O que ando a ler
Resolvi fazer a vontade ao leitor deste blogue, ASeverino, e fazer um post neste primeiro dia útil do mês de Junho sobre o que ando a ler. Pois bem, o último livro que terminei chama-se Furacão, foi escrito por Laurent Gaudé, que já ganhou o prémio Goncourt, e é uma homenagem fascinante aos que sofreram os efeitos do Katrina em New Orleans. É, pois, um livro sobre os negros na América (os brancos puseram-se a andar antes da catástrofe ou tinham casas resistentes) e, se quisemos, também um livro sobre a divisão de classes, o racismo e a escravatura. Conta a história de uma velha de cem anos que cheira a tempestade assim que acorda; de um homem que trabalhou numa plataforma de petróleo e viu o melhor amigo ser queimado vivo (nunca mais pregou olho); de uma mulher desencantada com um filho de seis anos que não comunica; de um grupo de prisioneiros que ficam sozinhos numa cadeia onde a água entra aos borbotões; e, finalmente, de um padre que interpreta a tragédia como um sinal de Deus e acaba mal. Belíssimas as vidas de todos eles – e bem assim as descrições da chuva e dos remoinhos de vento que levam tudo pelos ares, destroem as moradas dos pobres, fazem transbordar os rios, entopem os esgotos, arruínam os diques e espalham pelo cemitério crocodilos que se misturam com os animais do Zoo e os mortos. Um romance a várias vozes comovente e em defesa dos fracos, que recomendo vivamente, mesmo aos leitores que têm por hábito desconfiar da literatura francesa.
Oh Maria do Rosário até me senti assim a modos que...sei lá quando vi que aceitou a minha sugestão, obrigado!
ResponderEliminar"Furacão"-parece-me muito interessante pela sua descrição, mas desconfio...porque ao fim e ao cabo todas as suas descrições são importantes e imperdíveis. Mas já está na lista.
"CONTA CORRENTE 5" de Vergílio Ferreira é o livro que ando actualmente a ler, é o nº. 5 e último desta série de diários (de capa vermelha) mas que depois ainda escreveu uma segunda série (capa verde escura) e que serão, creio, mais uns três ou quatro, ou seja oito ou nove no total.
Curiosamente tenho algum "medo" de pegar nos romances deste autor, pois creio que não será um autor muito ´"fácil", mas estes diários são autênticas pérolas.
Muito interessante, naturalmente que poder-se-à dizer que é um livro datado (como serão certamente os diários), ou seja reporta-se aos anos 80/90 do Séc. XX, mas tenho gostado imenso , é uma escrita alegre/triste/divertida/nostálgica, mas que vale muito a pena ler.
Um abraço para todos estes meus amigos e bom fim de semana
P.S.-Antes deste "Conta Corrente 5", também tinha lido um diário de crónicas mas dum prestigiado autor espanhol Gonzalo Torrente Ballester "Memórias de um inconformista", mas não chega nem aos calcanhares destes diários deste grande escritor português.
Caro ASeverino,
EliminarOs Conta Corrente valem mesmo a pena, são uma pérola. Não sei se já leu "Manhã Submersa" do mesmo autor... É imperdível. Não gostei tanto do famoso "Aparição" em termos de linguagem trabalhada, mas é outro grande título.
Gonzalo Torrente Ballester não seria tão bom nas Memórias (não as li, confesso) mas era um narrador maravilhoso e também fazem parte da minha biblioteca alguns dos seus romances. Creio mesmo que depois do Furacão, que a nossa cicerone aconselha, me vou aventurar pelo seu famoso "Cronica d'El Rey Pasmado", que aqui tenho mas que sempre fui adiando por já ter visto o filme e ter gostado muito.
Caro Nuno - aqui há uns anos atrás (muitos), comecei a ler "A MANHÃ SUBMERSA" e creio que, na altura, não tive pachorra para passar da página 20 e poucas, mas quero lá voltar.
EliminarDo Gonzalo Torrente Balester apenas li "MEMÓRIAS DE UM INCONFORMISTA "; não li esse rei que menciona mas li outro duma excelente escritora espanhola "HISTÓRIA DO REI TRANSPARENTE" e outro que também recomendo "INSTRUÇÕES PARA SALVAR O MUNDO" dois bons romances -ROSA MONTERO-.
