A cultura é chata?
A caminho do emprego, ouço todas as manhãs a TSF. E, nos dias em que me atraso um bocadinho, logo que entro no carro começa o Tubo de Ensaio, de Bruno Nogueira e João Quadros. Nem sempre tem graça, ou a mesma graça, mas já lá ouvi piadas muito boas, entre as quais destaco a ideia de os olhos de Maria José Morgado serem pintados todas as manhãs por Paula Rego (o que achei muito bem visto). Mas é difícil fazer humor todos os dias, embora em Portugal haja qualquer coisa que, apesar da desgraça, nos puxa facilmente para a anedota. E, no Tubo de Ensaio, a propósito do jogo em que Portugal foi eliminado do Euro, Bruno Nogueira disse que os espanhóis tinham um futebol tão, mas tão chato que só devia passar no Câmara Clara da RTP2. Confesso que também não gostei nada do desafio e que, por isso, na altura, me ri com a ideia estapafúrdia. Mas depois, pensando no assunto, ocorreu-me que os programas culturais portugueses talvez pareçam desde sempre, pelo menos aos que não trabalham nas áreas culturais, um pouco chatos – ou porque muito certinhos, com o formato de noticiários, ou porque, em geral, muito sérios, com um entrevistado falando do seu trabalho. Confesso que estas opções podem ser bastante interessantes para quem quer ouvir determinada pessoa que já conhece; mas para um perfeito leigo na matéria serão, efectivamente, a melhor escolha? Lembro-me de que aqui há tempos havia um programa que ensinava as pessoas a corrigirem erros comuns na língua portuguesa, animado por sketches representados por Diogo Infante e outras personalidades mediáticas e baseado numa pseudo-narrativa minimamente coerente e interessante. Não sei se tinha grandes audiências, mas talvez convocasse mais espectadores. Seria possível fazer alguma coisa do género sobre a literatura ou as artes em geral?
Eis uma questão na qual medito amiúde . A interrogação fica: será que se poderá fazer de outra forma, cativando a atenção generalizada?Não se pode julgar assim ninguém, nem muito menos atribuir categorias. No entanto, pasmo-me quando me vêm com a conversa do levinho e o do divertido e depois observo que mergulham no que há de mais violento e acéfalo. Parece que os gostos se cultivam, mas então qual a razão que nos impele para o estupidificante, o negativo, a inveja e a destruição. Talvez tenha razão Kant quando afirma que nascemos maus e perversos e só melhoraremos com o esforço da sociabilização, já Rousseau também não obteve resultado plausível com o bom selvagem...
ResponderEliminarBandeando-me para o inglês, acho que a "high culture" é vendida de maneira muito chata: pasmacenta, hermética, arrogantemente snob. Mas o produto em si, quando bom, é realmente um maná. Se se vendesse ópera como o Super Bock Super Rock... Não sei. Ou talvez que a compartimentação distinga logo os públicos e seja uma espécie de gramática que cada um reconhece como linguagem de cada nicho cultural. Realmente não sei.
ResponderEliminarMuito francamente, não acho o Câmara Clara chato e atrevo-me a dizer que é dos melhores programas que temos. Evidentemente que quando não se fala de um assunto que me interessa pode tornar-se chato, mas caramba, esta mania que tem tudo de ser apresentado através de piadas, sketchs ou lá o quê, parece-me que serve apenas para abandalhar.
ResponderEliminarHá lugar para o humor, mas há limites.
A contrariar isto que acabei de dizer, no Canal Q, havia um programa muito bem conseguido, com humor, etc, refiro-me ao Ah! A Literatura.
O "CÂMARA CLARA" ao princípio ainda me cativou mas de há uns tempos para cá a apresentadora passou a gostar de ouvir-se a ela e aquilo descambou para a chatice porque agora fala, fala, fala-se de tudo menos de livros. Faz-me lembrar o suplemento cultural do DN dos sábados, uma grande expectativa que ao fim de 10 números se esfumou por completo.
