Livros a mais?

Os livros são um problema para quem gosta muito deles e não lhes resiste. Numa crónica publicada no dia 17 de Junho no jornal Público, Miguel Esteves Cardoso contava que estava a mudar de casa e falava do trabalho que representava transportar os livros de um sítio para outro e arrumá-los, um por um, na casa nova. Pareceu-me que, ao olhar as pilhas no chão, pensava que, afinal, talvez tivessem razão aqueles que se renderam aos livros electrónicos e não se importam com o cheirinho do papel, os sublinhados ou o cantinho dobrado para marcar a página onde ficámos. Porém, ao mesmo tempo, percebia-se que não deixará nunca de comprar livros, apesar de ter muitos que certamente ainda não leu. No dia em que se comemorou o aniversário de Eduardo Prado Coelho, li na Casa Fernando Pessoa, numa sessão de homenagem, um texto seu que falava exactamente da sua ideia de biblioteca; e dizia o professor, entre outras coisas, que só se sentia realmente sossegado quando tinha tantos livros por ler quantos os que tinha lido – o que, no seu caso, queria dizer mesmo muitos. Em minha casa, embora haja muitos livros que ainda não lemos, não resistimos a comprar uma parte significativa dos que saem. Guardamos, ainda, livros que sabemos que nunca vamos reler. Serão livros a mais?

Comentários

  1. Se sentires os livros
    Como um pedaço amorfo de papel,
    Os livros serão apenas árvores a quem se tira vida.
    Mas se os sentires como gavetas do teu cérebro,
    Os livros serão bonitos enxertos de pele.
    Logo, porque à pele se pedem cuidados,
    Os livros nunca serão demais!

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  2. são mesmo livros a mais.

    deve ser um problema que afecta grande parte dos "extraordinários" comentadores que passam por aqui.

    há três características que unem uma boa parte de nós (que temos "tenda armada" aqui): gostar de ler e de livros (a principal), gostar de escrever e gostar de falar sobre livros.

    penso que é um vicio. porque mesmo sem espaço para mais livros em casa e tempo para a sua leitura, sempre que vou a uma feira ou entro numa livraria, há sempre um livro (pelo menos um) que me pede "namoro", e nestas coisas do "amor", nem sempre se resiste... :)

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    1. Aplaudo novamente!!!!

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    2. Gostei da expressão "tenda armada". É que é isso mesmo! Ehehehe ...

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  3. Quando decidimos ter um filho sabemos que iremos ter preocupações para toda a vida, quer queiramos, quer não. Os livros são uma espécie de filhos adoptados, dos quais não queremos separarmo-nos, eu pessoalmente não gosto de os emprestar (só o faço a pessoas especiais, como se escolhesse a casa onde o meu 'filho' vai ficar algum tempo).
    Como já morei em 14 casas diferentes, a minha ciganice fez-me deixar 'prole' em casa dos meus pais, da minha irmã (que felizmente mora numa casa com espaço digno de armazém), do meu ex-marido, e dos meus ex-sogros. Não foram abandonados! São meus, os actuais fiéis depositários sabem-no, e eu sei o que está aqui e ali. Sobre todos estes tenho um sentimento que poderia corresponder ao de quem tem filhos a viver no estrangeiro e que vê só de vez em quando.
    Nunca são muitos, são todos diferentes (tenho vários gémeos, o mesmo livro em edição diferente). Aquecem-me a alma, matam-me o vício e são eles as verdadeiras paredes da minha casa da qual, no fundo, nunca sai, nem nunca mudei pois a essência acompanha-me sempre.
    Pensar que são muitos, mesmo com dramáticas faltas de espaço, equivaleria a recusar pôr mais um prato na mesa.

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    1. Continuo a aplaudir!!! Fantástico paralelo...

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  4. Não é nada simples a relação com os livros, seja ela de que tipo for. Não é certamente uma relação de tipo meramente funcional, utilitário, ainda que a essa utilidade se chame entretenimento ou até "prazer". Quando nos passa pela cabeça a ideia de a ordenar ou limitar, percebemos o seu carácter errático. Talvez tenha uma complexidade e uma imprevisibilidade próxima da relação com as pessoas: mesmo as que não conhecemos são sempre uma possibilidade, um "sabe-se lá...", um "talvez um dia..."

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    1. Beijo-lhe a mão com que escreve, minha Senhora!