'50 Grandes discursos da História' é um dos livros que leio agora. Começou por ser trabalho e agora é também prazer: do Sermão da Montanha de Jesus Cristo, à carta de despedida a Fidel Castro de Che Guevara, às leituras radiofónicas de Salvador Allende durante o golpe de estado, os apelos em nome da república espanhola de La Pasionaria, as palavras que inauguraram a Comunidade do Carvão e do Aço por Jean Monnet, entre muitos outros.
ResponderEliminarSão momentos da História, alguns muito localizados, outros perfeitamente actuais como o discurso de Kofi Annan na ONU, Um Esforço Global Pela Supremacia da Lei, segundo ele, a única garantia para preservar liberdade para todos. É uma edição Sílabo, de 2005.
Fiquei bastante curioso e o Furacão será o meu próximo livro.
ResponderEliminarO último que li, como aqui já tenho referido (não sou um leitor ávido e quando leio um bom livro tenho de esperar um pouco até conseguir ler outro...) foi o segundo romance de Luís Caminha, “A Decadência dos Olfactos”.
Luís Caminha recria mundos a partir da descrição do que vai na cabeça das suas personagens e por isso é difícil escaparmos a fazer parte desses mundos. N’”A Decadência dos Olfactos” conhecemos Albanta, uma cidade perfeita onde não circula dinheiro e onde as pessoas trabalham pouco ou nada, divertem-se muito e não têm de se sujeitar à poluição nem a monstruosidades na paisagem. Mas há um preço para tudo isso: aos 45 anos têm de se entregar nas chamadas “casas de terminação”, onde como o nome indica são mortas. Luís Caminha vai-nos dando aos poucos a informação necessária para percebermos que essa é a única maneira de aquela cidade continuar a funcionar bem.
As personagens principais, Vilna, Kaina e Viktor (que também é o narrador embora metade do livro esteja escrito na segunda pessoa e segundo o ponto de vista de Vilna), concretizam diferentes atitudes perante este mundo perfeito e numa sucessão de encontros e desencontros, deserções, capturas e indecisões, somos levados a virar as páginas uma atrás das outras para saber o que acontece.
Creio que Luís Caminha conseguiu algo de surpreendente: aliar uma escrita irrepreensível à narração. O dilema do leitor mais atento está entre ler devagar e saborear as frases, uma a uma; ou ir mais rápido, que é o que lhe pede a ânsia de saber o que acontece a Viktor e a Vilna.
O melhor livro de autor português que já li nos últimos anos, sem dúvida. Há várias opiniões na net acerca do livro mas gostei particularmente desta, de alguém que parece ter vibrado como eu:
http://asleiturasdocorvo.blogspot.pt/2012/05/decadencia-dos-olfactos-luis-caminha.html
Concordo a 100%. E Luís Caminha é um autor que, pela amostra, não se repete. Os seus dois romances são completamente diferentes nos temas, no enredo e na construção, sempre servidos por uma escrita fascinante.
EliminarDe momento estou a ler o Caim do Saramago mas não ainda não tenho opinião formada. Sinto, no entanto, que começa muito bem e que depois se vai perdendo um pouco...
...estou neste momento a escrever sobre o livro. Apesar de o considerar um bom livro, não partilho do seu entusiasmo...sorry :(
ResponderEliminarConcordo. Li bem o Furacão, mas não me satisfez completamente.
EliminarDe momento tenho vários livros em fila de espera mas ainda não decidi por nenhum. Sobrevivo com as emendas constantes do meu e ainda com a alegre memória - por vezes hilariante - do último: "Porque comi o meu pai?" do sociólogo e jornalista inglês Roy Lewis (n. 1913). Ao que diz na contracapa da edição de 1992 da Livros Horizonte, colecção Hagá, é o seu único romance a acompanhar a escrita sobre história social. Se alguém se quiser divertir - e pensar, forçosamente - com uma tribo pré-histórica de ainda quase macacos a viverem os tiques da sociedade amacacada de hoje, não perca.
ResponderEliminarCaro João Madeira, esse é um livro curioso e interessante, escrito com humor e ironia!
EliminarFala sério: quando vai a África e cometestes enganos estas exilado.
EliminarEstou mesmo mesmo a acabar o Monte dos Vendavais, uma lacuna preenchida e um grande uff !..., intersectado com o início da leitura do primeiro de Luís Caminha: escrita poética, bonita, talvez um pouco mais de depressão para contrabalançar a irresponsável boa disposição que sobrou, ainda assim, da exposição aos vendavais.
