Ver e ler
Já chegou a Portugal o fenómeno de vendas internacional As Cinquenta Sombras de Grey, de E. L. James (uma mulher está por detrás destas iniciais), que promete subir vertiginosamente aos primeiros lugares dos Top das livrarias. Tanto quanto me disseram, o livro apareceu primeiro na Internet e foi um tal sucesso que uma grande editora americana comprou os direitos e, a partir daí, foi sempre a facturar. Parece que o livro é pornográfico (mas, para muitos americanos, há muita coisa pornográfica que na Europa seria apenas erótica), e a autora, numa entrevista publicada, creio eu, no Expresso, disse que não gostaria que os filhos o lessem (presumo que pela idade, pois de contrário parece-me uma afirmação um bocadinho sonsa e hipócrita). De qualquer modo, interessa-me perceber por que diabo um livro deste tipo se vende às catadupas – será porque o sexo, apesar de estarmos em pleno século XXI, continua a ser um tabu e as fantasias sexuais destas personagens (uma estudante de literatura e um empresário de sucesso, o tal Grey do título) darão ideias a muita gente, especialmente se as suas relações andarem estagnadas a nível físico? Há muitos anos, li num jornal que os homens se excitavam a ver revistas ou filmes pornográficos, enquanto às mulheres isso acontecia através da leitura de cenas de sexo. Serão então as mulheres as grandes compradoras deste livro (e dos outros dois, pois trata-se de uma trilogia)? Talvez pudesse encontrar a resposta lendo eu própria o livro, mas há tantos mais interessantes em lista de espera...
Dizem que uma imagem vale por mil palavras, mas as imagens são fechadas, valem aquilo que lá está e a palavra é maleável à nossa imaginação, molda-se ao desejo, entra nas pessoas com intensidades diferentes o que nos leva a ‘sentir’ uma passagem, seja sobre sexo ou culinária, de modo pessoal e único.
ResponderEliminarA crítica que li no Guardian faz-me pensar que se trata de um livro para leitoras de televisão, tal a mais do que pedestre qualidade literária que lhe é atribuída pelo crítico. Parece ser insofismável que, em Inglaterra, mais de 90% dos leitores são do sexo feminino e que geralmente também gostam de telenovelas (continuo a citar o Guradian). Agora a grande questão, segundo o mesmo Guardian, parece ser: porque há tantas mulheres fascinadas com a fantasia de se submeterem a um homem ultra-rico que as "obriga" a práticas, quiçá creativas, de dominação sexual em ambientes de ultraluxo? Segundo o próprio Guardian, há fantasias que só se vivem como fantasias e que seriam imediatamente repudiadas se houvesse uma oportunidade de serem vividas na realidade. Questões do insconsciente (ou subconsciente) a serem esclarecidas por psicanalistas. Porque não pedir a opinião ao Amaral Dias? Eu, por mim, talvez leia umas páginas na FNAC do texto original em inglês, por mera curiosidade sobre o fénómeno social, mas não me parece que venha a gastar os meus cada vez mais curtos euros a comprar o livro.
ResponderEliminarDesde que li qualquer coisa sobre o livro no Guadian (ou num desses) que ando curiosa...
ResponderEliminarLá estou eu a "estragar" isto tudo.
ResponderEliminarAinda não li nada no TIMES , e só no sábado comprarei o EL PAÍS, hoje fico-me pelo CORREIO DA MANHÃ (o Guardian esgotou e o LE FIGARO também) e quanto ao Amaral Dias tamos conversados, mandem-me a filha que sempre aprenderei qualquer coisa, porque do pai não percebo metade do que ele diz (também a ler O CORREIO DA MANHÃ, o que é que se esperava.....)
Enfim, Portugal no seu melhor, Eça regressa....
Sim, sim, também já mandei vir um exemplar em catalão.
EliminarEheh!, começa bem: Emmurriada, miro el meu reflex al mirall. Quin fantàstic de cabells!...
EliminarJá agora: a maioria dos suplementos literários (Guardian, Times, El País, New Yorker, Le Monde) estão, pelo menos parcialmente, acessíveis online e gratuitamente.
