Amabilidade

Uma das vantagens de acompanhar os autores em sessões de lançamento dos seus livros pelo País fora é visitar outras livrarias – algumas bem bonitas e bem fornecidas – e conhecer gente interessante da região. Recentemente, estive com João Ricardo Pedro na Livraria Centésima Página, em Braga, num local maravilhoso, para uma acção dedicada ao romance que escreveu, e fomos ambos brindados, tal como o público presente, por uma abordagem francamente original sobre as mãos (sim, leram bem) em O Teu Rosto Será O Último, feita pelo professor Eduardo Madureira. Mas, além desse já excelente presente, o professor, director de uma colecção de obras dedicadas à cidade de Braga («Braga Cidade Bimilenar», da Fundação Bracara Augusta), ofereceu-nos ainda dois dos seus volumes, pérolas de um bom gosto extraordinário e muito curiosas. O primeiro era um diário gráfico da autoria de Eduardo Salavisa, um roteiro da cidade através de desenhos lindíssimos; o segundo, uma colecção de rótulos das marcas de sabonetes e outros produtos da fábrica Confiança, muitos dos quais ainda me lembro de ver em casa dos meus pais, impressos com uma qualidade que é raro encontrar em livrinhos desta natureza. Uns quinze dias depois, fomos de novo apresentar o livro, desta feita em Leiria, na Arquivo (que é uma livraria excelente e com responsáveis muito interessantes e calorosos) com o João Rebocho Pais (autor de O Intrínseco de Manolo) e recebemos os três outros presentes, entre vinho e T-shirts literárias, produzidos pelos mesmos proprietários da livraria. Não são obviamente estas prendas que importam, mas elas são uma prova da amabilidade daqueles que nos recebem nas suas livrarias. Obrigada a todos os que fazem muito pelos nossos livros e ainda por cima nos mimam desta maneira.

Comentários

  1. Sempre fui muito bem tratado nas livrarias de Braga. Claro, como leitor comprador, imagino que autores e editores ainda sejam mais bem tratados. Braga para mim, em termos de atendimento, cultura, universidades, comércio, etc., está anos-luz à frente de Lisboa.

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  2. António Luiz Pacheco23 de julho de 2012 às 02:58

    Estive um período em Braga, no então Feira Nova, aquando do take over do Grupo Inovação pelo Grupo Jerónimo Martins, num já longínquo 1995... e ia lá muito, pelo que fiquei desde então com excelente impressão quanto à qualidade de vida, do comércio, restauração e vida académica ou estudantil... aliás, tive o privilégio de durante 10 anos no Grupo Jerónimo Martins, percorrer e estar por todo o país, que conheci muito bem, pois sempre fazia as competentes análises de marketing.

    A maioria das pessoas - quiçá alguns dos nossos Extraordinários - pelo vincado centralismo Lisboeta, e a idéia que além de Porto e Coimbra, não há mais cidades, estão equivocadas sobre a forma como se vive nas cidades ou vilas do interior, e digo do interior em particular, pois é um mito que se instalou entre os urbanos dos megacentros que desconhecem em absoluto a vida existente e a sua força, a qualidade de quem ali vive, porque longe do Colombo e das FNAC, da praia e da feira de Carcavelos, do Bairro Alto, da 24 de Julho...

    Ainda há bem pouco tempo referi uma incursão que fiz ao Forum Aveiro e a surpresa que foi a excelente Livraria Bertrand que lá encontrei, em dimensão, arrumação e atendimento, que mete a do Colombo a um canto! No atendimento e exposição então nem se fala! Até encontrei e comprei um excelente livro de apicultura! É como deviam ser todas as livrarias!!!

    Tive também o privilégio de poder apresentar o meu romance Largueza em locais como Moura, Mirandela, Santarém... foi sempre acontecimento memorável, a despeito de iniciativa minha e de conhecidos meus, pessoas eminentes da cultura local, académicos, professores, escritores, muito superior em assistência e ambiente à feita em Lisboa, a despeito de ter sido num local muito interessante (a Praça do Campo Pequeno) e com a presença de cerca de 100 pessoas...

    Ainda bem que o notou... nem podia deixar de o fazer!
    "O intrínseco de Manolo " foi e ainda está no Top dos meus melhores romances de 2012!

    Saudações do campo e dos meus limoeiros regados e frescos que até batem palmas, para gáudio dos tentilhões que arranjaram piscina!

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    1. Gosto muito de livros e livrarias, sim, mas não posso deixar de dizer que o meu parágrafo preferido foi o último: até ouvi as palmas.

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    2. Caro Pacheco
      Se os tentilhões virem os apetrechos submarinos do dono dos limões, estou certo que, mais dia menos dia, praticarão eles próprios caça subpiscina, mormente aos insectos que aproveitam a água e os limões.
      Dou-lhe os parabéns pelo "Largueza" - que contornou a esfera editorial abancada - e também pela frescura do seu comentário - maxime último parágrafo - bem como pelo espírito alegre e campesino com que se despede, fazendo inveja aos ares poluídos das capitais do livro.
      Um abraço desde o meu escritório, de onde vislumbro, através dos vidros, uma cerejeira que já deu o que tinha a dar, por este ano.

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  3. Adoro livrarias. Tanto que gostava de ter uma. Sou professora e gosto do que faço, mas adorava ter a minha livraria. Há uns anos trabalhei numa e guardo com muito carinho aqueles dias em que estava sempre rodeada de livros e em que conversava sobre eles com quem visitava o espaço.

