Chevalier no feminino

Já aqui falei de O Retorno, de Dulce Maria Cardoso, o último romance que publicou, que fala sobre a experiência de uma família de retornados vindos na ponte aérea que pôs em Portugal em poucos meses meio milhão de pessoas com uma mão à frente e outra atrás. Mas ela é a autora de outros livros notáveis – penso que também já aqui escrevi sobre O Chão dos Pardais – e recebeu o Prémio da União Europeia por Os Meus Sentimentos (para muitos, a sua melhor obra), o que, para um escritor português, é um feito raro. Pois a França decidiu agora atribuir-lhe uma condecoração, a de Chevalier des Arts et des Lettres, de que deve orgulhar-se a escritora e de que devemos orgulhar-nos nós, pois nem sempre a literatura portuguesa consegue atravessar as fronteiras e ser reconhecida no estrangeiro. Parabéns, pois, a Dulce Maria Cardoso, que esperamos continue a criar com a qualidade e o talento a que nos tem habituado.

Comentários

  1. Este "RETORNO" anda debaixo de olho pois tenho ouvido e lido as melhores referências. Está na lista, mas ainda não deve ir na mochila comigo para férias.

    A propósito de férias está na hora de começaram a sair (em jornais e revistas) as habituais listas de livros a ler em ferias...como se houvessem livros para ler em férias e outros para ler quando não se está de férias. Ou, mais uma vez, estarei a ser preconceituoso?

    Mas estas listas até dão jeito pois por vezes recolhemos sugestões de livros que não nos lembraríamos e que às vezes estão a "dormir" lá na estante...

    Mas já lá estão na mochila:

    A AMÉRICA E OS AMERICANOS-John Steinbeck - um autor fascinante

    JOSÉ SARAMAGO-A HISTÓRIA DO CERCO DE LISBOA - um autor para a eternidade!

    O TEU ROSTO SERÁ O ÚLTIMO-João Ricardo Pedro-tenho esperança neste livro

    O IMPÉRIO DOS PARDAIS-João Paulo Oliveira e Costa (foi-me recomendado recentemente, já o comprei há mais de dois anos)

    A DEMANDA DE D. FUAS BRAGATELA-Paulo Moreiras (parece-me (parece-me, repito) que tem partes escritas em linguagem da época e disso tenho algum receio)

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    1. Não sei o que aconteceu, é que:
      A seguir a DEMANDA DE D. FUAS BRAGATELA-Deveria ter acabado assim:

      D.QUIXOTE DE LA MANCHA-Cervantes - o pior é o peso...este tenho de pensar bem se efectivamente o levo...
      Mas todos os dias substituo um por outro pelo que, como ainda faltam 8 dias, a lista vai de certeza sofrer alterações...até porque certamente muitas sugestões EXTRAORDINÁRIAS irão aqui surgir

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    2. Caro Severino

      Recomendo-lhe A Demanda de D. Fuas Bragatela. Vai ver que gosta. É uma escrita humorada, corrida e imaginosa, capaz de o prender, apesar de alguns termos que, julgando nós excvusivamente da época, ainda hoje correm pelos sítios onde decorre a acção.
      Há a salientar que a obra é de ficção histórica e da autoria de um escritor que promete.
      referi-me a dois pequenos pormenores, neste livro, em comentário passado - pormenores que não beliscam a grande criatividade e estilo que o Autor levou às páginas do livro.
      Comprei, li e não estou arrependido. Depois, há ainda a capa - boa escolha do criativo que a "moldou".

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    3. Obrigado Jocamartinho, este (A Demanda de D. Fuas Bragatela) já não sai da mochila. Convenceste-me!

      A minha dúvida principal é levar o D.QUIXOTE; que achas?

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    4. Também gostei de a Demanda de D. Fuas Bragatela. Mas enfim, já estava convencido, não é?
      Isabel

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    5. Caro ASeverino,

      D. Quixote é uma obra maravilhosa. Se nunca leu, e se já vai pesado, que o Quixote não seja um dos livros que deixe em casa... Há dois D. Quixote de Cervantes, escritos com 10 anos de diferença, que normalmente são dispostos por dois volumes (o segundo volume, Cervantes escreveu-o em menos de um ano, para responder a uma continuação feita por outro autor, o Avellaneda...). Enfim, o que quero dizer é que, pelo menos leve o primeiro, "Numa cidade da Mancha...". Mas atenção, nunca a tradução do Aquilino Ribeiro, que é muito pouco fiel ao original...

