Bibliotecas curiosas

A Madalena, que é uma jovem de pouco mais de 25 anos que trabalha comigo e anda sempre em cima do acontecimento no que toca a novidades editoriais, falou-me há dias de Zoran Živković, um escritor nascido em 1948 no território que é hoje a Sérvia. Como ainda nunca tinha lido nada deste autor, ela emprestou-me um livro de contos publicado pela Cavalo de Ferro em Portugal, que se intitula A Biblioteca e ganhou em 2003 o World Fantasy Award. Não se assustem com a palavra «fantasy» aqueles que (se calhar, como eu) não se sentem minimamente atraídos por um género que associam a mundos de fadas, elfos, brumas ou Atlântidas; aqui o termo tem mais que ver com o irreal e o absurdo do que propriamente com sagas melífluas ou saudosistas de Avalon, e o assunto – as bibliotecas – interessa de certeza aos leitores deste blogue. Pois a verdade é que este livrinho é uma preciosidade e os seus textos, que podem ser lidos num serão, são bastante devedores de Borges ou Kafka – e todos fantásticos, mas numa outra acepção da palavra, desde aquele em que um autor encontra na Internet a sua bibliografia que ainda não escreveu até àquele em que se revê o cenário clássico do Inferno católico, dando-lhe a forma de uma biblioteca na qual os «degredados» terão de ler livros como castigo pelos seus pecados – e, claro, nem pensar em policiais para os criminosos... Numa prosa fresca e intrigas bem apanhadas, a garantia de umas horas bem passadas em bibliotecas de vários tipos. Obrigada, Madalena, fico a dever-lhe mais esta.

Comentários

  1. Nem de propósito! Estou com "O último livro em mãos", só que... não me está a dizer grande coisa. Se bem que me falta mais de meio livro, está-me a parecer um policial "vazio", com umas linhas bem escritas aqui e ali. Posso ter tido o tal azar com a primeira obra...

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  2. A Madalena é realmente épica! Um grande beijinho para a irascível coleccionadora de livros infantis. Tia, estime a Madalena que colaboradores dessa qualidade aparecem quando o Rei faz anos!

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  3. Um livro sobre Bibliotecas é sempre atraente e este é diferente, gostei muito.
    O nome do autor é Živković, tem as consoantes trocadas :)

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    1. Obrigada, estou a ficar cada vez mais descuidada... Ainda bem que vêm aí as férias.

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  4. Realmente esquecemo-nos muito facilmente do enredo dos livros que lemos e este apostava (mil contra um) que não era de contos, li-o já lá vão uns anitos (5/6) apenas me lembro de que gostei muito, porque disso nunca me esqueço, até porque são livros que me ficam na memória para um dia a eles voltar.

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  5. ...sobre bibliotecas: acabei de ler "Os Livros que devoraram o meu pai" de Afonso Cruz.
    Tão bom... :D

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  6. Desse autor estou curiosa para ler O Escritor-Fantasma, que me parece, pelo que dele soube, ser também garantia de algumas horas bem passadas.

    Já folheei o livro A Biblioteca algumas vezes, mas acabei sempre por não o comprar. Agora que já sei que vale a pena, brevemente hei-de trazê-lo para casa.

    Obrigada pela sugestão e parabéns por ter uma colaboradora tão atenta. No mundo dos livros fazem muita falta pessoas assim.

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  7. Depois da excelente colectânea de contos "A BIBLIOTECA", que é uma pérola rara, a decepção com o romance "O ÚLTIMO LIVRO" foi tão ... tão grande (que os autores tenham altos e baixos na obra ou obras menos conseguidas é humano, mas passar do genial ao banal..., enfim) que agora me coibo de folhear sequer o novo "O ESCRITOR-FANTASMA". Além disso, esse é um TÍTULO do ROTH. Parece-me pouco abonatório que o escritor nem sequer se dê ao trabalho de arranjar um título original!

