Obra de estreia

No meu local de trabalho, sempre que «preciso» de ir fumar um cigarrinho, atravesso um longo corredor, no qual se dispõem à minha direita as mesas dos responsáveis pela comunicação e promoção dos livros de todas as chancelas do grupo. Os livros amontoam-se ali como em mais nenhum lado, já que é necessário enviar a jornalistas um bom número de exemplares para garantir que saem notícias e críticas acerca deles. Mas as capas das obras de Philip Roth saltam à vista entre todas as outras, pelo grafismo particular, do extraordinário Rui Garrido, e pelas cores vivas e contrastantes. E foi assim, de passagem a caminho do vício, que um dia destes descobri que a Dom Quixote acabara de publicar o livro de estreia do escritor norte-americano, intitulado Goodbye, Columbus, um pequeno romance sobre um amor de Verão, publicado originalmente em 1959, que o catapultou imediatamente para o lugar dos grandes, granjeando-lhe prémios e uma reputação que nunca mais lhe fugiria. Em Portugal, a edição junta à novela cinco contos do autor (que eu saiba, nunca publicados) e conta com a tradução sempre excelente de Francisco Agarez (desta vez não podia esquecer-me de o referir, pois é um grande tradutor). Mais um que não é possível deixar de ler.


 


 


Comentários

  1. João J. A. Madeira4 de junho de 2012 às 02:24

    Abrindo uma excepção ao meu ódio de estimação às cunhas, nada melhor que meter uma à simpática anfitriã deste blogue - já estou a engraxar - e pedir-lhe que, quando for fumar o seu cigarrinho, inclua na lista desse pessoal amontoado à direita e perdido no meio de tanto livro, o meu nome e a minha morada. Mais um menos um, para eles é indiferente e a mim fazia-me jeito renovar a biblioteca caseira. Prometo que em contrapartida leio (o que já é um feito) faço crítica (para mim próprio) e só não serei notícia porque (também) os jornais não me publicam (mas aí a culpa não é minha). Vá lá... os livros que ando a ler já lhes caem as letras, de velhos que são. Boa semana a todos.

    ResponderEliminar
  2. Caros leitores extraordinários, fiz a lista completa (espero que não me tenha escapado algum) dos livros referidos em resposta a O QUE ANDO A LER; está aqui:

    http://arevoltadasfrases.blogspot.pt/2012/06/uma-lista-extraordinaria.html

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. António Luiz Pacheco4 de junho de 2012 às 10:11

      Eheheh! Gandalista!!!!! E de qualidade...

      Não a sabia também bloguista!

      Saudações do campo!

      Eliminar
    2. Fui espreitar a lista, é muito maior do que havia pensado. Obrigada por esta ideia.
      Isabel

      Eliminar
    3. A Maria Almira Soares tem um bom trabalho sobre Philip Roth em "A Revolta das Frases", publicado a 9 de janeiro, com uma ligação vídeo a 10.
      A "mazinha" não nos chamou a tenção para este pormenor... e devia fazê-lo, não?
      Quanto à lista, está perfeita.

      Eliminar
  3. Philip Roth não pára de me espantar: como é que um homem de 26 anos consegue escrever com esta segurança, esta limpeza cristalina, esta aparente simplicidade? Ler esta novela (e os contos que a acompanham) é como observar a nascente de um rio, que irá ser caudaloso, atravessado por correntes fortes e sempre a correr sobre fundos pedregosos. Viver não é fácil.

    ResponderEliminar
  4. Quer dizer que tem deferência pelos colegas e vai fumar para longe deles (não acredito que seja por subserviência ao chefe ou à lei) mas na Feira do Livro não foi fumar para longe dos leitores. Tá mal.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. 1. O chefe é fumador;
      2. Não é «subserviência», é «obediência» à lei.

      Eliminar
    2. A 3 de Dezembro, completar-se-ao 21 anos, desde que deixei de fumar. Gracas a Deus, que é capaz de também ter dado uma ajudinha, mas, no essencial, gracas a mim...

      Eliminar
  5. Confesso que nunca apreciei a literatura norte-americana, Roth incluído.
    Dos norte-americanos que li, o único que ponho entre os grandes nomes da literatura contemporânea de língua inglesa (Ishiguro, McEwan, Coetzee, Rushdie, Carey, etc.) tem nome italiano: chama-se Don DeLillo.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Oh Nuno, bom dia, se tiver oportunidade leia "HUMILHAÇÃO" do Philip Roth , é um grande livro deste grande escritor americano. É, a par de Corman McCarthy , um dos meus preferidos, não esquecendo os mais antigos com John Steinbeck à cabeça.

