90 desassossegados anos

Já não caio na esparrela de esquecer o aniversário de um grande escritor nem desiludir os que amam os seus livros e vêm aqui ao blogue conferir se por acaso me lembrei. Atrasei-me em relação a Agustina, mas hoje não quero deixar de dar conta da efeméride: Saramago faria 90 anos neste 16 de Novembro e a fundação com o seu nome vai comemorá-los com um «Dia do Desassossego» que pretende repetir a partir de agora nesta data e que, citando os responsáveis, «quer que se transforme numa festa cívica e da cultura». Os leitores são, assim, desafiados e saírem à rua com o seu exemplar de O Ano da Morte de Ricardo Reis (um dos seus melhores romances, digo eu) debaixo do braço para dizerem, desse modo, a toda a gente com quem se cruzem que esse é, decididamente, um livro que tem de ser lido (mas ninguém se ofenderá se levarem outra obra do autor). Na Casa dos Bicos, festejar-se-ão também os trinta anos da publicação de Memorial do Convento e haverá vários acontecimentos à volta disso (a entrada neste dia e no seguinte é gratuita!). Inspirando-se nas palavras do escritor – «Escrevo para desassossegar os meus leitores» – lança-se este belo apelo à leitura dos livros do nosso Nobel da Literatura. Não se esqueça do seu exemplar. Parabéns, Saramago.


 


 


Comentários

  1. "O ANO DA MORTE DE RICARDO REIS" é um livro absolutamente deslumbrante, talvez o livro do magistral escritor que li com mais agrado, é um livro absolutamente imperdível, para quem ainda se queixará da forma de escrever do José Saramago leia este livro e delicie-se, "O HOMEM DUPLICADO ", também é um livro mais "leve" e que também recomendo.
    Quanto a "O MEMORIAL DO CONVENTO", foi a melhor história de amor (sim de amor, aquilo é uma verdadeira história de amor), pois foi a melhor história de amor que li até hoje, um livro fantástico. Curiosamente na primeira a vez que peguei neste livro larguei-o à pág. 50, e quando de novo lhe peguei, foi de enfiada li-o num só dia, ninguém deveria deixar de ler "O MEMORIAL DO CONVENTO".
    Quanto a andar com um livro do José Saramago debaixo do braço, já é um pouco contra o meu feitio, é como suspender a guerra no dia de Natal, eu ando com um livro debaixo do braço quando o ando a ler não é para o mostrar mas admito que tenha hoje um significado e considero-o importante, já que, para mim, Saramago é o melhor escritor depois de Camões perdoem-me os intelectuais se para eles isto é uma barbaridade, mas é o que eu penso).
    Viva SARAMAGO.

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    1. Mas atenção que. para aonde quer que vá, ando sempre com um livro debaixo do braço, neste momento é o meu amigo Fiodor Dostoievsky que me acompanha com "O IDIOTA".

      Saudações Queirosianas

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    2. Sim, essa coisa do livro debaixo do braço também me parece pretenciosa, até (desculpem), parola. Será que Saramago aprovaria?

      Todos nós passamos, na nossa adolescência, por fases que, mais tarde, consideramos ridículas. Pois, ao ler isto, eu lembrei-me de quando ia para o liceu com determinado disco debaixo do braço (correndo o risco de o estragar) apenas para que todos ficassem a saber que eu ouvia música fixe.

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    3. Engraçado! Não me recordo nada de ir com discos debaixo do braço para verem que música ouvia. Se calhar é por isso que estou mesmo de saída com o Ano da Morte.. debaixo do braço. Mas lembro-me bem, e a minha mãe atesta, de ir para a janela, com 4/5 anos, a fazer que lia alto, para que as pessoas que passassem na rua, julgassem que eu já sabia ler. Pelos vistos, a minha regressão ainda é mais acentuada.

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    4. Com quatro anos e meio eu já sabia ler, não precisava de fingir.

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    5. Já aqui têm surgido outros erros e nunca notei que tivesse corrigido...

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    6. Nem teria corrigido se não tivesse dito que aos quatro anos e meio já sabia ler.