    PLFF

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  8. Mais de uma vez que estive para comprar uma obra deste autor mas acabei sempre por não fazê-lo exatamente pelas razões que apontou: a palavra fantasy " deixou-me de pé atrás. Prefiro sempre a realidade por mais negra que seja... Mas agora que vem com a chancela MRP , vou arriscar e deixar-me voar...:)
    E parabéns a ambas! À Maria do Rosário Pedreira por ter conseguido uma colaboradora tão competente e motivada e à Madalena por, ainda tão jovem, ter o privilégio de consigo trabalhar.

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  9. Isto de bibliotecas, cada um sabe da sua – mas cada uma tem que se lhe diga.
    Estou sozinho em casa, posso falar à-vontade. Talvez não seja rigoroso usar o termo “biblioteca” para designar o conjunto de livros que temos espalhados por diversos compartimentos e recantos da casa.
    E ainda agora chegou mais uma carrada, vinda da casa do Gonçalo – esse magnífico produto português de top que, com a idade de 31 anos e dois cursos superiores, o nosso país acaba de exportar para o Brasil.
    Amanhã vem cá um carpinteiro instalar, nuns recantos que inventámos nos corredores, mais umas estantes para acomodar o que o Gonçalo acumulou nos sete ou oito anos que viveu na casa dos móveis azuis da Bica, em Lisboa.
    Estou sozinho em casa, tenho aqui a Maria João Pires a tocar os Nocturnos de Chopin, e nem assim as gatas se chegam para me fazer companhia – ficaram lá fora a aproveitar o calor que se acumulou nos canteiros onde se deitam durante a tarde, a gozar o sol.
    Posso falar à-vontade.
    Numa pausa para acender um cigarro, olho em redor, vejo estas estantes à minha volta, e a verdade é que já não sei bem o que por ali anda amontoado.
    Não é que eu seja um verdadeiro desorganizado, nada disso!
    É certo que vou ali empilhando, talvez um pouco à toa, uns livros que, ou trago do exterior e ali coloco com a intenção de fazer uma fila de espera, ou trago do meu quarto com a intenção de arrumar os já lidos – sendo certo, admito, que por vezes não acerto bem na pilha… mas isso, que diabo!, é normal, não?
    O problema é a nossa empregada doméstica, Isabel.
    Ah!, pois é! É ela que, mais ou menos de três em três meses, entende que, se lhe pagamos o ordenado, é para também limpar as estantes. De modo que, de vez em quando, tira todos os livros de uma assentada, amontoa-os no chão, à toa, passa um pano nas prateleiras, e depois pega nos livros de outra assentada e coloca-os, também à toa, de novo nas prateleiras.
    É isto uma biblioteca?
    Concedo: – Acho que sim.
    Isto, assim arrumado pela fortuita conjugação dos esforços dos donos dos livros e da negligência da sua empregada – isto sim! é que é uma biblioteca a sério, dinâmica, curiosa.

    Ando há tempos a congeminar uma ficção na qual Zabel, reparando que os patrões passam tanto tempo agarrados aos livros, suspeita que pode valer a pena experimentar aquilo. Pessoas tão simpáticas e inteligentes, pagam o ordenado a tempo e horas, e tal… isto deve ser influência dos livros. De modo que, em vez de desarrumar a biblioteca para limpar o pó das prateleiras, ocupa esse tempo a ler… Tira um livrinho com cuidado, lê, acha interessante, volta a colocá-lo discretamente no mesmo sítio…
    Os patrões não dão por nada, afinal são eles que desarrumam a biblioteca, eles é que lá amontoam os livros à toa, e quando precisam de algum andam ali às voltas, a resmungar que aquilo está mal arrumado, mas vê-se que gostam que seja assim… Não vale a pena desarrumar aquilo de outra forma, mais vale fazer de conta – e ir lendo, em vez de perder tempo a limpar o pó, que até fica bem nos livros.
    Lá para o fim da ficção, os patrões doam os livros a uma biblioteca pública, juntamente com a empregada, que será a bibliotecária que, no seu novo estatuto, manterá aquilo muito bem arrumadinho, e apenas excepcionalmente, mediante especial requerimento, deixará alguém ler um daqueles preciosos livros que durante tantos anos ela, lá em casa dos beneméritos patrões, teve o cuidado de ler e manter devidamente amontoados – não como agora, que é obrigada a tê-los ali ordenadinhos, nem dá gosto assim.
    No epílogo, já promovida a Directora, Zabel está a pensar seriamente em conceder que os frequentadores da biblioteca possam ser autorizados a ler um ou outro livro – na condição de que, uma vez lidos, os coloquem aleatoriamente nas estantes. Tenciona contratar uma empregada de limpeza…