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    6. O D. Quixote é uma obra extraordinária. Julgo, no entanto, que é obra para leres à lareira, pois o seu peso é proporcional à sua grandiosidade, pese embora o tema e a época terem ido há muito, arrastados pelos moinhos ( a versão antiga das torres eólicas).
      Tenho três versões do D. Quixote (não incluída naquelas uma outra, publicada em Espanha, vendida a 1 Euro - livro de bolso suportado pelo ministério da cultura ou coisa que o valha; parece um daqueles tijolos de lareiura ou tijolos-burro, mas saiu na forja de uma iniciativa interessante); uma das versões possui as gravuras (xilogravuras) de Gustave Doré, em pormenor, que dão à obra o complemento necessário para a tornarem grandiosa.
      Boas leituras e, principalmente, umas boas férias.

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    7. António Luiz Pacheco25 de julho de 2012 às 14:43

      Recomendo vivamente "A demanda de D. Fuas Bragatela ", e a linguagem é genial!!!! Por isso me atrevo a acrescentar do mesmo autor o não menos atractivo "O oiro dos corcundas!"... ainda há quem escreva à portuguesa!
      Gorgomilo " é um termo que é muito utilizado no livro, e por graça cá em casa dizia-se "dar ao gorgomilo " quando o assunto era de beber...

      O D.Quixote ... eu deixava para ler ao longo do ano em casa, com uma boa águardente , velha, conhaque ou brandy... é coisa que pede coragem concentração e dedicação... mas sim vale a pena ler, haja peito! Bom, salvo se as férias forem nalgum local isolado, assim para o bucólico, aí pelos montes, em que a hora do calor possa ser passada numa sombra fresca entre-paredes , com um chá gelado ou capilé... então aí sim, o Cervantes cairá bem.

      Um abração e boas férias!!!!

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    8. O D. QUIXOTE DE LA MANCHA que tenho é da editora Relógio de Água com tradução de José Bento, um calhamaço preto com 962 páginas (com uma capa protetora amarela).

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    9. António Luiz Pacheco26 de julho de 2012 às 03:18

      CAE (Caro Amigo Extraordinário):

      Vais gostar!!! O homem escreve à antiga (sem conotações que não literárias!!!!) portuguesa ou seja à boa moda portuguesa, com uma linguagem e temas que são muito nossos, se bem que numa perspectiva algo ruralista e definitivamente popular.

      Um abraço

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  2. Já cheguei ao ponto onde a estudante de literatura conhece Grey , o jovem empresário: Superjove ... i atractiu , superatractiu . És alt , porta un elegant vestit gris, camisa blanca i corbata negra, cabells desordenats de color coure fosc i té uns ulls grisos intensos i lluents que em miren amb sagacitat.
    Hum!... o resto subentende-se e acho que vou ficar por aqui. Quanto ao Retorno, está na pilha (pequena) da mesa de cabeceira. Será lido.

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    1. António Luiz Pacheco25 de julho de 2012 às 14:45

      Está a ler em catallá?

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    2. Uma pancada que me deu e nada que já não tenha feito antes, António, mas acho que não vou perder mais tempo com as tretas d'en Grey . Baixei uma amostra kindle só para ver como seria uma das badaladas cenas tórridas descritas numa língua que me atrai (mais a estética da escrita do que o som da fala, um bocado fechado), mas nem passei das duas primeiras páginas.

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  3. Ser condecorada pelo governo francês, sem que os temas das suas obras explicitamente versem ou enalteçam a França e/ou a sua cultura, é obra ! Os franceses só costumam dar medalhas a quem os lisonjeia. Autora que seguramente irei ler em breve. Obrigado pela sugestão !

