As três Índias
Na sexta-feira falei aqui de um belo livro de viagens sobre a Índia – mas também há ficção passada neste país misterioso. O mais recente romance de Miguel Real, lançado há poucos dias no mercado, chama-se justamente O Feitiço da Índia e conta a história de três homens que se deixaram encantar não só por esse país, mas pelas suas mulheres irresistíveis. Um deles foi com o Gama e as primeiras naus e por lá ficou. O segundo deixou a família em Lisboa, partiu para Goa para fazer dinheiro e apaixonou-se pela filha de um brâmane. E o terceiro é o seu filho, que parte à procura do progenitor desaparecido e acaba enredado na mesma teia. Retrato fascinante de Goa e da Costa do Malabar em três épocas marcantes, esta é uma obra bela e cruel, ousada e sensual.
Às vezes olhamos para trás e vimos que fomos injustos, não estivemos bem, e eu todos os dias (no fim de cada um) olho para trás...vou dar uma nova oportunidade ao Miguel Real depois do grande balde de água fria (quiçá embuste) que foi "O ÚLTIMO NEGREIRO" (peço desculpa por ser tão repetitivo sempre que o MR vem à baila), é que se calhar fui injusto...
ResponderEliminarEste "O FEITIÇO DA ÍNDIA" já está na bicha!
Nota:-bicha - os bem comportados dizem fila
Bom dia
ResponderEliminarVou comentar fora do sítio (que era o post de ontem), mas como ainda não marquei presença no regresso de férias, presumo que o possa fazer, sem me referir à obra em apreço, que ainda não li.
Posto este intróito, quero dizer duas coisas: a primeira, é que a Maria do Rosário estava lindíssima - ele é uma mulher linda (com a licença do Manuel Aberto, pois a apreciação é pura); a segunda, é que ela tem uma presença televisiva bem marcante, não só pelo seu aspecto (que até ilude a sua idade efectiva), como pelo à vontade com que domina a arte de comunicar.
Se isto é para continuar, a LeYa que se cuide. Pelo menos, gostaria de ver a Maria do Rosário num verdadeiro programa sobre livros.
Eu não estou a passar "escova", porque não faz o meu género de pessoa e a Rosário não saberá quem eu sou, nem tenho interesses editoriais na sua esfera. Daí a espontaneidade do comentário e a sua sinceridade.
O Manuel Alberto é um sortudo!
Finalmente, peço desculpa se ultrapassei os limites do decoro e da conveniência, mas tinha de expressar esta opinião, como o faço habitualmente neste blog.
Neste regresso meu, prometo continuar, tal qual sou, igualmente ao que sempre fui.
Quero corrigir um erro lamentável: no segundo parágrafo do texto, após o cumprimento, encontra-se "ele" em vez de "ela" a seguir ao hífen que está a servir de travessão. Por favor, considerem a correcção.
EliminarOra, mas que belo elogio (por sorte o Manuel não é ciumento). Mas quanto ao à-vontade, a verdade é que estava muito nervosa...
EliminarE muito obrigada! (Faltou dizer isto, evidentemente.)
EliminarE, ainda neste tema tão vasto da Índia, que tal reler a boa e velha farsa chamada O auto da Índia?!
ResponderEliminar"Fomos ao rio de Meca
Pelejamos e roubamos
E muito risco passamos
à vela e árvore seca."
Ora bem, á lá bêr como é que eu vou relacionar o que quero dizer com o post . Voltei a ler, calma, acalmem-se, poupem nos aplausos. Ainda não voltei à literatura, tenho lido livros de Análise Económica e visto a Índia ser uma economia e eu ter uma grande máGOA por ter deixado de ler, parece-me apropriado enunciar aqui os livros. Dois livros do Michael Lewis , Wall Street " sobre a desregulamentação que levou à difusão dos derivados subprime e "Boomerangue ", do mesmo autor, que explicando a natureza das agigantadas dívidas soberanas, apresenta o ocidente como o novo terceiro mundo. Este segundo livro é mais ao jeito de uma caricatura de diversos países (Islândia, Grécia, Alemanha, USA [uma análise mais estadual do que federal]), que nos mostra aspectos como pescadores Islandeses que passaram do bacalhau a analistas de risco de mercados cambiais ou gestores de Hedge Fund alemães que organizavam orgias em que impingiam fichas complexas de regras às prostitutas. O terceiro livro, estou a reler e é "A Riqueza das Nações" um livro mais "sério", do S. Landes , que tenta explicar os diferentes níveis de desenvolvimento dos diversos estados do mundo. E pronto.
ResponderEliminarAchei interessante a observação do habitual interveniente ASeverino quando diz que ao fim de cada dia olha para trás...
ResponderEliminarFaz-me lembrar que costumo (nos meus já longos anos!) olhar o espelho quando saio de casa (o que deveriam fazer muitos - ou todos - os nossoa políticos) e digo para comigo:«Vê lá como te portas...» (manias de bem comportado!).
E a propósito de Miguel Real, só conheço os artigos do JL. São horas de o ler em profundidade, dadas as referências.
