Ler na cama

 Não sei se se lembram de que há uns anos espalharam um cartaz por várias cidades europeias que deu que falar. Era uma campanha que visava promover o turismo na Polónia e tinha como chamariz um belo representante do sexo masculino – que ficaria conhecido como «o canalizador polaco». Pois parece que o apelo sexual não serve só para promover as bonitas paisagens e o património das cidades daquele país. Inspirando-se talvez num romance do país vizinho (O Leitor, de Bernard Schlink, no qual a ex-guarda de um campo de concentração, analfabeta, pede ao jovem amante que lhe leia em voz alta), a Polónia lança agora mais uma campanha bastante chamativa: duas raparigas loiras e picantes, seminuas, estão de livro aberto sobre a cama e ameaçam: «Se não leres, não vou para a cama contigo.» (Ver link abaixo.) Portanto, às raparigas que se desloquem à Polónia em busca dos canalizadores giros e robustos, divisam-se umas férias nada intelectuais; enquanto aos rapazes (incluindo os locais) é exigido que leiam qualquer coisita para terem direito a uma noite de sonho. Não é que eu goste muito de ler na cama, mas até para o sexo parece, afinal, que a cultura faz falta. Talvez o Relvas tenha forjado o diploma que se sabe para não perder pitada das loiras...


 


http://libreriamichelena.blogspot.pt/2011/12/si-usted-no-lee-no-me-voy-con-usted-la.html

Comentários

  1. Maria do Rosário, creia-me grato pela sugestão implícita. Começo a pensar que alguém poderá redigir o anúncio destinado a ser publicado numa revista do coração:
    "Homem maduro procura menina, loira de preferência. É alto, bem constituído; pratica desporto e natação; simpático e escanhoado pelas 9 horas da manhã; lê, pelo menos, duas horas na cama, dispondo das restantes para a companheira e para Morfeu".

    ResponderEliminar
  2. Peço desculpa, mas, enquanto lia o post , a minha avó interpôs-se no meu pensamento e ouvi claramente: "Ò qu'isto chegou!"

    ResponderEliminar
  3. Na cama...só para ressonar...

    ResponderEliminar
  4. Respostas
    1. Com a fofinha TT em cima da barriga?:)
      Tive uma gata que adorava ficar nessa posição enquanto eu lia.

      Eliminar
    2. Não, mas com a Vespa deitada aos pés da cama e a TT no tapete mesmo ao lado. E de vez em quando a fazer ronrom. :)

      Eliminar
  5. Eu também leio na cama, mas, sinceramente, não aprecio esta campanha - que, aliás, não é dirigida à esmagadora maioria das mulheres, nem a crianças, por isso, apenas a, sei lá, um terço da humanidade?

    A única coisa a que acho piada, é a frase de "nuestros hermanos": "...sino que estaban muy modositas y desnudas en la cama cultivando su intelecto con la lectura de sesudos libros".
    Em castelhano, isto é um mimo. "Sesudos libros" - LOL

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Oh Cristina, a propósito de Castelhano - aqui há umas 2/3 semanas atrás, li um livro curioso -ENTRE COSTURAS de Maria Dueñas (o primeiro livro da autora, mas que se lê com agrado);ora aqui está um livro para as férias. Afinal há livros para férias.....

      Eliminar
    2. Também li o "Entre costuras" e acho que é um bom livro para as férias, tanto mais que também viajamos através das suas páginas, geografica e historicamente falando.
      Muito agradável.
      Isabel

      Eliminar
    3. O que é um livro bom para as férias?!

      PLFF

      Eliminar
    4. Oh PLFF, eu até desconfio que sabe o que é, pelo menos tem uma pequena ideia, não é verdade? Mas se essa foi uma questão provocatória e como tal pretende uma elaboração filosófica acerca deste grande mistério, vou desiludi-lo porque "um livro bom para férias" é tão simplesmente um livro que dá para ler até na praia, cuja leitura pode ser interrompida incessantemente pelos mergulhos dos filhos que teimam em chamar-nos para ver as suas proezas. E ainda assim, veja bem, não necessitamos de voltar 10 páginas atrás...é isso tão simplesmente... espero lhe ter sido útil.

      Eliminar
    5. Eu, que não sou de contos, acho-os boa escolha para férias, com a poética posologia que se segue: um conto, um mergulho; outro conto, encher o bandulho! :)

      Eliminar
    6. Lá está! ah como é bom compreender coisas simples...

      Eliminar
    7. Li, há tempos, uma crítica sobre esse livro e também me pareceu interessante.

      Eliminar
    8. Eheheheh ...
      Bem visto, sim senhor!

      Eliminar
    9. Cara Isabel, até que enfim que discordamos um bocadinho:) Também li o livro mas, confesso, desiludiu-me um pouco. Comprei-o por ter lido boas críticas mas depois deixou-me um bocado desconsolada: achei-o competente mas sem chama.

