Influências
Não sabemos até que ponto um escritor (ou a sua obra) é influente; mas nós, que somos todos leitores fiéis, sabemos que alguns livros fizeram claramente a diferença nas nossas vidas, falaram-nos ao ouvido, magoaram-nos, operaram-nos o cérebro, disseram-nos coisas que nunca mais esquecemos. Este ano, como de há alguns para cá, a revista «Única» do jornal Expresso publicou um número dedicado às 100 pessoas mais influentes de Portugal. Claro que Balsemão não escapou – ao patrão convém agradar – e, pelos vistos, não lhe chegou ganhar um Globo de Ouro na sua própria televisão. Mas adiante: desta feita, os seleccionados nas letras foram – e muito bem – Dulce Maria Cardoso, Valter Hugo Mãe (sobretudo pelo sucesso que atingiu no Brasil no ano passado, autografando mais de 400 exemplares numa tarde) e João Ricardo Pedro, um estreante que se tornou nas televisões um exemplo de perseverança, mas que – para lá da história que o mediatizou – tem um dos melhores primeiros romances há muito publicados em Portugal, O Teu Rosto Será o Último, e um sentido de humor muito especial – como, aliás, sabe quem ouviu o discurso de agradecimento na sessão de entrega do Prémio LeYa (e que foi uma boa «réplica» a Passos Coelho). Não sei se estes três nomes (não falei de Eduardo Lourenço porque, creio, está lá há muitos anos – e é assim mesmo que deve ser) influenciarão realmente os seus leitores; o que sei é que as suas obras podem deixar essa marca que não desaparece com o tempo e fazer deles os grandes escritores do futuro.
Não sei se é de propósito ou se é lapso, mas está a esquecer-se de um Poeta/Escritor, q consta da secção dos "visionários".
ResponderEliminarUi, esqueci-me de alguém, estou a ver? Fiz o post longe do jornal, já agora ajude-me - não quero ser injusta com nenhum dos influentes.
EliminarO Pe. Tolentino Mendonça. :)
EliminarTem razão! Talvez eu tenha achado que a sua influência não era só enquanto escritor e por isso o tenha omitido. Mas é um excelente poeta - e gosto também muito dele pessoalmente. Fomos uma vez juntos a um festival de poesia em Liège e foi uma companhia excelente.
EliminarNunca li nada de Dulce Maria Cardoso.
ResponderEliminarAconselha-me algum título desta escritora?
Obrigada e parabéns ao blog!
Amanhã ou depois, dedico-lhe um post. Mas, se não quiser esperar, pode começar por OS MEUS SENTIMENTOS.
EliminarQue assim possa ser, claro.
ResponderEliminarMas o problema é que estas listas à moda do dito semanário são tudo menos rigorosas, permitindo o aleatório das conveniências e das subserviências alguma margem para considerações mais justas que - como é da tradição numa imprensa que perdeu a(s) memória(s) - acabam por ser tudo e o seu contrário.
E o exemplo aludido (o do próprio patrão) é suficiente para estragar tudo, sobretudo se esta lista for compaginada com listas anteriores.
Extraordinário post para o qual prevejo uma participação record ! Estou em pulgas para ler alguns...
ResponderEliminarBom... os 3 escritores seleccionados pelo Expresso (que eu leio por hábito mas é do mais tendencioso que existe) na minha modesta e já proverbial inculta opinião, duvido muito que o sejam! Agustina? Lobo Antunes? Gonçalo M. Tavares? Margarida Rebelo Pinto... creio que sim, os outros... os citados, hum.... influentes em quê, como ou porquê? Ná Não me convencem...
Saudações de um dia muito quente - aliás é tempo dele! Ontem e anteontem tive dois extraordinários dias de praia na mais extraordinária praia (o Meco). A minha mulher leu de uma assentada "O quente aconchego da mão negra" (e gostou muito), eu, entre sonecas e mergulhos vou lendo "África no coração".
Mas mesmo assim Valter Hugo Mãe, ao autografar mais de 400 exemplares numa tarde, não conseguiu chegar aos calcanhares do Paulo Coelho que na mesma tarde conseguiu autografar 800, nem tão pouco o Zé Cabra que autografou numa só tarde, em duas feiras (na Feira da Malveira e na Feira de Braga) quinhentos CD's ...........
EliminarEssa de escrever tudo em minúsculas pôs-me logo de atalaia... é quase a mesma coisa (sem tirar nem pôr) que em cada frase eu dizer QUER-SE DEZER , e terminar com o célebre PRONTOS...ou será que alguém pensou que seria fino escrever tudo com minúsculas???Vá lá arrependeu-se...e lá desceu à terra...
