A ortografia
Tenho uma grande admiração pelos editores de livros escolares. E, se posso dizer que sou especialmente cuidadosa com os textos dos meus autores em termos de ortografia, sei que os meus colegas do escolar têm de ser de um rigor absoluto. Se num livro meu passa uma gralha chata, talvez o leitor perceba e me desculpe; se num livro escolar aparece um erro de ortografia resultante de uma distracção, ninguém desculpa e cai o Carmo e a Trindade. Imagino o stress com que os editores escolares trabalham todo o ano, sabendo que vão ter os olhos de todos os alunos, pais e professores em cima de si… E, porém, às vezes pessoas que deviam ser especialmente atentas falham redondamente nestas coisas. Por razões que não interessa estar aqui a desenvolver, pus recentemente os olhos num site de Explicações. Desenvolvido provavelmente para ocupar professores que ficaram desempregados e ajudar alunos cábulas ou com dificuldades, esta página promete resolver problemas e, ainda por cima, a preços especiais. Mas, infelizmente, é descuidada: «Todos os dias disponibiliza-mos vales de desconto.» Ups! Talvez tenha sido um erro de formatação (acontece muito, na transformação de um PDF em Word, os hífenes que estavam no fim da linha ficarem no meio das palavras), mas, com este susto, eu já não queria um filho meu a ter explicações de Português com estes senhores. Um bocadinho do stress que os meus colegas têm todo o ano não lhes teria feito mal…
P.S. Já tinha escrito este post quando me ocorreu que hoje é dia de dizermos o que andamos a ler. Pois eu vou começar daqui a nada Estação Central, de José Tolentino Mendonça, e escreverei a propósito deste livro daqui a uns dias.
Ando a ler um livro sugerido pela MRP no blogue, Almas Cinzentas do Philippe Claudel.
ResponderEliminarQuanto aos erros de ortografias é algo que me faz comichão, apesar de por vezes também os cometer. Mas quando alguém me escreve com erros ainda por cima se grosseiros, ou ainda pior quando repete o mesmo erro grosseiro, parece que toda a minha atenção se foca no erro e nem retenho a mensagem. Às pessoas que cometem muitos erros de ortografia podemos sempre dar um conselho: leia mais que isso "paça"!
Hum... pois... mas o corrector automático do word dá com cada calinada... e na gramática, bem!!!!
ResponderEliminarPor exemplo: É EXTENSÃO (no sentido de extenso ou de superfície) rural? Ou ESTENSÃO (no sentido de estender, levar a...) rural que se diz? Nem queiram saber a confusão... eu decidi que era estensão rural e pronto! Porque eu não ando a aumentar a superfície dos apicultores nem a torná-los compridos... estou a levar-lhes apoio e a actualizá-los, estendendo-lhes o saber...
Bom... leituras!
Nem queiram saber a falta que me fazem... mas
o tempo é curto, no entanto consegui ontem terminar um livro insuspeito e Extraordinário comprado numa livraria local aqui no Huambo:
- "Exterminem todas as bestas" de Sven Lindqvist (Editorial Nzila ).
Juro que não é para armar aos cucos!
É muito interessante e apropriado, ao momento actual e também à minha situação. É um ensaio sobre a génese do racismo e uma análise ao colonialismo do séc. XIX à actualidade.
Feito a propósito de "O coração das trevas" de J.Konrad (que tenho uma vontade louca de reler) e sob a forma de um livro de viagem, com reflexões pelo autor, é brilhante e estimulante!
Não faço a menor idéia do que vai a seguir, mas creio que me vai ocupar bastante a "Logística e planeamento da distribuição" de James Cooper (não, não é o Fenimore ...) pois estou a entrar na fase de definir canais de comercialização.
Gostam de mel? Então esperem... que Angola não é só petróleo e diamantes, eheheh!
Saudações molhadas e relampejadas cá do Planalto Central!
Espero que o saite de explicações não seja de Português. Sei de professores de Português competentes que sofrem vergonhas com alguns colegas de outras áreas assassinando diariamente o seu trabalho. Livros: também Almas Cinzentas - difícil de encontrar - acabadinho de ler e ainda em fase de releitura aqui e ali, com pouca vontade de pôr na prateleira; O Rio que Corre na Calçada do nosso amigo João Madeira, no Kindle, quase no fim também, primeira livro de fôlego lido no aparelho, com muita retropaginação: era mais fácil em papel; finalmente, poemas avulso de Drummond: mundo mundo vasto mundo mais vasto é meu coração. E é tudo por agora, mas deito o olho à Investigação de Claudel ou ao Sandokan do Bruno Magro, Magno... Margo!, ou aos dois ao mesmo tempo e a qualquer outra coisa que entretanto aqui palpitem.