ResponderEliminarJá li o "Furacão" e também gostei bastante. Achei comovente a forma como o escritor trata os esquecidos e os mais desprotegidos. A "multidão dos vencidos" como ele apelidou. Muito bom!
ResponderEliminarNeste momento ando a ler o "A viagem a Tralalá de Wladimir Kaminer , autor russo de Moscovo mas a viver há já alguns anos em Berlim. O livro é delicioso! Nem sei bem se se pode chamar um livro de viagem porque foge um pouco ao tradicional. O relato da viagem é feito por uma terceira pessoa: o autor. A comicidade surge do embate entre a imaginada e mitificada viagem ao ocidente ( Paris) e a realidade encontrada. O livro é hilariante!Está escrito com uma imensa ironia e faz também uma mordaz crítica ao antigo regime comunista dos países que ficavam atrás da Cortina de Ferro. Embora ainda não o tenha acabado de ler ( essa semana que passou foi de loucos...) recomendo vivamente. O livro tem passagens hilariantes! Juro. Não sei bem porquê mas o livro evoca-me os filmes do sérvio Kusturica . Estou desejosa de o acabar. Para quem gosta de uma boa gargalhada é o livro ideal!
Antes de terminar, só uma pequena consideração: se alguém disser mal da literatura francesa, obrigo-o a ler toda a obra de um dos melhores escritores do mundo: Philippe Claudel !! É do melhor que anda por aí. Infelizmente só soube que ele esteve em Portugal, já após ter passado o dia da sessão. Tivesse eu sabido antes e teria levado todos os seus livros ( tenho-os todos!) para que os autografasse. Paciência, ficará para uma próxima oportunidade. Por isso, mesmo que outros não existissem, o Philippe Claudel salvaria a honra do convento:)
Philippe Claudel : Almas Cinzentas-grande , grande livro; A Neta do Sr. Linh - excelente e "O BARULHO DAS CHAVES" que maravilha, já li estes três e mais um de que não lembro agora o nome, que maravilha, é absolutamente absorvente/aterrador/empolgante, enfim grande escritor.
EliminarCara ana b
EliminarSinceramente, eu gosto de literatura francesa, e gosto da lingua francesa (que está tão pouco na moda). E quando era mais jovem li toda a saga dos Rougon-Macquart (que atravessa vários livros) de Émile Zola, e foi como que um murro no estômago na tomada de consciença da condição humana. Já mais tarde (e creio que já aqui o mencionei), li "Belle du Seigneur" de Albert Cohen (da Suiça francófona)e posso dizer que foi uma experiência inesquecivel!! Ainda hoje procuro ler literatura francesa.
Isabel
Olá Ana B.,
EliminarMas quem teria coragem para dizer mal da literatura francesa? Vejo que gosta de boa literatura. Aqui há uns tempos li "O Mapa e o Território", do Michel Houellebecq e achei mesmo muito bom. Mas se se quiser atravessar o Canal da Mancha, o meu preferido chama-se Kazuo Ishiguro (inglês de origem japonesa). Escreveu dois livros que li e nunca mais esqueci, pela sua capacidade inacreditável em separar narrador de autor: "Os Despojos do Dia" (Remains of the Day) e "Nunca me Deixes" (Never Let Me Go, e torço o nariz à tradução do título).
Terá sido o "Relatório de Brodeck "? É maravilhoso!!
EliminarMais uma coisa que temos em comum: o gosto pela língua e cultura francesas:)
EliminarAtravesso pois!:) E com muito prazer: do lado de lá também existem belíssimos escritores. Infelizmente nunca li nada do K. Ishiguro mas tenho o "Nunca me deixes", em lista de espera há imenso tempo. Pode crer que será agora que o vou ler, até já o tirei da estante.
EliminarQuanto ao M. Houellebecq , apenas li o " Plataforma". Gostei do livro, embora não me arrebatasse a alma. Mas fartei-me de o oferecer só para ver a reação das pessoas...Adorei!: Ehehehehehe ... Também tenho o "Mapa e o território" mas ainda não o li.
Vi que gosta muito do Ballester . Também eu! A Crónica do Rei pasmado" é excelente, sem dúvida, mas não perca também o "A Bela Adormecida vai à escola": é hilariante!
"A Bela Adormecida Vai à Escola"! Já ouvi falar mas nunca li! Os seus conselhos são ordens, vou pôr já na minha lista. Obrigado, Ana B.
