Mouzinho e Gungunhana
Nos finais do século XIX, o oficial de cavalaria Joaquim Mouzinho de Albuquerque interna-se, ao serviço do rei D. Carlos, no coração de África com o objectivo de subjugar as tribos à administração colonial portuguesa; para isso, porém, queima aldeias inteiras, mata os insubmissos e, desobedecendo a ordens superiores, captura com espectacularidade o detentor de um império vastíssimo, Gungunhana, que traz para Portugal como troféu e acaba exilado nos Açores até ao fim dos seus dias, onde, recolhido na floresta do Monte Brasil, sabe do suicídio do militar (ao que parece, apaixonado loucamente pela rainha D. Amélia). Em O Rei de Monte Brasil, Ana Cristina Silva – autora de romance psicológico – alterna as vozes destes dois inimigos para nos apresentar versões distintas do mesmo conflito e fazer uma reflexão sobre a decadência e a glória perdida das grandes figuras. Uma boa forma de conhecer a nossa História.
Da Ana Cristina Silva não li nada mas, creio que aqui há dois anos, no máximo, lançou um livro sobre a inquisição que me suscitou alguma curiosidade e que, mais dia menos dia, quero ler. Este também me parece interessante.
ResponderEliminarMas são tantos tantos livros que NÃO PODEMOS LER TUDO...
E ESTE NÃO PODEMOS LER TUDO é algo que me deixa muito a pensar... (e triste), por todos os motivos e mais um (não ler)...
ResponderEliminarÉ um livro editado por si.
ResponderEliminarUma história que me contaram há muitos anos. E que agora regressa à memória, inesperada.
ResponderEliminarTalvez nem pudesse compreender bem; não tinha idade para isso. Mas o tal homem que se dizia que tinha estado preso anos a fio num recôndito canto no coração do Monte Brasil, não deixou nenhum de nós indiferente no dia em que nos mostraram o tal sítio, do qual guardo uma imagem pouco nítida. Pedra de cantaria, sol, erva seca, cabeças a escaldar, cheiro a relva cortada. Brisa bendita, a que vinha do mar.
Fui eu para casa maravilhada com este achado por contar, como se já quisesse mostrar saber tanto ou mais do que a gente grande. O breve encanto da descoberta.
"Sabias, pai?" Como se fosse proprietária de um qualquer segredo.
Ele sabia, como é natural, e disse o tal nome que não esqueci e do qual trocei metade do caminho até casa. "Gungunhana". Pensei seriamente que ele o tinha inventado.
Esse mesmo nome e a história a ele associada levaram-me numa viagem a um episódio da minha infância- uma simples excursão ao Monte Brasil; o mesmo que hoje avisto donde vivo. E cuja falta nos impressiona quando o nevoeiro o esconde por detrás duma cortina branca. A paisagem constrói-se aos olhos tanto como se desfaz numa manhã nublada. É assim por estes lados.
Quanto ao livro, só tenho a dizer: uma futura aquisição, sem dúvida.
ResponderEliminarJá pensava em adquirir este livromesmo antes de ler os comentários, sempre me deixou muito curioso, desde os tempos de escola, este episódio da prisão do Gungunhana pelo Mouzinho de Albuquerque.
Nos manuais de história da altura o Gungunhana era o mau (Bin Laden?) e o Mouzinho o bom (George W Bush?), não terá sido ao contrário?