ResponderEliminarEhhh ... pois, sobre os erros ainda, eu parece-me que há uma coisa que actualmente se chama OTOGRAFIA " ou seja, escreve-se como se diz ou soa... e o próprio acordo me parece que assim encara a grafia...
ResponderEliminarSe escreve Egito ou pato (tanto para o anatídeo como para um acordo) vai passar a escrever:
Joalho (joelho em Lisboeta)
Estou a ler cartas escritas por uma mãe aos seus filhos durante a 2ª Guerra Mundial. Escritas em Hamburgo entre 1941 e 1946, nunca foram enviadas. Uma das filhas encontrou-as anos mais tarde ao fazer arrumações e resolveu publicá-las. São um relato interessante e pungente da experiência do dia-a-dia em medo, vigilância e angústia permanentes: racionamento de alimentos, recolha obrigatória em abrigos durante os bombardeamentos, o destino dos judeus e de outros grupos resistentes à ditadura nacional-socialista, dias e semanas sem notícias de familiares e amigos...
ResponderEliminarO livro não está traduzido para Português, o que é uma pena, e o seu título seria qualquer coisa como: Cartas que nunca chegaram ao seu destino Briefe , die sie nie erreichten ). Consegui-o através da Amazon em 2ª mão, porque também na Alemanha há muito que esgotou e não voltou a ser editado. Uma preciosidade. É nestas alturas que muito aprecio ter aprendido Alemão...
Marta
Ver as privações da guerra pelo lado alemão é sempre interessante e ajuda-nos a lembrar que os alemães, em geral, não andaram esses anos a exultar com as atrocidades do nazismo.
EliminarJá agora, estou a acabar "Jerusalém", de GMT. Gostei mais do que do "Aprender a rezar...", que me pareceu mais maçudo, cheguei a pensar em desistir...
"O mapa e o território".
ResponderEliminarBom, muito bom!
EliminarHUm... o nome pode enganar, mas parece coisa interessante... mapas e territórios são do meu agrado!
EliminarNão podia ser um pouco mais explícito meu Caro Carriço?
Pode esperitar aqui: http://vespaaabrandar.blogspot.pt/search?q=territ%C3%B3rio
Eliminar«espreitar»
EliminarObrigado!
EliminarJá fui "esperitar"... já sei qual é! Por acaso estive já com ele na mão mais do que uma vez, e o folheei, mas não me decidi...
Penso que não andará longe do "Exterminem todas as bestas" como uma espécie de análise... ou estarei errado?
Boa noite, Depois da ajuda da "vespinha", apenas,e ocorre dizer que o livro arranca como se fosse uma estrada secundálria muito movimentada (custa avançar sem tédio), mas logo vai alargando até uma estrada de 3 faixas desocupadas. Estou nessa fase, em aceleração constante. :) O autor, sendo polémico (é o que se diz), escreve bem, sim senhor.
EliminarQuanto às edições escolares:
ResponderEliminarDe facto o nosso stress é muito, não só porque temos prazos que nunca podem derrapar, mas também porque fazemos livros muito complexos onde temos de estar atentos a cada pormenor (textos, fotografias, desenhos técnicos e respetivas legendas)... E depois estamos sob o olhar crítico de toda a população!
Quanto ao livro do momento:
«O inverno do mundo», de Ken Follet, ainda nas páginas cento e oitenta e tais.
Sobre o tema, que não é exclusivamente nacional, há um livro francês interessantíssimo:
ResponderEliminarZÉRO FAUTE - L'orthographe , une passion française (FRANÇOIS DE CLOSETS)
Quanto a leituras, peguei de novo num livro soprado por estes extraordinários ventos: O AMANTE. Passados tantos anos e tantas leituras, continua seis estrelas!
A outra coisa que me espanta é os livros de Português do 10º estarem redigidos sem Novo Acordo e os Srs. Professores pedirem aos alunos que escrevam com o dito. Com tanta trapalhada linguística, pasmo que ainda se aprenda a escrever.
ResponderEliminarOs manuais de Português do 10.º ano não estavam com o novo Acordo Ortográfico no ano em que foram lançados, pois o mesmo ainda não tinha sido aprovado e o calendário de implementação do Acordo só foi definido depois. Mas neste momento já estão atualizados, pelo menos não se deveriam vender os antigos.