Eliminarana b. - esse não li, se calhar só li aqueles três, porque não consigo removisualizar mais nenhum...
EliminarDo mesmo autor de "Furacão" já li "O Sol dos Scorta": começa de forma extraordinária com a história do estupro da irmã errada, mas depois perde-se um pouco... Ainda assim é um bom livro.
ResponderEliminarAliás, a literatura francesa está cheia de novos autores com muito interesse, e que não são "urbano-depressivos"...
Estou a ler "Alvo Nocturno" do argentino Ricardo Piglia mas, por qualquer razão estranha, não me está a cativar.
PLFF
MRP:
ResponderEliminarPor receio de não ler este comentário-correcção ao seu Post anterior, aqui o deixo deslocado.
O João Paulo Oliveira e Costa propôs-se escrever uma trilogia ficcionada sobre a História de Portugal do período dos Descobrimentos. Depois de «O Fio do Tempo» e «O Império dos Pardais», completou- recentemente com «O Cavaleiro de Olivença».
Obrigada!
EliminarEu cá vou numa de baleias. Moby Dyck, de Herman Melville.
ResponderEliminarobra prima. Consegue, como poucos, evoluir tanto no aspecto diacrónico como no psicológico.
EliminarMário, peço imensa desculpa pela minha ignorância - mas antes esta do que a estupidez -, mas que quer dizer com "aspecto diacrónico"? Acaso tem a ver com a relação plot vs o aspecto temático da descrição da à caça da baleia?
EliminarAhahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahaahahahahaha !!!
EliminarCaro VH,
EliminarGostaria muito de conversar consigo sobre Moby Dick . É um dos livros da minha vida, se assim se pode dizer.
Não o faço aqui, com muita pena minha, porque há uma anónima que, provavelmente, é a mesma que apanho na Goodreads . É a minha stalker de estimação.
Quando é para rir, aprecio a presença, mas para este tipo de tema, não.
E caríssima anónima, que não é assim tanto, em vez de puxar tanta vez pelo nome do extraordinário autor que foi seu pai, em vez de andar a comentar, anonimamente, os seus próprios livros, mande-me um email para o Gmail . Ainda o tem. Se preferir, eu vou a sua casa. Também ainda tenho a morada. Assim falamos olhos nos olhos e consegue expelir todo o veneno que há em si.
Infelizmente, sou obrigado a descer a este nível e enviar recados por blogue alheio.
Peço desculpa Maria do Rosário, mas isto já é doentio. Não estou num bom dia e não tenho paciência para gente deste calibre.
Compreenderei se apagar este post.
Cumprimentos
Mário Rufino
Senhor Mário,
Eliminarnão faço a mais pálida ideia a quem o senhor se está a referir.
tenho o direito de não querer assinar o meu nome, ou não tenho? estranho é que o senhor acuse publicamente uma pessoa que pelos vistos é uma pessoa de quem o senhor não gosta. tenha juízo e vergonha. fez bem em pedir desculpa.
que engraçado que o senhor é ahahahahaha!
O endereço IP, na versão 4 do IP (IPv4), é um número de 32 bits oficialmente escrito com quatro octetos (Bytes) representados no formato decimal como, por exemplo, "192.168.1.3". A primeira parte do endereço identifica uma rede específica na internet, a segunda parte identifica um host dentro dessa rede.
EliminarDe anónima para anónima quero dizer-lhe que tem todo o direito em não assinar o seu nome, também tem o direito de escrever ahahahah! as vezes que bem entender, mas diga lá, não consegue ser um pouco mais original? (digo-lhe já que nem conheço o Mário Rufino).
EliminarEnfim , gostaria de lhe dizer que engraçado (a) que é, mas não, hélas, por isso vou me abster de ser tão criativo quanto o foi!
Compreendo, Mário.
EliminarAbraço, VH
EliminarBoas leituras.
Mário
Bom dia a todos.
ResponderEliminarDeste post "O que ando a ler" gentilmente o detalhe em defesa dos fracos. A explicação é simples: "a vida imita a arte" e recíproca, no entanto: ordem, harmonia, gestão e noção; pois nem só em lidar com literatura sob várias formas.