    (...)

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    1. (...)

      Neste entretanto, já não estou sozinho em casa.
      Fez-se tarde, arrefeceu lá fora, as gatas regressaram aos meus mimos. Maria João Pires já cumpriu a sua missão, agora está ali não sei quê de Haydn, acho que é um quarteto. E chegou a minha mulher, que leu isto e – coisa rara – gostou!!

      Ora bem, agora é que estou enrascado.

      Se, no meio desta desarrumação que é a minha biblioteca (… ia a dizer “isto tudo”…), eu conseguisse levar esta coisa a cabo – e se Maria do Rosário autorizasse – talvez que o título desta possível ficção pudesse ser “Curiosa Biblioteca de Zabel”, ou algo do género.

      Mas não prometo. Se calhar não vou ter tempo. Tenho de me dedicar mas é a arrumar esta trapalhada, que daqui a pouco chega aí o carpinteiro com as novas prateleiras, e é uma vergonha.

      Joaquim Jordão, Amarante, tantos de tal, que já nem sei bem a quantas ando.

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    2. Gostei de o ler, e gostei da referência à casa dos móveis azuis da Bica que me recordou outra história estranha que um diz partilhou connosco neste espaço.
      Isabel

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    3. Caro Joaquim
      A sua biblioteca é deveras intrigante e mais do que ser doada exige uma investigação Sherlokiana “à séria”.
      Indícios estimulantes e respostas ao mistério são assim um contributo de todas as bibliotecas curiosas: a minha não é excepção e induzindo-me a pontapé ao meu serviço cívico não me perdoava não o cumprir.
      Assim caro Joaquim é sabido que o Gonçalo foi exportado com os seus dois cursos, o que o coloca como desqualificado perante a grande biblioteca metropolitana: menos de três já é insuficiente; siga o exemplo da minha biblioteca que vai para o terceiro, tal o receio de… ser exportada. Assim, estes indícios induzem as seguintes perguntas:
      • N.º1, porque foi o Gonçalo exportado e não os seus livros? Terão ficado como fiéis depositários da inteligência nacional ou serão uma nova forma de garantias reais? Terá A Grande Biblioteca nacional penhorado mais um dos seus irmãos? A penhora está muito na moda, caro Joaquim!
      • N.º2, porque já nem as gatas se chegam a nós? Fossemos ligeiramente mais novos, às vezes penso por uma questão de dias, e não deitavam as unhas de fora nem se assanhavam!
      • N.º3, porque as empregadas (funcionárias colaboradoras, caro Joaquim), sendo funcionais na sua área totalista, são tão desorganizadas no que diz respeito às bibliotecas? Mal empregadas, caro Joaquim? Ou a resposta encontra-se lacrada num acordo secreto conspirativo?
      • N.º4. Repare bem no enunciado que leva a esta pergunta: «as gatas regressaram aos meus mimos…» e não o contrário: o que é feito dos mimos das gatas aos seus donos, caro Joaquim? Voltou o sol a girar à volta da terra, caro Joaquim? Estamos bem arranjados, Joaquim!
      • N.º5; «não sabe a quantas anda». Pudera, Joaquim, se calhar já não anda a qualquer velocidade: arrasta-se, como aqueles ponteiros cuja bateria foi-se esgotando e dão um impulso para a frente e dois para trás; ou está parado de vez, o que justifica a falta de mimo das gatas.
      Daí, caro Joaquim, talvez tenhamos encontrado a explicação para a sua curiosa biblioteca, embora isto possa não passar de meras conjecturas e suposições que eu tenho uma procuração de Sherlock, mas ainda não estou encartado.
      Solenemente lhe digo, caro Joaquim, que a biblioteca é só o pretexto para a sua estimulante demanda e daí que talvez tenhamos encontrado a explicação para a sua curiosa biblioteca: cigarros e gatas nunca foram uma boa combinação, caro Joaquim! Tente lá largar o vício, homem! Não largue é a pena, mesmo que ela seja viciante!