EliminarOh amigo Pacheco lê (por favor) MATTEO PERDEU O EMPREGO do Gonçalo M. Tavares, desconcertante, absolutamente desconcertante!
EliminarCaro ASeverino , para preconceitos estamos por aí...
EliminarHá meses foi a origem saloia de uma Extraordinária comentadora ( e se é extraordinária!!) apenas baseado no nome, agora são as minúsculas associadas à pimbalhada do prontes e ao quer-se dezer . Bem, começo a desconfiar de tanta profecia...
O Valter Hugo Mãe é talentosíssimo, tem livros maravilhosos , escreve muitíssimo bem e, acima de tudo, tem uma enorme sensibilidade. Quer nos romances quer nas crónicas. Se ler a sua última crónica do JL , sobre a exposição da Joana Vasconcelos em Versalhes, verá do que estou a falar: é lindíssima!
Não faço ideia do que o levou a escrever com minúsculas; não sei se foi por achar fino ou não. Mas uma coisa tenho a certeza: o que não é nada fino é o seu comentário: nem este nem o outro que referi.
Cara ana b. (a propósito com maiúsculas ou minúsculas ?eheheh!!)
EliminarComecei ontem um livro, que me foi oferecido pela minha irmã (gémea), cuja escolha se deveu unicamente a uma frase impressa na capa da autoria de valter hugo mãe que diz o seguinte "Magnífico retrato do instinto humano. Este livro é viciante. Este livro é absolutamente viciante.". E vai daí, sabendo que gosto imenso do "nosso" valter hugo mãe, decidiu dar-mo. Descobrirei então se este livro intitulado "Se eu fechar os olhos agora" de Edney Silvestre é ou não viciante, oxalá!
(Oh Ana, acabaram-se hoje os nossos segredos, e a culpa é do Mia...)
Isabel
Oh ana b., (com minúsculas, note-se), bom dia!
EliminarTem todo o direito de desconfiar de tanta profecia, este é um blogue livre, livre... quere-se dezer , prontos...
Joana de Vasconcelos - a do sapato gigante, a da camisola crochet gigante.....
Arte - até escrever tudo em minúsculas poderá ser arte para alguns iluminados (as)...
Beijinhos
Eu disse um blogue livre mas atenção que há sempre candidatos (as) a querer calar a voz do Povo!
EliminarCaro ASeverino,
EliminarVocê CRIOU um sapato gigante? um crochet gigante?
Tem essa capacidade?
Então, talvez devesse pensar duas vezes antes de criticar tudo e todos!
PLFF
Cara Isabel, não posso acreditar!!:) Ehehehehe . E logo com nosso Miazinho . Ele há coisas do diabo...:) Mas desculpe lá, esse seu segredo estava votado ao fracasso...Nem sei como durou tanto tempo... Eheheheh
EliminarSei a que livro se refere: já o comprei há mais de uma ano, exatamente pelas mesmas razões mas ainda não o li. Ainda na semana passada comprei o último do Afonso Cruz porque trazia na capa uma cinta com uma frase do VHM a elogiar a obra. A frase está giríssima, bem ao estilo ternurento e emotivo do VHM . Realmente, pensando melhor, até que o VHM já me influenciou bastante. Mas pronto, eu reconheço que tenho uma paixão desmedida por ele e que as sua palavras, para mim, são ordens.:)
E ana b. sempre com´minúsculas , claro! Aprendi com o Mestre! ( mais uma influência...:)
E notou muito bem!
EliminarBeijinhos
Oh ana mas quem sou eu? eu não sou um criador, quanto muito serei um aprendiz de tudo, sou um ignorante absoluto e total, creia e isto não é falsa modéstia, é mesmo e talvez por isso eu critique tudo e todos como a ana refere, logo, sendo um ignorante serei portanto um desconhecedor e vai daí prontos...quese dezer...plff plfff (som de engasgado)...
EliminarMas, sinceramente, seria incapaz de me pôr de cócoras ou de boca aberta perante o crochet ou o sapato gigante da Joana só porque alguém iluminado resolveu proclamar que era arte da melhor...eu, felizmente, tento sempre pensar pela minha cabeça!
EliminarCaro, lamento mas está a responder à pessoa errada. Por acaso viu algum ana b. em minúsculas escrito por lá? Ainda se fosse plff . em minúsculas até que compreenderia a confusão. Agora assim, com letras em tamanhos gigantes? Jamais! Até me sinto ofendida com o lapso... Credo!