EliminarBom, tenho de confessar que no último mês e meio não vi nenhum, por isso não sei como é que aquilo está... :)
EliminarAinda há bem pouco tempo, havia um programa televisivo, não sei se ainda há, que era só um homem andando de terra em terra a contar histórias da História e a jurar, por exemplo, que tinha sido ali, ali, que Camões pusera pela primeira vez o pé. Essencialmente era uma narrativa ilustrada de forma direta e simples. E, no entanto, diziam que captava a atenção de muitos e variados públicos e o gosto pelo conhecimento da História.
ResponderEliminarDigo isto apenas como um exemplo.
A prova de que é possível (sem entrar em debates sobre a qualidade e audiência do programa): Ah, a literatura!
ResponderEliminarTambém acho injusto dizer-se que o Câmara Clara é chato, muito menos tão, mas tão chato quanto o é o futebol hermano nos seus dias piores, que no torneio recente foram todos menos talvez o da final. No entanto, partindo do princípio que será utópico, e como tal belo mas inatingível, que as Artes sejam fruídas por todos em partilhada alegria, talvez se possa sempre fazer algo nos programas de índole cultural de modo a torná-los um pouco menos pomposos e mais apetecíveis às massas. A propósito, lembro um programa na Antena 1 que contrapõe música clássica com estilos mais prosaicos (rock, pop, o que seja) através do diálogo entre dois conhecidos radialistas, especialistas dos estilos em confronto que vão introduzindo e explicando. Interessante porque põe pessoas a ouvir música que de outro modo nunca lhe passaria pelos ouvidos. Finalmente, não acho o Câmara Clara pomposo e não quero lá o Baião aos pulinhos.
ResponderEliminarOh Paulo o jogo dos espanhóis é uma autêntica chatice, lembras-te de quando eramos miúdos e jogávamos à rabia...
EliminarO Paulo Nogueira - um chato e comprido que não tem piada nenhuma!
Concordo, é uma chatice a que se não vê fim. É a tal rabia , de que me lembro bem. Agora, às vezes, fazemos aqui rabia mas com palavras :-). E o chato Nogueira e comprido é o Bruno, não? Nem sempre, mas a demasiada exposição cansa.
EliminarNão é a cultura que é chata e sim aqueles que a divulgam, esses são muitas vezes chatos!
ResponderEliminarAliás parece que fazem gala em o ser, que cultivam a chatice e uma postura soturna, amarrotada, de inquisidor, em serem feios e nada atraentes, como se fosse antagónico ter bom aspecto e ser culto... que as loiras tivessem de ser burras!
Olhe-se e oiça-se! Falam sempre naquele tom monocórdico e impessoal, sem aparentar uma só emoção. Não levantam nem baixam a voz, não alteram a expressão que é inexpressiva, sem chama ou entusiasmo! Não transmitem paixão nem parecem gostar do que estão a dizer...
Têm sempre aquele ar solene e categórico, de quem diz coisas profundas e indiscutíveis! Para não falar daquela postura de padre, da sua apresentação e vestir... o que é que transmitem?
Recordo ao Dr. Freitas Branco e em como eu pensava que o revolucionário e enérgico Beethoven devia dar voltas na campa se soubesse quem estava a fazer divulgação e o seu elogio! Aquilo que a sua música passou a representar, estabilidade e bom gosto, conservadorismo, numa afirmação da cultura tão distante daquilo que ele fazia e como se apossaram da sua música os que desprezava! Direi o mesmo de um Paul Gauguin que leva ao êxtase aqueles que ele correria à pedrada, ou os que fazem de Hemingway um ícone e a quem este daria tiros ou directos nos queixos!
Lembro-me do maestro José Atalaya ou de Leonard Bernstein e da forma como sabiam comunicar a música... lembro-me de António Alçada Baptista que falava como homem comum para homens comuns, das memórias de Vitorino Nemésio... é só comparar!
Ah... o tal senhor que anda de terra em terra e é um excelente comunicador, porque faz tudo ao contrário dos outros, ou seja veste-se como seria de esperar de um professor, penteado, de barba feita, que gesticula, move-se do lugar e até caminha ou escolhe cenários, eleva e baixa o tom de voz, que vibra com o que diz, entusiasma-se e se debruça para nós, chama-se Prof. José Hermano Saraiva!
