Temas de sucesso

Há tempos, estive a  moderar uma mesa no Rossio, no âmbito de um festival que comemorava a abertura do Ano do Brasil em Portugal. Na mesa, além dos portugueses João Tordo e João Ricardo Pedro, estavam três escritores brasileiros: João Paulo Cuenca, Amílcar Bettega e Paulo Lins, sendo que o último não é um ficcionista, embora tenha visto o seu livro Cidade de Deus adaptado ao cinema e, também por isso, transformado num sucesso de vendas. Cidade de Deus é o nome de uma favela carioca onde Paulo Lins cresceu e sobre a qual, já depois de licenciado, fez um aprofundado estudo antropológico que, contra todas as expectativas (do ensaio nunca se espera grande repercussão), acabou por ser um best-seller. Agora, passados vários anos, Paulo Lins regressou com um novo livro – como ele diz, com páginas e páginas de bibliografia –, mais um estudo com todas as condições de se tornar um must-read, sobretudo no país de origem. Trata-se de Desde Que o Samba É Samba e fala, claro, dessa coisa maravilhosa que todos invejamos e que só o Brasil possui: o samba... A capa já dá vontade de dançar – e diz quem leu (infelizmente ainda não é o meu caso) que se lê como um romance.


 


Comentários

  1. Já olhei para este livro e as minhas expectativas ficaram muito altas. Qualquer dia quero lê-lo.

    ResponderEliminar
  2. Respostas
    1. Portanto Oh Luís, tal como diz o(a) dm quem vê caras não vê corações, o que, no caso dos livros é uma verdade quase absoluta.

      Eliminar
    2. depende do autor. :)

      esta capa pelo menos desperta a nossa atenção, Severino.

      e esta está muito bem concebida.

      Eliminar
  3. a capa é de facto muito boa mas o conteúdo bastante fraquinho.

    ResponderEliminar
  4. Ao entrar hoje numa livraria, "caiu-me" logo esta bela capa debaixo de olho e li na badana a seguinte descrição: "Desde que o Samba é Samba" é um romance cuja acção se localiza no Rio de Janeiro no ínicio do séc. XX. A trama romanesca gira em torno de um triângulo amoroso (...)", etc... Fiquei um bocadinho baralhada pois ia à espera de dar com um estudo!
    Cristina

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Numa sessão em que estive com Paulo Lins, a descrição que fez do livro não me pareceu que fosse ficção. Mas talvez tenha sido precipitada no meu julgamento, pois muitos romances têm longas bibliografias...

      Eliminar
  5. A capa é bonita, sem dúvida. Mas falta-lhe samba e um pouco de Brasil. Não fosse o "Pão de Açúcar", ao fundo, que parece um "sombrero" mexicano e a "pandeireta", diria que se tratava de um texto sobre a Argentina (o da viola, tem tudo de tango e nada de samba, sem lhe faltar o bigodinho marialvesco; a rapariga, lá tem um chapéu dos tempos de "não chores por mim, Argentina...), mau grado a roupa imaculadamente branca dos trópicos baianos.
    Não li ainda o livro, mas pretendo fazê-lo, até porque, sendo ficção e escrito por um perito no campo da etnografia da favela e do samba, apela ao meu interesse.
    Sobre o famigerado intercâmbio entre livros Portugal e Brasil, parece-me haver uma guerra onde não se fazem prisioneiros. As editoras do Brasil têm ignorado as edições portuguesas - e nem o acordo "horto e gráfico" suavizou a azia - e os editores portugueses não páram (e bem, digamos) de editar brasileiros, criarem prémios literários para toda a língua portuguesa e premiarem (e também bem), para já, um autor brasileiro.
    Para equilibrar a balança,enquanto o prato do Brasil tem inúmeros títulos, o prato das edições portuguesas não tem livros - ou tem poucos -, mas sim chumbo.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Eheh! realmente a capa é linda, mas os sapatinhos pontiagudos dos dois pintas apontam claramente o lado "hispânico" do continente. Salvam-se talvez as ancas da moça. Já quanto ao falhado equilíbrio dos pratos da balança luso-brasileira parece-me que será sempre uma utopia, dada a desproporção de números.

      Eliminar
    2. Capa bonita com cintura folha de alface, bigodinho à Nassib bonzinho, montanhas rochosas na linha do horizonte, Gabriela no coração e um lado marialva masculino de alunos de Apolo.

      Eliminar
    3. Há sensualidade, isso há. Atrevo-me a dizer que aquela guitarra tem qualquer coisa de erótico, se a cortarmos pelo meio da circunferência da boca da acústica. É uma curvatura estranha, não é?
      Não me leve a mal, Maria do Rosário (e a Ana b, a Isabel, Almira e Cristina Torrão), mas hoje deu-me para isto: comentar capas, porque ainda não conheço o interior e o meu lado brejeiro saltou desta guisa para o tablado popular, de rua.
      De qualquer forma, Pedro, tenho de repetir-me e afirmar que a capa é apelativa, naquilo que normalmente dizemos "chamativa".

      Eliminar
    4. Por mim esteja à vontade :)

      Quanto ao livro: por acaso até estive muito perto de o comprar. Do que li na livraria agradou-me bastante mas, como já aqui disse, agora só compro os "obrigatórios".:)
      Mas tive pena, garanto-lhe. Se fosse há um ano, ele repousaria, neste momento, na minha estante. O que não quer dizer que estivesse lido: cada vez tenho mais a angustiante certeza que nunca irei ler todos os livros que tenho. Mas que estava aqui, estava. O livro pareceu-me, deveras, interessante.

      Eliminar
  6. António Luiz Pacheco15 de outubro de 2012 às 14:33

    Creio, e reparem que digo "creio"... que o cenário está correcto tanto no trajar como nas poses, se olharmos ao samba clássico e talvez na sua fase de afirmação e maior criatividade, nos anos entre-guerras. Era aquela a fatiota e look, que tanto podia ser argentino como cubano ou da Louisiana e Geórgia (á Cotton Club).
    Mas quem sou eu...

    Saudações do Planalto Central

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Em Berlim

O que ando a ler

O principal e o acessório