EliminarOh ana -que tem a entrevista do valterhugomãe no JL ? seria melhor que ensinasse português às primas em vez de ir aprender francês para falar com elas...e quanto à Joana dos tachos, panelas e crochés é a tal mania alguém se lembrou de dizer que era arte e pôs-se tudo de cócoras...enfim
EliminarÉ extraordinário, mas mesmo aos 56 anos ainda encontro autores que me influenciam!
ResponderEliminarO recém-lido "O quente aconchego da mãe negra" de Sérgio Veiga, foi um deles... é assim uma espécie de Kahlil Gibran , que a seu tempo teve efeito na minha formação -já adulto! Como Konrad Lorenz teve na de jovem adulto... ou Bernard Gorsky teve na de jovem. Antes dele Henrique Galvão, foi talvez o mais marcante e aquele que me fez pensar assim: É isto que eu quero ver e fazer!
Os romancistas ou romances que me tenham marcado não são assim tantos nem foram tão influentes, têm mais a ver com a minha maneira de estar e interesses do que com aquilo que se pode dizer "formação". Júlio Verne sem dúvida e Salgari ! Jorge Amado, Júlio Diniz, Miguel Torga e Aquilino, Eça...
No entanto repito que não me revejo na actual corrente portuguesa de autores contemporâneos que escrevem de uma forma absolutamente negra e que não gosto! Salvam-se João Rebocho Pais e Sérgio Veiga, porque embora tratando temas actuais e até com uma carga de violência ou preocupação social, o fazem com uma luz que não há nos restantes, e por isso os repudio!
Lamento... mas tem de haver gostos para tudo!
Camarada João Madeira, faça favor de se chegar à frente... creio que faz parte dos que têm a tal "luz".
Saudações do campo!
Estamos, então e mais uma vez de acordo!
EliminarCom licença.
Obrigado pela referência, Extraordinário Pacheco.
EliminarDuas histórias pessoais:
Aqui há tempos, numa daquelas rodas de amigos em que os copos já se erguem por rotina, intriguei os meus comparsas ao afirmar que, a partir dos 20 anos, nenhuma das idades seguintes me era desconhecida em corpo de mulher. Foi a risada geral. “Como é possível?”, “perguntas-lhes a idade antes de ires com elas?” Calmamente, embora com a língua um pouco entaramelada, respondi o óbvio: que a minha mulher tinha 20 anos quando casámos e, felizmente, tinha comemorado aniversários todos os anos..
Com 14 anos comecei a trabalhar oficialmente numa empresa de construção civil – digo oficialmente porque já o fazia desde os 8 a acompanhar a minha mãe na venda ambulante de um mercado de Lisboa – onde tinha como colega um senhor que para mim, na altura, era velho. Senhor esse à beira de uma cegueira dada como inevitável dado que os vultos que lhe ensombravam a visão eram cada vez maiores.
Um dia, na pasmaceira do pós-almoço no refeitório e sem que a conversa o proporcionasse, perguntou-me:
— É muito bonito ter pena dos cegos, não é João?
— É – respondi eu, inocentemente.
— Fica então sabendo para o resto da tua vida que é muito fodido ser cego.
Estas duas histórias para dizer que não sei o que é isso de ser influente. Porque vendeu muitos livros? Porque, muitas vezes sem se saber porquê, são mencionados em todo o lado? Mas aí temos a resposta sobre Paulo’s Coelho’s e Zé’s Cabra’s.
Tal como no corpo de mulher por onde os anos passam, os meus 55 estão recheados de histórias para contar e sensibilidade para o fazer (a escrita não sei. É causa própria). E sei que, no modesto número de amigos que me rodeiam, tenho sido e sou influente. Tanto como me influenciaram as histórias que ao longo dos anos ouvi. Mas outra coisa sei também…
Falou-se aqui há bem pouco tempo da preferência pela edição de autores jovens. Todos eles – também falado aqui – com percursos académicos sonantes. Pois bem. Tal como o meu companheiro quase cego, nunca nenhum deles saberá com sinceridade falar do que ainda desconhece (a velhice, por exemplo). Então, socorrem-se de um quase exagerado linguajar poético que se nalguns casos é extremamente bem conseguido, noutros é de um absurdo gritante. Por isso aqui escrevi, semanas atrás, que com papas e bolos se enganam os tolos. Quanto aos graus académicos, esses só alguma coisa dão em matéria de escrita criativa. Porque, em muitos casos, o miolo não está lá. Mas se ouvirmos os pais dos formados, aí talvez muita história influente teremos para apreender.
