Incompreensão inteligente

Lembro-me, na idade do armanço, de ir ao cinema Quarteto e ao Estúdio 444 ver filmes difíceis (sobretudo de línguas esquisitas) e, em muitos casos, não perceber patavina, mas achar mesmo assim que tinha valido a pena, pela beleza, pela imagem, por me fazer pensar. Mais tarde, um amigo que foi comigo ver Os Livros de Próspero, de Peter Greenaway, saiu a dizer que não tinha pescado nada, mas que as imagens eram tão belas que, naquele caso, buscar um sentido para o filme era completamente secundário. Um dia destes contaram-me uma história muito bonita que tem algo que ver com este tipo de «incompreensão». O escritor Vitorino Nemésio tinha, no início dos anos 1970, um programa de televisão chamado Se bem me lembro, no qual divagava sobre, basicamente, o que lhe apetecia (alguns dos leitores deste blogue devem lembrar-se, outros não terão nenhuma ideia de como era, mas vale a pena procurar no YouTube). Ora, parece que ia um dia Nemésio na rua e uma mulher se aproximou dele para lhe dizer que não perdia um só dos seus programas; e, no entanto, acrescentou: «Claro que não percebo nada, mas gosto muito.» Esta história foi-me contada por António Manuel Baptista, o físico que também tinha na época um programa televisivo chamado Física Moderna, e a quem aconteceu o mesmo num mercado alentejano: as peixeiras vieram todas cumprimentá-lo e disseram que saíam da praça a correr para irem assistir ao seu programa; não percebiam nada, mas isso não tinha importância, porque ouvi-lo era maravilhoso.

Comentários

  1. Bom dia Maria do Rosário

    O seu post de hoje fez-me lembrar uma passagem contada pela Agustina Bessa Luís na televisão que numa ocasião uma senhora a abordou e lhe disse « sabe , gosto muito de si.. um dia ainda hei-de ler um livro seu....
    Obrigada

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  2. Pois, que belas imagens e grandes argumentos vistos, revistos e ouvidos, quer no quarteto, quer no estúdio. Cinema italiano, canadiano, português, checo e russo, como poderia esquecer André Rubiov ou Árvore dos Tamancos, só para exemplificar. Há muita coisa de que se gosta independentemente de se entender na totalidade; por vezes falta-me erudição, mas não capacidade de análise de modo a intuir quanto à qualidade. Lembro-me perfeitamente do programa "Se Bem me Lembro" era interessante, aprendia-se sempre e falava de nós enquanto Nação, sociedade, literatura e Povo. Por vezes era aborrecido, demasiado extenso e linguagem não acessivel a quaquer um, mas compensava o esforço. Era diferente das "Conversas em Família" de Marcelo Caetano, creio que à Segunda-Feira que me angustiava e provocava nauseas, como agora as conversas acerca da crise, do euro, do empreendedorismo e de tanta coisinha que não tem um bocadinho de sumo. Em Angola, quando alguém discursava para se fazer ouvir - falácias (tretas) - dizia-se que não estava a dizer nada, apenas estava a falar. É verdade, nós, em Portugal, temos vindo a falar muito, mas...

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  3. Todos os que se divorciam um pouco do mundo mensurável têm a grata felicidade de reconhecer essa incompreensão inteligente, que mais que incompreensão pode ser poema. Chamando-me a atenção para os Amigos do Livro, como podia ter-me chamado a atenção o olho do sapo, ou o redondo dos relógios das horas extraordinárias, está lá a Origem Das Espécies, como a Volta do Parafuso, o coração duplo, a Livreira Anarquista, os Livros Ardem Mal, etc , etc ...
    Ontem tentei unir-me um pouco ao mundo, unindo com corda nos sapatos pontos da minha cidade. No Jardim Botânico encontrei-me com essa incompreensão inteligente de me sonhar a afagar as raízes de um figueira estranguladora, bem como a abrigar-me num dragoeiro que mais que fogo, expelia recato e afago debaixo de um enorme chapéu de largas abas; nas ruínas do Convento do Carmo abandonei-me aos tremores e temores dessa Lisboa temerosa setecentista, entremeando os gritos do povo amedrontado com os gritos e uivos à liberdade desse salgueiro que desceu à cidade; no justo elevador, sentei-me e fechando e entreabrindo os olhos, senti a alvura da minha cidade, a minha cidade branca; na Sé, senti-me dono de uma Lisboa medieval, reverente à Europa Christiana, embora sentisse o peso dessa espada dos justos; na rua, um fugidio encontro feito só de Se Bem Me Lembro, com o não lógico Condessa - o tal que diz que a lógica leva-te de A a B, a imaginação a qualquer lugar; naquela rua, envelhecida, de S. Catarina, olhei e vi-te à janela, sabendo que ali tinhas adormecido para a vida para a recomeçares, fraco putanheiro para tão grande versejador que tu és, ò Manoel.
    Perceberam alguma coisa. Talvez não. Mas soube-me muito bem esta minha incompreendida caminhada de A a B!