    Gosto muito de ser professora, mas acho que com o tempo tenho vindo a concluir que gostava mesmo de trabalhar no mundo dos livros. Invejo-a pelo trabalho que tem e que faz tão bem; pela possibilidade de visitar livrarias bonitas e variadas; pela sorte de poder ler autores novos e descobrir, não raras vezes, textos que merecem toda a divulgação que se lhes possa dar.

    Em Portugal, por vezes em cidades inesperadas, encontramos espaços encantadores, onde cada cliente é um cliente e é tratado como tal. Quando trabalhei numa livraria procurei fazê-lo e acho que até nem correu mal, uma vez que ainda hoje encontro antigos clientes que se recordam de mim.

    Gosto muito das Bertrands de Viana do Castelo, principalmente da que fica em frente à Sé (perto do local onde ocorreu o terrível assalto ao Museu do Ouro, há uns anos). A cidade em si já é maravilhosa, mas o facto de ter dois espaços bonitos onde podemos descobrir alguns tesourinhos ainda a enriquece mais. Em Guimarães, no centro da cidade, havia há uns anos um alfarrabista que também era um tesouro pelo que de raro lá se encontrava.

    Parabéns por mais um belo post!

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  4. Não posso deixar de dizer, mais uma vez neste blogue, que vale a pena visitar a livraria Culsete em Setúbal e, ao que parece, ali por perto também se come bem (não é verdade ana b.?).
    Isabel

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    1. Eheheheh ... Não se pode dar um passo que não se fique logo a saber:) Come-se divinamente, de facto! Mas acima de tudo, foi o enorme prazer de poder desfrutar da companhia de pessoas tão talentosas, interessantes e generosas. Foi um imenso privilégio.
      Também aqui já falei dessa livraria e dos seus incansáveis e talentosos proprietários. o Manuel Medeiros e a Maria de Fátima Medeiros, e dos seus filhos que partilham a mesma paixão pelos livros e pela literatura. É sempre com imenso prazer que assisto às diversas sessões culturais que organizam. E são de uma amabilidade extraordinária: no final da sessões nunca pode faltar um Moscatel de Setúbal especial! Bem hajam!

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    2. E eu não digo...já não se pode ter segredos!!!! Arre!!!
      Isabel

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  5. Não entrarei numa livraria enquanto durar a febre erótica de As 50 sombras de Grey. Receio que alguma amável Anastasia, depois de me ter devorado, vá parar ao hospital com uma congestão por não conseguir digerir um osso literário.

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  6. E não merece todos esses mimos?Eu só lhe posso dar o mimo de visitar todos os dias o seu blog e estar sempre consigo na "minha" "ARQUIVO",em Leiria.
    DE si espero,para Setembro,o seu tão ansiado livro.
    Um beijo
    Rosário Varela

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  7. Não sei por quê, este blogue da Maria do Rosário apela à minha leitura e participação na mesma proporção que a luz de uma lâmpada atrai os insectos. É certo que nem todos os temas me interessam, talvez alguns nem me interessem muito e outros não me digam nada. Porém, a diversidade de comentadores que aqui comunica, à distância e na penumbra do seu teclado, dá a volta e chama-me à acção participativa, cuja espero não ser enfadonha ou inapropriada.
    Ora, por isso, procuro comentar o post do dia; necessariamente sem querer "picar o ponto", porque a tanto não sou obrigado; a maioria das vezes, com muito prazer, porque aqui se aprende e se ensina (no sentido da divulgação e crítica literárias), o que não acontece em outras "casas" congéneres.
    Por fim, espremido o que atrás dedilhei, menos sumo dará do que os limões do António Luís Peixoto, mas quando tenho a dizer uma coisa, sou até muito teimoso, tal como os tentilhões do mesmo Pacheco, supostos de Santarém.
    Conheço a Arquivo de Leiria, onde já fiz tilintar muitas vezes (quando por lá passo- e já não vou ali há algum tempo) a caixa registadora que está do lado esquerdo, à saída. E é mesmo lá que, ao fundo e no circunspecto café-esplanada de interior, vou apreciando algumas das obras, em primeira leitura.
    A disposição dos livros é boa, os funcionários são muito simpáticos. A "Arquivo" não é (felizmente) caso raro no País; e será, certamente, um exemplo a seguir, mesmo que não tenha a sacramental pastelaria e o café ao fundo, como é o caso da Bertrand do Forum de Aveiro, já aqui citada.

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  8. Guardo dessa visita à Arquivo a imagem de um fim-de-tarde bem passado. Muito bem passado. Pala companhia da Rosário. Pela oportunidade de uma vez mais escutar o João Ricardo Pedro. Pelo modo como fui recebido pelos responsáveis da Arquivo e seus convidados. Sempre estive habituado a assistir a este tipo de eventos, que aproximam leitores e autores, sentado entre o público, curioso e carregado de questões. Sentir o carinho de alguém que antes desse momento nos era desconhecido, é gratificante. Como o são também as palavras de António Luis Pacheco em relação a ' O intrinseco de Manolo '.

    Saudações pois, de volta, ao campo e aos seus limoeiros regados e frescos que até batem palmas, e um abraço para ele mesmo!

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  9. Cláudia da Silva Tomazi29 de julho de 2012 às 12:28

    O Intrínseco de Manolo, marcante e acertado. Escritor de multiplas possibilidades, João Rebocho Pais.

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