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    7. Ó Senhora Rosário, a moça disse que sabia ler ... a escrever, não disse.....
      Pode ser que ainda esteja a aprender ...

      E é bom virmos aqui aprender a ler, a escrever e a deixarmos os pretensiosismos (existe esta palavra?) do lado de fora ...

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    8. É proibido? Salvo erro, a Maria do Rosário já aqui elogiou alguém que aprendeu a ler cedo.

      E é verdade, não menti! Será que me tenho de censurar de já saber ler no livro da 1ª classe (da altura) aos quatro anos e meio? Os meus pais eram professores primários, a minha mãe dava explicações em casa e eu adorava assisitir, a partir dos três anos. Fui, assim, aprendendo a ler, porque me interessava pelas letras que as outras crianças já conheciam.

      Um erro qualquer pessoa pode dar, a Maria do Rosário já aqui admitiu que mesmo bons escritores dão erros, de vez em quando. E é para isso (também) que servem os editores.

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    9. Não é proibido e não teria nenhuma importância se o tivesse feito noutro contexto, e não como comentário a uma história simples, bonita e despretensiosa. Mas é verdade que todos damos erros, eu já aqui dei alguns (lembro-me de ter escrito gadjet em vez de gadjet - e gostei de ser corrigida porque assim nunca mais me engano). Corrija-me por favor quando eu cometer um erro, Cristina.

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    10. Gadget, evidentemente. Agora foi o corrector que corrigiu e fiquei sem saber se é mais ignorante do que eu...

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    11. A minha filha de 2 anos pegou num livro, abriu-o numa página e com o seu dedinho ia seguindo a linha "dizendo" o que estava ali escrito! Claro que o que que ela dizia era inventado, já que ela fazia parte, tal como a ana b, do gripo das fingidoras!!
      Isabel

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    12. "grupo das fingidoras!"
      Isabel

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    13. concordo... inteiramente... com o que disse... mas... com... tantas... reticencias.... não percebi.

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  2. Tenho a sorte de ter em casa um exemplar autografado do "Memorial do Convento". Autógrafo concedido numa Feira do Livro de Lisboa com a simpatia e disponibilidade habituais e apesar do cansaço. Eram longas as filas de espera mas o escritor nunca soçobrou.

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  3. 'Todos os Nomes': amei, amo e amarei. Há poucas certezas como esta.
    Aproveito para dizer que hoje faz anos uma grande figura da nossa cultura, vivo, vivíssimo da silva, apesar dos seus 90 anos, completados hoje: José-Augusto França.

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  4. Gosto muito de Saramago e «O Ano da Morte de Ricardo Reis» é o meu preferido (li-o logo a seguir à sua morte e escolhi-o para tirar a fotografia que faz parte deste cartaz).
    Se o meu pai fosse vivo hoje faria oficialmente 79 anos, pois foi registado um mês depois de ter nascido. Na altura era habitual, penso que para não pagarem multa por não terem feito o registo dentro do tempo devido. Será que Saramago nasceu mesmo neste dia?

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    1. Anabela
      Essa do não pagar multa é verdadeiramente genial, já que os maus hábitos não se abandonam por muito que passe o tempo: não o de não pagar multa, mas a da elite da burrocracia » que anda sempre com um livro de multas debaixo do braço, como se a resolução dos nossos problemas fossem esses abraços de uma certa cultura inquisitorial que não nos larga.
      Será que a EMEL hoje perdoa se deixarmos o «Ano da morte de Ricardo Reis» colado ao vidro da viatura?

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    2. Com esta chuva seria um pecado, mas muito poético!