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  4. Perceber não é uma coisa momentânea, mas continuada e sempre inacabada. Há situações de interiorização obscura que, de momento, não somos capazes de verbalizar, mas ficam a germinar.

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    1. Obrigado Maria Almira. Maria do Rosário não sabe o quanto preenche minha cultura literária e minhas PERCEPÇÕES, mas alguns que a comentam também o fazem vivamente. Com referências garantidas direi suas palavras a meus alunos.

      Segue o obrigado de uma brasileira.

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  5. Sobre este assunto e falando de filmes chatos mas com muito êxito, lembro-me de ter ido ao Quarteto ver o Sacrifício, filme de Andrei Tarkovski.
    Bom, o filme arrastava-se chato, longo, todo ele cheio de angústias interiores à moda do Bergman, quando um espectador lançou uma boca para a plateia -- porra , que isto é mesmo um sacrifício; estou farto desta história.
    E, engraçado, uma boca destas noutro cinema teria posto o pessoal a rir.
    Ali, rodeado de pessoas empolgadas no armanço, poucos acharam graça.
    Mas era mesmo um sacrifício e a meio da sessão, no intervalo, demos o piro dali para fora!

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  6. Fui tão feliz no Quarteto e no Estúdio 444...:)

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    1. Também fui muito feliz no estúdio 444 :)

      A minha avó trabalhava na bilheteira.

      Muito filme à borla vi no 444 :)

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  7. O post de hoje trouxe-me de imediato a "extraordinária" Cláudia S. Tomazi. Delicio-me com os seus comentários. São, muitas vezes, os únicos que releio. Um abraço, Cláudia.

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    1. Emoção é nossa poça saudade!

      O abraço atlântico, João.

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    2. Caro João J. A. Madeira:
      Não está só.
      Encontro frequentemente comentários da Cláudia no blogue «De Rerum Natura», tenho que ler aquilo várias vezes, mas há ali muita poesia.
      Tanto quanto percebo, a Cláudia é brasileira e acompanha-nos a partir do Brasil (o que a Internet permite), daí ter alguns referenciais diferentes dos nossos, tanto na escrita como no pensamento.

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  8. Com relação ao post: molha-se a amizade e o amor brotea.

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  9. António Luiz Pacheco14 de junho de 2012 às 06:26

    Ahahah !
    O post faz-me rir... desculpem a vulgaridade!

    Sempre achei que há quem fale, escreva ou pinte e faça cinema para si!
    E afinal parece mesmo que assim é...

    Até hoje não consegui perceber o "2001 Odisseia no espaço", isto para nem falar na "Árvore dos tamancos" ... mas a partir de hoje sinto-me muito mais descansado , pois não estou só!

    Lembram-se do "Fernão Capelo Gaivota"? Não gostei nada do filme, a minha malta de então (andava no liceu de Oeiras) toda treslocou , mas o facto de eu não ter ido vê-lo com uma "pedra" é capaz de ser a explicação... ahahah ! No entanto era um filme que se tinha de ir ver, como depois foi obrigatório o "Couraçado Pontemkine " ou "António das mortes"... confesso que só vi o último, pois um gajo que andava aos tiros aos cangaceiros parecia-me na época mais interessante que uma revolta de marinheiros russos em 1917...

