A Índia revisitada

O Centro Nacional de Cultura organiza uma viagem anual a um país ou região por onde os Portugueses andaram, deixando a sua marca. Visita-se o património com guias que o conhecem bem e ainda se tem a sorte de ter como companhia um escritor e um artista plástico que, posteriormente, produzem um texto e imagem para um livro. Publiquei há uns anos o que resultou de uma «expedição» ao que ficou das Missões na América Latina, cujo autor foi Miguel Real, e acabo de ler O Murmúrio do Mundo, de Almeida Faria, com desenhos de Bárbara Assis Pacheco, que configura uma viagem à Índia, mormente a Goa e a outras paragens dos nossos antepassados. É, de resto, do cruzamento do texto do autor e dos de muitos outros autores (Camões incluído) que se faz a beleza e a intensidade deste livro. Ele não só relata os aspectos mais assinaláveis de uma visita (ou revisita) pessoal, mas olha-os com o desencanto de uma inescapável comparação com a Índia da época dos Gamas e dos Cabrais, dos Albuquerques e dos Franciscos Xavier. E não lhe escapa um toque de ficção, um fantasma que interpela o narrador e partilha com ele relatos e vivências, lembrando-nos, aliás, o grande ficcionista que é Almeida Faria. Os desenhos são também belíssimos.

Comentários

  1. Nunca li nada desse autor mas desde que o ouvi nas Correntes, fiquei com vontade de o fazer. Mas penso começar pelo "Rumor Branco" que, parece-me, será reeditado brevemente. Confesso que os livros de viagens não são o meu forte. Se calhar porque nunca encontrei "o tal"...:)

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    1. gostei muito deste livro
      (pode ler-se o que escrevi sobre ele aqui: http://innersmile.livejournal.com/796104.html)

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    2. Obrigada pela partilha. Gostei de o ler.
      Deveras. Prometo espreitá-lo novamente, até porque, tal como disse, tenho a sensação que ainda não encontrei o livro de viagens "certo".

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    3. António Luiz Pacheco7 de setembro de 2012 às 12:56

      Hum… literatura de viagens!
      Julgo que pode ser um género, digamos complementar ou uma espécie de exercício em alguns escritores. Mas também é um género a que se dedicam alguns… e atrever-me-ia a dizer que é dos mais profícuos.
      Porém um bom escritor de viagens, como de outros géneros, tem que lhe diga (reparem que não coloquei o SE … pois o que eu gosto pode não ser aquilo que outros gostem!)
      Para mim, é um dos géneros que mais gosto.
      Alguns livros de viagens forma fundamentais em escolhas que fiz na vida, rumos que segui ou opções que tomei! Sem dúvida… Henrique Galvão e Julião Quintinha na minha meninice foram responsáveis pelo despertar da paixão africana e do jurar a mim mesmo que um dia iria ver aquelas coisas! Costumo dizer que o que vale a pena em ser criança é ter sonhos, e o que vale a pena em ser adulto, é realizá-los. Na minha adolescência pré-jovem, Bernard Gorsky e a sua “Expedição Moana” foi decisivo noutra porta que abri e um caminho seguido em quase 35 anos de pescador submarino e caçador globe-trotter! Pelo caminho achei muitíssimos outros… talvez Javier Reverte fosse ainda dos que me marcou pelo estilo da escrita, pela informação que procura e faz dele um viajante-investigador fantástico. Não posso citar mais… haveria dezenas!
      Enfim, eu mesmo tenho escritos e publicados umas dezenas de artigos de viagens, em revistas portuguesas, espanholas e francesas – da especialidade pesca submarina ou caça, e até sendo pago, esclareço
      A “Arte da viagem” (Paul Theroux) foi o último… é excelente e talvez aconselhasse à nossa Extraordinária Amiga que o arranjasse emprestado e lesse, como uma iniciação, pois é um excelente livro de introdução ao livro de viagens, pelos conceitos que abre e desvenda, os detalhes para que chama a atenção, as passagens ou viagens de outros autores que cita e nos apresenta, numa extraordinária colectânea e sobretudo análise.
      Tente… minha cara Amiga!
      Saudações cá do Planalto Central!

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    4. Caríssimo António Luiz ,
      É já a segunda pessoa que me aconselha esse livro. Prometo espreitar. Quem sabe será esse "o tal"? :) Abraço

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    5. António Luiz Pacheco8 de setembro de 2012 às 06:28

      Ora ainda bem! Peça-o emprestado... não a mim que estou fora de mão,, até ao Natal...

      Mais do que um livro de viagens, acho que este é de facto um livro que abre a porta aos livros de viagens! Acredito que através dele possa achar as pistas para encontrar "o tal" ...

      Fique bem , como se diz por aqui!

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  2. Embora não seja propriamente sobre o livro do Almeida Faria o que vou escrever tem de algum modo a ver com este post . É que quando leio um autor pela primeira vez e o livro não me "agarra" ou até me chateia então esse autor está marcado a ferro e fogo e nunca mais lhe pego, e o MIGUEL REAL foi um desses, pois, como já aqui tive oportunidade de frisar, levei um dos maiores barretes com o seu "O ÚLTIMO NEGREIRO", uma soda do princípio ao fim, autêntica potassa, e sobretudo para quem tinha lido anteriormente "O VICE REI DE AJUDÁ do Bruce Chatwin , sobre o mesmo tema.

    Ora se calhar estou a ser injusto pelo que irei dar uma segunda oportunidade ao Miguel Real que agora acaba de publicar um livro sobre a Índia.

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