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  5. Claro que há sempre livros por ler. Porém, que fazer? Ainda agora, tive conhecimento de que vai ser apresentada uma publicação interessante: Mosteiros Cistercienses das Beiras (na Covilhã), ontem, comprei um de Geografia, reformulado, (Orlando Ribeiro). Mas não descanso enquanto não conseguir reler a Guerra dos Mascates de Miguel Real, é que há algum tempo li-o, um pouco de fugida, é um calhamaço, e cheguei à conclusão de não ter percebido grande coisa, dado que, posteriormente , ouvi uma pessoa fazer a sua abordagem. Talvez eu seja mesmo burro ou desatento, porque essa pessoa fez outra leitura e, ao que me pareceu, muito mais inteligente...

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    1. Estou consigo meu caro!

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    2. Oh Luís eu já li um livro do Miguel Real e fiquei vacinado...um grande barrete "O ÚLTIMO NEGREIRO", ou então, tal como o meu amigo, sou mais um grande burro. É que depois de ter lido, sobre a mesma personagem, o excelente "O VICE REI DE AJUDÁ que, note-se, não foi escrito por um português Bruce Chatwin ), considero este negreiro do Miguel Real um barrete de caixão à cova, uma estopada do caraças. E, que me perdoe o Miguel Real, que até já poderá ter escrito, depois daquele, bons livros mas dificilmente irei comprar mais algum livro dele; ainda lá tenho na prateleira "A VOZ DA TERRA" e qualquer dia encho-me de coragem e pego-lhe...mas tenho que arranjar coragem

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  6. Como trabalho numa editora e tenho acesso privilegiado a livros, nos últimos tempos tenho adoptado um sistema que me tem ajudado a solucionar a falta de espaço para livros lá em casa: enquanto leio um livro penso já na pessoa a quem gostaria de oferecer aquele livro. E assim, tenho quase a certeza de que essa pessoa o vai apreciar (e espero que não se importe de receber um livro em segunda mão).
    Como gosto muito de livros, estranho a forma desprendida como algumas pessoas se desfazem deles. E, sim, decididamente, vão continuar a entrar livros lá em casa, apesar dos muitos que continuam por ler e outros por reler. Estão ali, amigos fieis para horas tão diferentes, sempre extraordinárias.

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    1. Tiro-lhe o chapéu com uma vénia, minha Cara!

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    2. Ao menos à Anabela não se aplicará o provérbio "dá Deus nozes a quem não tem dentes"

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  7. O personagem do livro que estou a ler, "Os Cadernos de Dom Rigoberto" de Mário Vargas Llosa tem, curiosamente, uma solução para o problema do excesso de livros: estabeleceu um numerus clausus de 4000 volumes, que nunca varia e ... que o obriga a queimar na lareira um dos livros em excesso quando na biblioteca entra um novo. Porém, como não há soluções perfeitas, a escolha do excluído, condenado ao lume, atormenta ferozmente Dom Rigoberto...
    Cristina

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    1. Uma solução suicidária... o caminho certo seria a oferta, e assim os manteria disponíveis...

      Não aplaudo tal solução!

      E "prontos"... terá acabado por aqui a minha veia e intervenção solidária com os posts extraordinários com que fomos brindados?
      Esperemos pelos próximos capítulos...

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    2. Cara/o, sim, claro... mas no domínio da ficção tudo é possível e o personagem, Dom Rigoberto, justifica-se dizendo que inicialmente doava os livros excedentários mas que, a partir de certo momento, julgou ser incorrecto doar aos outros aquilo que ele não julgava digno de guardar para si... eheheh
      Cristina

      P.S.: ocorreu-me ainda outro personagem bibliófilo incendiário, o detective Pepe Carvalho dos livros do Montálban... mas deve haver mais!

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  8. Quando um e outro gostam de ler, a casa fica cheia de livros: os meus e os dele e depois os nossos. O curioso é verificar que alguns estão duplicados, em tudo iguais, menos nas dedicatórias: vestígios de amores passados. Assim foi com "A invenção do amor" de Daniel Filipe.
    Isabel

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    1. Pela calada da noite, entro descalço, com o vício escondido debaixo do casaco (+ 4 livros), e eis que fui descoberto: mais? mas onde é que vais pôr tanto livro? derretes-me o ordenado todo em livros...e lá me delicio eu em procurar mais um cantinho para eles, o que me obriga a contactar com a grande maioria, fazendo novas descobertas que já estavam esquecidas...