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    3. O meu pai é daqueles que sempre "fez anos" a dobrar: no dia em que havia nascido e no dia em que havia sido registado...duas datas...para não pagar multa!!
      Isabel

      PS:Adorei o Memorial do convento

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  5. Ai não esqueço, não!! Já o fui buscar à estante. Fará companhia ao Os Armários Vazios da Maria Judite de Carvalho, que me acompanha, neste momento. Acho que se vão dar bem.
    O Saramago é um dos meus escritores preferidos de sempre. E não me refiro aos portugueses, não. é um dos maiores do mundo! Tenho todos os livros dele e todos lidos. Tenho imensa dificuldade em escolher o meu preferido: gostei de todos! Mas tenho uma paixão especial pelo a Viagem do Elefante (mordaz, crítico e absolutamente hilariante!), O ano da morte..., o Todos os nomes e a Jangada de Pedra. Mas repito: gosto muito de todos!
    Confesso aqui que , quando soube da notícia da sua morte, senti uma tristeza imensa por pensar que nunca mais iria ler uma obra sua. E chorei.

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    1. Também fiquei muito triste, como se me morresse alguém muito próximo. Mas senti que para mim, ele continuaria, pois ainda tinha alguns livros por ler. E continuo a ter, pois tenho prolongado pôr o Saramago no meu passado apenas.

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    2. ... mas depois do seu desaparecimento físico chegou-nos CLARABOIA, um romance com sabor dos anos 50 e o enredo aliciante entre as famílias habitantes de um prédio de Lisboa com a trama política da época e o "cheirinho" (ainda) a neo-realismo. Soberbo!
      Carlos Reys

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    3. Também gostei do Clarabóia , mas nada a ver com os outros.

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  6. José é um dos meus autores preferidos a par com Eça e Cardoso Pires; não foi um «gosto» fácil, mas um encontro tardio e demorado.
    Um daqueles «gostos» marcado por uma certa idade, onde à quantidade, que soçobra, se persevera, sobrevivendo a qualidade.
    Com a maturidade, veio a certeza que o trabalho dá frutos - e como José foi um trabalhador da escrita! - e que a própria leitura deve ser saboreada analisando a contra luz as suas propriedades físicas, estabelecida que é a química da sua identidade.
    Pelos «90 anos do nascimento de José», eu José, filho e neto de austeros Josés, já tinha guardadas cem páginas de homenagem a este Josué da escrita, que avançam à medida da reprodução celular e de alguma intenção epistolar.

    «Antes do mais deixem-me apresentar. O meu nome é Ramiro José. O meu pai é José Ramiro, um nome invertido no espelho, uma simetria distorcida, mas quase perfeita. Provenho de um longa lista de Josés que se vão imortalizando em primeiro ou segundo lugar, à vez, levados por uma vaidade familiar qualquer, mas também por uma certeza de sermos insubstituíveis e eternos, ligados por uma fina corrente ou um laço eléctrico qualquer. A minha profissão é estar vivo, sendo o guardião de todos os anos da minha morte, que é muito mais do que o contrário da vida.
    Todos os anos são quase iguais, embora as trovoadas, a chuva miudinha ou intensa, o tempo tépido ou o calor abrasador sejam menos regulares ou intensos aqui e além. O que varia são os que nascem e os que morrem.
    Quando morremos quase invariavelmente fazem de nós o melhor ser que pisou a terra. Mesmo que tenhamos sido os maiores pulhas, os mais belos narcisos ou outros corpos anti-sociais. A muitos que morrem levam-nos a dar um passeio pela primeira vez. Um passeio que teima em não ser longo. Pelo menos não com aquela dimensão que gostaríamos. Normalmente é um passeio de poucos quilómetros com algumas flores à mistura e também normalmente, para muitos que morrem, é a primeira vez que recebem flores…»

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  7. Já lá vão uns tempos, porém ainda hoje não circulo pela Rua do Alecrim e pela zona do miradouro de Santa Catarina (Lisboa) sem me recordar de passagens de "O Ano da Morte de Ricardo Reis". Quem sou eu para afirmar se Saramago é bom ou não: para mim é único, é sensacional - li algures uma afirmação dele, mais ou menos o seguinte: deixei de tentar convencer os outros, pois isso seria perder o respeito por eles... Tenho o gosto de ter adquirido algumas das primeiras edições das obras de José Saramago (Levantado do Chão, Memorial do Convento, O Ano da Morte de Ricardo Reis) Ainda ontem passei os olhos e as mãos pelas respectivas capas, de resto, belíssimas...