EliminarObrigado Artur pela informação.
EliminarMas temos tanta informação para digerir, tanto jornal para ler, tanta revista para folhear e tanto livro para ler que não chegamos a tanto, NÃO SE PODE LER TUDO.
Por mais que me esforce nem consigo cumprir a meta do EPC-Eduardo Prado Coelho que dizia que na sua biblioteca o nº. de livros para ler era igual ao nº. de livros já lidos.
Pode ser que se trate de mais um caso clássico de "sex sells"; pode ser que a qualidade literária deixe a desejar. Mas eu não posso deixar de admirar alguém que consiga tal êxito por conta própria, sem a ajuda de grandes editoras e, de início, grandes operações de marketing.
ResponderEliminarClaro que o êxito é como uma bola de neve, alimenta-se a si próprio, e muita gente ficará curiosa e comprará o livro apenas pelo êxito, independentemente do tema. Mas, primeiro, é preciso chegar aí.
Eu não perderia tempo com esse...
ResponderEliminarAbraço grande, Rosário.
Pois, eu cá vou espreitar esse livro, afinal trata de um assunto que me interessa muito. Alimentarei assim a minha imaginação (ingrediente fundamental!!) . E "prontos", hoje fico anónima!
ResponderEliminarNão me espanta nada que o livro venda muito: o sexo sempre foi um tema que vendeu muitíssimo bem. O que me espanta mesmo é ver publicações sérias e prestigiadas perderem tempo com ele. Fiquei perplexa com o destaque que o Expresso lhe deu: gastou quatro ( leram bem: quatro!!) páginas do seu suplemento cultural para concluir que o livro não vale nada! Com tanto livro bom por aí, que passa completamente ignorado pela crítica, não entendo tanto empenho em demonstrar o óbvio: que o livro é uma m...:) Desculpem lá mas quatro páginas parece-me um pouco exagerado: é dar valor e importância ao que não o tem. E depois admiram-se de o livro vender muito...
ResponderEliminarAnálise pertinente, a sua, cara Ana.
EliminarEu diria mais: quem dá destaque jornalístico a este tipo de romance, gastando quatro preciosas páginas, coloca-se ao mesmo nível do romance, sinal de que o chafurdar na cama é intrínseco ao ser humano -- e vital.
Eu acho engraçada a desculpa esfarrapada do crítico literário (não digo o nome), que não consigo reproduzir aqui ipsis verbis: não me obriguem a ler os outros volumes. Alguém o obrigou a ler este?
Barrius
ana
EliminarFoi mesmo isso que pensei. Mau... e tanto "tempo de antena"?
Este caso de sucesso comercial (não direi literário, pois disso não se trata), a par de outros fenómenos editoriais recentes, denota claramente que a realidade cultural e mental de um povo tem um poder económico imprevisível que supera qualquer crise financeira.
ResponderEliminarNão tenho competência para me pronunciar sobre a tipologia dos romances eróticos/pornográficos. No entanto, arrisco a afirmação de que o êxito de As 50 sombras de Grey se deve ao facto de a autora ter conseguido, propositadamente ou não, tocar no mais íntimo imaginário coletivo feminino.
Parece-me, por outro lado, que romances desta estirpe, escritos por mãos femininas, estão destinados ao sucesso fácil. Realizam as mulheres e seduzem os homens. Estou a lembrar-me de um outro exemplo que aconteceu talvez há uma década: A vida sexual de Catherine M.
Parece-me que, não considerando o vocabulário repetitivo, a verborreia textual, a superficialidade das personagens, a única forma de compreender os motivos deste estranho fenómeno é indo um pouco mais fundo (salvo seja!). Julgo que o que atrai as leitoras não são as cenas de sexo propriamente ditas, mas o facto de o personagem masculino querer reprimir os seus monstros interiores pela sua amada (coisa que jamais fez por qualquer outra mulher), e a mulher ser como que a única salvadora de um homem profundamente traumatizado. Essa premissa, base de tantos e tantos enredos, bons e maus, transcende qualquer história, qualquer que seja a forma como é contada, e apela aos mais profundos desejos românticos de muitas mulheres (e de homens também) estejamos no século XVIII ou no século XXI.