Um exemplo... leiam a Atual (Expresso). Ali pontifica Pedro Mexia logo na abertura... Pode ou não concordar-se com o que escreve, mas é vivo e tem interesse, é multifacetado e multicultural, a mim agrada-me e leio-o sempre, mesmo quando diz coisas com as quais não concordo! Depois leiam as colunas dos demais opinadores - são chatos! Sem excepção, mesmo as carinhas bonitas, que se dedicam a debitar opiniões que ninguém lhes pediu e na maior parte sem interesse, alardeiam cultura e parece que apenas para preencher aquele espaço semanalmente e receberem a avença... me perdoem!
Saudações campestres!
Oh Pacheco então não é que eu penso o mesmo do Mexia...só ainda não comprei o último livro dele, que foi publicado não há muito tempo.
EliminarInteressante o artigo, deixou-me a pensar :-)
ResponderEliminarNão acho o Câmara Clara nada chato. Considero-o até o melhor programa cultural que se faz por cá. E confesso, já não há pachorra para essa ideia que a cultura deve vir embrulhada em laçarotes coloridos e apresentada por animadores para ganhar publico. Eu cá já me deixei disso: quem quer vê, quem não quer desanda. A motivação é interior, não tenho a mínima dúvida! Até porque, como já aqui foi referido, temos o delicioso "Ah Literatura" - agora na sua versão troika- e não me parece que seja nenhum êxito de audiências... E a propósito: li há poucas semanas o romance do Pedro Vieira "Última paragem, Massamá": belíssima estreia! Conhecia-o apenas do programa e das ilustrações da LER e nunca imaginei que escrevesse tão bem. Recomendo vivamente!
ResponderEliminarQuanto ao "Tubo de ensaio", confesso que não acho muito piada ao Bruno Nogueira: ele irrita-me um bocado, nem sei bem por quê...O que eu não dispenso todas as manhãs é o " Portugalex " da Antena 1 com o António Machado e o Manuel Marques: é de partir a rir!! Para além da excelência dos textos as imitações são perfeitas. Imperdível, sem dúvida! Nunca me hei de esquecer do programa em que puseram o Vasco Graça Moura barricado no CCB em defesa da língua portuguesa: chorei a rir!
Ó Anabela... a cultura pode não ter de ser apresentada com laçarotes, mas olhe que os "Robertos" que falam dela como se fossem meros matraquilhos, não ajudam nada!
EliminarClaro que o exagero oposto cai no ridículo... já viu o 5 para a meia-noite?
Uma coisa é falar entre gente que esteja sintonizada no mesmo comprimento de onda e que o pode fazer até de pijama!
Outra é a divulgação, a promoção... quando se pretende entrar na casa das pessoas que não se sabe qual a onda, e não me estou a referir à Hertziana... o melhor ainda é usar a frequência modulada, compreende? Tem um espectro mais alargado!
Cumprimentos deste seu Amigo virtual do éter!
E as imitações do cavaco e da maria e do jj do slb e o orelhas do slb , é de mais...
EliminarA cultura é como o bacalhau seco: pode ser saboreada pelo menos de 167 maneiras; pelo menos aproximadamente a um número desta dimensão, já que desconfio que cada um de nós é um compound cultural com as suas próprias hierarquias. Na minha hierarquia o Câmara Clara, consta! O que não consta são aquelas formas chatas de entretrer os olhos sem recurso às sinapses cerebrais, há quem ache entristecer, que dão pelo nome de telenovelas, embora elas sejam também inevitavelmente cultura e façam parte de outras hierarquias… e a cultura não se nega a ninguém: é um direito cultural!
EliminarConcordo também com a Ana B. que a motivação é interior; e o Câmara Clara um excelente programa. Os direitos culturais alargaram-se e hoje são de quarta geração… e de nicho: «a liberdade já passou por aqui», dirão os mais saudosistas.
Agradeço à Ana a dica da leitura da Última paragem, Massamá de Pedro Vieira, esperando no entanto, com natural horror mas com esperança, que a linha estreita que parece terminar em Massamá seja rapidamente desobstruída, e aberta se expanda sem mais dor para lá do nosso Bojador (que é um monstro de cabeças diferenciadas nas nossas diferentes hierarquia; para algumas gerações mais novas, os monstros, hoje, já não são o conde Drácula, nem Frankenstein, nem Mr. Morte… mas a bela adormecida e os seus adoráveis anões).