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    2. Caríssima Isabel, o que dizer de dois divórcios na delapidação do património bibliográfico?:) Terrível, garanto-lhe!

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    3. Cara ana b. imagino a delapidação! No Natal passado, à conta de um divórcio, nós, os amigos, andámos à procura dos discos de Chico Buarque para refazer toda a colecção da nossa amiga recém divorciada. Pode ter perdido o marido mas ganhou um Chico Buarque completo e novinho!!!
      Isabel

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    4. Eu quero uns amigos assim!!:)

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    5. Então vamos lá, que colecção é que lhe falta??:)
      Isabel

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    6. Muitas, muitas...
      Mas obrigada pela intenção:)

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  9. Estou a gostar imenso de Vos ler...
    Sois de facto Extraordinários e extraordinárias as abordagens, caracterizações e até soluções!

    A minha mulher critica-me ásperamente pois a sua postura teosófica é de desprendimento, não cultiva a posse... Eu, camponês, pelo contrário sou materialista e valorizo o sentimento de "ter".
    Já nem sei se gosto de ler ou de falar ou de possuir livros! Mas sei que gosto de os ter!!!
    Serei até, na minha assumida ignorância e fraca cultura, um ajuntador de livros...

    Compro e aceito todos os que me dão... tenho mantido religiosamente os muitíssimos que herdei, e vou juntando os que por morte de pais de amigos ou parente mais velhos me oferecem.
    Porque sou um privilegiado, aceito!
    Tenho a dita de morar numa casa com 23 divisões, onde me posso dar ao luxo de ter um escritório para mim e outro para a minha mulher, uma casa para o material da pesca, uma sala da caça, um salão cheio de estantes, recordações e colecções... aliás há estantes com livros por toda a parte, até no corredor para os quartos onde estão os não contabilizados milhares de "Patinhas" e outra banda desenhada, algumas enciclopédias, almanaques, as "Selecções". Nos escritórios, no salão e na sala da caça, por baixo de cornos, dentes e cabeças, de quadros e fotografias... há livros e pó, por todo o lado.
    E ainda tenho muito espaço!

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    1. MAS PORQUE É QUE ESTA PORCARIA HÁ-DE ATREVER-SE A DECIDIR SE É ERRO!
      RAIS'PARTAM ÁS MÁQUINAS PSEUDO-INTELIGENTES!

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    2. António Luiz Pacheco28 de junho de 2012 às 04:44

      E agora sou anónimo????

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    3. Como eu te entendo Paulo Anónimo.És a minha alma gémea dos livros.

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    4. Uma pergunta, caríssimo Pacheco: será que escreve nas profundezas do oceano? Esses BR quase se assemelham às bolhas de água que saem do mergulho com a garrafa.
      Quanto a ser "anónimo", já não passa por isso, porque escreve bem e nota-se o seu sinete.
      Há outros "anónimos" que podem ser anónimos para nós, os de fora, e não serem anónimos para os da casa.

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  10. Desculpem, mas não consegui deixar de me lembrar de um velhíssimo conto que li no tempo em que os animais falavam. Aqui vai o final com a grafia original:

    “[...]
    Uma tarde chegou uma carta que dizia:
    «Meu caro pae , vou bem, vou muito bem. Pelo proximo paquete espero poder enviar-lhe cem mil réis, quantia que continuarei a mandar todos os mezes .»
    O Conde procurou paquete no diccionario de Moraes , mas achou a palavra comida pela traça.
    O José chorava de alegria e n'aquella noite deitou duas taboas no lume, acceitou um copo de vinho ao João Pereira, e, quando acabou o terço, disse para o Conde, com quem o resára em voz alta:
    —Para que se realise o que sr . D. Carlos nos promette : Salve, Rainha.
    E passou-se mez e meio e o Conde dizia:
    —O que será paquete?
    De Agostinho de Macedo para cá não sabia nada, não lia jornaes , nem vêl-os queria. Detestava-os com um odio de velho, quasi instinctivo . Quando via algum jornal murmurava logo!
    —Maçonaria!
    E continuava a esperar o paquete, como um sebastianista espera D. Sebastião, com uma confiança cheia de misterios e de pequenas impaciencias.
    O palacio já pouco mais tinha do que as paredes. Pouco a pouco, taboa , por taboa , viga por viga, o quarto do criado passára pela chaminé e este dormia agora na camara do Conde.
    E o velho fidalgo dizia ao ver crepitar na vasta lareira as taboas carcomidas:
    —Paciencia! Isto concerta-se depois, quando chegar o paquete.
    E o José apenas respondia:
    —Salve, Rainha.
    Estava-se no principio de janeiro.
    O Conde começou a separar os livros em duas classes: a dos livros uteis e a dos livros inuteis .
    Os livros inuteis transformaram-se em calor, e, quando o Conde via as paginas amarelladas torcerem-se sob a acção do lume, olhava para ellas tristemente e depois, erguendo os olhos para o retrato do avô, dizia mentalmente, como que pedindo desculpa:
    —São os peores.
    Acabaram os livros inuteis e o Conde poz de lado os optimos e queimou os restantes.
    Duraram dois dias.
    E como o paquete não chegava, o Conde coçava a cabeça e olhava com um modo menos respeitoso para o missal romano.
    O José triplicava o numero das salve-rainhas.
    E o paquete não chegava, e os manuscriptos arderam, e o Conde queimou as gravuras e conservou apenas o Suetonio. br>Passados dias chegou uma carta.
    Trazia um sobrescripto azul, um pouco transparente, muito boa lettra , uma lettra com muitos finos e grossos, como a d'um professor de caligraphia . Trazia a marca do Brazil e cheirava a carvão de pedra.
    Foi o José quem a recebeu, e correndo para a livraria, onde o Conde estendia instinctivamente as mãos tremulas sobre as cinzas frias da chaminé, entrou gritando:
    —O paquete! o paquete!
    O Conde estremeceu, ergueu-se e pegou na carta.
    Era talvez a riqueza!
    Passou-lhe uma nuvem pelos olhos.
    Encostou-se a uma poltrona e, tremendo, abrio o sobrescripto .
    E leu:
    «Temos o doloroso dever de dar parte a V. Ex.ª do fallecimento do seu filho...»
    O Conde não pode ler mais e deixou cair a carta.
    José exclamava:
    —Perdidos! Perdidos!
    E dava com a cabeça nas paredes.
    O Conde conservava-se silencioso e fitava os olhos turvos na folha de papel azul, que tremulava no chão assoprada pelo vento.
    —Resta-nos a caridade, José, disse porfim . Vae , vae ter com essa gente a quem hontem ainda eu dei esmolla , e dize-lhe que o Conde lhe pede, por amor de Deus, um bocado de pão.
    E depois soluçando:
    —Manuel! Filho!... Meu querido filho! E como fazia muito frio, o Conde queimou o Suetonio.

    João da Câmara, Contos (1900, livraria editora Guimarães, Libanio & c.ia, 108, rua de s. Roque, 110, Lisboa)

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    1. Idem!

      A.L.Pacheco

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    2. Que maneira tão boa de começar a tarde. O texto é lindíssimo.
      Isabel

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    3. ...e, convenhamos, há no texto uma certa actualidade...

      Infelizmente...

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    4. Delicioso! Adorei.

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    5. O que significa aquele "concerta-se"?

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    6. Como se diz no início, o texto foi transcrito sem nenhuma alteração da grafia da edição original.

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    7. Gostei da ortografia arcaica.
      Quando aconteceu a reforma ortográfica de 1911, muitos pinotes deram os indefectíveis defensores da imutabilidade da língua portuguesa. Não há "pae" para o português.

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  11. Costumo seguir o seu blogue e gostei muito do seu texto. Tanto que o citei no meu blogue. Gosto muito de livros e compro imensos (na minha idade há pouco quem o faça como eu, por isso sei que sou uma espécie de bicho do mato). Não consigo deixar de comprar mais, ainda que tenha imensos para ler. Quem me dera ter vida e vista para ainda vir a conseguir lê-los todos. Mas, seja como for, são meus e gosto deles todos. Por que custa tanto a algumas pessoas compreender isto?...

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    1. António Luiz Pacheco28 de junho de 2012 às 06:36

      Hum... lamento minha cara, mas bicho-do-mato sou eu! A traça... Você será quando muito um peixinho-de-prata e um dia, rato-de-biblioteca !

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  12. Livro? Muitos mais!