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  8. Que saudades também do profeta Saramago ! Ele foi anunciando os tempos futuros em que o capitalismo financeiro globalizado iria usurpar a democracia e tornar-nos todos em oprimidos. Anúncio que foi sendo ridicularizado como cassandrice de velho comunista. Que falta que nos fazem as suas crónicas e entrevistas nos jornais, os seus Cadernos de Lanzarote, o seu blog. Que pena não termos seguido o seu "Ensaio sobre a Lucidez" nas últimas eleições! Restam a sua memória, e o que é muitíssimo, os seus livros.

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    1. Artur! Hoje perante a afirmação de um ministro da srª Merkel de que um trabalhador alemão faz o trabalho de três Gregos, percebemos a falta que faz ter uma paixão mínima pelos manuais de história.
      O «Até Quando» do Eduardo Pitta aqui http :/ daliteratura.blogspot.pt /2012/11 ate-quando_16.html ) combina bem com o «Perceber o nosso tempo» do Antony Beevor sobre a Segunda Guerra Mundial e de como uma geração sem memória pode fazer replicar os mesmos erros de gerações passadas. O «Ensaio sobre a lucidez» reforça a ideia da importância da literatura como desassossego e profetiza do futuro.

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    2. Pedro ! Essa de um alemão valer três gregos é exatamente o que o Pedro deixou dito no seu comentário: arrogância condimentada por ignorância da história. E por cá a ignorância é também tanta que já estou a antever um qualquer economista da nossa praça a dizer que a afirmação do ajudante da Merkel é totalmente verdadeira: basta dividir o PIB alemão pelos seus cidadãos e compará-lo com a razão entre o PIB grego e o número dos cidadãos da Grécia. É do que vive o mundo de hoje. Da produção de mercadoria, nada mais. Obrigado pela indicação do blog do Eduardo Pitta.

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  9. Estes anormais Sousas Laras e compinchas) só fazem justiça aos grandes portugueses depois de mortos. Por exemplo, Júlio Isidro (um monstro da comunicação) só depois de morto, daqui a 50 anos, lhe erguerão uma estátua, entretanto vai-se-nos entretendo com o excepcional "A Ilha dos Tesouros", aos sábados de manhã, entre as 8 e as 9 horas. E logo a seguir, também na Antena Um, não percam o melhor programa da rádio portuguesa na actualidade "A VIDA DOS SONS".

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    1. Dois bons programas, realmente. Serviço público com certeza.

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  10. Declaro-me Saramaguiano absoluto e só não saio à rua de Ricardo Reis debaixo do braço porque não me dá jeito e está de chuva. No entanto, ainda hoje o voltarei a folhear à procura daquela parte sublime passada ali pelo Cais das Colunas e que me envergonho agora de não conseguir transcrever.

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  11. Não sou de mostrar capas e quando levo algum livro na mão viro a capa aos olhos alheios: quero-o todo para mim :). Mas se levasse algum do Saramago, seria o "Evangelho". Esse, "O ano da morte de Ricardo Reis" e "O Memorial do Convento" são os melhores dele e achei-os maravilhosos.
    Dos outros que li (Caim, O Homem Duplicado, Ensaio sobre a Cegueira, etc.), ou gostei muito pouco ou não gostei mesmo nada.

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  12. Que sorte a minha todos os dias vos visitar. Saio sempre de alma mais lavadinha, tal é a qualidade de tudo o que aqui leio. E ler tão bonito sobre este nosso Escritor, Concidadão (gosto de Compatrício:), Ser Humano Extraordinário, é um encantamento para mim. Obrigada. A todos. Pelas lições diárias que me proporcionam.
    Ana Peixoto

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  13. Uns aprenderam a ler com 4 anos. Quiçá a escrever também. Saramago foi um homem tardio nas suas aprendizagens, como todos sabem e ele mesmo dizia. Imagine-se tivesse ele começado a escrever aos 15, ou 20 ....

    Antes do Escritor, o Homem, que continuarei a apreciar e a reverenciar.

    Faz falta, muita falta, o Mestre.

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