Desobstrua e acresça, sem esta forma chata de autoflagelação que nos faz descrer de tudo e todos - até das manifestações de Kultur que se nos entranharam e entranham todo Los dias pelos poros.
Correcção do comentário anterior: «e a cultura não se nega a ninguém: é um direito social e humano de última geração!... outras hierarquias.»
EliminarMeu caro, não sei onde foi desencantar o meu nome mas garanto-lhe que, apesar de bela, não me chamo assim...:)
EliminarAs lições de informática do Cavaco são de chorar a a rir...Eles são fantásticos! Imitam tudo. Até os sons! E os textos são maravilhosos!! Gosto imenso deles!
EliminarPeço imensa desculpa... deixei-me levar pela imaginação, certamente que influenciado pela sua graça...
Eliminar(Ai a Cristina Torrão a desancar-me pelo meu marialvismo não tarda nada!)
Tem razão... Ana!
O António Luiz admite, então, que foi "marialvismo", seu... marialva!
EliminarEstou a brincar.
De resto, já li todos os comentários, mas não me meto na discussão por uma simples razão: não conheço nenhum dos programas mencionados. Nada, népia!
Vantagens/desvantagens (escolham) de morar no estrangeiro...
Mas não se aflijam, por aqui há mil e uma maneiras de "empacotar" a cultura.
Ana b.
EliminarConcordo consigo.
O apelo para a cultura parte de nós.
Cultura não tem que ser festa apenas, ler um bom livro às vezes custa, é mesmo duro, é preciso força de vontade e motivação interior.
É evidente que a motivação exterior, quanto mais apelativo for o programa melhor, também conta, mas os autores / apresentadores de programas culturais não podem ser «entertainers».
olá rosário!
ResponderEliminarnum mediático dia de greve em que já fui assolada por todo o tipo de chatices institucionais, eis que algum iluminado colega ( a quem estarei eternamente grata) deixa minimizada no computador uma janela: "horas extraordinérias". em dia de contestação, pensei "deixa lá ver o que é que dizem aqui sobre o trabalho extraordinário..." E descubro que afinal não se tratava de trabalho mas apenas do bel prazer de pensar e opinar... cultura!
já que é suposto estar de urgência( não, não sou fura greves, estou a cumprir serviços mínimos, nada de confusões) não tive tempo para me dedicar com a merecida atenção e apreciar com calma todas as cronicas e comentários, mas prometo que será para breve.
até lá regojizo-me com estas horas extraordinárias a favor dos livros e dos leitores e dos que nestes dias turbulentos não esmorecem na tentativa de enriquecer um bocadinho o dia a dia, seu e alheio, com algo mais que crise e esmorecimento
beijinhos e boas leituras
Joka
Olá, Joka. Bem-vinda. Aproveito este cumprimento para dizer a todos que eu também não acho o Câmara Clara nada chato, para o caso de não ter deixado isso claro.
EliminarNão, nada disso, o Câmara Clara não é nada chato. Ao domingo à noite, quando apetece estar em frente à televisão, não vejo as palhaçadas da TVI ou o pouco estimulante Ídolos. Vejo, isso sim a RTP2. O Câmara Clara e a Britcom. Devo dizer que são programas excepcionais.
ResponderEliminarAinda este fim de semana fiquei a saber mais de um autor que desconhecia quase por completo: José Régio. O professor Eugénio Lisboa deu várias dicas e contou algumas estórias engraçadas sobre Régio.
Como o programa era dedicado a Vila do Conde (o Régio era daí natural) também se falou do festival de curtas da cidade, um dos melhores da Europa, actualmente.
Quem não teve oportunidade de ver in loco tem a chance aqui: http://camaraclara.rtp.pt/
Mas compreendo a piada do Bruno Nogueira e/ou do João Quadros. Sempre irreverentes e com alguma razão. Exemplos:
http://www.youtube.com/watch?v=-7iC8nECkKI
http://www.youtube.com/watch?v=RzZrH7rkvm0&feature=related
A cultura é sempre chata para quem está alheia ou pouco interesse tem por tudo o que é cultura.