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  13. Livros a mais? Claramente. Apesar de tudo, da crise e do que mais se possa sempre chorar, teremos todos coisas a mais. Pois se até há aqui um amigo extraordinário que apregoa 23 assoalhadas... Antes assim.

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    1. António Luiz Pacheco28 de junho de 2012 às 06:20

      Não apregôo, gabo-me!!!!
      Ahahah!
      Por enquanto o IMI não é pago por sala...
      Eheheh!

      Um abraço!

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    2. Abraço também, António. Não sou de invejas e de todo o modo uma dimensão dessas até me atrapalharia. Apenas apanhei boleia do número para ajudar a compor a ideia.

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  14. Gostariam de conhecer a Formosa?!

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    1. António Luiz Pacheco28 de junho de 2012 às 06:21

      Formosa?

      Diga lá minha cara...

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    2. o Pacheco olha se estou aí na esquina, numa quina dessa sua casa, quatro cantos, cada canto um santo, cada santo vê outro santo, quantos são?! E o traidor. É certo que valete nem rei é. Adiê.

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  15. Só gostava de lhe ver uma ideia original uma. Ser uma grande desilusão já não deixará de ser, mas por favor, uma ideia original, um pensamento inovador, por favor. Não me faça mais isto.

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  16. E qual é o problema das 23 assoalhadas?? Problema e esse sim, INJUSTÍSSIMO, são pessoas que toda a gente sabe que existem, que não fazem nada de nada e que por obra e graça de deuses e santinhos recebem em sua casa livros de muitas editoras, vá lá um cristão perceber porquê!!! É que os críticos literários, eu entendo e percebo que têm de ter os livros. Agora, pessoal que não faz nenhum...
    Eu também compro alguns livros, não tantos como gostaria, mas infelizmente não tenho posses para mais! Tenho de deitar conta aos meus cêntimos, todos os meses, para comprar um livrinho.

    Ele há injustiças! Há, há!

    ML Martinez

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  17. Se gostaram do final do conto de D. João da Câmara, quando tiverem tempo, poderão ler o conto completo que copiei para o blogue:

    http:/ arevoltadasfrases.blogspot.pt /2012/06 para-que-servem-os-livros.html



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  18. Livro fenômeno de essência.

    Saint Exupéry - O essencial é invisível aos olhos.

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  19. Pode não haver livros a mais, mas certamente nas bibliotecas particulares estarão alguns livros a mais.
    Eu arranjei uma boa solução. Como habito uma moradia e tenho uma outra casa, distribuo os que estão comigo e aqueles que quero longe. Depois, é forrar as paredes com estantes e, consoante a altura do solo ao tecto, utilizar a sempre´útil escada corrida em calha.
    Quando dou livros, nunca os dou já lidos por mim. Esses fico com eles, ainda que os ponha mais distantes.
    Também não os vendo. Hão-de "morrer" comigo e, se não ficar em testamento, estejam comigo na cova ou na incineração.

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  20. Livros a mais? Nunca!!
    O que eu tenho é tempo a menos...:)
    Ai...quem me dera ser rica...

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  21. Haverá felicidade a mais? Saúde a mais? Dinheiro a mais quando avaliado por quem o tem? Vida a mais? Amizade a mais? Então porquê livros a mais? O tema hoje foi um pouco estapafúrdio, na minha opinião. Um bocadinho a menos.

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  22. Escapatórias dignas para o problema criado pelo coleccionismo de livros estimáveis em versão "hoarding" que é incompatível com casas pequenas ou dimensionadas de maneira incompatível:

    - oferecer a bibliotecas (das cidades do interior do "país real", que não têm vergonha de aceitar livros dados e doados e precisam deles... como de pão para a boca);
    - oferecer aos amigos e familiares;
    - deixar em locais públicos (um risco, porque não se sabe o que poderá fazer a um livro alguém que "não gosta" de ler, mas...);
    - depois de aquecido o espírito com eles, aproveitá-los para aquecer o corpo, utilizando-os na lareira;
    - depois de alimentado o espírito, aproveitá-los para ajudar a alimentar o corpo, utilizando-nos no grelhador ou no forno a lenha;
    - depois de embalado o espírito, aproveitá-los para embalar o corpo, fazendo deles bases para camas.

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  23. muito estéril e obscura esta luta pelo melhor comentário...

    leiam!

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