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    4. Bolas, agora é que reparei.
      O Joaquim da minha amiga graça, que por acaso não é bibliotecário, vai casar-se hoje em Coimbra!
      Não é você, ò Jordão!
      Parabéns, Joaquim, não te deixes exportar... ele não é que há estranhas coincidências?

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    5. Bolas, estes senhores escrevem bem! Continuem, continuem...É a vez do Joaquim Jordão! (mas se o Pedro tiver mais alguma coisa a dizer, nada a opor!).

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    6. A maior felicidade de ter um blogue não é o que escrevo nele, mas o que leio. Obrigada a estes comentadores-escritores. Uma nota apenas: não contem os enredos das obras futuras, há sempre alguém sem ideias que os pode surripiar...

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    7. Escrever um enredo - ainda que seja o arremedo do mesmo - no blogue de uma responsável editorial? Pode parecer que é uma proposta prévia ou a tentativa de apresentar uma obra publicável.
      Não é o caso em apreço, decerto. Nem será o meu caso, que estou a leste desse paraíso.
      Entro hoje nos comentários para dizer que a Madalena, no seu quarto de século de existência, tem gosto apurado para as boas obras, talvez porque esteja no "métier" para isso mesmo. Obra como esta do Zoran, por se tratar de contos, não é da apetência da maioria das editoras de referência e o facto de a colaboradora da Rosário ter feito apelo à sua leitura, é um sinal inequívoco que o género poderá obter, no futuro, mais aberttura editorial.

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    8. Ora toma, Joaquim, que é para aprenderes!
      Quando ficas sozinho em casa bebes uns copos, e tal, depois deslizas para o disparate…
      Nunca me tinhas falado disso, dá-me a impressão que inventaste esse projecto da Zabel à última hora, para te armares – e agora, ó! Tás a ver o disparate que fizeste? Levas dois valentes puxões de orelhas, que é muito bem feito.
      Vá lá, ao menos, que a advertência que te faz Maria do Rosário funciona como um registo público de autoria…
      Vou já esconder-te a garrafa, que é para não disparatares ainda mais na resposta.
      Pcht! Onde é que vais?
      Já deste de comer às gatas?
      Vai mas é regar o pátio, que os sapos precisam de vir apanhar a fresca.
      E aproveita, a ver se também refrescas, que é preciso arrumar aqueles livros nas prateleiras novas.

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    9. Caro Joaquim Jordão, não se esqueça da malta quando for o lançamento:) A sério, também gostei muito do texto e o enredo é excelente. Força na escrita! E siga o conselho da nossa Anfitriã...Olhe que são muitos anos a virar frangos...:)

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  10. Há livros que "passamos por eles como cão por vinha vindimada" e que são autênticas preciosidades, a "BIBLIOTECA" é um deles e fica aqui um livro que comprei aqui há uns 5/6 anos e que passou, creio eu, ao lado de toda a gente e é admirável, uma pérola "OS DOMÍNIOS DA NOITE" William Gay -uma maravilha. Descumbram-no, por favor, ou já o conheciam?