ResponderEliminarTanta coisa boa para ler e o que chega aos tops é isto?!... Já o folheei na Fnac, já li algumas críticas e não me rendi nem um pouquinho. Ainda por cima em três volumes??? Com um ainda se fazia o esforço para pelo menos poder dizer «Li o livro e por isso falo com total conhecimento de causa.», mas três???? Não, não dou para o peditório de mais um bestseller, pelo que ouço dizer, cheio de frases ocas e de sexo para donas de casa desesperadas.
ResponderEliminarPois, é o sexo chique. Ver na internet parece mal e tudo o resto passou de moda. Para as senhoras, pois claro, que agora têm o magnífico alibi do não menos magnífico "Expresso" para darem uma (ou duas ou mais...) de liberdade pós-feminista.
ResponderEliminarDepois da literatura "light" e do "thriller histórico" é mais uma moda.
Para as empresas editoras e para as livrarias é bom. Do mal o menos, que andam todas bem necessitadas...
Desculpem lá expressar a minha opinião de traça literária e questionar: - Para quê tanta admiração e até ruído em volta de mais este fenómeno? Logo da vossa parte!
ResponderEliminarÉ a moda, e, são as voltas do Mundo...
Calhou (ou talvez não, o marketing mix é muito claro quanto a isso, e, a Margarida Rebelo Pinto sabe-o) a senhora escrever na altura certa sobre o assunto certo!
O sexo e a cidade, Californication , donas de casa desesperadas... Ally McBeal , e dúzias de outras são séries de sucesso! Tem a ver com a liberação da mulher, e outras realidades sociais contemporâneas, creio eu e a Cristina T. o dirá.
É somar dois mais dois.
Não me assusta, como não tiveram qualquer impacto em mim, a talvez já passada onda dos fantásticos pós-Tolkien e Lloyd Alexander , até E. Rice Burroughs , (estes sim impactaram-me!) e a dos lobisomens e vampiros que nem sequer me beliscaram e terão o seu fim à vista... são modas! Esperemos pelo filme, lembram-se do "Nove semanas e meia"?
Ás vezes, nestas ondas das modas, aparecem até coisas interessantes, mas também muita coisa que não me interessa! Não penso ler, como não uso jeans , ténis, nem t-shirt (só raramente) e nem vou deixar de ler e de procurar ou comprar os que me interessam!
No resto, é interessante falar sobre estes fenómenos, sobre a América ter e ser das sociedades mais hipócritas do Mundo, etc.
Afinal ninguém leu Henry Miller ? Ou Harold Robbins ? Creio que fizeram escola e se o primeiro também foi escandaloso no seu tempo, o segundo já encontrou o caminho aberto...
E os clássicos, "Diário de um burguês" na frígida Inglaterra victoriana , ou "Diário de uma criada de quarto"...
É bom ler-vos e trocar idéias.
Cá pelo campo "vai o tempo bum p'á cobrição" como se diz aqui no Bairro... perdoem-me o vernáculo!
Eu não digo nada, António Luiz, porque, deste livro, apenas conheço o título. Nunca li nenhuma crítica, nem sequer o folheei, numa livraria. Apenas acho interessante o alcance de sucesso retumbante por alguém desconhecido.
EliminarJá agora, lembrei-me de outro aspeto. Pegando na frase de MRP: "o livro apareceu primeiro na Internet e foi um tal sucesso que uma grande editora americana comprou os direitos e, a partir daí, foi sempre a facturar" - não prova isto que o livro em papel está longe do fim? Anda tudo com medo dos "ebooks" e, afinal, a edição impressa é ainda quem manda!
Sugiro às interessadas (embora não me pareça que andem por aqui!) a leitura das obras do Marquês de Sade. Será certamente mais proveitosa, literariamente falando, claro.