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  4. Já lá vão 21 anos! Em 1991, eu e a Maria Dulce Cardoso fomos distinguidos, ex-aequo, com o Prémio de Conto Joaquim Namorada, promovido pela Câmara da Figueira da Foz. O seu conto intitulava-se O herói pintado à mão, e abordava a problemática da guerra colonial.
    Dez anos depois, ela afirmou-se na literatura. Eu hibernei como um urso. Acordei há dois anos, possante. Ainda não deixei de rugir.

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    1. Caro António, procurei no "Até Nós" livro de contos da Dulce Maria Cardoso, mas não encontrei esse que menciona. Sabe se está publicado nalguma outra edição?

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    2. António Breda Carvalho25 de julho de 2012 às 13:32

      Cara Ana:
      Os contos premiados foram publicados nos Cadernos Municipais. Por acaso, tenho o conto da Dulce digitalizado. Se estiver interessada, posso enviar-lho.
      O meu e-mail: antonio.breda@gmail.com

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    3. Caros António e ana b.

      Permitam-me a intrusão na vossa correspondência para deixar aqui, com a devida vénia ao "Aspirina B", o seguinte esclarecimento:

      "Ora «no dia 24 de Março de 1992 reuniu na Figueira da Foz o júri do Prémio Literário Joaquim Namorado na sua IX edição». Fiz parte desse júri com «Luís de Melo Biscaia, João da Silva Soares e Armando Garrido Gomes de Carvalho. Depois de prolongada troca de impressões o júri deliberou por unanimidade atribuir o Prémio ex-aqueo aos seguintes contos. «O herói pintado à mão» e «A ver navios». Abertos os respectivos envelopes dos pseudónimos verificou-se que «O Herói pintado à mão» é de autoria de Dulce Maria Cardoso residente em Cascais. «A ver navios» é de autoria de António Breda Carvalho residente na Mealhada». (citação parcial da acta)".

      José do Carmo Francisco é o autor do texto.

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    4. António Breda Carvalho25 de julho de 2012 às 14:28

      É verdade, Joca! A ata está publicada nos Cadernos Municipais. Dos membros do júri, só me lembro do João Soares, por ter conversado com ele particularmente.

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    5. Esta memória tão viva, deixou-me intrigada...:)

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    6. Caríssimo: encomenda recebida:)
      Muito obrigada!

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  5. A Dulce Maria Cardoso merece este prémio, sem dúvida! A sua escrita é maravilhosa. Descobri-a com "O Retorno" e, de imediato, fui ler toda a sua obra. Já li todos os seus livros e são todos belíssimos. Gostei particularmente do "Os Meus Sentimentos" mas nunca mais esqueço aquele "amor tão exagerado, quase uma doença" do "Campo de Sangue". Para mim são estes os dois livros mais poderosos desta autora. Pelo menos foram os que mais me tocaram a alma.
    Há meses, ao sabê-la numa sessão literária, na Bertrand do Chiado, enchi-me de coragem e levei todos os seus livros para que ela os pudesse autografar. Estava um pouco receosa pois a sessão era conjunta com uma outra autora mas ela foi de uma simpatia e amabilidade desarmantes. Magnífica escritora!

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  6. Quando cheguei a casa, ao fim da tarde, dei uma espreitadela e vi que o tema de hoje é Dulce Maria Cardoso.

    Alto lá! que o caso é de responsabilidade – foi o pensamento que se me instalou enquanto desandava nas tarefas rotineiras da gestão doméstica.

    Dela li apenas (por enquanto) “Retorno” – mas esse bastou-me (para já) para entender o que tenho ouvido, lido e visto a respeito de Dulce.

    Pela ordem normal das coisas cá em casa, começando nós a jantar logo aparecem as gatas a querer partilhar, e, regra geral – como ainda há bocado se confirmou – eu fico a tomar conta das duas mais velhas e a minha mulher tem de retardar a sobremesa para ir ao quarto servir o jantar à mais pequenita, a mais caprichosa.

    Fiquei ali um bocado no silêncio, entretido a olhar para elas, deliciadas, enquanto eu me deliciava distraidamente com um gaspacho frio e tentava, assim, recordar com nitidez a grata impressão que me causou Dulce na entrevista que deu à televisão (Câmara Clara, salvo erro).