ResponderEliminarAté se podem fazer programas divertidos, dinâmicos e muito didácticos, não me parece que possa resultar em algo - mas, vale sempre apena tentar. Em relação a isto os directores de programação devem saber o que resulta com as experiências que já foram feitas e os formatos que foram criados.
O DNA era um grande suplemento do DN que acabou; o Jornal de Letras é um caso de sucesso. Qual é a receita? Vejamos o conteudo e alguma conclusão se poderá retirar.
Manuel Joaquim Sousa
bloguedomanel.blogs.sapo.pt
Mas é indubitável, caro Manuel, que os programas de índole estritamente cultural também podem por vezes parecer como diz a MRP , aos olhos de muitos, e muito mais do que seria expectável, chatos. Dependem, quantas vezes, das nossas fases da lua.
EliminarHá sempre a possibilidade de se apostar em novos modelos, com qualidade e consistência cultural (os modelos nunca estão esgotados). Seria sempre positivo ouvir muitas opiniões para criar um modelo que fosse atraente - para os que já se interessam por cultura e para os que pouco ligam e acham a cultura chata. Depois existe a situação em que ao tentar ganhar espectadores se percam aqueles que já gostam de programas de cultura.
EliminarÉ um assunto que merece a sua reflexão, sem dúvida. Como diz o Pedro Sande "Dependem, quantas vezes, das nossas fases da lua."
bloguedomanel.blogs.sapo.pt
Manuel Joaquim Sousa
o Câmara Clara não é chato..
ResponderEliminarMeu Caro Manuel Joaquim:
ResponderEliminar"A cultura é sempre chata para quem está alheia ou pouco interesse tem por tudo o que é cultura."
(sic)
Hum... vai-me perdoar mas não concordo mesmo nada com este chavão! Para muitos de nós, há coisas que serão chatas sem que isso nos faça desinteressados da "cultura"... e qual cultura? A dos saltitões ou dos seráficos?
Tudo depende daquilo que cada um entende por cultura e até dos nossos interesses particulares.
Outra frase feita, mas com a qual eu concordo!
Porém, há algo que é transversal ao que aqui se vem discutindo: - A objectividade dos propósitos e a forma como são comunicados!
Quando se fala em "cultura geral", eu advogo que deve ser apresentada de forma ligeira e até
descontraída, nem por pessoas que pareçam senadores romanos nem com postura de bufão!
Porque o exagero em qualquer dos sentidos, não faz cultura e sim contra-cultura !
Um assunto mais específico e dependendo da sua profundidade, esse, sendo dirigido ao tal público-alvo interessado, terá de ser apresentado como aquilo que é... e dependendo quer do assunto quer do tal público.
Enfim, penso eu... e me perdoem o atrevimento.
Como eu concordo com o António Luiz Pacheco!
ResponderEliminarCultura chata? Programa cultural chato?
Primeiro: é a segunda vez que se usa e abusa em chamar chato neste blogue: eu desteto o vocábulo, mesmo quando seja um derivado de chatice. Chata era a espada do D. Afonso Henriques e, pelo que dizem, bem comprida.
Segundo: só é chata - vá lá, para não destoar - ou chato (na tropa designa-se outra coisa), tudo aquilo que entedia, mesmo que seja interessante. Tal como uma refeição bem confeccionada, só apanha as estrelinhas pela forma como é servida.
Terceiro: não me pronuncio sobre o programa em causa - Câmara Clara - porque, sendo um amante da fotografia, ainda me surge a imagem da Câmara Escura. No entanto, prefiro que o programa exista, mesmo "chato", "abrorrecido", "entediante" ou "bocejante", a não existir.
Quarto: que saudades do Carlos Pinto Coelho (e não só porque me deu a honra de uma entrevista acerca de um livro meu)!
Mudando de assunto: recebi hoje, poe e-mail, as novidades de Julho de uma determinada editora - que publica a expensas do autor - e vêm lá 32 títulos. Será que isto quer dizer alguma coisa?