ResponderEliminarPLFF
Só há muito pouco tempo tive conhecimento deste sucesso editorial, e por sinal foi através de um jornal televisivo que então entrevistava a autora. Pouco tempo passou até voltar a ouvir falar dessa "bomba", desta vez pelo Expresso. Assim, constato que foi através dos canais de comunicação "sérios" que tomei conhecimento deste fenómeno. Tanta publicidade a esta "obra"? Não tenho grande vontade de a ler, não pelo seu tema, pois acho sinceramente que o sexo deve estar contemplado na literatura (é uma dimensão fundamental e estruturadora do ser humano) mas tão só porque, ao que parece, está muito mal escrita e não passa da descrição de coisas banais .
ResponderEliminarDeve estar a anos-luz dessa maravilha de Nabokov, a "Lolita".
Isabel
Apropos best-sellers:
ResponderEliminar«La formule de Dieu», a edição francesa de «A Fórmula de Deus», de José Rodrigues dos Santos, chegou esta semana ao primeiro lugar do Top FNAC de vendas em França.
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=583964
Mit freundlichen Grüßen
- Como é que te chamas?
ResponderEliminar- Maria!
- Sentes-te bem, Maria?
- Sinto!
- Confortável, Maria?
- Nem por isso!
- Como assim? Não confias em mim, Maria?
- Confio!
- E então?
- Não confio é… em mim!
- Mas não me dizias que eras uma mulher moderna?
- Sim!
- Mas mesmo assim não confias em mim?
- Não… não é não confiar… sinto receio!
- Receio? Receio de quê?
- De não estar à altura!
- Mas tu estás à altura! És bonita… sofisticada… moderna...! A mulher ideal para qualquer homem.
- Mas é isso, e só isso que pensa de mim?
- É! Não chega?
- Não, obrigada…! Vou-me embora!
- …mas?
- Mas, não! Quero ser… mulher!
- Mas és mulher!
- Não, não! Não enquanto não me encontrar com as minhas sombras!
- Com as tuas sombras?
- Sim, com as minhas sombras!
- ???
- Sim! Com aquelas sombras que não se reflectem ao sol...! Como a inteligência!
- ???
- Chamam-se desejos, sabes...? E inteligência, às vezes...
- !!!
- ... para vós, que perderam o rasto das sombras que se transformam em desejos!
(em memória de todas as mulheres que passaram pelas nossas vidas, sejam mães, amantes ou mulheres, quantas vezes, por inteligência, sombras dos seus homens e que são tantas vezes causa e projecção dessas sombras)
- As 50 sombras de Grey?
- Basta-me uma: chama-se amor, e é uma sombra inteligente!
Não é tanto o sexo que atraiu as leitoras. Francamente, as cenas de sexo são tantas e de gosto tão duvidoso e tão aborrecidas por serem repetitivas que qualquer mulher salta essas partes sem pensar duas vezes. É a química entre as personagens que as cativa tanto. É o arranca-não arranca da relação amorosa. É o amo-te-mas-tenho-tanto-medo-de-te-perder-se-te-disser-que-te-amo. Mas, a meu ver, o pecado capital do livro nem é tanto a má escrita pejada de repetições (caramba, afinal a autora nem sonhava que ia atingir sucesso à escala planetária, escrevia para se entreter e a umas quantas leitoras que faziam parte de comunidades virtuais), também não é o sexo sado-maso que está em causa (mesmo descrições de mau gosto como a infame cena do tampão), mas é o facto de ter uma visão absolutamente degradante da mulher. Esta adolescente labrega sujeita-se a tudo o que este Grey psicótico lhe manda fazer. Ela não tem vida para além de o satisfazer sexualmente. Ela tem medo dele ao longo dos três livros e tem medo que ele lhe bata. Há lá coisa mais degradante do que isto? Ele diz-lhe onde deve trabalhar, como vestir-se, como fazer ginástica, como comer, como beber, etc, etc. E mesmo assim, está convencida que o ama e não consegue viver sem ele. É uma relação absolutamente doentia e sem um pingo de romantismo. Na vida real, este tipo de homem seria de fugir a sete pés, por mais simpático e coitadinho que possa parecer. E é isso o mais alarmante. Não há