Com fidelidade acompanho a leitura agradável de blogs:
Horas Extraordiárias - Dra. Maria do Rosário Pedreira
De Rerum Natura - Universidade de Coimbra
João de Castro Nunes - Poeta maior de Portugal
O que andei - João Serra
Instante - Prof. Maria do Céu Prudêncio
Honestamente, na net leio um pouco de tudo e muito de nada; classifico como leitura esporádica e experimental.
Com relação a livros "As duas águas do Mar" FJV, e "Um país sob minha Pele" de Gioconda Belli, este último gostei do estilo mas considero literatura de (especulação).
Meus cumprimentos a ASeverino.
Também para si Cláudia, obrigado.
EliminarTomazi - que melodioso nome - italiano?
De nome sim e não sobrenome.
Eliminarjá que estamos na dicas de leitura:
ResponderEliminarUm mais conhecido: "Winesburg Ohio" de Sherwood Anderson
e este indispensável:
Não Humano de Osamu Dazai.
Oh Mário - se "A LESTE DO PARAÍSO" eu VI, na estrada, um cágado a subir um passeio em Winesburg Ohio" de Sherwood Anderson , eu vi o pôr do sol naquela pequena povoação da América profunda, eu vi a melena e a cara misteriosa do jovem George Willard , eu VI o que está dentro daquele grande livro.
Eliminar"O GRITO" foi pintado por Edward Munch e poderia ter sido descrito por Sherwood Anderson
Ando a ler UMA VIAGEM À ÍNDIA de Gonçalo M. Tavares como se estivesse a decifrar um mapa do tesouro. É um livro extraordinário!
ResponderEliminarUma citação:
"E é evidente: conhecem-se os homens pelo que lêem
mas não só." [pág. 51].
Ando a reler CALIGRAFIA DOS SONHOS de Juan Marsé lido recentemente. Às vezes, tenho pena de que um livro acabe e ponho-me a lê-lo outra vez. E é como se lesse dois livros em um, acreditem.
Cara Maria Almira
EliminarPeço-lhe que, por favor, veja o comentário que acabo de colocar lá para diante, no qual me refiro a este seu acerca da "Viagem à Índia", durante a qual me cruzo consigo na pág. 51 e, inadvertidamente, refiro o seu nome e passo adiante sem sequer a cumprimentar.
Cumprimento-a agora, tardiamente - mas com estima.
Joaquim Jordão
Caro Joaquim Jordão, obrigada por tão bem ter desenvolvido o que eu quis dizer. É mesmo desse modo que descreve que a leitura se pode tornar o mapa de um tesouro ou mais...
EliminarNota, em atenção aos dicionários: a palavra "EXTRAORDINÁRIO" está a ganhar novos significados.
Começei ontem "Caligrafia dos Sonhos" precisamente temendo que vá acabar depressa demais!...
Eliminare de sexta para hoje, acabei o do Piglia e li "A cidade de Ulisses" de Teolinda Gersão, um belo livro em jeito de "homenagem" a Lisboa. Fiquei com vontade de (re)descobrir mais desta autora.
PLFF
«Naquele momento creio ter entendido: a cidade não é um lugar. É a moldura de uma vida, um chão para a memória. Enrolei a linha, e regressei a casa...» (Mia Couto; Pensageiro Frequente).
ResponderEliminarEstou a ler o "Um Pinguim na Garagem", que já aqui tem sido referido. Muito bom, estou a gostar muito do modo como o autor vai desenvolvendo o tema, eu diria que por camadas, de um modo que cada vez se vai entranhando mais no leitor.
ResponderEliminarAntes li, ou reli, As Memórias de Adriano, uma obra que foi sendo construída por Yourcenar durante mais de 20 anos e um portento da literatura.
E depois dos elogios do Nuno Serrano e noutros blogues ao "A Decadência dos Olfactos", estou cheia de vontade de regressar ao Luís Caminha. No próximo dia 9 lá estarei no Campo Grande para o lançamento do livro e o autógrafo respectivo :).
Cara Margarida, pode informar-nos, onde e a que horas será o lançamento? Também já li o "Um Pinguim na Garagem" e gostei muito. Belíssimo!
EliminarOlá, Ana B..
EliminarEntretanto já acabei de ler... Angustiante, belo, poesia de mão dada com a narrativa, como disse um dos extraordinários comentadores deste extraordinário blogue acerca do Pinguim (até apetece chamar-lhe só assim de tão entranhado que fica...).