Ao Pacheco, o desejo de boa colheita "sobreirosa", para que parte dela sirva em rolhas de garrafas que honrem o vinho aí depositado.
À médica que deu uma visita relâmpago (talvez à guisa de consulta) ao blogue, a compreensão pelo esforço que faz ao cumprir os serviços mínimos, quando o coração está na justa luta que todos empreendem neste momento.
A minha opinião sobre o Câmara Clara: a maior parte das vezes é chato, sim, pejado de elogios e salamaleques aos entrevistados, com a entrevistadora demasiado interventiva, etc., etc. Muitas vezes, na minha opinião de homem em permanente desejo de cultivo, chega mesmo a roçar o pseudocultural, queixa que também tenho relativamente ao Jornal de Letras.
ResponderEliminarPor outro lado, o Ah, a literatura tinha um formato mais agradável mas para mim pecava por excesso de ligeireza.
Pois, nunca estamos bem com o que temos... Mea culpa.
Aproveita-se a autocrítica.
EliminarAh, não é literatura!
Oracástá !!! (Não é só o Mia Couto quem cria neologismos!)
EliminarCaríssimo Nuno Serrano, se me permite... agora você deu em cheio no vinte!!!
Efectivamente o citado programa Câmara Clara, se bem que o cerne da discussão não seja ele mas porque sendo dos raros na TV acaba por se ver arrastado, não é chato!
De todo... chatos podem ser os que por lá vão!
Creio que nisso todos concordamos...
E a Paula Moura Pinheiro, que não conheço mas por quem tenho uma certa simpatia (não Marialva, hein! Ó Cristina Torrão!!!) esforça-se bastante, creio até que é assim uma espécie de sermoadora (neologismo II) aos peixes!
Mas direi o que não disse o nosso estimado Nuno Serrano, até porque no meu papel de traça atraída pela luz deste blog posso esvoaçar e estontejar , porque isento de responsabilidade cultural. Todavia tento ser justo e esclarecido, e, espero que esta crítica seja tida por constructiva que não por despeito! Sinceramente acho que ela (Paula MP ) é pouco espontânea, talvez porque acusando a responsabilidade se preocupa demasiado em ser assertiva, interventiva, dinamizadora, oportuna... e acaba por ser até um bocadinho subserviente e pouco natural! Ás vezes parece que está a celebrar missa (com todo o respeito).
Se tivesse aquele toque de irreverência ainda que respeitosa, se se atrevesse a provocar e a contrariar, a questionar... acho que teríamos uma coisa mais viva e real!
Estarei a dizer asneiras? Desculpem, foi o palheto... eheheh ! E peço desculpas à Paula Moura Pinheiro, mas não é por mal! Pelo contrário desejo-lhe o maior sucesso!
O Carlos Pinto Coelho tinha uma coisa rara e fantástica: a empatia! Olhávamos para ele e dizíamos: Tem cara de boa pessoa! Vou ouvir!
Uma boa noite a todos, na Santa Paz do Senhor!
O Câmara Clara vê-se bem. O Ah a Literatura também era agradável.
ResponderEliminarMas, desde que acabou (acabaram com...) o Acontece, ficou um vazio que ainda está por preencher.
Parece-me ainda incrível a forma como assassinaram aquele programa extraordinário. Quase um homícidio à nossa cultura.
Hoje em dia, confesso, é em blogues como este que prefiro sentir o nosso mundo cultural.
Felizmente, a internet tem espaços como este, onde posso encontrar artigos deveras interessantes e comentários extraordinários.
Sim, porque uma das grandes mais-valias deste espaço é também a riqueza de quem comenta.
Por isso, como leitor assíduo, só posso dizer:
Obrigado à Maria do Rosário Pedreira e a todos!
O modelo usado pelo Diogo Infante era muito bom. Para além de os textos estarem bem feitos, ele é um bom comunicador, e penso que isto é o mais importante.
ResponderEliminarO programa da PMP é muito bom e bastante diversificado. Não podemos gostar todos do mesmo, mas devemos respeitar o trabalho e a seriedade com que o trabalho é feito. Pena minha não ter mais tempo para as coisas da cultura, das artes e da música. Obrigada Maria Rosário pelos seus posts que muito me ajudam na escolha
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