EliminarEstou a acabar os «Contos exemplares», da Sophia de Mello Breyner Andresen, a começar o «Glória», de Nabokov, e a ler poemas dispersos de «Fórmulas de uma luz inexplicável», de Nuno Judice e de «Poesia reunida», da autora deste blogue.
ResponderEliminarQuanto aos editores escolares e os manuais que coordenam, penso que o mais grave não serão os erros ortográficos, mas sim os científicos e técnicos. Felizmente é cada vez mais rigoroso o processo de revisão científica e pedagógica dos originais e em muitas disciplinas há ainda um processo de certificação que dá alguma garantia de qualidade ao produto final. Mas tudo isto veio complicar muito o processo, sem dúvida.
Quanto ao acordo ortográfico, a calendarização da sua introdução no ensino leva a situações como a do meu filho, que neste momento tem livros com e sem AO (no 4.o ano). E é claro que a ortografia não é o seu forte.
Erros, damos todos. Por exemplo, eu escrevia bróculos e não brócolos, até que aprendi. Agora, com o AO, tenho sempre comigo as notas importantes sobre o que muda (malditos hífenes - são a minha grande dor de cabeça). Quando encontro erros/gralhas, o primeiro impulso é corrigir quem os cometeu. Mas nem sempre é adequado ou diplomático. Há uma fase do nosso trabalho em que até os rótulos dos produtos lá de casa estão sempre na minha mira e, acreditem, muito havia a corrigir!
Os Primos da América, de Ferreira Fernandes (Tinta da China)
ResponderEliminarSe os livros escolares não mudassem todos os anos talvez tivessem tempo - sem stress... - para os corrigir...
ResponderEliminarPor outro lado, estamos a assistir a situações de bradar aos céus que constrangem muitos pais que ficam na dúvida se será gralha ou não: livros com o antigo e o novo AO para cada uma das suas crianças!
Em leitura: A Loja dos Suicídios, de Jean Teulé
Estou a ler "Renascer" de Susan Sontag.
ResponderEliminar:)
Cláudia
Acabado de ler o romance ' A manhã do mundo ', de Pedro Guilherme-Moreira ( perspectiva muito interessante de uma faceta do 11 de setembro ), entrei agora em ' Sandokan e Bakunine ', de Bruno Margo. Que mundo, que labirinto perfeito para um leitor se aventurar.
ResponderEliminarA coragem por fruto do espírito críptico é perscrutar a origem.
ResponderEliminarA minha leitura de hoje, bem como a de todos os dias?
ResponderEliminarHoras Extraordinárias!
Erros ortográficos acontecem, muitas vezes sem querer, outras por desconhecimento.
Não se pode exigir muito. Os alunos não aprendem, ou aprendem mal. Já se foi o tempo dos bons Mestres. Hoje em dia está tudo nivelado, num patamar muito baixo, infelizmente.
Bem ensina, quem bem aprende, acho eu ...
"Comprimentos".
Vou regressar ao trabalho amanhã, e levo na mala "o teu rosto será o último". Vou ler finalmente o livro do ano!
ResponderEliminarToda a gente dá, aqui e ali, o seu erro ortográfico. Eu tinha um de estimação: escrevi durante muito tempo DITATURIAL em vez de DITATORIAL... Também me lembro de uma professora me ter rasurado a palavra RUPTURA num teste de português e corrigir por ROTURA, versão da palavra que eu detesto; mas pior do que as duas só mesmo o RUTURA via Acordo Ortográfico...
ResponderEliminarQuanto aos livros, acabei de ler há dias "O SEU LADO CLANDESTINO" de Peter Carey. Acho sempre surpreendente como Peter Carey consegue mudar de estilo de narração em cada livro que escreve. Neste, escreve do ponto de vista de uma criança e a tradução, da Susana Baeta, pareceu-me excelente.
E estou a ler o "A DECADÊNCIA DOS OLFACTOS" do Luís Caminha, um livro muito bem escrito e com uma história assustadora, que tem muito a ver com esta questão actual do racionamento de medicamentos, numa sociedade em que os indivíduos não passam dos 45 anos.
