Concorrentes
Há muita gente que gosta de brincar, dizendo que sou casada com a concorrência. Grosso modo, é verdade – o Manel e eu trabalhamos nos dois maiores grupos editoriais portugueses. Contudo, porque não nos dedicamos exactamente às mesmas áreas (eu faço sobretudo autores portugueses de ficção, ele faz sobretudo estrangeiros e também publica não-ficção), nunca o vi como um concorrente directo – nem me lembro de termos andado ambos atrás do mesmo livro ou autor nos últimos cinco anos. Mas esta história da concorrência tem hoje aqui um propósito distinto: é que, recentemente, descobri que tenho dois autores concorrendo como finalistas ao mesmo prémio: João Tordo com Anatomia dos Mártires e Ana Cristina Silva com Cartas Vermelhas (não posso, por isso, fazer claque por nenhum deles, o que é uma chatice). Por outro lado, a esse mesmo galardão – o Prémio Fernando Namora – concorrem ainda mais dois livros aqui da casa, ambos da Dom Quixote (um de Lídia Jorge, A Noite das Mulheres Cantoras, e o outro de Paulo Castilho, Domínio Público), o que, de certa forma, me torna «concorrente» das minhas colegas editoras, não podendo desta feita torcer por elas. Isto da concorrência tem muito que se lhe diga…
Concorrentes...Com correntes. Será assim que a Rosário se sente perante a concorrência dos seus pares e dos seus autores: manietada, com correntes.
ResponderEliminarA propósito de Manel - o Manuel Valente, naturalmente - surge-me a notícia do Man (de Manel) Booker Prize, conquistado ou ganho, pela segunda vez, pela Mantel (de Man e entre Manel).
Trata-se de uma mulher, Hilary Mantel, que arrecada o galardão duas vezes, depois de ter esperado e desesperado 20 anos para o conseguir.
A Rosário não pode, mas eu posso. Para mim, o prémio Fernando Pessoa vai para a Lídia Jorge, pela "A Noite das Mulheres Cantoras".
Aceitam-se sugestões - e só - porque as apostas não serão permitidas nesta sala (digo eu).
Quando eu escrevi "o prémio Fernando Pessoa vai para...", não quis dizer com aquela espécie de proposta sibilina dizer que, se fosse eu a escolher, ia para a Lídia. Não. Tratou-se apenas de intuição, pois, por mim, o prémio seguia direitinho para a Ana Cristina Silva e as suas "Cartas Vermelhas".
EliminarOra,ora, mas eu não sou júri ( a Associação dos Leitores Compulsivos não foi chamada a nomear um membro, que seria eu - ah,ah!)e não me cabe fazer parte da decisão que, a 4 do mês próximo, faz assinar um cheque de 2.500 euros.
Desculpem, mas há dois "quis dizer" e "dizer que" mal aplicados, como facilmente observam.Talvez por isso, eu não fosse chamado ao júri (eh,eh!).
EliminarPrémio Fernando Namora e não Fernando Pessoa, certo?
EliminarCerto, Anabela. Obrigado.
EliminarHá dias assim, pelo que me fico por aqui, com mais esta correcção.
EliminarO prémio é de 25.000 euros e não de 2.500 como acima indiquei; a não ser que o ministro das Finanças, acabe por taxar a coisa em 22.500 para a troika.
Também quero fazer parte dessa associação:)
Eliminarconcorrência à parte, é sempre mais alegre uma noite com mulheres cantores. :)
ResponderEliminarConcordo.
EliminarAcho que o prémio irá para a Dulce M. C. ou para o Paulo Castilho.
ResponderEliminarPara que a harmonia familiar não fique abalada proponho que vença "O Retorno" Da Tinta da China. Eheheh
ResponderEliminarMas não é só por isso: acho que o livro é mesmo muito bom! Com a ressalva que não li os "As cartas vermelhas" e o "As noites das mulheres cantoras" pelo que a minha opinião baseia-se apenas na leitura dos restantes.
A Dulce Maria Cardoso é, para mim, uma das melhores escritoras da atualidade . E eu não me refiro só às mulheres que , como sabem, são bem menos que eles. Refiro-me ao universo dos escritores. Sem raça, género, ou nacionalidade.
Vou mais logo à codnecoração da Dulce, que é realmente uma grande escritora. E também acho que pode ganhar, claro!
EliminarJá tinha ouvido falar da condecoração mas não sabia que era hoje. Veio muito a propósito, então.:)
EliminarHá largos meses, aproveitando uma sessão na Bertrand do Chiado, em conjunto com a Isabela Figueiredo, enchi-me de coragem e levei os seus livros todos para que ela mos autografasse. Ia um pouco a medo mas ela foi de uma simpatia desarmante. Foi a única vez que a vi mas fiquei muito bem impressionada. Parabéns à Dulce Maria Cardoso pela distinção de hoje. Mais que merecida!
E já que se fala em prémios, e em concorrência, alguém sabe dizer por que razão o Retorno, distinguido pela crítica como o melhor romance de 2011, não se encontra nos finalistas da APE?
ResponderEliminarEu tenho uma teoria; por enquanto, calo-me.
ABC
Boa tarde.
ResponderEliminarGostaria de saber se é correto usar aspas "" em vez de travessões - no início das frases, como aparece em livros como "O teu rosto será o últio", ou nos livros do José Rodrigues dos Santos.
Qual é a forma mais correta de apresentar um original?
Obrigado
Em português, os diálogos devem ser com travessões, normalmente usando-se aspas para os pensamentos das personagens ou para falas que aparecem no meio do discurso indirecto. No entanto, talvez por influência inglesa, já existem muitos escritores portugueses que preferem as aspas aos travessões.
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