De acordo com o blogue do autor (ocasosluiscaminha.blogspot.com), o lançamento será no dia 9 de Junho, às 18h, no Auditório do Campo Grande (Campo Grande, nº 56; já por lá passei uma vez e é a uns 50 metros da livraria Bulhosa). Acho que será já no próximo sábado.
Encontramo-nos lá, então! :)
Olá, Margarida.
EliminarLá estarei, sem falta!
Comentarei com o autor como fiquei sabendo da apresentação do seu novo livro. Quem sabe ele ainda nos apresente?:)
Últimos livros:
ResponderEliminar- Um livro de um autor pouco conhecido (penso eu) mas que evidencia um grande talento. Desculpem a publicidade. É o 2º livro de Miguel Castro caldas “As sete ilhas de Lisboa”. O primeiro foi “Queres crescer e depois não cabes na banheira”.
- A biografia do Steve Jobs . Inquietante e inspiradora, mas eu sou suspeito porque sou um fan boy ”.
- “A obsessão antiamericana” de um jornalista francês Jean revel . É um ensaio (não é erudito, porque esses dispenso-os bem) e o título diz tudo. É o mesmo autor de “Nem Marx nem Jesus”.
"O sentido do fim" de Julian Barnes é o livro que estou neste momento a ler. É comovente, e na descrição dos sentimentos vividos na sua juventude, apercebo-me que independentemente da época, na descoberta do corpo e da vida assaltam ao jovem os mesmos receios e inseguranças....Há coisas que nunca mudam.
ResponderEliminarIsabel
Concordo com Isabel que há coisas que nunca mudam tipo o silêncio, pois se mudarem já nem serão, mais.
EliminarBoa tarde.
ResponderEliminarSou o Fernando, tenho 23 anos, e desde que li o primeiro livro (aos 8 anos), tenho o desejo de escrever. Agora já acabei um curso superior (que nada tem a ver com letras), estou a trabalhar na área, e surge enfim a oportunidade de ter tempo para escrever. Leio muito, pelo menos uma hora e meia por dia, e inscrevi-me no curso online de escrita criativa da UnyLeya.
Na sua opinião, quais são as "metas" que um aspirante a escritor tem de alcançar para ser bem sucedido?
Obrigado!
ah, e por agora estou a ler "A triologia de Nova Iorque", de Paul Auster.
EliminarIsso das metas é o diabo... Não pense em objectivos, pense em prazer. Já basta os objectivos no trabalho. Disciplina, sim, mas para ser bem-sucedido, conhecido, apreciado, amado e aplaudido tem de ser bom. E isso não é meta que possa impor-se, ou se é ou não se é. O resto será da responsabilidade de quem o editar também. E continue a ler.
EliminarQue engraçado, já me tinha ocorrido a ideia de me inscrever no curso online de escrita criativa da Unyleya, para fazê-lo pelo prazer das letras e pela imensa curiosidade de saber o que é isso da escrita criativa. Um dia passo mesmo à acção!
EliminarIsabel
Se não "se der bem" com "A Trilogia de Nova Iorque" não desista de Paul Auster e leia "Sunset Park". Se gostar não deixe de ler "Sunset Park" na mesma. É arrebatador.
EliminarEu comecei a ler " A Trilogia de Nova Iorque" com 15 anos, não terminei e nunca li mais nada do Paul Auster, mas consegui esquecer o livro nem o autor.
Assim que "Sunset Park" chegou a Portugal comprei-o e li-o de um fôlego. É um dos meus livros preferidos.
Não consigo gostar muito do escritor. Penso que os livros perdem energia. Há livros em que tenho a sensação que retiraria algumas dezenas de páginas. “A Noite do Oráculo”, gostei.
EliminarPaul Auster devoro!
EliminarCuriosamente Sunset Park " não foi dos que mais gostei. Mas "A Música do Acaso" Leviatan " Mr . Vertigo "; "Timbuktu", "O Livro das Ilusões" "A Noite do Oráculo" "Um Homem na Escuridão" e "Invisível", saõ absolutamente imperdíveis!
Mário leia "A MÚSICA DO ACASO" e/ou "Mr. Vertigo" e depois fale comigo...
EliminarNunca li nenhum deles. Fica combinado.
Eliminarestou a meio do "Retorno".
ResponderEliminaré um excelente romance. grande Dulce!
há muito tempo que não lia um livro que me ia sugerindo uma série de ideias, relativas ao seu conteúdo, obrigando-me a escrever...