absolutamente nada que projecte uma imagem dignificante da mulher neste livro, muito pelo contrário. Que as mulheres gostem de ler histórias eróticas e o assumam, é algo de louvar. MAS NÃO ESTA HISTÓRIA! E o facto de isto estar a ter sucesso devia fazer-nos temer que muitas mulheres tomem como exemplo esta protagonista parola que sacrifica tudo, inclusive personalidade, a bem de um homem absolutamente sicko, mas incrivelmente bonito e rico (olha se fosse pobre...). Ele não é um ideal romântico como Darcy ou Rochester. É antes um Heathcliff com problemas mentais sérios, mas ao menos o Heathliff tinha a seu favor ser uma das personagens literárias mais complexas e fascinantes de sempre. Este Grey nem com uma pistola apontada à nossa cabeça consegue prender o interesse. De qualquer modo, não sei se o sucesso actual também não se deve ao facto de ser tão mau que espicaça a curiosidade das pessoas. Sei de muitas leitoras que só querem é gozar com o livro. Quanto à atenção excessiva da imprensa portuguesa, lamento a opção do Expresso de dar 4 páginas (não li ainda o artigo) a esta trampa, mas alguns suplementos ditos intelectuais já têm uma certa tradição de pegar em certos best-sellers comerciais e fazer deles um exemplo e humilhá-los/castigá-los na praça pública.
ResponderEliminarAplaudo as suas palavras!
EliminarAs minhas palmas juntam-se às suas. Que bela análise.
EliminarIsabel
"Depois de contar a breve história de todos os móveis, abre o frigorífico. No tremor das suas mãos tens uma breve intuição de que todas as suas demoras são elaborações de amor. E é então que, para tua certeza, num impulso que ela própria parecia já não esperar e que tu decerto quase não esperavas, num impulso de quem já quase desistia do que tanto quer, invade-te os lábios, sentindo-os, mordendo-os, esmagando-os, entreabrindo-os. Força a boca na tua boca para, a seguir, tocar a recesso, assim que lhe abres a porta ao abandono. Seus olhos bem dentro dos teus num teste às tuas ânsias – e não há pensamento que to impeça: contra-atacas, deslizas a língua na sua orelha pequena, depois pelo pescoço, pelo rosto, pela seda quente dos malares. Quase por acaso, reencontras a terra húmida na promessa dos seus lábios – e procuras neles o ar que te falta, e te falta, e te falta. Ah, como a desejas! Como nunca. Na pausa do beijo, o abraço longo. E é, então, que uma torrente de lágrimas te serpenteia o pescoço, primeiro aquecendo-to, em breve refrescando-to: a tua amiga chora por fora de todas as margens.
ResponderEliminar– Vim por ti, Vilna… – balbucia quase imperceptivelmente, o queixo tremendo sem bússola nem compasso.
– Eu sei, querida… Desculpa. Não chores mais, eu estou aqui.
Bebes as lágrimas nos seus olhos grandes e raiados e ela puxa-te, arrasta-te para o quarto. Sôfrega, atira-vos para a cama, e despe-te, e despe-se, e desce o fôlego sobre o teu corpo demorado. E completam-se, e sincronizam-se, e amam-se. Longamente, insaciavelmente, tardiamente, até à simulada morte do sol."
Luís Caminha em "A Decadência dos Olfactos". O tema de hoje lembrou-me esta belíssima passagem que li há tempos e que, peço desculpa, me apeteceu partilhar.
Esta frase: «mas, para muitos americanos, há muita coisa pornográfica que na Europa seria apenas erótica» deixou-me a pensar no que será a pornografia para muito europeus.
ResponderEliminarEu gostava de tecer um pequeno comentário acerca do livro, mas ainda não o li. E para dizer a verdade nem sequer tinha ouvido falar nele.
Eu ouvi ontem falar das 50 (Cinquanta ombres) pela primeira vez, aqui no blogue, graças a um comentador do poste de ontem. Não sabia do que falava. Só depois abri o Atual e relacionei, mas há pouco passei numa Bertrand e aquilo é demais: estava forrada deles. Quin fàstic!...
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