    Depois voltou a azáfama do costume, a sobremesa apressada, a cadela a chamar a minha mulher para irem para baixo, eu a arrumar a cozinha, a preparar o café e o chá – e a tornar-se-me nítida a imagem de Dulce, bonita mulher (não desfazendo).

    O sol a pôr-se, o ar a refrescar, fui beberricar o café lá para fora enquanto molhava com a mangueira o pátio dos sapos.

    Excelente pessoa (sem desprimor) – foi o que me recordou da tal entrevista quando pousei a mangueira a escorrer para o pátio e acendi um cigarro.

    Depois, a rotina fez-me dar uma molhadela no pequeno jardim/quintal contíguo.

    Aconteceu-me o que é habitual: para regar aquilo como deve ser tenho de meter a mangueira através de uns pés de roseira, e quase sempre fico com a mão a sangrar, arranhada nos picos.

    Quanto a isso, nada de especial: uma folha de papel de cozinha a suster o rotineiro ferimento, acendi novo cigarro para assistir à habitual saída dos sapos do seu sombrio reduto para a humidade que, ao cair do dia, lhes dou ao pátio – enquanto, nesse cerimonial, tentava reconstituir as emoções que me causou a leitura, compulsiva, de “Retorno”.

    Não sei explicar porquê, mas esta associação comoveu-me.

    Estes bichos apareceram-nos aqui, nós ajudámo-los a fazerem aqui um habitat, e eles cá têm permanecido.
    Mas isto, um pátio pavimentado com tijoleira, não é certamente o que eles desejavam, o que merecem. É uma situação precária. Qualquer dia retornarão para o sítio de onde vieram – mas… se retornarem…

    De modo que resolvi descer ao pátio e pegar no maiorzinho, o chefe.

    Mais uma vez, ele deu-me a entender que me percebe – movendo os seus dedinhos agarrados aos meus, faz-me uma espécie de sinais de morse que, nitidamente, são a sua resposta às minhas emoções, aos pensamentos que me escorrem para a mão ferida, e que ele capta.

    Fiquei com a certeza de que ele anda a pensar seriamente em agarrar na família e retornar.

    Por mim, nada a objectar.

    Voltei para dentro, mas fiquei a espreitar pela porta entreaberta, ele a olhar demoradamente para mim, com ar sério, claramente a captar a minha cumplicidade.

    Enquanto isto não se resolver, a minha homenagem a Dulce ficará pelo que dela conheço, e que para mim é suficiente. Porque é boa pessoa, porque é bonita, e porque me apaixonou com “Retorno”.

    Depois disto resolvido, lerei os seus outros livros, para homenagear também a Literatura portuguesa.

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    1. Caro Jordão
      Terá de me permitir divagar sobre a passagem desse quotidiano que nos ofereceu; e que eu agradeço, sinceramente.
      Pois bem: o Joaquim Jordão, quando foi beberricar o café, não terá levado tambem um cálice da "velha" Ponte de Amarante? E quando diz que
      "a rotina fez-me dar uma molhadela no pequeno jardim/quintal contíguo", imaginei no parágrafo a seguir (maldade minha, creia), que salpicou a vizinha do lado, a qual se encontrava a ler o "Retorno" da Dulce Maria.
      São coisas do Diabo e da Diaba, duas figuras dessa sua Amarante, cujas se comemoram anualemente e a preceito.
      O Joaquim Jordão tem, para além de uma boa imaginação, uma abordagem literária muito apurada do quotidiano e dos seus pormenores.
      Por favor, brinde-nos com uma obra sua.


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    2. Caro "extraordinário" Jordão
      Junto-me ao Jocamartinho e dizer-lhe que foi um prazer muito grande ler o seu texto! Consegui visualizar a cozinha, o pátio, a mangueira e até esses olhares que trocou com o "chefe" e, garanto-lhe ainda , que quase senti o toque dos seus dedinhos agarrados aos seus... Ai ai, vamos sentir a falta deste blogue em Agosto!
      Isabel

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    3. António Luiz Pacheco26 de julho de 2012 às 03:06

      Meu Caro Amigo Extraordinário CAE )

      Extraordinária homenagem à literatura portuguesa esta, e tiro o chapéu à sensibilidade com que estabeleceu um impensado paralelo ao retorno...