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  11. Já se falou aqui a propósito de uma obra de Zoran Zivkovic e de uma obra sua traduzida como The Ghost Writer, título que gemina com uma outra obra de Philip Roth.
    Não é caso único na literatura ao longo dos tempos, mormente quando o título, na versão traduzida, possa levar a esse pormenor. Sabemos que um título, publicado antes, não outorga ao escritor o feudal direito de pernada; este, de Zoran, parece-me que emparceirou com o de Roth na tradução.
    A edição sérvia da Paideia é: "Pisac u najam". No malfadado google consigo traduzir como "o escritor alugado"ou "escritor para alugar"; mas o mesmo google traduz, do sérvio para inglês, "writer to rent", o que vai dar ao mesmo. No entanto, a tradução feita pela Zavod (nas versões sérvia e inglesa), que não precisa do google para traduzir (julgo eu), encaixa com o título do escritor americano. A seguir, a PS Publishing, a Cavalo de Ferro e a TEA seguiram a tradução da Zavod. Logo, o Zoran não teve culpa alguma.
    Julgo que foi o PLFF que levantou a perplexidade e chamou a atenção para o "plágio".
    Pois bem, meu caro PLFF, imagine que eu me chamava Paulo Lopes Fernandes Ferreira e que entrava aqui com as iniciais desse nome?

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  12. Tenho de admitir que de todos os lugares onde eu pensava encontrar o preconceito este não era um deles, mas parece que estava errado. Assumir que a Fantasia é apenas "mundos de fadas, elfos, brumas ou Atlântidas" é reduzir e confundir a parte com o todo. O género do Fantástico é muito mais que isso. O nosso Nobel, José Saramago foi também um prolifero autor neste género, obras como "A Jangada de Pedra" "Ensaio sobre a Cegueira" "O Homem Duplicado" ou "As Intermitências da Morte" são bons exemplos de um escritor que (quase) todos tiveram medo de dizer que escreveu Fantasia e Ficção Cientifica, por causa deste mesmo preconceito. Autores houve que apesar deste preconceito conseguiram vingar, autores como George Orwell com obras como "1984" (Ficção Cientifica) ou "A Quinta dos Animais", também conhecida entre nós como "O Triunfo dos Porcos" (Fantasia), ou Ray Bradbury com "Fahrenheit 451" (Ficção Cientifica). E claro não podia deixar de apontar um autor de Ficção Cientifica mais contemporâneo, Pedro Guilherme-Moreira autor de "A Manhã do Mundo" um excelente livro que eu adorei, mas que (quase) ninguém teve coragem de classificar de FC, alias quando houve alguém que o disse foi precisamente para o negar! Felizmente o autor teve mais bom senso que isso.

    http://osenhorluvas.blogspot.pt/2012/05/manha-do-mundo-ou-o-preconceito-na.html

    Felizmente a Madalena parece não sofrer dessa terrível doença que é o preconceito literário.

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    1. Caro Marco Lopes,

      Há um preconceito contra essas áreas da literatura, como contra o policial, talvez porque sejam áreas que "promovam" os filmes hollywoodescos, muitas vezes baseados em livros menos bons, com pouco trabalho das personagens. Mas depois, quando aparecem livros muito bem conseguidos, evita-se dizer que estão nessa área. Estou a lembrar-me também, a par dos que citou, dos livros de Luís Caminha, que para mim são ficção científica, pelo menos o primeiro, Um Pinguim na Garagem, sobre um dos primeiros indivíduos clonados em Portugal.
      Também se passa um bocado o mesmo com a área do romance histórico, de que parece muita coisa fraquinha nas livrarias: livros maravilhosos como o Memorial do Convento e As Memórias de Adriano já não são romances históricos... porque são demasiado bons para o serem.

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    2. Cara Ana Ferreira

      Não pode deixar de sorrir ao ler o seu comentário final, realmente quando são bons deixam de se classificar... Ainda assim tenho pena que com muitas obras grandes passem ao lado apenas por causa do preconceito.

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