    Realmente, olhando para trás... nós tivémos coisas... ahahah ! Eu costumo citar à minha malta; "Os velhos desconfiam dos novos porque já foram novos!".

    Victorino Nemésio, conheci-o pessoalmente numas férias na ilha Terceira, em 1977, na casa do dr. Pires de Lima (se bem me lembro) nos Biscoitos, numa chamada "função". Foi das grandes tardes da minha vida e após o mergulho obrigatório no Abismo! Tinha um fino humor sob aquela capa doutoral de intelectual, era um conversador formidável e possuía uma cultura que pela forma como a usavam atraía, até a um moço de 21 anos! Gostava de o ouvir falar, pelo que dizia, como depois gostava de ouvir António Alçada Baptista.

    É bem verdade que os portugueses cultos têm uma tradição de ser, na televisão, pomposos, presumidos, incompreensíveis: Chatos!
    Ainda hoje...

    Já que vem a talhe de foice, porque hoje não dá para gadanhar feno, detestava Vitorino de Almeida, Augusto Abelaira, lembro-me com agasturas do célebre dr. Freitas Branco (que me perdoe o meu ex-colega João Freitas Branco), escapam talvez a esta sina o Maestro José Atalaia e o prof. José António Saraiva (cujo filho curiosamente também foi meu colega de liceu!)
    Cá no meu burgo, o pessoal da cultura também é presumido e chato que se farta... posso dizer à vontade porque não devem aqui vir, e assim amanhã não tenho de levar com nenhum no Correio do Ribatejo, nem na Bijou...

    Confesso que estou a fazer pazes com a cultura nestas horas extraordinárias, e muito grato sou a todos!

    Saudações campesinas!

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    1. Engraçado como todos somos diferentes. E ainda bem. "2001 - Odisseia no Espaço" é, para mim, a Obra. O amigo António Luiz não o entende e eu, de cada vez que o vejo, é como se o visse pela primeira vez. Sempre coisas novas a descobrir nesse maravilhoso, interior, exterior, fantástico filme. Crises existenciais de gaivotas também lhes passo ao lado. Mas o "2001...". Abraço amigo Pacheco.

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  10. Gosto imenso de ler a Claudia, é raro entender o que diz, é certo, mas gosto. Fico espantada como consegue juntar as palavras e construir as suas frases. O sentido escapa-me quase sempre, então resigno-me e penso baixinho " a Claudia é demasiada intelectual para mim!!"
    Beijinhos à Cláudia

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    1. Diria: incompreensão a vez crer no espanto.

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    2. Não é o que eu digo?!! Mais uma vez não percebo...mas gosto...acho eu.

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    3. tal e qualmente ... também não entendo uma vírgula do que escreve a Cláudia mas tassbem e gostamos muitíssimo das suas letras.

      o Capelo era um filme a beirar a chatice mas a música valia a pena ....

      o Sacrífio só não foi sacrífio para quem sacrificou um bocadinho (ou bocadão) a verdade e garantiu que aquele Sacrífico valia a pena ...

      compreendo, estúpida ou inteligentemente, que não estou só ...

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  11. Não venho propriamente para comentar, mas para obter uma explicação.
    Li no post "a idade do armanço", e confesso que me preparei para recolher um vocábulo que desconheço. Só que, quem recolhe, recolhe alguma coisa e eu só registo na memória o que consigo decifrar.
    Por isso, alguém me sabe dizer o significado de "armanço"? Provavelmente é gíria ou calão: de arma ou de quem se arma.
    Vou passar por ignorante, mas não quero parafrasear, no mesmo modo, a mulher que comentou Nemésio: claro que não percebo a palavra, mas gosto muito dela.

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    1. Caro Jocamartinho, "armanço" provavelmente não está dicionarizado mas vem da sua segunda hipótese "armar-se em". Para o caso, "armar-se em bom, sabedor, culto, etc.". A "idade do armanço' é aquela idade em que queremos mostrar que percebomos o mundo. Depois, só depois, percebemos que já no século V a. C. Sócrates tinha razão e que quanto mais estudamos menos sabemos.