Vou incluir na lista este "O Feitiço...", pelo que a Índia me tem atraído desde jovém.
Abraço para a turma.
carlos Reys
Setembro.11.MMXII
Bom dia a MRP, estendido aos de mais blogers.
ResponderEliminarA princípio apenas por comentar a capa de Miguel Real e as desculpas ao escritor se notado a falta de assinatura, afinal, capa é arte para além de conceito. O facto de identificá-lo romance com projecção em dois personagens, porém remetidos a mosaico, a fragmentação da perspectiva, pois o plano acolhido é dimensão lateral, completa-se na inversão da face; demarcara diferenças a cor e a postura superior. Obviamente há mais detalhes que respondem a percepção do título em questão, par de criação que a imaginação condiciona no enlace o conhecimento cujo suporte a lingüística e na promessa ao objeto por conté-lo. Para aprofundar-mos o que nem fora o caso deste modesto comentário, diria ser honesto oferecer o potencial do escritor, mas provido de orientação a expressa de rituais desta envergadura e que possivelmente assimilado, perpassa sem crivo as gerações do inconsciente colectivo.
já o tenho. :) Já espreitei e pareceu-me, deveras, interessante.
ResponderEliminarSó espero que não façam o lançamento numa 5ªf ...:)
Não há esse perigo: o autor não quer fazer lançamento...
EliminarNem precisa...
EliminarOhhh ...tenho pena, gosto muito do Miguel Real: é um belíssimo escritor e uma excelente pessoa. Outras oportunidades surgirão, certamente.
EliminarA capa é um espectáculo!
ResponderEliminarParabéns para o criativo da D. Quixote, pois esta capa vai apelar à compra da obra, de tal sorte está concebida. A D. Quixote tem a felicidade de ter lá alguém com dedo para isto e, seja ele quem for, merece o que ganha.
Tenho uma obra em 5ª edição e pretendo mudar-lhe a capa, arejando-a do anterior "layout". Nem calculam as voltas que já se deu à coisa, sem o agrado consensual!
Vou ler esta obra de Miguel Real, pois a Índia faz-me apelo a essa descoberta ou, para dar ênfase ao título, fascina-me. No entanto, quero repetir o que disse atrás: esta capa contribui em 25% para a decisão.
Hoje só me corrijo, como se tivesse este prazer de me autoflagelar.
EliminarOnde escrevi 5ª edição é 4ª edição; a quinta, sabe-se lá como, quanto e quando.
Alguém notou a diferença?
EliminarA diferença é substâncial a nem prosaica.
EliminarA única diferença é entre ser um 1º, 2º, 4º ou 5º anónimo (como eu). Eu corrigi porque sou incorrigível e com a mania da perfeição, que muitas vezes persigo sem alcançar.
EliminarCarpe Diem.
Já comprei este livro pois pareceu-me interessante e a capa é uma beleza (as capas também vendem), nunca li nada deste autor mas fiquei sempre curioso acerca das suas obras. Estou neste momento a ler o 3º.volume do 1q84 do Murakami e logo que o termine irei ler então O feitiço da India e espero ficar "enfeitiçado".
ResponderEliminarAlmeida
Oh Almeidinha mas olha que à custa das capas bonitas já levámos alguns barretaços " e se não fosse a "moscambilha"... tínhamos uma série de monos na prateleira...por acaso não me lembro agora dalguns exemplos, senão citava-os aqui - lembras-te d'algum ?
EliminarCaro Severino
EliminarCom algum atraso, reparo que o comentário das capas, embora dirigido ao "Almeidinha", parece-me mais dirigido a mim, pois não poupei nos encómios à dita.
É claro que o Severino tem razão - a razão de quem escolhe uma maçã lindíssima por fora, dá a primeira trincada e...buah! - mas há a oportunidade de em quase todas as livrarias e centros livreiros "trincarmos" o interior, pelo menos parcialemte, muito parcialmente.
Exemplos de capas "pimba" ou enganadoras? Muitos, muitos; podia citar dezenas de obras publicadas (melhor, republicadas) pelo Circulo de Leitores e algumas que estão a sair da forja da Porto Editora, sendo que desta última, principalmente da forja do Porto, nem capas nem interiores.
Caros amigos,
EliminarEu e o Severino já nos conhecemos há 40 anos e temos em comum um vício (salutar e do melhor que há) a leitura, os livrinhos que tanto amamos e estimamos e já bastas vezes falámos da importância das capas, ainda recentemente comprei um livro, no qual acredito, e que tem uma capa lindissima "Acabadora" da escritora Michela Murgia , edição Bertrand.
Já viram? Um simples quarto, uma janela, uma cama.
Tão simples e tão belo.
Gosto de capas sóbrias e discretas, por exemplo as capas da Relógio d'Água , da Quetzal e dessa magnífica editora Ahab cujos livros tenho-os todos e compro sem hesitar. Bom mas o ideal é quando a capa é boa e o conteúdo também. Certamente que concordam.
Um abraço para todos e prometo continuar a postar comentários também para animar isto.
António Almeida