Entrevistas
No fim-de-semana tive de ir e vir ao Porto, o que faz perder, como calculam, bastante tempo. Tinham-me convidado para estar sábado logo de manhã no programa Bom Dia, Portugal, da RTP 1, que é gravado nos estúdios do Monte da Virgem e, por isso, tive de ir na véspera, até porque, para além de uma entrevista sobre a minha carreira e os meus livros, eu teria de comentar a actualidade nacional e internacional e só teria acesso aos temas da revista de imprensa quando chegasse ao hotel (convinha preparar-me, evidentemente). Como fiquei com muito menos tempo para o blogue, deixo-vos aqui o resultado da entrevista, na qual falei de livros e edição, disse o que pensava das medidas de Passos Coelho e de outras matérias e ainda consegui, de caminho, «mandar Relvas estudar». Amanhã, juro, haverá um post como deve ser.
Bravo!
ResponderEliminar... orgulho em si. Porque a coragem sempre se eleva ao medo de consequências. Portugueses que o são, só um exemplo.
Para quem me está sempre a dar na cabeça por ter opiniões polémicas, folgo em ver que abandonou o politicamente correcto!! Assim é que é: "porrada nos vagabundos!". Esta sociocracia "a la " Americana em que o todo explica ao individuo como devem ser as suas opiniões tem que acabar. Já raramente se ouve alguém dizer "mas o que é que eu tenho a ver com isso?!". Quando me perguntam o que acho dos casamentos homossexuais , respondo: "não sou homossexual , o que é que eu tenho a ver com isso?". As cedências que se fizeram aquando da implementação do contrato social tinham como objectivo a troca de parte da nossa liberdade por segurança e boa convivência, o que é que dois homens casados impactam na minha vida? A ponta dum corno. Defendo a revisão do contrato social, o resgate da liberdade individual, defendo o meu direito a chamar estúpido ao povo, o direito do povo me chamar estúpido a mim, o direito de casar com duas, o direito de adoptar um cão como filho, o direito de me chamar Pedregulho Esparguete, o direito de me matar e o direito a todas as coisas passíveis de o meu vizinho questionar "o que é que eu tenho a ver com isso?".
ResponderEliminarBravo Courinha.Apoiado!
EliminarE eu advogo-me ao direito de casar com a minha Lassie...
Faziam o IRS em conjunto e ainda deduzia o pedigreepal e a coleira das pulgas! Um abraço!
EliminarOk, ok, Courinha , desde que não passe daí!
EliminarEheheheheh...
EliminarJá tínhamos saudades dos seus disparates...:)
Gostei da entrevista. Infelizmente, limitamo-nos todos a constatar a realidade financeira: magnates a ditar, governo a cumprir. Nos livros? Não sei quem manda, quem ganha, quem vende, quem é bom, quem é mau: confesso que estou a ficar farto de tanta treta. Há dias fui ler Hesíodo e verifiquei que em mais de 2500 não mudámos assim tanto...
ResponderEliminarPara quando uma revolução?
ResponderEliminarPara quando o afogamento e aniquilamento de TODOS os políticos deste país e deste mundo que cheiram a morte?
Morte à Morte!
Onde páram os Buiças?
Cito Joseph Conrad: Eliminem as bestas!!!
ResponderEliminarCara Maria do Rosário
ResponderEliminarPara quem «não sabia se voltava…»
«As palavras começam a ficar velhas: têm
dores nas articulações e rangem, de vez
em quando, sem razão; reclamam óleos
e resinas, tempo e açúcares mais lentos.
Mas também eu estou velha demais para
oficinas, tão cansada de livros e papéis,
morta por viver outras coisas – por amor,
talvez espreitasse de novo nas mangas do
mundo e escrevesse uma fiada de búzios
no pulso da areia. Mas quantos dos teus
beijos perderia? Perdoem-me os que
ainda esperam por mim. Não sei se volto.»
…e ainda mandou elegante e pedagogicamente o Relvas estudar, só me resta em nome deste povo de que faço parte, muitas vezes comodista, subserviente e medroso, demasiado sofrido quase sempre, o meu agradecimento pela sua entrevista. Perdoá-la? Eu...nós é que lhe agradecemos…
Que melhor forma do que através das minhas,
"As palavras «velhas» são as mais doces":
Olhar para as tuas palavras
Fazem – me vir palavras
Como se o prazer encontrasse um lugar
Para se libertar;
Como se as tuas palavras despertassem um riacho,
Fluído, uma torrente magmática
Que queima a dor
E faz estremecer um vulcão de lava,
Que de lava só a pureza
Da emoção que liberta.