Nos primeiros mails que enviei à tia Rosário, para ela ler o meu livro (imagine-se) confundi precursor com percussor, a Rosário chamou-me todos os nomes, de gandulo para cima! Por isso, cuidadinho, se não se querem ver vilipendiados! (estou a ler o Em Busca do Tempo Perdido, pela não sei quantas vez). Abraço
ResponderEliminarNão há quem não erre. Nos livros escolares ou noutro tipo de livros. Ou em qualquer profissão. Mas concordo que há áreas em há menor tolerância para com o erro. Infelizmente não há volta a dar: pode-se diminuir a sua ocorrência mas evitá-lo completamente é impossível. Pela minha parte, claro que também dou erros. Mais do que o que gostaria, é certo. E morro de vergonha quando dou por eles. Fico torcendo para que pensem que é gralha...Ehehehe
ResponderEliminarNeste momento estou a ler "Contos Completos" da Lydia Davis . O livro inclui numerosos contos e micro-contos , alguns dos quais com três ou quatro linhas, apenas. A autora é exímia na economia de palavras, o que torna os contos, por vezes, um pouco enigmáticos. Mas é aí que reside, a meu ver, o seu maior mérito: o leitor tem que participar na construção do conto. Apela á imaginação. A história não vem mastigada.
Paralelamente, estou a ler o belíssimo livro da nossa Anfitriã. E, tal como a Vespinha disse no seu blogue ( diariamente, vou lá cuscar ...) estou a aprender a ler e gostar de poesia. Mas eu até acho que já sei qual é a minha maior dificuldade: é saber onde parar, de modo às frases se encadearem e fazerem sentido. Acho que tem que se aprender a ler poesia.
Já li um livro dela, «Demolida», e gostei apesar de ter ficado com um amargo de boca...
Eliminarhttp://vespaaabrandar.blogspot.pt/search?q=davis
É um livro duro, sim. Urbano-depressivo como diria o nosso Extraordinário António Luís Pacheco.:) Mas eu, confesso, tenho um certo pendor para esse tipo de livros...O que se há de fazer?:)
EliminarEu comecei hoje a ler o 1984. :)
ResponderEliminarTarde e más horas, venho a correr cumprir a (mais uma, de muitas…) obrigação do fim do mês.
ResponderEliminarAndei todo o Setembro às voltas com três livros:
PROSA - e, dando-lhe a volta, POESIA - de José Mário Silva, o Bibliotecário de Babel. Comprei numa tabacaria que tinha à venda as sobras daqueles livros que se vendem com os jornais por apenas + €1,50, ou assim. Paguei menos de € 5,00 pelo maço de cigarros + o simpático livrinho. Chegado a casa, pousei-o negligentemente, como deve ser, numa das pilhas desordenadas que constituem a minha já aqui falada Biblioteca de Zabel. E por ali ficou à minha espera, até que, uma bela noite de fim-de-semana, um dos meus dedos indicadores me desafiou a procurar qualquer coisa para ler. Eis senão quando – para usar uma expressão a que se recorre apenas senão quando nos falta a imaginação – logo por debaixo deste estavam, também a aguardar melhor sorte, dois outros que havia comprado na feira dos livros em segunda mão.
A TARDE AZUL, de William Boyd, (Relógio de Água, 1995),cuja capa me havia seduzido lá na feira, por ser um pormenor daquela pintura muito conhecida de Edward Hopper, melancólica - um casal, sem nada para dizer um ao outro, sentados ao balcão de um bar nocturno, o empregado a disfarçar o embaraço lavando os copos…
O caso é que este exemplar, afinal, está em mau estado – as folhas descolam da lombada, soltam-se, espalham-se. Andei às voltas com ele, mas desisti. Já nem me lembro se o que li me estava a agradar. Conseguirei lê-lo quando tiver paciência para me sentar a uma mesa, pousar nela o monte de folhas e, com os devidos cuidados, avançar na leitura enquanto as vou ajeitando…
COSMICÓMICAS, de Italo Calvino. (Teorema, 1993). Estranho que esta obra de Calvino não seja habitualmente referida. Creio que já o referi aqui. Este exemplar tem colado na contracapa um código de barras do Continente de Leiria, preço 1.690$00. Isto hoje seriam uns meros €8,50. Custou-me € 2,00. Mas vale o dinheiro! Li e reli. Ainda ando às voltas com ele. Dobrei os cantinhos das partes que me extasiaram: “O Tio Aquático”, “Os Anos-Luz” e “A Espiral”. Mas atenção: é necessário ler desde o início para se entender a transcendência.
De maneira que, com todas estas voltas, o Bibliotecário de Babel ficou, de novo, a aguardar melhor sorte. Mas, por descargo de consciência, ainda agora mesmo o desfolhei, e já vi: não perde pela demora.
Já ensonado, deixo-o para amanhã, e cumprimento-vos.
Joaquim Jordão
A ler 'Chord Progressions for Songwriters' de Richard J. Scott. Fala de harmonia, progressão de acordes no Jazz e começa por citar John Lennon:
ResponderEliminar" All music is rehash. There are only a few notes. Just variations on a theme"