Muito interessante e até revelador o post de MRP quando coloca de: "leitores que têm por hábito desconfiar da literatura francesa".
ResponderEliminarFrancamente uma condição génial, talvez o caso para apreciar com moderação.
Bom fim de semana a todos.
Ando a ler um livro delicioso, que constitui uma fantástica estreia na área da ficção, "Rostos na Multidão" de Valeria Luiselli. Entrtanto li o original e viciante "Havia" de Joana Bértholo. Estão em lista de espera "A Visita do Brutamontes" de Jennifer Egan e "Uma Vasta e Deserta Paisagem" de Kjell Askildsen. Cumprimentos livreiros e um bom fim-de-semana para todos,
ResponderEliminarJC
Bom dia,
EliminarExcelentes escolhas de leitura.
Felizmente tive oportunidade de entrevistar a autora e de escrever sobre Askildsen.
Se tiver interesse, tem aqui a entrevista com VL.
Cumprimentos
Mário
http:/ oplanetalivro.blogspot.pt /2012/03 entrevista-com-valeria-luiselli-sobre.html
“Uma Viagem à Índia”
ResponderEliminarOra aí está! Como disse Maria Almira num comentário anterior, é o mapa do tesouro. É essa, exactamente, a sensação que tenho quando leio mais umas páginas deste livro.
Diria (se calhar vi isto escrito em algum lado) que são “Os Lusíadas” do nosso tempo.
Ando há meses a ler este livro, em pequenas doses, aos bocadinhos – não me custa confessar que o levo comigo as bastas vezes que vou acompanhar a minha mulher às consultas, tratamentos, etc. Essas longas “secas” passo-as ali na sala de espera, a avançar mais umas páginas (ia a dizer umas milhas), mais umas estrofes, cada uma delas suscitando outras ideias, outras pistas, reflexões, desejos…
A Viagem tem um fio lentamente narrativo, como se fossemos realmente a navegar naquela imensidão, vagarosamente embalados pelo ondular das inúmeras e deliciosas derivas que Gonçalo M. Tavares por ali planta para nos fazer pensar – melhor: para nos dar oportunidade de pensar.
É por isso que depois nos apetece, como a Maria Almira, fazer citações.
E qual é o mal de, neste caso, citar? A intenção é homenagear o citado, não é abrilhantar um jantar, ou dar-se ares numa ocasião social.
O meu exemplar do livro tem dobrados os cantinhos de inúmeras páginas, cada dobra uma coisa para reter, para lá voltar e, na melhor ocasião, citar, homenagear.
Por exemplo, aqui há uns meses, no consultório do dentista dobrei o canto da pág. 36, porque nela está escrito que “Os deuses existem / como se não existissem, e assim / não existem, de facto, com extrema eficácia.”
Mais adiante, no laboratório de análises, pág. 40, foi porque “ (…) as discussões universais dos homens / são sempre discussões particulares. Cada qual / está debruçado sobre o mundo / em parapeito frágil. / (…) / Cada país é um pormenor que cada habitante utiliza / como melhor lhe convém e como a lei / permite”. E, cinco páginas depois, “Porém, é evidente que nenhum acontecimento / começa com letra idêntica a outro. E se entra / em dicionários ou enciclopédias é porque esse facto / é facto domesticado. / Digamos mesmo: se aos actos decepares a energia / e a eficaz existência / ficarás enfim com uma história / publicável. O relato como amigo desleal / dos factos, eis uma hipótese”.
Andei a pensar nisto muitas vezes, e sempre que, numa sala de espera, abria de novo o livro, não avançava sem voltar a esta hipótese: o relato como amigo desleal dos factos…
De modo que, no pós-operatório, até passei a pág. 51 sem notar que Maria Almira andava por ali.
E indo por aí adiante, sempre a dobrar cantinhos, eis que, na sala de espera da fisioterapeuta, me deparo com esta na pág. 130: “Se na água um açúcar fraco se dissolve, / já num corpo de homem as histórias mantêm-se / num sítio do organismo que guarda as narrativas / (vamos supor que existe). / Nada se perde, nada se ganha: tudo é empate / como nos maus jogos. Porém, a memória não é assim / - quem relembra inventa: tudo começa de novo”.
Sim: de cada vez que me sento numa sala de espera e retomo a viagem para a Índia, volto às páginas que têm os cantinhos dobrados (a memória) e reinvento (porque o relato é desleal) com outras palavras o que de lá citei nas anteriores consultas. E tudo começa de novo.