Olhar para as tuas palavras
É dares as mãos às minhas
Como se as minhas te percorressem
Com emoção
Curando-me as lágrimas.
Não te desculpes
Com a velhice das palavras
Nem com as dores
Que vos vão da cabeça
Ao ventre;
A vermelhidão
Que encontraste
Não foi mais que o rubor
Que me roubaste
Por te sentir ao perto.
Se olhares por cima
Do meu ombro
Encontras uma vaga,
Onde poderás repousar
O teu queixo, e não,
Não digas que não voltas,
Porque já voltaste
Só que de uma outra forma,
Mesmo que tenhas apagado
Da areia, os búzios,
Que chamaste à praia,
Onde sopramos palavras
Renovadas e jovens.
As palavras velhas
São as mais doces
Porque vêm enriquecidas
De vulcões improváveis
Que se levantam ao céu.
Acarinhemos pois estas palavras
Mesmo que sejam velhas
Cubramo-las de uma substância adocicada
Como se lhe pespegássemos
Um açúcar em pó, fino,
Da fineza das palavras
Que atraem
Como o amor que se liberta
De um só beijo,
Que estende um sulco
De que não vemos
Fim e caminho.
:) Obrigada.
EliminarSó agora pude ver - são 24 minutos - e gostei. Saliento a referência ao Houaiss, de que partilho o uso. Também gostaria de realçar, se me permite, o vestido, colar e brincos, conjunto sóbrio e muito bonito. Não gostei do uso da expressão "mudança de paradigma", mas gostei da defesa do canal 2 e da maneira elegante como salientou a boçalidade de quem, para nossa desgraça, tem voto na matéria. Parabéns.
ResponderEliminarBravo Maria do Rosário! (desculpe a familiaridade) Assim é que é falar! devia aparecer mais vezes: compostura de profissional: opinião fundamentada. Gostei de a ouvir sobre tudo. Obama tb.
ResponderEliminarSobre o valor de certas publicações de autores sob sua edição, foi comedida: não disse agora tudo quanto adiantou na Arquivo, em Leiria, há uns meses mas, claro, compreende-se: iria ferir susceptibilidades!
Foi então que a conheci pessoalmente. Mal tive tempo de lhe falar! Estava ansiosa por um cigarro.
Não perdeu o vício?
Ainda aceitou um desenho meu: um cavalo... Lembra-se?
Com respeito,
Carlos Reys
Setembro.10.MMXII
Lembro-me perfeitamente! Um abraço.
EliminarExcelente entrevista! Parabéns!
ResponderEliminarGostei particularmente da defesa do canal 2. E do recado ao Relvas, claro: foi de uma precisão cirúrgica :)
Gostei muito. Das palavras sobre os livros e das palavras sobre o resto.
ResponderEliminarGostei
ResponderEliminarda serenidade do ser
da simplicidade no dizer
da elegância ao cravar o dedo na ferida, ou nas feridas
das mãos, que também falaram
da sobriedade no trajar
enfim, gostei da pessoa
parabéns, poeta!
Gostei muito. Parabéns. Vai ter-me aí de novo a pedir um autógrafo muito em breve.
ResponderEliminarGostei da sua entrevista e, direi, sem surpresa verifiquei que coincidimos em (quase) todas as opiniões.
ResponderEliminarPorque não seremos assim tão diferentes no pensar ou então porque o bom senso impera em quem tem (pelo menos) dois dedos de testa (como é uso dizer-se).
Pena é que quem "nos conduz" seja como aquele boi olhando para um palácio: não sabe o que está a ver!
Cumprimentos.
#-ao referir-se a novos escritores teria preferido que dissesse que os tinha encontrado, ou que lhe tinham sido referidos, ou... mas não "que os descobriu".
somente uma questão de terminologia? talvez!
Vi e ouvi,gostei ,e de certa maneira predispôs-me para iniciar o dia com mais afinco.
ResponderEliminarGostei particularmente ,quando referiu que a RTP2 era a única estação que tinha um verdadeiro serviço público... aparecerei por aqui de vez em quando,parabéns pelo seu trabalho.