      Eliminar
  6. Olá, bom dia a todos.

    A capa em transparência e lucidez fora sugerido o azul, blue. É possivel verificar em momento raro a ausência da letra "A" compensada (na questão com equilíbrio) a escada deslocada sensivelmente a abertura do livro (sugeri o doble A). Pela disposição de cinco palavras em fontes decrescentes remetem ao centro (leito de rio entre margens vermelhas); na pesquisa ao nome Columbos a princípio, carta de Colombo a descrição as ilhas; decorrida leitura abordei outro interessante estudo de Carlos Fontes sobreColombo e remete, outra discussão: Hesíodo refere os ligures. Estrabão (63 a.C. ou 64 a.C. - cerca 24 d.C) afirma que os ligures são o "povo principal do ocidente" (Colombo cita-o, por exemplo, a carta sobre a 3ª. Viagem).

    O original desta carta de Colombo desapareceu. Conservam-se várias versões em espanhol, italiano e latim. Nossa edição eletrônica segue a cuidadosa edição de Lionel Cecil Jane, em sua obra Selected Documents Illustrating the four Voyages of Columbus. 2 vols. London: The Hakluyt Society, 1930. Vol. I, 2-19]

    ResponderEliminar
  7. João J. A. Madeira4 de junho de 2012 às 05:34

    Volto aqui para deixar dois abraços. Um para a Maria Almira Soares pela sua útil, sugestiva e documental lista e outro para Claudia Tomazi pela excelente análise de capa. (...e um desabraço a mim próprio. Não tenho mesmo jeito para cunhas, ihihih)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Retribuo de acolhedor abraço, os melhores votos a sua biblioteca, e que compreendam estes que ao remeterem estarão contribuindo e construindo o patamar em ideias afim.

      Eliminar
  8. Não gosto da capa. Melhor dizendo, não gosto das capas onde o lettering enfatiza o nome do autor em detrimento do título. Sei que é comum, para vender o Autor; mas devemos pensar que o mesmo autor não é sempre "bom" em "todas" as obras.
    Lembra-me um anúncio televisivo onde se vendia uma carpete (salvo erro) em que se propunha a qualidade da marca, da etiqueta e o comprador respondia: fico com a etiqueta!
    A combinação da cor está perfeita, porque foram escolhidos dois pantones contrastantes. Peca - no meu entender, repito - pela preponderância do autor sobre a obra.

    ResponderEliminar
  9. Já o tenho:)
    Não fosse o Roth o meu escritor preferido de sempre! Ex-aequo com o David Lodge ).

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Oh ana b. até o David Lodge??!! Houve uma altura que lia tudo o que era dele. A descoberta fez-se com "Terapia" e seguiram-se os outros títulos. Um livro que recomendo para um fim de semana descontraido é, sem dúvida, "a troca" que trata da história de 2 professores que através de um intercâmbio entre universidades trocam de lugar por um semestre. Lembro-me de acabar a sua leitura com um grande sorriso nos lábios. Um livro ideal para levar na mala nas férias ou no tal fim de semana.
      Isabel

      Eliminar
    2. Credo!! Se você fosse homem já começava a desconfiar.. Eheheheheheh
      Juro que o primeiro que li também foi o Terapia. Recordo-me de estar na praia, deitada de barriga para baixo, e ter de me sentar por estar perdida de riso, sem fôlego , mesmo! Escusado será dizer que virei fã nº1 . Tenho-os todos. O último dele ("A vida em surdina" ) tem das descrições mais fabulosos ( e mais realistas...) que eu já li, do período natalício. Imperdível, mesmo!

      Eliminar
    3. «No creo en brujas, pero que las hay, las hay»
      Um beijinho
      Isabel

      Eliminar
  10. Com relação a Rui Garrido cita ao post MRP pelo grafismo diferenciado; gostei da capa de "o livro dos quintais" extraordinariamente apreciável.

    ResponderEliminar
  11. Acabo de ser informada de que a edição norte-americana desta novela também inclui os contos. Desculpem não ter avisado logo, mas desconhecia.

    ResponderEliminar
  12. Philip Roth ficará para mim ligado a ASeverino, dado que foi ele que me chamou a atenção para este autor.
    Quanto à capa, essa chama mesmo a atenção, mas confesso que não a acho bonita. Nada de grave, porém, se o que está dentro for interessante.
    Isabel

    ResponderEliminar
  13. O Rui Garrido é um fantástico desenhador de capas, esta linha e a de Saramago são prova disso.

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Em Berlim

O que ando a ler

O principal e o acessório