      Um abraço

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    4. Em habitats onde o enraizamento da vida é artificial ou imposto, acontecerá sempre a inevitabilidade do retorno às origens.
      O retorno pode ser voluntário (a decisão dos sapos), ou forçado (a eventual agressividade do Joaquim, que fará da mangueira uma arma de expulsão, reivindicando o território só para si).
      É assim que esta metáfora doméstica nos remete para o âmago do romance da Dulce. Ou para o coração da autora. Uma ferida que não sara, nem com papel de cozinha.
      E se li nas entrelinhas o que não existe na pacatez de um quotidiano noturno, é defeito meu, adquirido à custa de leituras desconfiadas.

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    5. Meu caro
      Desculpe-me por só agora, noite adiantada, estar a pôr a escrita em dia.
      É para lhe agradecer a amabilidade.
      Quanto à "Velha" Ponte (Conde) de Amarante... como é que eu hei-de dizer?... Eu é mais escocês... Todas as sextas-feiras tenho de renovar o stock (a ver se amanhã não esqueço), está a ver?... Isto é embaraçoso, bem sei... mas compro do mais baratucho, que é mais suave para o fígado, compreende?
      Quanto ao jardim contíguo, embora seja território meu, de facto podia ter ficcionado uns salpicos na vizinha - mas esta seria a própria Dulce. ali sentada a escrever um dos outros livros que ainda não li, e, uma vez salpicada, viria tentar zangar-se comigo mas, à vista dos meus sapos a fazer as malas para o retorno, ficaria rendida e reescreveria o desfecho para uma nova edição, revista e aumentada... Enfim, eu e ela, lá nos haveríamos de entender.
      Ó Diabo! A Diaba está a fazer-me sinais que já são horas de ir andando. Vou só acabar de beberricar umas gotas, que amanhã é outra vez dia de ir mostrar-me ao patrão.
      Um abraço.
      Joaquim

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    6. Ó Pacheco, tenha cuidado: - com a caloraça que tem estado, não tire assim o chapéu por dá cá aquela palha.
      Tire o chapéu a Dulce, que ela merece.
      Mas por mim, deixe estar, que eu agradeço à mesma, e prefiro que você mantenha a cabeça fresca para continuar a apreciar devidamente a qualidade da escrita dela.
      Um abraço.
      Joaquim

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    7. Caro António
      Não se preocupe. O que lemos/criamos nas entrelinhas é o que nos dá a recompensa do que estamos a ler - é desse modo que, no papel de leitores, participamos activamente na criação do muito que, regra geral, fica não explicitado, subjacente, potencial, palpitante, naquilo que o autor apenas indiciou no momento em que escreveu.
      Noutro momento, noutras circunstâncias, possivelmente teria escrito outra coisa - ou a mesma coisa de outro modo - e isso desencadearia nos leitores a imaginação de outras diferentes entrelinhas...
      Veja por exemplo o que, aí acima, o Jocamartinho viu nas mesmas entrelinhas, e o que eu próprio, depois, nelas re-imaginei...

      Se calhar não estou a fazer-me entender como gostaria, mas verá nas entrelinhas que isto é por causa do adiantado da hora, do adiantado da semana, do adiantado do calor que persiste e que tanto me perturba...

      Agradeço a sua atenção.
      Um abraço.
      Joaquim

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    8. Cara Isabel
      Ainda que possa parecer que me enganei a clicar na resposta ao Jocamartinho, a verdade é que o agradecimento para ele é também para si...
      (Aqui entre nós, de facto enganei-me, estou aqui atrapalhado a ver se arranjo uma desculpa plausível, talvez explorando aquela parte em que a Isabel diz que se junta ao Jocamartinho - ora bem! sendo assim, a Isabel vai concerteza entender que está com ele para o que der e vier, ora essa, e que a minha resposta para ele lhe está, também, a preceito...)
      Em todo o caso, Isabel, cumpre-me agradecer-lhe em particular a gentileza.
      Grato.
      Joaquim

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    9. Caro Jordão
      Estou com o Jocamartinho para o que der e vier, não se preocupe!!! Mas confesso que estas palavrinhas só para mim...fiquei...a modos que ...enfim até fiquei vermelha!!
      Obrigada.
      Isabel

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