Escritores de jornais
Quando comecei a trabalhar – e mesmo antes –, os jornais portugueses tinham muitos jornalistas que eram simultaneamente escritores (Assis Pacheco, por exemplo) e outros que, não tendo publicado livros, escreviam de qualquer modo maravilhosamente. Não sei se a informatização e a paginação automática dos jornais teve alguma coisa que ver com a diminuição da qualidade dos textos (agora os jovens jornalistas e estagiários sentam-se ao computador e preenchem com caracteres exactos o quadradinho ou a coluna que lhes é destinado, muito provavelmente sem que um editor mais velho e sábio corrija, corte, substitua e ensine), mas a verdade é que se torna cada vez mais difícil nos tempos que correm encontrar nos nossos diários alguém que tenha verdadeiro talento de escritor. Foi-me, por isso, ainda mais difícil aceitar a notícia de que Manuel Jorge Marmelo, autor de romances e jornalista do Público no Porto, era um dos 48 funcionários que, recentemente, foram objecto de um despedimento colectivo. Quando o caderno «P2» acabou, senti imediatamente saudades das suas crónicas bem escritas e sempre interessantes, mas, pelo menos, ainda podia lê-lo no suplemento de domingo, no qual aconselhava leituras com a sua bela prosa. Neste momento, vejo-me, porém, na iminência de deixar de o ler no jornal que compro todos os dias desde que saiu (acho que só não o fiz quando estava no estrangeiro em férias ou trabalho); e, se ninguém o contratar para outra publicação, será menos um bom profissional com que poderei contar e de quem terei obviamente saudades. E o jornal ficará também mais pobre com a sua saída. Gostava de rebobinar o tempo e pensar que nada disto aconteceu.
belo exemplo do que estão a fazer aos jornais, o do Jorge e do "Público".
ResponderEliminara qualidade das palavras e dos seres humanos parecem assustar editores, directores e donos de jornais.
até aqui os cidadãos livres metem medo!
sinais da medicoridade dos tempos.
Tema triste. Na base do problema, entre outras coisas estará a tiragem miserável dos nossos jornais, com tendência a piorar e que deve ser igualmente ridícula nos novos meios de leitura. Eu também os espreito onlaine , mas preciso do exemplar em papel para folhear (sempre) de trás para diante. Por isso, apesar das tabletes e dos kindles , dia sem comprar um parece-me um dia incompleto apesar de quase me sentir um derradeiro mohicano com ele debaixo do braço. Aposto que há aqui muito conviva que já não compra um diário - talvez um semanário para ocupar o domingo - há muito tempo.
ResponderEliminarMuito obrigado pelas tuas palavras, Maria do Rosário. É um bocadinho menos duro, assim, enfrentar estes dias difíceis.
ResponderEliminarMuito merecido mesmo. É tão estranho não encontrar nos jornais prosa de qualidade...
ResponderEliminarO Manuel Jorge marmelo é, sem dúvida, um exemplo extraordinário dessa qualidade que está a ser subtraída aos leitores.
Infelizmente estamos no tempo da "CASA DOS SEGREDOS", onde autênticos(as) alarves nos mostram como é a actual geração entre os 20 e os 30. Autênticos alarves, analfabetos comandados por esse monstro que dá pelo nome de MISTER ED (para os que ainda se lembram o Mister Ed era o cavalo que fala - vejam lá se não é a personagem)...E claro o share a aumentar...cambada de carneirada que ^não merece mais do que estes self made man lhes dão...aguentem seus analfabetos e vão venmdo A CASA DOS SEGREDOS enquanto não chega outro produto similar. E assim se educa esta gentalha...
ResponderEliminarSe ele tivesse uns vinte aninhos e carinha laroca, podia sempre publicá-lo na Leya, não era? Tempus fugit, infelizmente...
ResponderEliminarQual ele? Teresa Guilherme
EliminarSó para dizer que, por acaso, até acho que ele tem uma «carinha laroca». Ao resto nem me vou dar ao trabalho de responder.
EliminarOh Maria do Rosário não pretendi ser incorrecto, mas este analfabetismo transcende-me...ou melhor transtorma-me!
EliminarMais do que o medo das palavras é a mediocridade e a ditadura dos shares, ratings e rankings que ditam, hoje em dia, o que vê, ouve e lê...Vá lá...antes que todos acabemos a escrever com "K" e outros atalhos "bué" curtos, vamos acreditar que há esperança de que isto mude e que, enquanto o mundo for redondo, a realidade será um olhar sereno a entornar azul sobre as coisas...
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