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    2. Agradeço ao Nuno a explicação, pois pelo étimo da
      gíria levava-me a crer que o armanço ia nesse sentido. E foi bem empregue.
      "Só sei que nada sei"...

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  12. Engraçado como, até agora, ninguém teve coragem de pôr em questão um “post” sem pés nem cabeça! Adorar algo que não se entende? Sentir a beleza, sem compreender nada? Uns põem-se a fazer divagações sem sentido, outros falam daquilo que é considerado obra-prima e que acham chato... (Estes, pelo menos, são honestos). Mas cumpre-se a subserviência, que culmina na concordância. Deve ser o preço da fama: os outros concordam por obediência, não por convicção.

    Acaba por se cumprir a premissa do “post”!

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    1. Há emoções para as quais não existe um entendimento racional. Procurar uma compreensão lógica naquilo que nos sensibiliza ou nos comove é tarefa inglória. Assim é na beleza ou no amor...não lhe parece?
      Contudo há coisas que de facto requer um exercício de grande compreensão, como por exemplo o de tentar entender a razão pela qual a Sandra acusa todos os que não pensam igual a si de subservientes...
      Isabel

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    2. De facto, Isabel, é muito melhor gostarmos de algo que não compreendemos inteiramente do que não gostarmos do que compreendemos logo. David Lynch teria pouquíssimos espectadores se assim não fosse. Obrigada pela compreensão do meu óbvio post.

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    3. Aqui está, passados tantos anos, uma razão, para as horas que, sozinha, de pasta na mão, vinda da Fac de Letras, eu me arrastava para o Quarteto e me emocionava com a beleza das imagens.
      Hoje emociono-me com outro tipo de coisas, porventura mais simples e singelas... e sinto algum complexo por ter perdido, na voragem dos anos, o gosto pelo (mais) difícil...no cinema, na literatura, nas artes em geral.
      Pelo que fui lendo por aqui, não estou sozinha.

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    4. Há sempre uma explicação para aquilo que nos sensibiliza ou comove. Podemos não nos aperceber dela. Mas há.

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  13. Um que também gostava muito de divagar era o Garrett e dizia que amava a charneca, logo a seguir a ter dito que não havia aí nada que se determinasse bem, que se pudesse definir. E também havia outro que, quando se "armava" em Álvaro de Campos, dizia que éramos todos produtos românticos.
    Boas companhias!

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  14. Com relação a Física Moderna e nem tratando-se de física moderna apenas, aula, conceito ou teoria em volta e meia um vulto ao meio evoluíra princípios, expressara recursos matemáticos nem tão matemáticos por filosóficos entre filosóficos por mateméticos enfim expressara (Décartes) numéricos lógicos ou (i)lógicos, diria talvez: associação, aprimoramento ou rusticidade e porque não de atos falhos assim como Freud explicara o quão organizado em desorganizado ou desorganizado em organizado seria o pensamento humano, perante imagens, recordações até interpretações de sentido literal: real e imaginário. Sei lá, da incompreensão inteligente ao que valha destes exercícios a capacidade criativa ao extraordinário.

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  15. é curioso, ninguém ter falado da capacidade de "seduzir" dos tais "craques", que nos fazem gostar do que dizem, mesmo sem percebermos o que querem dizer.

    o cinema também tem essa qualidade, a beleza da imagem ajuda a esquecer a história banal...

    em relação ao Vitorino Nemésio, ainda pequenote, pensava que o senhor era "humorista", mesmo sem perceber as histórias (ou anedotas) que contava...

    e era normal glosarmos o "se bem me lembro", com a pronúncia natural do Vitorino.