Já agora, outros livros em andamento.
“A Saga / Fuga de J.B.”, Gonzalo Torrente Ballester. É um outro género de mapa do tesouro. Um labirinto, ao jeito de algum Saramago (se calhar também li isto algures, e parece-me certo). Vale a pena o esforço de desbravar, porque se encontram tesouros muito gratificantes (tal como em Saramago). Exige dedicação (idem). Não dá jeito para levar para os consultórios porque não é fácil interromper, sem prejuízo, a leitura (aspas).
“Amor & Cª”, Julian Barnes. Vou mais ou menos a meio. Desafia-me porque são perspectivas diferentes sobre os mesmos factos. Cada personagem que os relembra, inventa-os – tudo começa de novo.
“A Brusca”, Agustina. Recolha de textos da juventude. Percebe-se melhor Agustina – vejo-a agora com outros olhos.
E vamos indo
Extraordinário Joaquim Jordão.
EliminarGostei tanto de o ler!
Esta foi uma excelente ideia de ASeverino que a nossa anfitriã acolheu, oxalá se repita todos os meses.
Isabel
Aproveito a oportunidade que se oferece no blogue, principalmente pelo vazio de comentários de fim de semana, cujos comentadores estão a folhear as obras que expuseram nas suas confissões de leutura retro, para sugerir à sua autora que, se possível, aborde o tema das vanity publishing.
ResponderEliminarSuponho que nunca foi colocado em apreço este tema, porquanto ele se insere numa esfera paralela ao mainstream editorial, mas que envolve uma actualidade significativa.
O blogue é sobre livros, será sobre estes e os seus autores que todos nós queremos falar, ler, debater, contradizer. A autora tem, neste particular, uma extraordinária coragem e desassombro, pois que, com o seu múnus na actividade editorial, abre aqui um forum conveniente, perspicaz e frutuoso.
Adianto que a forma de publicação referida (não gosto do termo vaidade, mas é assim conhecida) não me agrada; nem a ela recorri algum dia. E desaconselho a quem quer ver um livro publicado para além da meia dúzia de exemplares para oferecer aos amigos no Natal, que enverede por esta via; será melhor que o faça suportando os custos gráficos. É que, tirando a ideia da chancela que subjaz nas pseudo editoras (não cito os nomes das que existem porque não gosto de ser inconveniente e elas justamente fazem o seu papel), o autor acaba por pagar o custo da publicação, ainda que subsumido nos exemplares com que é obrigado a ficar.
É este o assunto que gostaria de ver tratado, até porque li atrás o pedido de um jovem autor que quer ver a sua obra nos escaparates e poderá cair na tentação...
Sobre o post, não vou dizer qual a obra que ando a ler, porque não ando a ler alguma, nesta altura.
múnus/ leutura retro/ vanity/ publishing mainstream ....é com isto é que eu afino...com esta conversa de ervanária, a tal conversa da treta de quem se leva muito a sério...fala muito e não diz nada...
EliminarTem sido muito interessante saber o que estão a ler ou a reler, esta gente toda!
ResponderEliminarE achei perfeita a sinceridade com que referiram Moby Dick ou o Monte dos Vendavais!
Bom, tenho de fazer também uma confissão:
- Acrescente-se à minha lista de leituras actuais, o recém-adquirido "O romance português contemporâneo"... que me fez pôr ainda de lado a "O mar em Casablanca"! Estou a ler com o maior interesse e sem parar! Recomenda-se!!!!
Por curiosidade, irá depois para o lado dos III volumes da "História da Literatura Portuguesa - ilustrada", de Albino Forjaz de Sampaio, Livraria Bertrand 1932, que a seu tempo e em garoto me deliciou. E, para junto das duas edições (não sei porquê pois não é do meu tempo...) da "História da Literatura Portuguesa", Mendes dos Remédios, Atlântida - Livraria Editora. Uma 5ª e uma 6ª edição de 1921 e 1930 respectivamente.
Um bom fim de semana! Leia-se!!!!
Tardiamente o faço, mas com vontade. Partilho das leituras de muitos de vós, entre Ballester e Gonçalo M. Tavares. Sai há pouco do «Livro» do José Luís Peixoto, passei pelos «Anos indecisos» do Ballester e estou agora no livro premiado este ano pela LeYa, ainda sem outro comentário que não este: parece-me que vale a pena.
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