      Eliminar
    10. Lá está, sem chama mas competente o suficiente para ser lido na praia ou na piscina, salpicado aqui e acolá pelos mergulhos e proezas dos miudos...eh!eh! (não se pode ter segredos...)
      Isabel

      Eliminar
  6. estas campanhas, para além da graça (ou graçola), pouco devem contribuir para o aumento de leitores.

    talvez contribuam mais para o aumento da taxa de natalidade. :)

    ResponderEliminar
  7. Certa noite, estava eu intelectualmente estendido no sofá (não na cama) a ver, muito concentrado nos atributos da atriz, um filme intitulado O Leitor. De repente, a trama do filme "cheirou-me" a livro, e fiquei desconfiado de se tratar de uma adaptação. Como tinha ficado seduzido pelo filme (não pelo leitor), corri ao google e acabei por identificar o autor do romance homónimo. Comprei o livro e li o romance.
    Eu não leio na cama. Também não leem para mim. Leio no sofá. É largo. É fofinho. E permite várias posições... de leitura.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Malandreco...Danado para a brincadeira!!!

      Eliminar
  8. Ler na cama tem essa vantagem: torna-nos mais limpinhos, cheirosos e pontaneiros , na ponte que liga os dois donos de margens contíguas - mesmo que geracionais, de afectos ou lealdades. Os limos onde podíamos escorregar na travessia, servem agora de estrume que adubará as margens comuns das plataformas que estabelecemos.

    Onde lemos, e vemos, é pois importante.

    A minha leitura de O Leitor, de Bernard Schlink , foi feita em cima das imagens e não da palavra escrita, essa leitura das imagens.

    E, diferentemente de Schlink , ou melhor do realizador que imaginou o concerto de palavras de Schlink , porque há ternura não se pode retirar a esperança, mesmo com o erro da ingenuidade, teria dado um final mais feliz - porque no mundo da brutalidade do homem há sempre esperança e lugar para mais do que uma leitura.

    Será que Hanna , protagonizado por essa extraordinária actriz Kate Winslet , a revisora alemã analfabeta, soou apenas a um apelo de uma noite de sonho a quem mais que as palavras e as resposta às mesmas da sua personagem, interessava a poética amorosa que elas encerravam?

    Em mais um post que apela à reflexão, cada vez mais me apetece a beleza dos conteúdos e menos a certeza e a perfeição das formas: será que isto é sinal de maturidade, ou de velhice?

    ResponderEliminar
  9. Julgo que para o sexo a "cultura" faz falta, sim. para mim um homem "burro" é o perfeito anti-afrodisíaco!

    ResponderEliminar
  10. Extraordinária Maria do Rosário já teve a amabilidade de aceitar uma sugestão minha -O QUE ANDO A LER-.
    Não me leve a mal mas vou deixar aqui outra, porque o momento me parece oportuno: a sua lista dos melhores 20/30/40/50 livros que leu.

    ResponderEliminar
  11. Não me digas que não viste o cartaz da Feira do Livro de Barcelos? Ora vê lá:

    http://4.bp.blogspot.com/-vyWPlNxQrvc/T-xqhYW90qI/AAAAAAAABI0/wBYGU09lJT4/s1600/feira+livro+barcelos+2012.jpg

    Beijo

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obrigada, Jorge! Bem ao jeito português, mais discreto...

      Eliminar
    2. Desculpem intrometer-me, mas parece-me que a imagem do cartaz de Barcelos remete mais para a mitologia do Anjo Caído – o anjo que, por ser rebelde, deus deixou cair do céu – do que para aquilo que vocês, seus marotos, estão a pensar por causa dos tais cartazes polacos.

      É certo que esses são assumidamente rebeldes, digamos assim. É que é o próprio livro que quer ir para a cama com elas. Merchandising quase sacrílego, não?

      Enquanto que o anjo de Barcelos, vamos lá: – a sua discreta rebeldia tem em vista dar asas aos livros. Não é isto mais apropriado?

      Em todo o caso, concedo que, estando representado por uma menina, claramente a implorar que lhe peguem, que a desfolhem… enfim… pois…

      Vá lá, pronto: – concedo que este anjo de Barcelos está bem distante do Homem que, não obstante caído do tal céu que deus governa, Torga confessava ser:

      Aqui, diante de mim,
      Eu, pecador, me confesso
      De ser assim como sou.
      (…)
      Me confesso de ser Homem.
      De ser anjo caído
      Do tal céu que Deus governa
      (…)

      Miguel Torga, Livro de Horas

      Ao menos este anjo assume-se como Homem com agá grande.
      (Como o tal canalizador, bem sei… Mas esse, ao menos, tratava apenas de canos... não de livros.)

      Leiam um bocadinho ao deitar, deixai-vos lá de brejeirices, sossegai as almas.

      Vosso,
      Joaquim

      Eliminar
    3. Suponho que o comentário assinado como Jorge Marmelo é de Manuel Jorge Marmelo. Se assim é, faz justiça a um dos seus livros: "As Mulheres deviam vir com Livro de Instruções".
      Pois... aquela vem!
      Numa outra hipótese, sem pretender desvirtuar outro título do mesmo autor, será "O silêncio de uma Mulher Só".
      A terceira hipótese, mais brejeira, um título que podia ser meu: " A Mulher à espera do galo de Barcelos".

      Eliminar
  12. "Talvez o Relvas tenha forjado o diploma que se sabe para não perder pitada das loiras..." - quem sabe?!

    ResponderEliminar
  13. Pelos vistos, agora, o sexo e a literatura estão muito na moda!
    Deve ser uma fase passageira.
    Os outdoors anteriores diziam: «Se não leres, não te mordo o pescoço».
    Até na Polónia ! Que estranho! É a globalização e essa maldita máquina consumista.

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Em Berlim

O que ando a ler

O principal e o acessório