E influência para mim é isto. Um passar de testemunho da vida com os conhecimentos adquiridos. Fazendo-o de modo elegante, correcto e imaginativo quando toca à escrita. A tão procurada poesia estará lá. Sempre. Porque a própria vida a contém.
Quanto à minha luz, amigo Pacheco, talvez um dia se acenda. Se não acontecer é porque é mesmo defeito deste electricista.
Abraço a todos
Manifesto a minha ignorância quanto aos seus trabalhos, mas manifesto também que, com um comentário, conquistou a minha atenção futura.
EliminarCumprimentos
Pois, a mim não conquistou.
EliminarA sua análise parece-me um tanto redutora: coarta a criatividade e algo que está na génese de toda a arte: a imaginação. Vejamos: se só os velhos podem escrever (com sinceridade) sobre a velhice, só os que viveram numa dada época podem escrever (com sinceridade) sobre essa época, também só os extraterrestres poderão escrever (com sinceridade) sobre a vida noutras galáxias e só os defuntos poderão escrever (com sinceridade) sobre a morte...
Se não acrescenta nada à realidade, a literatura (ou a arte em geral) serve para quê???
PLFF
Conquistou-me a atenção, mas não quer dizer que concorde com tudo o que é dito (escrito, melhor dizendo). Gostei particularmente da referência à poesia da vida (que tanto gosto de ver escrita) e ao interesse que as pequenas e aparentemente mais vulgares coisas podem ter.
EliminarCumprimentos :)
Caro PLFF
EliminarO meu comentário não é um tanto redutor, é muito redutor. Como sempre será o que se escreve dentro de um mísero quadradinho. Mas tem razão. Só que como essa razão tem pontos discutíveis e não devemos transformar este blogue num forum, permito-me aqui suspender a minha intervenção. Talvez um dia, quem sabe?, nos possamos encontrar e então, como bons amigos, discutir a arte que tanto nos fascina.
Deixo apenas um último tópico. O de ser talvez o meu comentário uma espécie de recalcamento quanto às escolhas de autores para editar. O da idade dos mesmos, por exemplo. Não será, isso sim, assustadoramente redutor?
Grande abraço
Claro que sim!
EliminarMas infelizmente nem eu nem o João podemos (ou podemos muito pouco) contra a instalada sociedade do espectáculo (a propósito quando sai a tradução do último livro do Vargas Llosa, alguém sabe???), do consome-e-deita-fora, da busca do élixir da eterna juventude!
Seria um prazer discutir o tema consigo (e com outros) porque a mim, pessoalmente, não me importa nada ter razão, mas ver as coisas sob outros prismas, aprender em suma.
Abraço sincero,
PLFF
Tem piada: geralmente, os livros que me dizem coisas que nunca mais esqueço costumam ter problemas com o sucesso...
ResponderEliminarNão leio o Expresso e perdi a lista. Gostava de saber os critérios pois só a partir deles se pode joeirar a malícia, os interesses e demais manhosices. A não consensualidade é um facto garantido. Gostei muito de O Teu Rosto Será o Último, mas 30 mil exemplares vendidos, algumas sessões de autógrafos e outras tantas entrevistas na TV fazem do autor uma das pessoas mais influentes em Portugal?
ResponderEliminarSe a lista fosse de pessoas que se destacaram durante aquele período – e aqui o exemplo dos 400 autógrafos, é muito bom – até concordaria, mas assim, como dizem no Brasil, não sei, não…
Ah já me estava a esquecer que o Paulo Coelho, numa só madrugada, no Casino Estoril, autografou 422 ALQUIMISTAS...
ResponderEliminarEstá a aquecer... eu previa! Eheheh!
ResponderEliminarOpiniões interessantes, comentários oportunos, polémica esclarecida e discussão elevada avizinham-se... com ironia e cultura q.b. diria!
Gostei muito deste post da MRP.
ResponderEliminarPorque me abriu a porta à audição de um discurso curto, tão humilde como bonito e tão cheio de gratidão e ironia como foi o do João Ricardo Pedro.
João demorou dois anos a parir uma parte de si mesmo, a que chamou livro, conjugando como um artesão a trilogia fantástica dos poetas: a emoção, a alegria, a beleza.
