyce , é banda desenhada!! V for Vendetta!!

      Remember, remember the fifth of November Gunpowder, treason and plot .
      I know of no reason why gunpowder, treason Should ever be forgot …

      Aquela mascara branca que agora todos os manifestantes utilizam, pertence a uma personagem de BD e é uma espécie de reprodução estilizada da cara do Guy Fawlkes , o famoso terrorista Inglês do sec XVI. O texto que eu postei anteriormente é a forma como ele se apresenta à sua apaixonada.

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    5. Diariamente no Rerun Natura?! Oh Diabo, querem lá ver que nos trocou? Bom mas ainda bem que apenas trocou de sala de estar, já estava a imaginar tragédias do outro lado do Atlântico!!!
      Isabel

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    6. João agradeço a explicação.
      É sempre bom lê-lo, aprendo sempre alguma coisa. A banda desenhada fez parte do meu universo apenas na infância: os Tintin, os Asterix e pouco mais, mea culpa.
      Isabel

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    7. Muito bom Courinha. LOL!

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    8. Também já fui espreitar! E ela está lá, sim. Pronto! Temos de respeitar o seu silêncio. É a vida, com os seus encontros e desencontros...
      Mas nós os três bem que poderíamos formar uma equipa de detetives eheheheheh

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    9. Bora lá, formar uma equipa de detetives ? eheheheheheh

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    10. Eheh! Fui bem enganado por aquele violently vicious and vouracious violation of volition.

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    11. Engraçado o facto da senhora de certo modo esconder o Silva, como o Ayrton, mas aparentemente passar grande parte da sua vida digital deste lado do Atlântico, seja agora no Rerun, seja aí noutros poisos mais espirituais. Deus a abençoe: a escrita é sempre inconfundível.

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    12. ana b, vamos então formar uma equipa de detectives, e charmar-nos-emos "Detectives Maravilhas" (petit clin d'oeil à nossa anfitriã)!
      E olhe que já temos muito trabalho: há "extraordinários" que há muito não os leio, com muita pena minha. Assim proponho a operação "À procura de barrius, JoãoJ.A.Madeira, Mário Rufino ou ainda Carriço".
      Um pensamento para ASeverino e em particular para alguém que deixou de nos visitar desde Setembro e cujos escritos não esqueço: o Nuno Serrano.

      Isabel

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    13. Já estou a ver que nos espera muito trabalho pela frente... eheheheh

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