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  16. Vivemos num regime de Censura.
    Os adeptos alemães chamaram durante todo o jogo macaco ao Nani e as Censuras da RTP, SIC, TVI e SPORTV, proibiram a divulgação desse facto indesmentível!!!
    Falam contra a Censura da Coreia do Norte e eles fazem o mesmo, parece que estamos na Coreia do Norte!
    Vencemos a Dinamarca por 3-2.
    É interessante o blog.
    O excelentíssimo António Borges quer que os salários de fome passem a ser salários de muita fome. Mas ele ganha um salário muito interessante e é mais um «moralista», no dia 11 de Junho de 2012, fartou-se de pregar a sua moral para os outros, mas que não usa para si próprio, na RTP1, depois da 22.30.
    O LAZER É ÓPTIMO, O PIOR É QUANDO FALTA O SUBSÍDIO DE FÉRIAS.
    Um programa recente da SIC Notícias disse mentiras sobre o caso «Equador», que tem frases inteiras copiadas de «Cette nuit la liberté».
    MST é um «moralista» anti-Esquerda.
    É sempre bom conhecer melhor um «moralista».
    A Censura anda muito activa nos comentários dos blogs. Espero que deixe passar este comentário.
    Em www.anticolonial21.blogspot.com está a verdade inconveniente sobre a cópia de partes de «Cette nuit la liberté» por Miguel Sousa Tavares para o livro «Equador».

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  17. Armar-se em bom, em sabedor e culto é dizer que se gosta daquilo que se não gosta, porque é culturalmente correcto fazer-se entendido sem se entender.
    Eu só gosto daquilo que gosto.
    Apreciar um filme pelas imagens sem passar cartão ao conteúdo, já é gostar. Mas já não é gostar - falo por mim - ver um "filme" como "Branca de Neve" de João César Monteiro e sair do cinema a dizer que aquela era uma obra prima, um novo cinema, uma vanguarda e outras alarvidades, safa!...
    Apreciar um livro como "Jánika", que recebeu um prémio literário do Cículo de Leitores e dizer que é uma leitura diferente, extraordinária - volto às minhas impressões - quando a leitura chegou ao fim arrastada e aos soluços, bolas!...
    Achar que o livro "Nº 44, Um Estranho Misterioso", - traduzido pela primeira vez em Portugal pela Quidnovi - "nos inquieta com maliciosas dúvidas", mas que me inquietou por estranhar que Mark Twain quisesse ver "aquilo" publicado, irra!...
    Resumindo: a hipocrisia manda na sua regra prima dizer o contrário do que se pensa, só porque "parece bem" ou é "culturalmente pertinente"; a frontalidade promete que se elogie a obra do mais anónimo criador, se ela o merecer e se vitupere a do maior autor, de nela estiver o demérito.

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    1. Só agora reparei no seu comentário, Jocamartinho. É isso mesmo que me faz irritar com este "post": é difícil distinguir a "incompreensão inteligente" dessa hipocrisia de que fala. Se as peixeiras disseram que sairam da praça a correr para irem assistir ao programa do físico António Manuel Baptista, sem o compreender, tem isso a ver com algo que nos fascina, sem o compreendermos, ou com querer mostrar que gostamos daquilo que "está a dar"? O tal "armanço"...

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    2. Dois pequenos reparos se mo permitir: colocar em causa o sentimento de outrem porque não consegue ou acha difícil distinguir duas atitudes não a pode levar a concluir que só uma pode efectivamente existir. Depois, e relativamente à questão que levanta, respondo-lhe o seguinte: julgo que se trata de "algo que fascina" pois quem trata do de mostrar que gosta daquilo que "está a dar", isto é quem está a armar-se nunca, mas nunca confessa que não percebe patavina, bem pelo contrário...

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  18. Gosto de singelezas sem me armar ao pingarelho.

    Ama-se a Vida. Compreende-se a Vida? Nascemos só para morrer. Morremos um pouco a cada dia. Vivemos mais um pouco a cada dia que passa. E depois? Explica-se? Entende-se? Compreende-se?

    Mas gostamos tanto dela .....

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  19. Tal como o José Pacheco Pereira referiu numa crónica da Sábado, houve um "esquecimento do Se bem me lembro". Não há nenhum vídeo sobre o programa (excepto uma "coisa" de 3 minutos com duas ou três falas de Nemésio) nem no Ytube nem em sites da RTP. Quem não viu, como eu, não pode ver. E isto ou é censura ou é mau serviço público.

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