Menos tempo que isso demorou a descobrir o incondicional triple AAA , que é a definição do amor companheiro: sem os juros, incumprimentos, austeridades, com que se faz a amizade verdadeira e o amor incondicional.
E nos tempos de fumo que correm, esta influência, não é coisa pouca e marca um pau de esperança no futuro.
Li e reconheci a qualidade dos três escritores nomeados, deleitando-me esteticamente, mas, sinceramente, nada me influenciaram, porque sou alérgico a qualquer tipo de influência. E creio que, se fosse feito um inquérito a nível nacional sobre a influência destes autores, o resultado seria surpreendente. Bem sei a ideia latente: influenciaram comercialmente, conquistaram muitos leitores e, sobretudo, captaram a atenção da imprensa. Sucesso (imediato) é bem diferente de influência.
ResponderEliminarEmbora haja, a nível jornalístico, muita manipulação do vocabulário, de forma a que os factos sejam o que não são, também creio que na maior parte dos casos a utilização improprópria de termos se deve à incompetência linguística dos redatores. E esta realidade é muito mais grave socialmente, mais danosa para a preservação da língua e da sua função comunicativa, do que a supressão de consoantes mudas e outros quejandos do léxico português.
Caro António, também acho que houve imprecisão do termo usado. Influente, para mim, também é outra coisa. Dos referidos apenas considero influente o Prof. Eduardo Lourenço. E isso sem tirar mérito aos demais citados. Acho até que tanto o Valter Hugo Mãe como a Dulce Maria Cardoso são ambos fortes candidatos a futuros influentes:) São talentosíssimos e vão, certamente, marcar a nossa literatura. Mas ainda estão a fazer o seu percurso. Quanto ao João Ricardo Pedro, parece-me mesmo um pouco desajustado. Por melhor que seja o livro espanta-me que seja considerado "influente" de forma tão perentória . Que se destacou e teve mérito pelo seu trabalho, claro que sim, disso não duvido mas daí a ser influente, vai alguma distância...
EliminarJulgo que a tal lista - devo lá tê-la ainda no saco de plástico - se refira a personalidades em destaque nos últimos tempos, talvez de verão a verão, no limite desde a última recensão do género. Assim, admito os nomeados da área que nos interessa: Eduardo Lourenço por ser a Pessoa que é, Dulce pelo Retorno, VH-M pelo espetáculo em Paraty e JRP pelo que se sabe, todos com êxitos durante o período em análise. Destes, o que mais me influenciou - no sentido em que me fez andar a pensar no quadro, na coxa e nas muletas, na espera pelos ciclistas na Beira Interior, ... - foi o último. Vale o que vale, e não me parece tema que possa aspirar ao record de participações apaixonadas.
ResponderEliminarO escritor que mais terá influenciado os leitores, nos últimos anos, terá sido o Dan Brown. Toda a gente queria visitar os locais mencionados no "Código Da Vinci", ver os pormenores da polémica com os próprios olhos, até se criaram circuitos turísticos em conformidade. E nunca tanta gente se pôs a observar a "Última Ceia" do mestre do Renascimento.
ResponderEliminarSei que nada disto pode chegar a umas muletas, mas enfim...
Concordo. Com todo o respeito pelo autor do magnífico livro “O teu rosto será o último” não consigo entender como é que pode ser uma das pessoas mais influentes em Portugal.
ResponderEliminarTambém estranho que se estranhe o Dr. Francisco Balsemão constar das listas. Mas enfim…
Naquele largo um homem cujo aspecto exterior tresandava a abandono, mesmo ao abandono da sua própria dignidade, abanava a mão tentando chamar a mão dos condutores transeuntes, vendendo a influência do seu desembaraço, traficando desse modo como outros homens mais cuidados, lugares.
ResponderEliminarO seu rosto marcado a sobrevivência, porém, chamava a atenção; houvesse ainda naquele praça, para além do interesse próprio imediato, espaço e lugar à atenção do nosso próximo, a quem já chamámos semelhante.
No lado contrário, uma figura esbranquiçada lembrando uma personagem momo de Gil Vicente, como que acabado de sair de uma saca de farinha, tinha marcado a giz no chão à sua frente um círculo, onde depositava as esperanças do seu imediato futuro.
Este novo homem palhaço, cujo riqueza ou pobreza não dependia de nenhum pedestal, agora sério, mudo, estátua, dava nome à nossa nova condição de homens sofisticados: influentes pelo mediatismo, empedernidos como as estátuas!
Infelizmente já fez o último adeus, o senhor do adeus.
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